blog do Roberto Leite

Assuntos de interesses multiplos e atuais.

A recusa de mudanças.

Encontrei no blog do Giulio esta reportagem de Rapphel Curvo.
Achei excelente e reproduzo com os créditos.
O mais incrível é que todos sabem dos problemas, querem soluções, e nada acontece. O ECA. Está totalmente exagerado, e necessita de alguma mudança urgente, O Senador Aécio, em um discurso recente, disse o que já comentei neste espaço inúmeras vezes: “os crimes praticados contra a vida, ou crimes hediondos, Têm que ser punido com a força da lei existente”
Isto quer dizer o seguinte:

Existem leis severas no Brasil e devem ser aplicadas às pessoas de qualquer idade que cometem estes crimes e ponto final. Se um menor de 14 anos pega uma arma assalta e mata, tem que cumprir a pena inteira. Fica em um lugar diferenciado até os 18 anos e depois cumpre pena na penitenciária junto com os adultos iguais a ele.
Não se mexe em nada da “Idade Penal”.
Se isto for feito, se resolve praticamente todo o problema da impunidade infanto/juvenil.
Vejam por exemplo o nosso código de transito, esta aberração que foi relatada em 2005 pelo deputado paulista dono da verdade, Ary Kara. Foi modificado inúmeras vezes para poder funcionar mediocremente. Mas melhorou.
Por esta e outras vejo que o título do artigo do Rapphel está correto.
Existe uma recusa de mudança no Brasil, e isto está matando o país. Tem que haver mudanças profundas em nossa sociedade.

Blog do Giulio Sanmartini (1944/2013) evolução - 8
RECUSA DE MUDANÇA
A COLUNA DE RAPPHAEL CURVO
________________________________________
Existe uma grande dificuldade no Brasil em se produzir propostas e projetos inovadores. O País não é adepto da criatividade, muito menos ainda a estrutura administrativa de governo. Inovar parece algo agressivo a população e aos governantes. Mesmo nas empresas brasileiras da iniciativa privada há certa aversão a pesquisa e a aplicação de novas idéias a sua forma de administrar e mesmo na sua produção. Propostas e projetos inovadores que poderiam resultar em avanços ao desenvolvimento das empresas ou Instituições, são bloqueados pela insegurança provocada pelo fator mudança que é um processo temeroso aos administradores, sejam públicos ou privados.

visita - 8Há muita reserva e desconfiança a qualquer idéia que possa mudar o traçado evolutivo com maior dinâmica e eficiência. Acredito que este estado refratário tem sua origem na falta de um estado jurídico mais imperativo, firme e reto. O cidadão não estabelece crença no seu cotidiano, repleto de acontecimentos hostis em, praticamente, todos os campos de sua relação social. Existe, mais forte ainda, um estado beligerante nas relações dos negócios empresariais e econômicos. Cada qual estabelece seu arsenal competitivo como se ele fosse o único e não um grupo, o que prejudica, sobremaneira, a troca de informações e conhecimentos tão importante ao crescimento da economia como um todo.
Isto é muito visível no mercado produtivo e os reflexos são intensos nas relações comerciais até entre países. Essa composição de competição não é a movedora principal do desenvolvimento, mas sim, da imposição dominadora, de conquistas e domínios, traduzidos em submissão de povos, nada diferente da época romana. Trocaram-se apenas as armas e a estratégia, a finalidade é a mesma, subjugar. Aí está um dos pontos que atravanca o crescimento do Mercosul e ainda provoca danos no mercado comum europeu. No caso dos subdesenvolvidos, existe uma frente dos demais países do Mercosul que temem pelo poderio brasileiro e este, dominado pelo sentimento da parceria ideológica bolivariana, submete o Brasil a irrisórios índices de crescimento ao frear a expansão de suas relações comerciais. Lulla e Dillma são as causas ante a obediência cega ao reduto cubano e as inadmissíveis linhas de ação política do Foro São Paulo.tucano - 8
Vemos em grande parte da Europa problemas da população no mercado de trabalho, a Espanha, Grécia e Portugal chamam a atenção com o alto índice de desemprego. Lá também aparece com muita força o lado da vaidade da população a qual recusa aceitar outras experiências em nome da homogeneidade cultural e patamar evolutivo. Os chamados especialistas da Espanha ou Grécia, como exemplos, não conseguiram estabelecer caminhos que minorasse a sofrida situação de desemprego do povo. Tanto lá como cá, recusam escutar e avaliar propostas e projetos em razão de auto-suficiência dos dirigentes e governantes. São incapazes de promover debates e reuniões com finalidade de estimular a criatividade para dar maior celeridade à solução dos problemas. Ainda vivemos a fase pré histórica do “nós” e “eles”.
Assim então, vamos vivendo a ineficiência dos transportes para o escoamento de nossa produção o que resultou em ação dos produtores de soja ao criar proposta e projeto para uma solução ante as condições deploráveis de nossas estradas, com a construção de ferrovias. Assim, continuamos nos últimos lugares de avaliação internacional na área da Educação e submetendo nossas crianças ao massacre físico de escolas sem carteiras e roubando-lhes o seu futuro, jogando-os na vala dos desesperançados como se descartados das possibilidades de uma vida melhor. Assim vemos nossa Justiça caminhar pelo aparelhamento e com isso transmitir insegurança e descrença. Vemos os descalabros administrativos grassando por toda administração governamental sem qualquer penalidade aos seus praticantes. Desvios de dinheiro, corrupção e por ai vai, tornaram-se normalidade.
Existe solução? Existe, para tudo há uma solução. No nosso caso ela é urgente. Ainda há tempo para mudar, só não pode existir a recusa de mudança.caindo  - 8

