blog do Roberto Leite

Assuntos de interesses multiplos e atuais.

A seriedade do cinismo.

A seriedade do cinismo.

 

Durante as obras do Pan Americano, que diga-se de passagem  houve tempo de sobra para concluí-las em tempo hábil, houve uma tática protelatória onde foram envolvidos  agências regulatórias, políticos, e principalmente o presidente do COB  (Comitê Olímpico Brasileiro) Carlos Arthur Nuzman.

Atrasaram as obras com o propósito de dispensar as licitações, que segundo eles era muito burocrática e levava muito tempo. (Sabemos que isto é verdade, mas haveria tempo hábil para tudo isto se o cronograma original fosse seguido)

Para o Brasil não ser alvo de chacota internacional, abriram as portas do tesouro e a negada nadou de braçada.

Até o dia de hoje, segundo o TCU (Tribunal de Contas da União), 90% dos gastos estão pendentes de regularização como notas fiscais e outros documentos.

Por mera coincidência existiam 23 empresas no complexo do Pan,  que de alguma forma pertenciam à familiares do Nuzman.

Todos ficaram muito ricos à custa do erário com a desculpa de obras emergenciais para o Brasil poder fazer bonito (Como realmente fez).

Como na primeira vez deu tudo certinho, roubaram muito dinheiro e não foram punidos, resolveram assaltar o erário novamente com o mesmo processo.

È a mesma turma de sempre, com adição do Ricardo Teixeira, um facínora de primeira grandeza que conheço pessoalmente dede os tempos de adolescente em BH.

As obras vão se atrasando como a greve no Maracanã, e outras maracutaias e em cima da hora liberam tudo para salvar o nome do Brasil.

A FIFA (Órgão eivado de suspeitas também) deveria remover esta copa Brasil e levá-la a outro país dando uma lição aos pilantras e uma vergonha ao Brasil.

Mas não vai acontecer.

No final o Brasil vai fazer bonito e tudo vai entrar nos eixos menos a prestação de contas que irá para o espaço junto com os preços finais.

Bem hoje encontrei um artigo do colunista Ralph J. Hoffmann, (http://prosaepolitica.wordpress.com)  com uma parte histórica bem interessante, e uma idéia melhor ainda para mostrar aos pilantras que ainda temos brio e eles têm que entrar nos eixos.

Leiam o artigo e se entenderem a idéia vamos fazer uma forcinha da aplicá-la no Brasil.

Ralph J. Hofmann

Durante a segunda guerra os países mais exigidos economicamente para produzir armas assim como para desenvolvê-las, afora a Alemanha, foram os Estados Unidos e a Inglaterra.

Esta última esteve com as costas contra a parede entre 1939 e 1943. Lutava para sobreviver. Em função disto a capacidade produtiva do país estava toda engessada. O  Ministro da Produção de Guerra, Lord Beaverbrook, um magnata da imprensa nascido no Canadá, homem que viera do nada montou uma equipe que se encarregava de viabilizar as necessidades das forças armadas. Para tanto determinava o que e quanto as diferentes empresas deveriam produzir e inclusive podia influenciar a alocação mão de obra para os objetivos essenciais à sobrevivência do país.

Na ocasião, o país com todos os seus recursos comprometidos determinou que a figura do lucro, remuneração do capital seria assunto para mais adiante, mesmo por que, quando as empresas precisavam reconstruir em função do bombardeios, ou obter máquinas operatrizes em termos dos projetos isto também ocorria em função da necessidade, não mais da capacidade de investir da empresa.  

Após a guerra uma comissão determinou, dentro de certos parâmetros aprovados pelo parlamento, quanto cada empresa produzira e a que remuneração fazia jus. Lembro que Barnes Wallis, um dos maiores inventores, detentor de patentes vitais para o esforço de guerra só teve arbitrada sua remuneração na década de sessenta.

Algo semelhante foi arbitrado pela equipe dos economistas Bernard Baruch e John Kenneth Galbraith quanto à remuneração dos fabricantes dos EEUU, no período de1942 a1946.

Há pouco ouvi um  âncora de televisão descrever as obras da Copa do Mundo como sendo vitais ao país, em termos de provar a capacidade de realização do país, da dignidade do país e outras coisas mais. 

Como sabemos e muitos tem escrito, os atrasos na sobras da copa são pelo menos suspeitos. Foram gerados para gerar facilidades de arbitrariamente contratar sem concorrências. Tudo vai custar algumas vezes os mais altos preços do planeta.

Ora se completar essas obras é mais interessante do que simplesmente desistir da copa, esta deve ser tratada como a nossa guerra.

E no caso, deveria haver uma Autoridade de Realização da Copa com direito a chamar um empreiteiro, informá-lo que vai fazer tal obra, que deve apresentar as notas fiscais dos custos. Uma tal autoridade deve auditar os custos em função de preços internacionais e sumariamente prender os infratores para aguardar julgamento sem direito a responder processo em liberdade. A primeira obra seria uma penitenciaria confortável para não ser dito que se está humilhando os empreiteiros.

Sugiro isto como bandeira para o Romário, que está se tornando o Deputado da Copa. No caso da eleição dele Deus escreveu reto por linhas tortas. Uma grata surpresa.

Já nem, estou navegando na maionese.

Estou nadando nela.

 

18 set 2011 - Posted by | ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA, ARTIGOS, ÉTICA, Cinismo, GOVERNO, POLÍTICA

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