blog do Roberto Leite

Assuntos de interesses multiplos e atuais.

A esquizofrenia da obsessão

A esquizofrenia da obsessão

Quando eu estava cursando o quarto ano primário, no Grupo Escolar Barão Do Rio Branco em Belo Horizonte/MG, a minha professora, uma paulista muito simpática de Campos do Jordão, e que se chamava (ou chama) Dona Maria Passos, passou para a nossa turma como dever de féria de julho, uma composição com o título “A esquizofrenia da obsessão”.

Pode até parecer uma loucura, mas é a mais pura verdade.

Com esta incumbência em foco, fui logo perguntar para minha mãe o que era isto. Ela me sugeriu procurar no dicionário.

O melhor dicionário que havia na minha casa, era uma coleção do “Laudelino Freire”.

Grande e Novíssimo Dicionário da Língua Portuguesa (1939-1944), de publicação póstuma, em cinco volumes.

Não tenho mais acesso a este dicionário, e como tenho o Aurélio no computador vamos às definições sobre o tema de acordo com o tio do Chico Buarque:

Esquizofrenia

[De esquiz(o)- + -fren(o)- + -ia1.]

Substantivo feminino.

1.Psiq. Termo que engloba várias formas clínicas de psicopatia e distúrbios mentais próximos a ela (v. distúrbio esquizotípico); sua característica fundamental é a dissociação e a assintonia das funções psíquicas, disto decorrendo fragmentação da personalidade e perda de contato com a realidade.

Esquizofrenia hebefrênica. 1. Psiq. Forma de esquizofrenia observada, em geral, em adolescente, e que se caracteriza por distúrbios da afetividade, regressão e hipocondria; hebefrenia.

obsessão

[Do lat. obsessione.]

Substantivo feminino.

1.Impertinência, perseguição, vexação.

2.Psiq. Pensamento, ou impulso, persistente ou recorrente, indesejado e aflitivo, e que vem à mente involuntariamente, a despeito de tentativa de ignorá-lo ou de suprimi-lo; idéia fixa, mania.

Eu me recordo bem que cheguei à conclusão que o tema deveria se referir, a uma loucura temporária sobre um assunto qualquer, em que o indivíduo perdia o contato com a realidade, se dedicando a uma idéia sua sobre qualquer assunto, mas que obstruiria as outras visões sobre o mesmo assunto. Em resumo, uma espécie de mania temporária. Se esta mania persistisse, poderia ser considerada uma loucura.

Foi o que escrevi sobre o tema em pauta. Uma análise pessoal sobre o significado do título proposto. Não se esqueçam que eu tinha apenas 10 anos de idade.

Dona Maria Passos, aceitou a redação, mas se mostrou desapontada, pois não era o que tinha em mente.

Dos 45 alunos, apenas três entregaram os trabalhos

Até hoje penso nisto e não sei qual era a idéia de dona Maria Passos sobre este tema.

Aí penso no Brasil, o mesmo Brasil do Laudelino Freire, o mesmo Brasil do Aurélio Buarque de Holanda, o mesmo Brasil de dona Maria Passos, o mesmo Brasil seu e o meu.

Vejo na televisão, uma propaganda caríssima do Ministério da Educação sobre o IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica).

Uma simpática e sorridente senhora aparece falando sobre este indicador, que em 2005 era de 3,8 e agora já está em 4,2 e que a meta almejada é de 6,0.

Enquanto fala, ela vai subindo uns degraus, e parece que a melhoria até o momento foi bem grande, mas não é. Prestem atenção de 3,8 para 4,2, é apenas um ganho de 0,4, mas na proporção do anuncio parece bem grande, e a distância da meta é proporcionalmente igual à distância percorrida nestes três anos. Mas, não é assim de 4,2 para 6,0 faltam 1,8 que significa 4,5 vezes o ganho em três anos. Neste ritmo levaríamos 13,5 anos para a meta de seis. Esta é mais uma propaganda enganosa e cara deste governo de mentiras.

Ficamos em ultimo lugar entre 56 países pesquisados sobre os conhecimentos do ensino médio, em quase todas as matérias, e nas matérias que não tiramos a pior nota ficamos bem próximas do final da escala.

O Brasil da atualidade, o mesmo Brasil do Pré-sal, o mesmo Brasil do futuro, o mesmo Brasil da erradicação da pobreza, está gastando com toda a educação pública, 2,5 do PIB (Produto Interno Bruto).

Os gastos com as propagandas enganosas com esta do IDEB somam três vezes mais do que o gasto com a educação básica.

Destes 2,5 do PIB (aproximadamente 62.000.000.000), 80% é gasto com a educação universitária, ou seja, 50 bilhões de reais. ( aí estão incluídos os cartões corporativos, as mordomias, e os desvios de praxe) Com a educação básica apenas esta merreca de 12 bilhões de reais.

Como poderemos esperar que o Brasil melhore, se os estudantes que chegam à universidade mal sabem ler e escrever?

Este governo está gastando muito com o ensino universitário (este dá votos), quando os alunos que lá chegam não foram preparados para absorver os ensinamentos universitários. Para se evitar uma reprovação geral, as universidades têm que abaixar o nível e formar estes ignorantes que serão o futuro do Brasil. Qual futuro?

O presidente Lula, umas das vítimas deste descaso escolar, não para de propagar o futuro do Brasil. Ele sim foi vítima do descaso, mas poderia ter se aplicado melhor, pois teve ampla oportunidade para isto, mas optou para continuar ignorante.