 

10 maio 2014 Posted by | ABUSOS LEGISLATIVOS, ARTIGOS, ÉTICA, ideologias, Justiça, POLÍTICA | | Deixe um comentário

Mais bolsa família

cagadas - 5Mais bolsa família

Encontrei isto no blog do velho comandante,
http://velhocomandante.blogspot.com.br/
Esta tem sido a minha opinião o tempo todo e tenho vários artigos sobre isto neste blog. Mas, uma a mais apenas indica que não estou só, e isto me faz bem.
Estou reproduzindo o texto na íntegra, que é uma opinião forte de uma pessoa que lida com o seu povo cara a cara e fala com muita propriedade sobre este programa vazio e eleitoreiro que é o “Bolsa Família” da forma em que foi implantado.
Poderia ter sido realmente um programa melhor, com inclusão social e distribuição de renda, mas teria seu resultado a médio e longo prazo, e isto não interessa aos governantes do imediatismo.
Eta Brasil…vamos que vamosvolta lula - 5

Juíza de Cajazeiras-PB é contra o “bolsa-famíia” e diz por quê
Por Adriana Lins de Oliveira Bezerra*

Apenas a título de esclarecimento, aos que respeitam opiniões contrárias, e apenas a esses, é que escrevo agora. Fui alvo de críticas e agressões acerca de minha opinião avessa ao ‘Bolsa-Família’, programa criado pelo Governo Federal há 10 anos. Grande parte optou por uma justificativa simplista.

– “Ah, ela é rica, juíza, elite, fala porque nunca passou necessidades, nunca passou fome…”. Pronto! Essa justificativa encerra a questão e resolve o problema. É uma idiotia de quem nada sabe sobre a vida.

Apenas a título de informação saibam que não sou rica, nunca fui e nunca serei. Meu salário é bom, e com ele, se Deus quiser, nunca passarei fome nem necessidade, mas lutei por ele; e como lutei! Sofri, estudei, trabalhei e lutei, repita-se. Mas isso é outra estória que em outro momento, se interessar a alguém, posso contar.

Aquele final de semana retrata exatamente um dos fatores que me levam a formar a opinião que tenho. Um simples “boato” de que o ‘Bolsa-Família’ iria acabar, foi suficiente para causar um caos em várias agências da Caixa Econômica Federal. Uma pessoa me disse que teve que pedir dinheiro emprestado para sair do seu sítio para receber o ‘bolsa-família’, “antes que acabasse”…

A pergunta é: de que viveriam essas pessoas, se o ‘bolsa-família acabasse? A minha resposta: passariam ainda mais fome do que tinham quando começaram a recebê-lo. E sabem por quê? Porque agora, com a certeza do “benefício”, do óbolo, elas não se propõem mais a trabalhar, ou a estudar e se profissionalizar. Enfim. Estão escravizados à merreca que recebem, como qualquer dependente químico da droga que consomem.charge_grd_488genuino - 5

É a isso que me oponho, pois quando esse “programa social” foi implantado, a situação das pessoas era caótica, lastimável. Hoje elas estão sendo tratadas como inúteis, como incapazes, com a única serventia de massa de manobra eleitoral! A partir do momento em que se implanta um ‘programa assistencialista’ como esse, sem uma política paralela de reestruturação, de capacitação para o restabelecimento de condições de trabalho, de auto-sustento, enfim, de busca por uma atividade que traga um mínimo de independência como contrapartida pela ajuda oferecida pelo estado, ou esse estado passa a considerar essas pessoas como não tendo capacidade alguma para tal ou, simplesmente, não se está querendo ajudar, mas tão somente escravizar, ou seja, obter delas a única coisa de valor que têm a oferecer: o seu voto – e a preço módico. É no que acredito.

Segundo a ONU, o ‘bolsa-família’ – que antes era chamado de ‘bolsa-escola’ e exigia a contrapartida das crianças e adultos analfabetos estarem cursando o ensino fundamental – rendeu muita popularidade e votos, mas as DESIGUALDADES continuam elevadas e os progressos obtidos são pífios.

diabo gosta - 5Como programa de caráter EMERGENCIAL, o ‘Bolsa-Família’ foi importante, mas onde está a tão decantada “inclusão socioeconômica” sustentável dos seus beneficiários?

O saudoso Luiz Gonzaga já dizia em uma de suas canções, de composição com Zé Dantas:

– “Seu Doutor, uma esmola para o homem que é são, ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão…”.

A Coordenadora do Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil afirmou que, da forma que o programa funciona, não tem sido útil para ela identificar e retirar as crianças do trabalho e que esse programa não tem impacto nenhum na redução do trabalho infantil.

O programa existe há dez anos e pouquíssimo foi mudado na vida dessas pessoas. O que foi feito de efetivo para reestruturar essas famílias?

Visitem as casas dessas pessoas e me digam o quanto mudou! Enquanto apresentam índices de redução de evasão escolar, em razão do que era o ‘Bolsa-Escola’, os adolescentes que passam hoje pela Vara que ocupo não sabem a data de seus nascimentos, não sabem o seu nome completo, não sabem o nome de seus pais e, pasmem, não tem a menor ideia de seus endereços. Que noção de civilidade esses meninos tem? Esses mesmos meninos que agora estão querendo jogar na prisão!?!

