blog do Roberto Leite

Assuntos de interesses multiplos e atuais.

Mais uma vez – Barão

Mais uma vez – Barão

Há alguns anos atrás, escrevi uma matéria intitulada “O Barão de Berzelius” (Está no Blog)

O Barão de Berzelius, da corte sueca cujo verdadeiro nome foi Jöns Jakob foi um famoso químico que entre outros méritos está o de medir o peso atômico dos elementos básicos e a descoberta de três elementos químicos, o cério, o selênio e o tório.

Foi dele também a criação do termo catalisar ou catalisador.

O nosso Aurélio define catalisar como: “Estimular, dinamizar ou incentivar”.

Em química, o catalisador tem o poder de iniciar ou acelerar uma reação sem se modificar.

Não existe ou não encontrei em uma pesquisa superficial, um catalisador em ciências sociais, definido como tal e aceito geralmente como um elemento como em física. Esta palavra, se usada estará mais para a definição do nosso dicionário, como um estimulador, ou um incentivador. Esta definição para a ciência social é definitivamente mais fraca do que o catalisador químico para a reação química.

Para que usaríamos o termo catalisador em uma ciência humana?

Pode ser usada como uma metáfora para ilustrar uma lei uma decisão ou uma ação que poderia ter iniciado uma reação social qualquer, e que esta reação teve como desfecho uma melhora ou uma degradação no grupo social onde foi aplicada.

Um exemplo que pode ilustrar mais ou menos este significado:

“– A profissão de caçador está praticamente extinta. Os caçadores foram substituídos pelos criadores de animais que suprem a necessidade da caça com animais domesticados e abatidos industrialmente. E o que fazer com os caçadores, uma profissão que não pode ser utilizada praticamente. Bem existe em alguns países, um uso para os antigos caçadores. Os animais silvestres como veados, alces, ursos, leões, vários tipos de aves, são protegidos por lei, mas são vigiados e observados e quando sua população está aumentando muito podendo causar algum tipo de desequilíbrio ecológico, as autoridades locais vendem licenças para que estes animais em quantidade maior possam ser abatidos. Os antigos caçadores, neste países, servem de guias de caça para os novatos e que desejem aprender a caçar, eles também são usados pelas autoridades para controlar as populações de animais silvestres ETC. Houve aí uma mudança social interessante, causada pela regulamentação da caça pelas autoridades que também protege os animais silvestres e com isto preservando a antiga profissão que foi desalojada pelas mudanças sociais do consumo de proteína animal. O catalisador desta mudança foi uma decisão pelas autoridades, que criaram leis que regulamentaram a caça e também uma proteção aos animais.” Neste exemplo acima, o catalisador (Decisão) foi dosado propriamente, a reação foi social ao catalisador foi moderada, a as mudanças ocorridas beneficiaram o grupo social composto pelos antigos caçadores e suas famílias. O novo grupo está modificado perenemente, pois a sua atuação e posição social foram alteradas pelo catalisador (decisão), mas o resultado desta reação (nova decisão +antiga profissão) foi benéfica a todo o grupo envolvido. O Catalisador (decisão) mantém sua forma inicial, mas modificou o ambiente em que foi inserido. Usou-se a dose certa de catalisador e se obteve o resultado desejado.

Agora imagine esta mesma situação onde a decisão (Catalisador) foi exagerada e quando não se necessitou mais socialmente da profissão “CAÇADOR”, passou-se uma lei proibindo imediatamente a caça.

Provavelmente o que ocorreria, seria que os caçadores passassem para a informalidade, transformados instantaneamente de cidadãos profissionais em contraventores informais, e os produtos da caça seriam contrabandeados sem nenhum controle, e os amimais silvestres seriam abatidos à noite, feriados quando a fiscalização seria menor, e indiscriminadamente, podendo com isto serem bons candidatos à extinção.

Viram como uma mesma situação pode mudar com a dose do catalisador. Usa-se muito catalisador e a reação fica incontrolável.

E agora o que isto tem a haver com coisas atuais?

Foi esta nova modalidade da lei existente (catalisador) para controlar a violência no trânsito brasileiro.