E apregoa aos quatro ventos o quanto está gastando com as universidades.

E o ensino básico senhor presidente? Este mesmo que lhe faltou e ainda faz falta quando em público sem nenhum pejo, recita estas abobrinhas que lhe parecem engraçadas, mas matam de vergonha os ex-alunos de dona Maria Passos, assim como matam de vergonha esta aluna da UFRG do curso de direito que escreveu a redação abaixo que me foi enviada por Email pelo meu amigo o Dr. João.

REDAÇÃO DE ESTUDANTE CARIOCA VENCE CONCURSO DA UNESCO COM 50.000 PARTICIPANTES


Imperdível para amantes da língua portuguesa, e claro também para Professores. Isso é o que eu chamo de  jeito mágico de juntar palavras simples para formar belas frases.   REDAÇÃO DE ESTUDANTE CARIOCA VENCE CONCURSO DA UNESCO COM 50.000 PARTICIPANTES


Tema:‘Como vencer a pobreza e a desigualdade’

Por Clarice Zeitel Vianna Silva

UFRJ – Universidade Federal do Rio de Janeiro – Rio de Janeiro – RJ


‘PÁTRIA MADRASTA VIL’

Onde já se viu tanto excesso de falta? Abundância de inexistência. .. Exagero de escassez… Contraditórios? ? Então aí está! O novo nome do nosso país! Não pode haver sinônimo melhor para BRASIL.
Porque o Brasil nada mais é do que o excesso de falta de caráter, a abundância de inexistência de solidariedade, o exagero de escassez de responsabilidade.
O Brasil nada mais é do que uma combinação mal engendrada – e friamente sistematizada – de contradições.
Há quem diga que ‘dos filhos deste solo és mãe gentil.’, mas eu digo que não é gentil e, muito menos, mãe. Pela definição que eu conheço de MÃE, o Brasil  está mais para madrasta vil.
A minha mãe não ‘tapa o sol com a peneira’. Não me daria, por exemplo, um lugar na universidade sem ter-me dado uma bela formação básica.
E mesmo há 200 anos atrás não me aboliria da escravidão se soubesse que me restaria a liberdade apenas para morrer de fome. Porque a minha mãe não iria querer me enganar, iludir. Ela me daria um verdadeiro Pacote que fosse efetivo na resolução do problema, e que contivesse educação + liberdade + igualdade. Ela sabe que de nada me adianta ter educação pela metade, ou tê-la aprisionada pela falta de oportunidade, pela falta de escolha, acorrentada pela minha voz-nada-ativa. A minha mãe sabe que eu só vou crescer se a minha educação gerar liberdade e esta, por fim, igualdade. Uma segue a outra… Sem nenhuma contradição!
É disso que o Brasil precisa: mudanças estruturais, revolucionárias, que quebrem esse sistema-esquema social montado; mudanças que não sejam hipócritas, mudanças que transformem!
A mudança que nada muda é só mais uma contradição. Os governantes (às vezes) dão uns peixinhos, mas não ensinam a pescar. E a educação libertadora entra aí. O povo está tão paralisado pela ignorância que não sabe a que tem direito. Não aprendeu o que é ser cidadão.
Porém, ainda nos falta um fator fundamental para o alcance da igualdade: nossa participação efetiva; as mudanças dentro do corpo burocrático do Estado não modificam a estrutura. As classes média e alta – tão confortavelmente situadas na pirâmide social – terão que fazer mais do que reclamar (o que só serve mesmo para aliviar nossa culpa)… Mas estão elas preparadas para isso?
Eu acredito profundamente que só uma revolução estrutural, feita de dentro pra fora e que não exclua nada nem ninguém de seus efeitos, possa acabar com a pobreza e desigualdade no Brasil.
Afinal, de que serve um governo que não administra? De que serve uma mãe que não afaga? E, finalmente, de que serve um Homem que não se posiciona?
Talvez o sentido de nossa própria existência esteja ligado, justamente, a um posicionamento perante o mundo como um todo. Sem egoísmo. Cada um por todos…
Algumas perguntas, quando auto-indagadas, se tornam elucidativas. Pergunte-se: quero ser pobre no Brasil? Filho de uma mãe gentil ou de uma madrasta vil? Ser tratado como cidadão ou excluído? Como gente… Ou como bicho?


Premiada pela UNESCO, Clarice Zeitel, de 26 anos,
estudante que termina faculdade de direito da UFRJ em julho, concorreu com outros 50 mil estudantes universitários.
Ela acaba de voltar de Paris, onde recebeu um prêmio da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) por uma redação sobre ‘Como vencer a pobreza e a desigualdade’ .

A redação de Clarice intitulada `Pátria Madrasta Vil´ foi incluída num livro, com  outros cem textos selecionados no concurso. A publicação está disponível no site da Biblioteca Virtual da Unesco.

Se este tema da obsessão fosse dado nos tempos atuais eu certamente escreveria sobre a obsessão pelo poder do presidente Lula e da esquizofrenia para conseguir isto a todos os custos passando pelas mentiras, ridículos e tudo o mais, sem se importar realmente com o futuro da nação que sem dúvida nenhuma espera que algum mandatário se preocupe realmente com a educação básica, o que o Lula desconhece e por isto não está nem aí.

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10 set 2008 - Posted by | ARTIGOS, CRONICAS, EDUCAÇÃO, GOVERNO, POLÍTICA

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