O ‘bolsa-família não dignifica. Escraviza. Vicia no ócio. É o que acho.

As pessoas se tornam escravas da vontade política e não formadoras dessa vontade. E isso para mim é um FAZ-de-CONTA, sim. Defender a redução da maioridade penal é um exemplo disso. Defender a pena de morte também. Fazem de conta que isso vai resolver a criminalidade, mas não vai.

Da mesma forma que fazem de conta que cumprem o ECA, que existe há mais de vinte anos, não o cumprem. Nunca o cumpriram.papuda - 5

Como eu posso cobrar algo de alguém a quem eu nunca dei a chance que produzisse esse algo? As pessoas não podem viver de esmolas. Precisam aprender a andar com as próprias pernas e precisam saber que isso é da responsabilidade delas também.

Vejo mulheres jovens e saudáveis pedindo dinheiro nas ruas. Cada uma com seus três ou quatro filhos. Mas nenhuma pede um emprego. Por quê?

Os senhores tem ideia de quantos cartões desse programa estão nas famosas “bocas de fumo”?

Vejo homens jovens e saudáveis nas portas dos bares ou papeando nas esquinas em pleno dia da semana. Porque não estão trabalhando?

Qual o trabalho que as políticas públicas oferecem ou a simples, mas fundamental capacitação para eles?

É certo que existem alguns programas profissionalizantes. Mas são tímidos, limitados, e não recebem a milésima parte do investimento que o programa de “caridade” gasta, com essa barganha evidente to “toma lá e dá cá o seu voto”.

Não sou contra partido político algum. Sou contra políticas públicas inúteis, mal intencionadas e danosas ao futuro da nossa gente e nação. Sou e serei sempre.falando demais - 5

Respeitem a minha opinião. Discordem dela, mas a respeitem. E não sejam tão simplistas assim. As coisas não são simples e não podem ser “explicadas” dessa forma populista e demagógica como tem sido a prática dos governos na última década, principalmente por quem não me conhece.

O homem precisa ser dignificado e não escravizado ou comprado por aparentes favores de seus governantes. As pessoas continuam sofrendo com a seca… Absolutamente TODAS AS PESSOAS, TODOS OS ANOS, HÁ DÉCADAS. E o que foi feito da política de irrigação, da política que permaneça que se perpetue e que de fato transforme a vida do sertanejo do nordeste, onde – todo mundo sabe, menos o governo – a água está no subsolo e não na superfície?

Não precisamos disso. Somos inteligentes e capazes. Temos força e vontade de trabalhar. Só precisamos de oportunidades e onde elas estão? Onde está a água das chuvas do ano passado?

Aos que apenas me agrediram gratuitamente, fico com a dor que me causaram e com o consolo de que o tempo cura quase tudo. Aos que perderam alguns minutos de suas vidas para lerem essa minha resposta, agradeço a atenção.

Que Deus esteja conosco!

03 maio 2014 Posted by | ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA, ARTIGOS, GOVERNO, ideologias, POLÍTICA | , , | Deixe um comentário

As cartas marcadas

As cartas marcadasnatal-do-lula

Tenho muito orgulho sim dos reconhecidos acontecimentos que enaltecem os feitos brasileiros, e que contribuem para uma melhoria social da humanidade em geral.

É com grande orgulho que falo da Embraer, com suas pesquisas e construções na área da aeronáutica que é respeitada em todo o mundo como uma força neste ramo tão competitivo.

Tenho orgulho também no ramo da medicina social quando leio em reportagens da mídia estrangeira sobre o sucesso do nosso programa de vacinação em massa, e do sucesso do tratamento e prevenção da AIDES.papai-noel-11

No mesmo patamar, sinto vergonha de certos ramos de nossa sociedade, reconhecidos mundo afora como uma das mais elevadas no quesito da corrupção, em par com a Nigéria que eu conheço bem, onde já trabalhei e sei como é a corrupção naquele país.

Em outros ramos da vida social, não tem como comparar o Brasil com a Nigéria. Na área industrial, na área social, na área do meio ambiente, (o nosso também não é um exemplo, mas está anos luz em frente à Nigéria), na área educacional, entre outras, estamos bem mais adiantados do que a Nigéria. Como então poderia estar empatados na área da corrupção? Socialmente falando, quando se vai evoluindo democraticamente, a tendência em geral, é de que a corrupção, fato inerente de falta de evolução, vá também se esvaindo e tende a desaparecer frente ao civismo, educação social, e de eleições democráticas onde a vontade voluntária do povo escolhe os seus representantes.pobre-brasil

Aí, pode ser onde se encontre o entravo brasileiro.

A representatividade política, em meu ver, está totalmente desfavorecida em uma paródia democrática, que para ficar realmente democrática necessita de mudanças rápidas e urgentes.

Talvez seja por este motivo, que a corrupção se instalou em nível comparável ao da Nigéria.

Para começar, a obrigatoriedade de votar, com sanções para quem descumprir esta obrigação é realmente uma coisa de país subdesenvolvido e como a Nigéria. (Não sei de fato se o voto na Nigéria é obrigatório. Se não o for, eles vão nos passar em breve no quesito da rendição da corrupção).mutreta-a-vista

A democracia plena, somente pode ser alcançada se o cidadão pode ter a opção de votar. Veja bem a diferença, opção ou obrigação? Uma grande diferença democrática. Vota quem quer e quem queira fazer a diferença.

