blog do Roberto Leite

Assuntos de interesses multiplos e atuais.

As cartas marcadas

As cartas marcadasnatal-do-lula

Tenho muito orgulho sim dos reconhecidos acontecimentos que enaltecem os feitos brasileiros, e que contribuem para uma melhoria social da humanidade em geral.

É com grande orgulho que falo da Embraer, com suas pesquisas e construções na área da aeronáutica que é respeitada em todo o mundo como uma força neste ramo tão competitivo.

Tenho orgulho também no ramo da medicina social quando leio em reportagens da mídia estrangeira sobre o sucesso do nosso programa de vacinação em massa, e do sucesso do tratamento e prevenção da AIDES.papai-noel-11

No mesmo patamar, sinto vergonha de certos ramos de nossa sociedade, reconhecidos mundo afora como uma das mais elevadas no quesito da corrupção, em par com a Nigéria que eu conheço bem, onde já trabalhei e sei como é a corrupção naquele país.

Em outros ramos da vida social, não tem como comparar o Brasil com a Nigéria. Na área industrial, na área social, na área do meio ambiente, (o nosso também não é um exemplo, mas está anos luz em frente à Nigéria), na área educacional, entre outras, estamos bem mais adiantados do que a Nigéria. Como então poderia estar empatados na área da corrupção? Socialmente falando, quando se vai evoluindo democraticamente, a tendência em geral, é de que a corrupção, fato inerente de falta de evolução, vá também se esvaindo e tende a desaparecer frente ao civismo, educação social, e de eleições democráticas onde a vontade voluntária do povo escolhe os seus representantes.pobre-brasil

Aí, pode ser onde se encontre o entravo brasileiro.

A representatividade política, em meu ver, está totalmente desfavorecida em uma paródia democrática, que para ficar realmente democrática necessita de mudanças rápidas e urgentes.

Talvez seja por este motivo, que a corrupção se instalou em nível comparável ao da Nigéria.

Para começar, a obrigatoriedade de votar, com sanções para quem descumprir esta obrigação é realmente uma coisa de país subdesenvolvido e como a Nigéria. (Não sei de fato se o voto na Nigéria é obrigatório. Se não o for, eles vão nos passar em breve no quesito da rendição da corrupção).mutreta-a-vista

A democracia plena, somente pode ser alcançada se o cidadão pode ter a opção de votar. Veja bem a diferença, opção ou obrigação? Uma grande diferença democrática. Vota quem quer e quem queira fazer a diferença.

Uma das coisas, que recentemente vêm enchendo de orgulho alguns ramos da sociedade brasileira, é a evolução da urna eletrônica, onde uma eleição em um país como o Brasil de dimensões continentais pode apurar uma eleição nacional em poucas horas.

Disto eu não tenho orgulho, pois em um país onde a corrupção seja paralela à da Nigéria, e onde o parque industrial seja paralelo ao de países do primeiro mundo, o parque universitário seja bem desenvolvido, a margem para fraude é extremamente elevada. E o nosso sistema empregado para votação, que em uma decisão no mínimo estúpida ou espúria, considerou desnecessária a possibilidade de recontagem em caso de dúvida, decreta nesta forma uma pena de morte para a escolha democrática de seus representantes.rei-dantas

Outro dia, houve eleições gerais na Rússia. O sistema deles, um país também de grandes proporções, apurou o resultado em poucas horas, mas tem uma tremenda diferença sobre o nosso sistema. Lá, de acordo com as notícias internacionais, quando se vota, o eleitor preenche uma cartela, como uma loteria no Brasil, insere a cartela na urna eletrônica. A urna lê a cartela, divulga na tela a vontade explícita pelo eleitor, se este reconhece como correta sua decisão, aperta o botão votar e seu voto é computado, parte da cartela com sua vontade é mantida na urna, e a outra parte com seu nome, é devolvida com o carimbo da urna e comprovante de voto.nova-moda

Este sistema permite em caso de dúvida uma recontagem manual, é muito mais honesto do que o nosso atual, e a apuração sendo eletrônica, é extremamente rápida como ficou comprovado durante as eleições na Rússia. O voto por lá é mantido secreto, o seu comprovante de voto mais adequado do que o nosso, que é preenchido manualmente pelo mesário, e a possibilidade de fraude fica bem menor do que no nosso sistema onde se houver fraude, não tem como comprovar e fica assim mesmo e a vontade democrática do eleitor é apenas na mídia que divulga as vantagens do sistema.

Existem inúmeras suspeitas de fraude eleitoral em nosso moderno sistema, e continuamos a insistir neste mesmo erro.

Assim, o nível de nossa corrupção vai ficar dentro dos parâmetros nigerianos e vai até piorar, se os representantes do povo apenas representam a corrupção do sistema.turma-do-barulho

Vejam esta recente reportagem sobre o assunto em Alagoas:

“Garfaram” as eleições em Alagoas?

