blog do Roberto Leite

Assuntos de interesses multiplos e atuais.

A tragédia da educação básica.

 A tragédia da educação básica.

Eu tenho constantemente escrito sobre a tragédia da educação básica no Brasil.

Critico sempre o montante de recursos que são repassados pelo governo federal para as escolas públicas.

Critico também a forma de distribuição deste mirrado repasse.

Comparo constantemente a diferença entre o Brasil, e outros países, até alguns no mesmo continente que repassam para suas crianças, uma porcentagem maior do seu PIB (Produto Interno Bruto).

Sempre critico a forma de distribuição de recursos, onde a maioria destes recursos que já são poucos, e estão indo para a educação técnica ou superior, onde por esta razão os cidadãos que logram chegar a usufruir destes fundos, lá chegam sem nenhuma base ou estrutura discente, obrigando as escolas que ainda poderiam formar bons profissionais, a ter que baixar o nível para comportar estes alunos tão despreparados. E isto forma um ciclo vicioso, onde os formandos que seguirem a carreira docente, vão estar também despreparados e não podem ensinar as matérias correspondentes às suas profissões.

As famosas pérolas do ENEN são engraçadas e motivo para piadas na internet, como eu mesmo neste blog já as publiquei, mas deveriam ser motivo de luto profundo pela morte do nosso ensino básico.

Durante os oito anos do governo Lula, o montante de verba distribuído para o Ministério da Educação (MEC), até que aumentou consideravelmente, (apesar de ainda estar consideravelmente também, aquém do ideal).

Mas o grande porem, é que a distribuição destes recursos ficou ainda mais distorcida durante esta gestão que priorizou as escolas técnicas, as escolas superiores, e as ONGs. Estas ultimas, onde muitas delas se concentraram no ensino à distância, são em sua maioria fábricas de diplomas, deteriorando ainda mais a média do conhecimento geral dos futuros cidadãos que irão conduzir o destino do Brasil.

Isto quando não simplesmente roubam todo o dinheiro, conseguem notas frias que estão criando e mantendo escolas, como temos testemunhado neste começo do governo (?) da Dilma.

O ensino básico, onde o próprio nome indica ser o alicerce de toda a cultura de um povo, durante a gestão do Lula ficou ainda pior do que estava, e com este egocêntrico atual ministro que a Dilma herdou do Lula, a coisa estás indo morro abaixo e ganhando velocidade.

O despreparo dos educadores é claro e evidente, o despreparo dos condutores dos educadores ainda é mais evidente e o despreparo do condutor, do condutor dos condutores dos educadores é ainda pior, ficando difícil resolver a questão da qualidade do ensino.

Pelos cálculos dos especialistas no ensino básico, quando o Lula recebeu o governo do FHC, se fizesse a coisa certa, revisando e revigorando todo o sistema básico de ensino, com melhores salários, um sistema meritório refletindo o empenho dos professores, que quando merecessem iriam ter melhores salários, o resultado começaria a aparecer em aproximadamente 25 anos de consistentes melhorias no modelo.

Ao contrário do que deveria fazer, ele priorizou o poder dos sindicatos de classe do sistema, onde a briga por melhores salários apenas visa à melhoria de arrecadação da classe sindical, a qualidade do ensino não tem nenhum critério de avaliação.

Ele criou o tal “Pro uni”, facilitando o ingresso na universidade particular de alunos totalmente ignorantes, e pagando por isto com uma exclusão fiscal premiada, para as escolas incluídas no tal programa.

As escolas deste programa, muitas apenas matriculam alunos, falsificam a freqüência, recebem os créditos fiscais, (Sonegam impostos), e quando entregam diplomas, estes são apenas razoáveis para o formando poder participar de concurso publico de nível superior.

As ONGs de ensino à distância proliferaram durante este governo, e apesar de que algumas delas realmente ensinar e criar uma base educacional, a maioria delas é para receber fundos e colocar o dinheiro no bolso dos políticos e dos empresários corruptos.  

O resultado final do empenho do governo Lula no ensino é que se quando recebeu o governo poderia ser feito algo com o resultado aparecendo em 25 anos, ao entregar o governo para sua sucessora e se esta fizer a coisa certa, este resultado somente começará a aparecer em aproximadamente 35 anos no estado atual em que se encontram as coisas.