Uma das coisas, que recentemente vêm enchendo de orgulho alguns ramos da sociedade brasileira, é a evolução da urna eletrônica, onde uma eleição em um país como o Brasil de dimensões continentais pode apurar uma eleição nacional em poucas horas.

Disto eu não tenho orgulho, pois em um país onde a corrupção seja paralela à da Nigéria, e onde o parque industrial seja paralelo ao de países do primeiro mundo, o parque universitário seja bem desenvolvido, a margem para fraude é extremamente elevada. E o nosso sistema empregado para votação, que em uma decisão no mínimo estúpida ou espúria, considerou desnecessária a possibilidade de recontagem em caso de dúvida, decreta nesta forma uma pena de morte para a escolha democrática de seus representantes.rei-dantas

Outro dia, houve eleições gerais na Rússia. O sistema deles, um país também de grandes proporções, apurou o resultado em poucas horas, mas tem uma tremenda diferença sobre o nosso sistema. Lá, de acordo com as notícias internacionais, quando se vota, o eleitor preenche uma cartela, como uma loteria no Brasil, insere a cartela na urna eletrônica. A urna lê a cartela, divulga na tela a vontade explícita pelo eleitor, se este reconhece como correta sua decisão, aperta o botão votar e seu voto é computado, parte da cartela com sua vontade é mantida na urna, e a outra parte com seu nome, é devolvida com o carimbo da urna e comprovante de voto.nova-moda

Este sistema permite em caso de dúvida uma recontagem manual, é muito mais honesto do que o nosso atual, e a apuração sendo eletrônica, é extremamente rápida como ficou comprovado durante as eleições na Rússia. O voto por lá é mantido secreto, o seu comprovante de voto mais adequado do que o nosso, que é preenchido manualmente pelo mesário, e a possibilidade de fraude fica bem menor do que no nosso sistema onde se houver fraude, não tem como comprovar e fica assim mesmo e a vontade democrática do eleitor é apenas na mídia que divulga as vantagens do sistema.

Existem inúmeras suspeitas de fraude eleitoral em nosso moderno sistema, e continuamos a insistir neste mesmo erro.

Assim, o nível de nossa corrupção vai ficar dentro dos parâmetros nigerianos e vai até piorar, se os representantes do povo apenas representam a corrupção do sistema.turma-do-barulho

Vejam esta recente reportagem sobre o assunto em Alagoas:

“Garfaram” as eleições em Alagoas?

Por Pedro Oliveira (*)

A cada dia tomamos conhecimento, mas já não nos surpreendemos, com a comprovação de fraudes no processo eleitoral, com violação de urnas, alteração de resultados e outros casos escabrosos.

Agora foi a vez de Caxias do Maranhão onde a Polícia Federal abriu inquérito para apurar suspeita de fraude nas eleições onde relatórios mostram que urnas eletrônicas foram violadas mesmo depois de lacradas e constatou-se que um vereador não teve o próprio voto computado. Dois técnicos da Universidade de São Paulo confirmaram as suspeitas.outra-morolinha

Apareceu também a gravíssima denúncia de fraude em 32 cidades no Sul de Minas na última eleição. Urnas violadas, resultados alterados, enfim uma lista completa das vulnerabilidades das urnas que o mundo inteiro repudia, mas a Justiça Eleitoral brasileira insiste em manter, ninguém sabe com que intenção ou propósito.

Tenho abordado o assunto com freqüência ultimamente e procurado colher informações em cada denúncia no país, verificando cuidadosamente o desenrolar desse processo que promete um escândalo de proporções inimagináveis para muito breve.

A propósito conversava por estes dias com uma das maiores autoridades no assunto e este me assegurava: “Garfaram as eleições de Alagoas em 2006 e um dia isto estará comprovado”.

Ai fiquei a meditar e revolver um pouco a história que antecedeu o resultado de nossas eleições no ano de 2006. Acompanhei de perto a disputa entre João Lyra e Teotônio Vilela, em quem votei e apoiei. No final da campanha já não se tinha mais dúvida de sua derrota, fato aceito até mesmo por seus aliados. No sábado, véspera do pleito, fui a Palmeira dos Índios, onde teria que votar logo cedo e regressar a Maceió onde participaria de um programa de televisão sobre as eleições. Conversando com políticos locais saí com a certeza de que Teotônio Vilela “levaria uma surra” na contagem dos votos na região Agreste. As pesquisas mostravam, as opiniões confirmavam  as previsões eram unânimes.mui-amigos

Dias antes, conversando com o governador Luis Abílio, que deu todo o apoio a Teotônio Vilela e depois foi vergonhosamente traído pelo mesmo, ouvia dele a seguinte colocação: ”Fizemos o possível, fiz o que estava ao meu alcance, mas Téo vai perder as eleições”. Mostrou-me os números das últimas pesquisas e pude comprovar suas previsões. Não haveria segundo turno.

Ao regressar a Maceió dei uma volta nos principais locais de votação e pude comprovar o que estava anunciado: João Lyra ganharia muito possivelmente no primeiro turno.