Por Pedro Oliveira (*)

A cada dia tomamos conhecimento, mas já não nos surpreendemos, com a comprovação de fraudes no processo eleitoral, com violação de urnas, alteração de resultados e outros casos escabrosos.

Agora foi a vez de Caxias do Maranhão onde a Polícia Federal abriu inquérito para apurar suspeita de fraude nas eleições onde relatórios mostram que urnas eletrônicas foram violadas mesmo depois de lacradas e constatou-se que um vereador não teve o próprio voto computado. Dois técnicos da Universidade de São Paulo confirmaram as suspeitas.outra-morolinha

Apareceu também a gravíssima denúncia de fraude em 32 cidades no Sul de Minas na última eleição. Urnas violadas, resultados alterados, enfim uma lista completa das vulnerabilidades das urnas que o mundo inteiro repudia, mas a Justiça Eleitoral brasileira insiste em manter, ninguém sabe com que intenção ou propósito.

Tenho abordado o assunto com freqüência ultimamente e procurado colher informações em cada denúncia no país, verificando cuidadosamente o desenrolar desse processo que promete um escândalo de proporções inimagináveis para muito breve.

A propósito conversava por estes dias com uma das maiores autoridades no assunto e este me assegurava: “Garfaram as eleições de Alagoas em 2006 e um dia isto estará comprovado”.

Ai fiquei a meditar e revolver um pouco a história que antecedeu o resultado de nossas eleições no ano de 2006. Acompanhei de perto a disputa entre João Lyra e Teotônio Vilela, em quem votei e apoiei. No final da campanha já não se tinha mais dúvida de sua derrota, fato aceito até mesmo por seus aliados. No sábado, véspera do pleito, fui a Palmeira dos Índios, onde teria que votar logo cedo e regressar a Maceió onde participaria de um programa de televisão sobre as eleições. Conversando com políticos locais saí com a certeza de que Teotônio Vilela “levaria uma surra” na contagem dos votos na região Agreste. As pesquisas mostravam, as opiniões confirmavam  as previsões eram unânimes.mui-amigos

Dias antes, conversando com o governador Luis Abílio, que deu todo o apoio a Teotônio Vilela e depois foi vergonhosamente traído pelo mesmo, ouvia dele a seguinte colocação: ”Fizemos o possível, fiz o que estava ao meu alcance, mas Téo vai perder as eleições”. Mostrou-me os números das últimas pesquisas e pude comprovar suas previsões. Não haveria segundo turno.

Ao regressar a Maceió dei uma volta nos principais locais de votação e pude comprovar o que estava anunciado: João Lyra ganharia muito possivelmente no primeiro turno.

Abrimos o programa de televisão, eu e o companheiro Flávio Gomes de Barros poucos minutos antes do encerramento da votação. Por volta das 18 horas começaram a chegar os primeiros resultados. Todos no estúdio ficamos perplexos: a cada seção apurada o resultado era favorável a Teotônio Vilela, na capital e o interior acompanhava a mesma tendência. Lembro ter dito na ocasião: – Deu a louca nas urnas e o mundo vai desabar, Não vai ter segundo turno! E assim foi que inexplicavelmente, para surpresa de todos (quase todos) o resultado fatídico contrariando pesquisas, especialistas em votos e cientistas políticos: Teotônio Vilela obtinha 733.405 votos ,ficando com 55,85 do eleitorado válido, enquanto que João Lyra ( o favorito) encarava apenas 400.687, com o índice  de 30,51.

Mas as surpresas saídas das urnas não pararam por ai. O outro fato surpreendente, estranho e suspeito ocorria na eleição para o Senado. Fernando Collor, com apenas 28 dias de campanha, sem horário de televisão, sem mensagem e redutos, derrota o ex-governador Ronaldo Lessa, considerado imbatível até o dia da eleição. Collor obteve 550.725 votos ou 44,04 %, enquanto que Lessa ficou com 501.239 que representou 40,08 %. Derrotado na eleição anterior (2002) para governador por Ronaldo Lessa com uma diferença de 134.000 votos, (553.035 a 419.741), Collor já não é mais nenhum fenômeno político e fica difícil justificar sua inesperada votação.

O fato é que as eleições de 2006 em Alagoas continuam sob suspeição e até agora a Justiça Eleitoral não teve a vontade de ir a fundo nessa questão. E quando assistimos a cada dia novas denúncias de fraudes, vulnerabilidade das urnas, alteração de resultados ficamos a indagar: “garfaram” mesmo as eleições?  Um dia a verdade virá a publico? Só deus sabe, pois as urnas não falam.

(*) Jornalista e presidente do Instituto Cidadão.natal-extraordinario-1

07 dez 2008 Posted by | ÉTICA, EDUCAÇÃO, GOVERNO, ideologias, POLÍTICA | 3 Comentários

   

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