Depois de um ano de governo, não parece que a Dilma tem intenção de melhorar a educação, pois está francamente endossando a administração deste incompetente ministro herdado do Lula, que além das imbecilidades dos livros didáticos aprovados por ele, onde em sua nova matemática 2+2 = 5, e os tempos verbais não existem e as concordâncias gramaticais são totalmente desprezadas alegando discriminação educacional por parte da “ZELITE” ele em lugar de um sistema meritório para incentivar os mestres que realmente queiram ensinar, o imbecil tentou adotar um sistema de educação sexual para as crianças de 10 a 12 anos onde francamente privilegiava a adoção de uma homossexualidade para os alunos do sistema público.

Mostrando uma raridade em matéria de decisão a Dilma sabiamente vetou esta sugestão do imbecil ministro Fernando Haddad por livre e espontânea pressão da sociedade ainda alerta.

Sou filho de um professor do ensino superior que por duros 33 anos deu uma aula prática e teórica, para uma classe de 40 alunos em média, de medicina e odontologia.  Naquele tempo ainda criticava o nível dos alunos que conseguiam chegar até ele. As provas aplicadas por ele eram provas escritas em que se sorteavam os pontos antes do início da prova, e cada ponto consistia em três tópicos, que eram descritos em uma folha de papel almaço.

Cada face da folha cabia um tópico e a ultima página era para rascunho que se fizesse necessário.

O meu pai corrigia as provas com um lápis bicolor, um dos lados era vermelho e o outro lado azul.

Com o lado vermelho ele marcava os erros técnicos e com o lado azul os erros gramaticais ou ortográficos.

Havia provas em que ele riscava tudo com o lápis azul, e escrevia na folha final que era para rascunho algum conselho para que o aluno estudasse um pouco da língua pátria. Se a parte técnica estivesse razoavelmente correta apesar dos erros gramaticais, ele sempre considerava.

Eu fico imaginando hoje, se o meu pai encontrasse os novos alunos com seus conhecimentos atuais!!!     

Bem, escrevi tudo isto com a minha forma amadora de passar para o papel as minhas idéias e visões, apenas para introduzir um artigo que encontrei na VEJA on LINE, escrito pelo colunista Reinaldo de Azevedo, um real profissional no assunto.

Leiam o artigo do Reinaldo.

 

Professora pede a aluna de 12 anos que marque encontro com pedófilo; era parte de um trabalho de… língua portuguesa!!! Ou: O desastre da educação brasileira

 Ai, ai…

Uma professora de português de uma escola estadual de São Carlos, no interior de São Paulo, pediu que uma aluna de 12 anos entrasse na Internet, mantivesse conversa com um pedófilo e marcasse encontro com ele em frente a uma igreja. A “mestra” filmaria tudo. Mostrando grande “zelo profissional”, a ela deu detalhes do trabalho num bilhete aos pais, pedindo que eles vigiassem a conversa. O objetivo do “trabalho”, disse, era demonstrar o risco que crianças corriam com esse tipo de coisa. Santo Deus! As crianças brasileiras hoje correm riscos mesmo é na… escola! A “pedagogia”, como tem sido entendida no Brasil, consegue ser ainda mais perigosa do que a pedofilia!

A Secretaria de Educação afastou a professora e instaurou procedimento preliminar para averiguar o que aconteceu. Segundo a família, a criança ficou bastante nervosa com o trabalho e chegou a chorar, com receio de ser prejudicada caso não conseguisse cumprir a tarefa. O bilhete, como vocês vêem acima, não deixa a menor dúvida sobre o pedido da docente.

O que dizer, minhas caras e meus caros? Olhem, eu realmente não acho que a tal professora tenha tido qualquer intenção malévola ou que tenha sido tocada pela patologia. Fosse assim, se vocês quiserem saber, o mal seria menor; nessa hipótese, ela já teria sido afastada e pronto! A verdade é que o problema é muito MAIS GRAVE! E não se restringe a essa escola de São Carlos ou ao ensino público.

Se vocês querem saber o que se passa com a escola brasileira, voltem um pouquinho os olhos para alguns professores e alguns mestrandos e doutorandos da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, aquela turma que acha que a universidade é um território autônomo e que ela constitui uma casta acima das leis. É claro que há gente séria por lá, e os sérios ficarão gratos com o que vou afirmar porque também não suportam mais o espetáculo continuo de pilantragem e vigarice intelectual. Cito a famosa “Fefeléchi” como exemplo porque está em evidência, mas o mesmo se dá em todo o Brasil: as universidades não formam nem treinam mais seus estudantes para dar aulas das disciplinas que escolheram estudar. Não!