Abrimos o programa de televisão, eu e o companheiro Flávio Gomes de Barros poucos minutos antes do encerramento da votação. Por volta das 18 horas começaram a chegar os primeiros resultados. Todos no estúdio ficamos perplexos: a cada seção apurada o resultado era favorável a Teotônio Vilela, na capital e o interior acompanhava a mesma tendência. Lembro ter dito na ocasião: – Deu a louca nas urnas e o mundo vai desabar, Não vai ter segundo turno! E assim foi que inexplicavelmente, para surpresa de todos (quase todos) o resultado fatídico contrariando pesquisas, especialistas em votos e cientistas políticos: Teotônio Vilela obtinha 733.405 votos ,ficando com 55,85 do eleitorado válido, enquanto que João Lyra ( o favorito) encarava apenas 400.687, com o índice  de 30,51.

Mas as surpresas saídas das urnas não pararam por ai. O outro fato surpreendente, estranho e suspeito ocorria na eleição para o Senado. Fernando Collor, com apenas 28 dias de campanha, sem horário de televisão, sem mensagem e redutos, derrota o ex-governador Ronaldo Lessa, considerado imbatível até o dia da eleição. Collor obteve 550.725 votos ou 44,04 %, enquanto que Lessa ficou com 501.239 que representou 40,08 %. Derrotado na eleição anterior (2002) para governador por Ronaldo Lessa com uma diferença de 134.000 votos, (553.035 a 419.741), Collor já não é mais nenhum fenômeno político e fica difícil justificar sua inesperada votação.

O fato é que as eleições de 2006 em Alagoas continuam sob suspeição e até agora a Justiça Eleitoral não teve a vontade de ir a fundo nessa questão. E quando assistimos a cada dia novas denúncias de fraudes, vulnerabilidade das urnas, alteração de resultados ficamos a indagar: “garfaram” mesmo as eleições?  Um dia a verdade virá a publico? Só deus sabe, pois as urnas não falam.

(*) Jornalista e presidente do Instituto Cidadão.natal-extraordinario-1

07 dez 2008 Posted by | ÉTICA, EDUCAÇÃO, GOVERNO, ideologias, POLÍTICA | 3 Comentários

O poder fazer…

O poder fazer…

Este post, está em meu outro blog, e foi ao ar em 1º de janeiro de 2007.

Como este novo blog que contém quase todos os posts do outro, somente começou em março de 2007, alguns posts do outro endereço não se encontram neste endereço. Esta semana estava editando alguns posts e encontrei este.

Li e decidi publicar, aproveitando a oportunidade para publicar também algumas charges atualizadas do  Roque Sponholz.

Então aqui estamos:

A diferença é poder fazer.

Eu nasci no ultimo ano da segunda guerra mundial, e lá pelos anos 50, em plena guerra da Coréia, eu já entendia um pouco das notícias do Repórter Esso.

O meu pai, que sempre foi professor universitário, (UFMG) na época ouvia todas as noites o Repórter Esso e fazia alguns comentários sobre a guerra da Coréia.

Um dos comentários que eu ouvi e que não entendi, ou entendi errado foi:

“Se esta guerra demorar muito, o Mac Arthur acaba jogando uma bomba atômica lá e aí sim acaba rápido.

Eu entendi assim:

“Se esta guerra não acabar rápido o macaco joga uma bomba lá… ETC.?

Eu perguntei para a minha mãe no dia seguinte:

“Mãe, quem é o macaco que joga bomba?

“Não sei meu filho, onde você ouviu isto?

“O papai disse isto ontem à noite depois do Repórter Esso.

“Então pergunte para ele na hora do almoço?

Esperei ansiosamente a hora do almoço, e assim que o meu pai chegou perguntei para ele:

“Pai quem é esse macaco que joga bomba?

“Que macaco filho?

“Este que você falou ontem depois do Repórter Esso?

“Eu não me lembro de ter falado nada de macaco?

“Falou sim, e disse que ele joga a bomba atômica para acabar com a guerra?

“Joga bomba atômica? – Ah sim, mas não é macaco, é o general americano Mac Arthur que comanda esta guerra, e se a guerra não acabar logo ele pode jogar uma bomba atômica como fez no Japão e a guerra acabou logo?

“E isto é bom?

“Não sei, respondeu meu pai e continuou” Se ele fizer isto, vai matar de uma morte horrível muita gente inocente, mas provavelmente vai acabar com a guerra.

“Porque ele quer matar tanta gente inocente?

“Ele não quer matar, mas quando existe uma guerra, muita gente morre mesmo os que não estão fazendo nada de mal.

“Ele pode matar gente como eu, o senhor, a mamãe que não estamos fazendo nada?

“Se existir uma guerra isto poderia acontecer”.

“Então eu não gosto dele”.

“Dele quem?

“Do general macaco americano.

“Meu filho, o nome do general é Mac Arthur e não macaco.

Aí terminou o nosso diálogo, e eu saí dali não entendendo como pede haver pessoas que matam em nome da guerra outras pessoas que não fizeram nada. Eu não sabia ainda o que seria uma bomba atômica, mas sentia que era uma coisa muito ruim para as pessoas.

E eu não gostava dos generais macacos americanos.

Depois disto, em pouco tempo faleceu o meu avô paterno, figura que eu tinha como homem sério que ele era e apesar de severo muito bom comigo e que senti muita falta nos anos que se seguiram. Esta foi minha primeira experiência em perder uma pessoa querida.

Depois disto os fatos que me marcaram foram a morte do Getúlio Vargas, a Martha Rocha, ganhando o concurso de Miss Brasil e São Paulo fazendo 400 anos de vida.

A eleição do Juscelino Kubitschek foi a primeira fase política da minha vida, principalmente porque o Juscelino era conhecido da família.

Ele tomou posse em 31 de janeiro de 1956

Em outubro de 1956 Aí houve a invasão da Hungria pela Rússia, e houve protestos nas ruas de Belo Horizonte, comandados pela Embaixada Americana.

Neste momento, veio na memória os fatos sobre o General macaco americano. Que matava os inocentes.

A revolução cubana e a vitória de Fidel Castro em 1959 foram divisórias quando os meus amigos e companheiros começaram a se definir entre direita e esquerda, na escola, clubes etc.

Em 1961, A União Soviética coloca Yuri Gagarin em órbita, na frente dos americanos e então, ponto para a esquerda que com isto tenta provar a superioridade do regime estatal russo.

Eu neste ponto estava muito indeciso sobre o assunto político internacional. De um lado, vários amigos, portando teorias de Carl Max e Engels como a esperança da raça humana. De outro lado, a sociedade americana, que representava o oposto do regime comunista e de onde eu conhecia através da revista Mecânica Popular em espanhol que o meu pai assinava. Eu gostava da idéia de fazer as coisas como havia aprendido com meu avô e meu pai, de não ter que depender de ninguém para desenvolver minhas idéias. Eu gostava dos projetos da revista e quando às vezes dependia de suprimentos encontrados apenas nos Estados Unidos, sentia vontade de ir para lá para poder concluir estes projetos. Aí eu me recordava da minha conversa com o meu pai sobre o General macaco e mudava de opinião.

Meus amigos, definidos como de esquerda, me estimulavam a ler Max e Engels, mas eu apesar de tentar, não consegui ver na teoria deles muita esperança para a humanidade.

Eu sabia então como sempre soube e até hoje de que os homens eram e são diferentes, e com diferentes capacidades de pensar e de se desenvolver e que a tão falada injustiça social popular, não poderia se somente culpa dos patrões mesquinhos, mas era a diferença entre os próprios homens que criava as escalas sociais. A mudança de escala e condições sociais ficava mais difícil uma vez estabelecida a condição de inferioridade, mas se houvesse uma pessoa com uma capacidade muito melhor do que a sua classe social, este indivíduo tinha chance de se sobressair e mudar de classe. Então os seus descendentes poderiam ser parte de outra classe melhor.

Eu sempre pensei que os valores individuais e que deveriam reger a divisão das classes sociais.

Com este pensamento, as teorias onde o estado controlaria tudo e onde não poderia haver diferença de classes sociais, pareciam no mínimo utópicas demais e que não teriam possibilidade de acontecer. Primeiro é que os indivíduos de melhor desempenho teriam que ou trabalhar por outros ou se igualarem aos outros para se comportarem dentro de uma classe única. Seria fazer a média por baixo e desta forma negar a possibilidade de progresso.

Nesta época, eu tinha lido praticamente todos os livros clássicos brasileiros como Monteiro Lobato, Machado de Assis, José de Alencar, Érico Veríssimo, e os contemporâneos como Rachel de Queirós, Graciliano Ramos, Estanislau Ponte Preta, Fernando Sabino, e os estrangeiros como Eça de Queirós, Tolstoi, Esteinbeck, Dumas, Twain, Exuperry, e havia olhado de forma breve, sem me aprofundar muito, os trabalhos dos filósofos gregos e alemães como Sócrates, Aristóteles, Kant, Nietzsche e outros. Eu lia e leio o tempo todo. Eu encontrava alegria em todos os livros, mas os meus amigos que pregavam as doutrinas de Max, não conheciam quase nada dos outros autores, e quando eu perguntava por que não liam outras coisas, eles vinham com as desculpas de que não eram relevantes.

Isto para mim estava ficando com cara de fanatismo ideológico e eu me afastei destas idéias políticas de esquerda. Mais tarde, fui morar nos Estados Unidos,e me encontrei com os sindicatos americanos, com suas idéias sociais muito parecidas com as dos meus amigos da juventude de esquerda, onde um comando único poderia fazer muito mais por mim . A força da massa, etc. E que deveria participar do sindicato pára poder sobreviver, ETC. Eu então comecei a ver que os sindicalizados trabalhavam menos sim, mas não melhoravam muito e que os líderes não trabalhavam , mas melhoravam muito e comecei a ver tudo diferente.

Eu pensava: “Se eu que estou aqui para trabalhar de qualquer forma, provar ao meu patrão que eu posso fazer o trabalho de quatro sindicalizados, e pedir para ganhar o dobro do que ganho, vou conseguir? e dito e feito, em menos de um mês estava ganhando muito mais sem a ajuda do sindicato. Sofri com isto, fui perseguido, mas os valores individuais sempre foram a minha idéia de vencer e melhorar na vida.

Este é o resumo de como me orientei entre esquerda e direita, dando mais peso aos valores individuais do que os valores políticos sociais. Eu não gosto muito do estado. De nenhum estado. Mas por mais que busque ver um meio da sociedade viver sem o estado, não consigo enxergar. Então eu penso: “Se a sociedade necessita de um estado para sobreviver, que este seja o menor possível?