Espalhou-se como praga — uma verdadeira doença moral, ética, espiritual e ideológica — a convicção de que a função de um professor é “libertar os alunos” das peias do conservadorismo ou qualquer bobagem do gênero. Professores se querem “educadores” — até aí, vá lá… — e iluminadores de consciências; sua mais nobre tarefa seria, então, “conscientizar” os alunos. Para tanto, deixam de lado a sua disciplina — e isso é especialmente verdade nas áreas de humanas e de “comunicação” — e se dedicam ao mais rasgado, ignorante e incompetente proselitismo.

Em história e o geografia, o quadro é dramático. A primeira se transformou, não raro, num discurso de permanente revisionismo do que chamam “história oficial” em benefício da “versão dos oprimidos”. A outra virou, sem trocadilho, terra de ninguém. As crianças não sabem ler um atlas, entender um mapa, mas são convidadas a discursar sobre mudanças climáticas, IDH, desigualdades sociais, os males do agronegócio, os terríveis riscos dos transgênicos, os malefícios, enfim, associados — claro!!! — ao capitalismo e ao neoliberalismo. Sabem o que é pior? Tudo isso é tratado de modo ligeiro, ignorante, desinformado porque não passa de discurso militante. Tive de ouvir num desses ambientes, dia desses, que o Brasil “faz hidrelétricas como se fosse pão quente, aos montes…” Tudo porque a dona que discursava acha que o negócio é investir em energia eólica… Evidentemente, a ignorantona nunca se interessou em saber o custo da sua proposta.

Na área de língua portuguesa, caminha-se para a tragédia pura e simplesmente. O tal livro do “nós pega os peixe” é só uma anedota caricata a ilustrar o drama. Ensina-se gramática cada vez menos — afinal, não é isso o que pede o Enem do Fernando Gugu-dadá Haddad — e se perde um tempo enorme com “debates”, “histórias em quadrinhos”, sociologização rombuda, incompetente mesmo!, de textos literários… O currículo é uma verdadeira salada russa.

O fator Enem
A coisa já estava ruça. Piorou muito nos últimos anos, especialmente em razão da feição que assumiu o Enem, sob o comando de Haddad. A herança maldita deste senhor na educação ainda vai se revelar. As provas desse megavestibular federal (que não consegue nem mesmo manter as questões em sigilo) se transformaram em mera sociologice incompetente do conhecimento. O aluno não é convidado a demonstrar que sabe isso ou aquilo, que domina um determinado conceito, que pode aplicá-lo, eventualmente, às situações propostas. Nada disso! No mais das vezes, é instado a ser judicioso, opinativo — devidamente conduzido pelas balizas ideológicas da prova.

Não só isso: há um certo clima de vale-tudo. No mês passado, Jerônimo Teixeira publicou na VEJA um texto sobre uma pesquisa feita por professores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Leiam um trecho:
“Desde a sua primeira edição, em 1998, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), prova que avalia a qualidade das escolas secundárias e hoje substitui o vestibular em muitas universidades, reconheceu apenas duas vezes a existência de um romancista brasileiro do século XIX chamado José de Alencar.

Na edição de 2009, o nome do escritor constou em uma das alternativas erradas para uma pergunta sobre regionalismo. Antes disso, em 2004, o autor de O Guarani foi lembrado em uma questão de biologia – sobre tuberculose, doença que causou sua morte, em 1877. O Enem nunca fez uma pergunta específica sobre a vida ou a obra do maior prosador do romantismo brasileiro. Jamais pediu aos alunos que interpretassem um texto seu. Outros nomes de primeira linha das letras em língua portuguesa fazem companhia a José de Alencar no clube dos esquecidos. Para ficar em poucos exemplos, temos o pregador jesuíta Antônio Vieira, o poeta inconfidente Tomás Antônio Gonzaga e Euclides da Cunha, autor do monumental Os Sertões. Os avaliados pelo Enem, em compensação, com frequência são chamados a interpretar as histórias em quadrinhos de Jim Davis, criador do gato Garfield, ou de Dik Browne, pai do viking Hagar. Um grupo de pesquisadores do Instituto de Letras da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) fez um levantamento extensivo de todas as provas, desde o primeiro Enem – incluindo a prova que vazou e teve de ser invalidada, em 2009 -, para avaliar o peso que a literatura tem no exame. As conclusões são desalentadoras.