E eu comungo nos ideais do pensamento anarquista:

“O estado é o maior opressor do homem.

Roberto Leite de Assis Fonseca

Brasília dia 1º de janeiro de 2007.

Depois de escrever este resumo, encontrei este bom artigo de outro autor com um tema parecido:

CONFISSÕES DE UM EX-COMUNISTA.

Por Adauto Medeiros, engenheiro civil e empresário

Eu era um jovem sonhador quando li o livro “O que você sabe sobre o petróleo, de Gondin da Fonseca. Nele as multinacionais do petróleo eram a causadora de todos os males do mundo. Nesta época o Brasil estava começando a fomentar e criar sua grande riqueza que era o petróleo com a criação de uma estatal chamada Petrobrás. Na época não havia capitais nem financeiros nem humanos nacionais para bancar a exploração do ouro negro, como se dizia naqueles dias.
Trouxeram então um diretor da Standar Oil chamado Walter Link, que presidiu a Petrobrás e deu toda a estrutura administrativa que ela tem até hoje. Na época um barril de petróleo custava em torno de U$ 2,00, mas mesmo assim ela sobreviveu especialmente porque ao emplacar um carro a pessoa era obrigada a comprar ações da nova empresa monopolista. O monopólio levou 50 anos para promover a auto-suficiência.
Mas o livro de Gondin da Fonseca me influenciou tanto que para ser comunista foi um passo. O que de fato ocorreu.

Na Universidade juntei-me à esquerda e passei a achar e ter certeza que o comunismo era a única solução para resolver os problemas da miséria, não só no Brasil como no mundo. No auge da Guerra Fria li um pronunciamento de John Foster Dulles, Secretário de Estado de Eisenhower dizendo que a guerra seria vencida pelos americanos porque os russos não tinham economia para enfrentar a economia americana. Ele estava certo, mas na época, como bom comunista não acreditei e passei a ler compulsivamente os escritos de Lênin, Trotsky, sem falar em Marx, Engels e Hegel. Finalmente, como jovem, tinha encontrado o caminho da salvação da classe trabalhadora.
Na Universidade o diretório acadêmico era dirigido pelos comunistas, não só os filiados do PCB, como aqueles que como eu nunca tinham pertencido aos quadros do partidão. Eu era comunista, acreditava firmemente, mas sempre quis ser um uma espécie de livre-pensador, algo que entrava em conflito, porque esse tipo de mentalidade não se coaduna com filiação nem em religião e nem em partido político.
Mas em 1962, a União Soviética estava patrocinando o Festival da Juventude e desta feita foi em Helsink, Finlândia. Lembro que ela dava hospedagem apenas, mas para ir até o Festival cada um pagava suas despesas. Não hesitei e vendi uma modesta casa que tinha recebido como herança de meu pai (o que me levou no futuro a refletir e a entender que se não houvesse propriedade privada não teria como ter vendido e sem democracia não teria liberdade de ir e vir), troquei o dinheiro em dólares, e juntamente com mais dois colegas do Partido fomos para Viena e lá encontramos a cúpula da UIE (União Internacional dos Estudantes) que na época era dirigida por Marco Jamovich, um judeu brasileiro muito influente no comunismo internacional, e que depois foi trocado pelo embaixador americano.
Nesta viagem estavam os cantores (na época faziam um sucesso máximo) Nora Ney e Jorge Goulart e o famoso (logo ficaria famoso) ator de novelas Lima Duarte, além do Fernando Mesquita que depois viria a ser porta voz do presidente Sarney. Apanhamos o trem e quando cheguei na Rússia tomaram todos os passaportes e nos colocaram próximo da divisa com a Finlândia. Logo de cara, percebi que as estações eram todas cercadas com arame farpado, isto para que os russos não tivessem contato com os estrangeiros, pois eles podiam trazer (era essa a mentalidade na época que nós ouvíamos) o micróbio do capitalismo. Nos parecia estranho, uma vez que nós também éramos estrangeiros.
Mas o que nós encontramos e isso ficou na minha mente, foram cidades pobres, não havia estradas de rodagem e uma burocracia terrível igual à de Brasília. Aliás, hoje Brasília é pior. Em Helsink hospedei-me em um colégio juntamente com a delegação de Angola e da Guiné, onde conheci os principais líderes dos dois países, inclusive Agostinho Neto e Marcelino Serafim Goia que foram presidente e vice respectivamente de Angola e Guiné. Através de Marco Jamovich fui convidado para visitar a Tchecoslováquia como convidado do governo, onde passei 12 dias. Tive a oportunidade de conhecer desde as fábricas, passando pelas fazendas coletivas, até boates. Tudo era estatal e controlado pelo governo, desde o garçom até as músicas. Como só havia em cidade grande, portanto, só havia também uma boate grande; a fila para entrar nela era enorme e levava-se (fiquei sabendo) às vezes até mais de duas horas para conseguir entrar, e como tinha um número definido de pessoas para freqüentar, muitos que estavam na fila voltavam porque não havia mais lugar. As coisas aos poucos foram ficando mais claras para mim, e o que era uma crença inabalável nos regimes de esquerda, começou a ser posta em xeque, e comecei a me perguntar se uma sociedade toda regida pelo estado não conseguia resolver nem os problemas básicos quanto mais de laser.
Minha viagem à Rússia para participar do Festival da Juventude comunista, aconteceu em 1962. E foi nessa viagem a Rússia que vi no que havia resultado a revolução. Em 1960 Kruchev já havia denunciado no famoso XX Congresso comunista, mas no Brasil ainda não se sabia por inteiro da paranóia e dos crimes de Stalin. De qualquer forma fiquei decepcionado com a vida dos camponeses, em especial suas casas que eram construídas de feno e com sanitário ao ar livre. Aquilo chamou minha atenção e fiquei impressionado como um país que tinha mandado Yuri Gagarin ao espaço poderia ter uma população no campo tão pobre e vivendo em condições tão subhumanas. Depois descobri que 80% do orçamento russo era para a defesa. A guerra fria havia destruído a tentativa de construir o paraíso comunista. Mas não só isso, claro. A economia americana conseguia fazer tudo isso e ainda proporcionar um bem estar social ao seu povo. Isto me fez enxergar na deficiência do sistema econômico centralizado e dirigido por funcionários públicos. Hoje ninguém mais acredita nisso, mas na época todos os dogmas das esquerdas eram verdadeiros. Isto, ninguém acredita, com exceção certamente ainda da América Latina.
No entanto, lembro-me de um judeu russo que tinha ido estudar nos USA, no começo do século. Chegando na casa do tio, este perguntou o que ele queria estudar e jovem disse que ia fazer medicina porque queria estudar os micróbios. O tio disse que os micróbios estavam na terra e portanto ele deveria ser agrônomo. De fato, o futuro agrônomo descobriu a terramicina. E foi esse judeu russo que disse certa vez que o homem que aos 20 anos não é comunista é um homem sem coração, e que aos 40 anos se continuar sendo é um homem sem juízo. Quando agora o nosso presidente disse algo parecido, um plágio grosseiro sem saber a fonte, nisso ele estava certo.
O que todos perguntam, é porque mesmo dizendo isso, ele estar perto de Hugo Chaves, Fidel, Evo Morales, e Cia. Coisas do nosso presidente, certamente.
Bom, eu terminei meu curso de engenharia em 1963, na Politécnica de Campina Grande, e nesta época a política ideológica fervia dentro da Universidade. Eu que já voltara da Rússia decepcionado, não via no comunismo mais a solução para os problemas materiais da humanidade. Portanto, eu e quatro alunos começamos a fazer oposição a esquerda e conseguimos colocar como diretor da Escola de Engenharia, o professor Linaldo Albuquerque que era um homem integro e não era ligado aos comunistas. Foi nomeado e transformou a universidade da Paraíba a segunda do Brasil perdendo apenas para a UFRJ. Na época já havia professores do ITA, mas depois veio gente da França, Canadá,
India, trazidos por Linaldo que transformou a Universidade como um todo, e não só num grande centro de engenharia e matemática. As escolas pertenciam a Universidade da Paraíba, hoje Universidade Federal de Campina Grande. Há poucos meses a Google recrutou um de seus professores para trabalhar nos USA, o que dá uma idéia de sua pujança.
Depois de formado comecei um pequeno negócio com uma pequena construtora. Eu tinha como contador um senhor que pertencia ao partido comunista que foi preso em 1967 e o levaram para João Pessoa. Fui a policia federal visitá-lo e tentar negociar mas não me deixaram falar com ele. Num sábado a tarde estava eu em casa quando fui preso pela policia federal pelo agente federal
Í
ndio Bugre, hoje aposentado. Preso fui levado para o Batalhão de Engenharia do Exercito em Campina Grande. Sei o quanto é desagradável um cidadão ser tirado de sua casa por forca do arbítrio e ter que prestar depoimento por algo que ele não sabe. Mesmo assim, apesar de ter sido preso político, nunca pedi indenização ao contribuinte e nem aposentadoria gorda como fizeram muitos e ainda continuam fazendo. Aliás eu não tenho nem mesmo aposentadoria, nem do INSS. Hoje aos 71 anos me considero um pequeno empresário, amante da livre iniciativa, pois tenho a consciência que o único meio de elevar o padrão material de um povo é pela democracia e pela geração de riquezas, e não somente sua divisão como os comunistas pensam, pois apenas ela pode dar ao homem a capacidade de criação e de gerar novas riquezas. Mas também sei que o capitalismo não é um sistema econômico capaz de resolver tudo, ele exige trabalho, talento e sobretudo talento para enfrentar as diversidades do mercado e as mudanças constantes. Mas só ele pode fazer migrar classes pobres para a classe média. Alias foi o capitalismo que criou a classe media. E basta um exemplo: a China antes da abertura capitalista tinha 1% de classe media, após a abertura já tem 11%. Eu costumo a dizer sempre que no capitalismo ou cresce ou empobrece, mas no comunismo nem cresce e portanto todos empobrecem. Trabalho todos os dias e acho ótimo a iniciativa privada, que junto com a democracia constituem o único sistema econômico e político em que um individuo pode viver sua plena cidadania. Neles, de fato, o contribuinte é valorizado. Por outro lado, é triste ver que a sociedade brasileira ainda não se definiu por nenhum sistema econômico. Aqui há uma democracia sem voto e um capitalismo sem lucro. Temos um regime em que a classe política vive como Reis olhando a ralé se debatendo com fome. Não é à toa que estamos parados no tempo há no mínimo 400 anos.

17 out 2008 Posted by | ARTIGOS, GOVERNO, ideologias, POLÍTICA | Deixe um comentário

   

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