A começar pela valorização desmesurada das histórias em quadrinhos – o segundo gênero mais cobrado na prova, atrás apenas de poesia (veja o quadro abaixo) -, o exame mostra desproporções e equívocos de toda ordem. Os escritores anteriores ao modernismo são negligenciados: apenas cerca de 17% das questões versam sobre a literatura que precede a década de 20. Períodos inteiros foram apagados da história da literatura na versão do Enem: o barroco e o século XVII, por exemplo, não existem. Talvez ainda mais grave, não se exige nenhuma leitura prévia dos alunos, quando no antigo vestibular das melhores universidades havia uma lista de livros obrigatórios. Aparentemente, os iluminados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) – órgão do Ministério da Educação responsável pela elaboração da prova – consideram que um estudante pode entrar na universidade sem jamais ter lido Dom Casmurro, de Machado de Assis, ou Vidas Secas, de Graciliano Ramos.”

O que o Enem tem com isso?
“Pô, Reinaldo, você começa a falar da monumental estupidez de uma professora e depois dá pau no Enem!?” Queridos, eu trato é da falta de parâmetros, da perda do eixo, do vale-tudo instalado, que permite aos professores fazer essa, digamos, “abordagem criativa” em sala de aula, já que, afinal de contas, tudo pode, tudo é da lei, tudo é matéria de “debate”. A duras penas e contra alguns gorilas do sindicalismo, São Paulo conseguiu estabelecer um currículo mínimo para as escolas. Mas isso não quer dizer que esteja sendo seguido. A tarefa é árdua! Se existe uma política do governo federal que desorganiza o conhecimento, que privilegia a “opinião progressista” em detrimento do domínio do conteúdo de uma disciplina, então os ditos “criativos” se sentem livres para agir.

Reitero: fosse aquela professora uma pedófila, estaria, a esta altura, fora de circulação. Mas é provável que não seja. A minha hipótese é que ela é só uma agente da “educação moderna”, “transformadora” e “conscientizadora” (se me permitem abusar…) — vale dizer: a não-escola!!! É coisa muito mais difícil de combater.

O problema é de dimensão nacional. A crise é profunda. Coloque o triplo do dinheiro numa escola com esse padrão, e o risco é o problema se agravar. A principal carência não é de dinheiro, não! É a delinqüência intelectual e ética que faz da educação brasileira um vexame. Estamos entregues a uma horda de celerados. E, obviamente, existem os bons. Estes não têm por que se zangar porque sabem que eu estou colaborando com a sua causa, não o contrário.

Por Reinaldo Azevedo

15 nov 2011 - Posted by | ÉTICA, EDUCAÇÃO, GOVERNO, POLÍTICA

1 Comentário »

  1. Bem, Roberto, não tenho conhecimento sobre o financiamento educacional brasileiro em profundidade, mas conheço a prática pedagógica no interior das instituições educativas públicas e privadas.

    Realmente temos graves problemas educacionais:
    1- O baixo rendimento escolar do SAEB indica que a aprendizagem não se concretiza somente com aulas teóricas, mas com vivências e práticas em laboratório, na intervenção comunitária, no desenvolvimento de projetos e na construção coletiva.
    2- 20% da população brasileira é analfabeta funcional. Passou pelo banco escolar e não conseguiu compreender o significado dos textos, ficou apenas na percepção das sílabas e palavras soltas. Faltou aprofundamento, cobrança, acompanhamento, estímulo e exercitação.
    3- Um em cada 7 adolescentes está fora da escola. É esta faixa etária a mais violenta e excluída. Eles precisam de inserção em projetos educativos que preparem para a vida, para as escolhas pessoais e profissionais, precisam dominar a tecnologia e de orientação acerca de seu perfil pessoal, vocacional e funcional, de forma que se permitam fazer opções adequadas na sociedade.
    4- A chamada Educação Integral, que inclui a formação CORPO-MENTE-ESPÍRITO não chegou à realidade educacional formal.
    5- Onde estão os educadores que fazem a mediação pedagógica? Vc tem visto escolas com psicopedagogos? E os orientadores educacionais? Quem lida com a dinâmica humana nas escolas? Conteúdos sectarizados, seriados, compactados por disciplinas estanques não permitem a compreensão do todo…. Agora mesmo, a Secretaria de Educação do DF retirou os supervisores pedagógicos das escolas. Os motivos? Devem estar vinculados ao item ECONOMIA.
    6- Os cursos que formam educadores estão esvaziados. Os alunos em refugo. Negam-se ao vínculo com esta área. Salários baixíssimos – Desvalorização social da categoria – Violência adentrando o lócus de formação humana. Permanecem educadores, neste país, somente aqueles que julgam ter nascido para servir à natureza humana…

    Um abraço da Sonia Véras.
    Brasília.

    Comentário por Sonia | 15 nov 2011 | Responder


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