Foi decidido pelas autoridades que se deveria aumentar a dose do catalisador na reação social à lei de controle do nível de álcool no sangue de uma pessoa ao volante de um veiculo. Porque se elevaria o nível do catalisador?

Realmente, um catalisador pode estar fraco, as reações causadas pela sua presença, podem ser consideradas muito lentas. Mas isto não pode ser feito assim.

Em química, quando uma reação está muito lenta, antes de se elevar a quantidade do catalisador, analisa-se a mistura para tentar descobrir a causa da reação lenta. Primeiro mede-se a temperatura da mistura, depois se verifica a situação dos componentes, e antes de se adicionar mais catalisador, tenta-se algo simples como elevar um pouco a temperatura da mistura, trocar de recipiente, analisar possível contaminação dos elementos, e quando depois de tudo isto não tem resultado, aí se eleva gradualmente a quantidade do catalisador.

E na mistura social também tem que ser feito assim.

· A lei antiga (Decisão Catalisadora) de 0,6% de álcool por litro de sangue não estava funcionando propriamente. ( as mudanças causadas pela presença do catalisador não estavam surtindo os efeitos esperados).

· Antes de se usar mais catalisador a mistura (catalisador –lei + grupo social envolvido) deveria ser investigada com carinho e cuidado para se tentar descobrir a razão da ineficiência do catalisador (Lei).

· Primeiro de tudo deveria ser tentado uma elevação da temperatura (mais fiscalização)

· Depois, uma possível contaminação (impunidade) que poderia estar mudando o resultado esperado na mistura.

· Deveria ser tentada, uma verificação em alguns dos elementos da mistura, para saber a sua real composição.

· Se fossem encontrados falhas nestes elementos (no caso poderiam ser os policiais, as blitz, os juízes, ou uma combinação de todos estes elementos) eles poderiam ser trocados por outros com uma data de vencimento mais recente para ver se antes de se adicionar catalisador a mistura poderia responder.

· E o recipiente que contém esta mistura, que neste caso uma grande parte da sociedade, poderia ser mudado (a regulamentação de blitz, com mandato judicial, a troca de soldados armados por pessoas à paisano, um figura judicial poderia ser adicionada ao sistema, um juiz togado e treinado nos problemas de transito, ETC.)

Mas, isto não foi feito assim, o que as autoridades fizeram foi jogar um balde inteiro na mistura, e tentar com isto aumentar a velocidade da reação. Neste caso o resultado pode ser desastroso e perigoso:

· A lei antiga (Decisão Catalisadora) de 0,6% de álcool por litro de sangue não estava funcionando propriamente. (as mudanças causadas pela presença do catalisador não estavam surtindo os efeitos esperados).

· Joga-se um balde inteiro de catalisador na mistura. (Eleva-se a intensidade da lei existente)

· Quando se eleva a quantidade de catalisador, a mistura tende a esquentar (Em vez de tentar esquentar a mistura com um pouco de fiscalização, esquentaram com catalisador, que para funcionar, tiveram que esquentar também a nova mistura com mais fiscalização. Porque não tentaram esquentar antes de mais catalisador?)

· Os elementos da mistura (como policiai juízes ETC) não foram testados por falhas, ineficiências, apenas foram elevados em quantidade junto com o catalisador, inibindo com isto parte do efeito catalisador.

· E o recipiente da mistura, ficou inadequado e instável, causando um efeito muito diferente do o que se desejava.

Encontrei esta semana no blog do meu sobrinho o José Melo, – http://zefonseca.com/blogs/ze/ – a seguinte notícia :

Denúncias de tráfico em SP sobem 21,4%

Filed under: Lei 11705 “Tolerância Zero” — jfonseca @ 12:04 am

Eu gostaria de parabenizar as autoridades por terem conseguido reduzir em 13% os acidentes devido ao alcool no volante em São Paulo. Agora desejo-lhes boa sorte para combater o aumento de 21,4% nas vendas de drogas milhões de vezes piores que estão substituindo o copo de chopp(que também vão acabar usadas ao volante).

Fonte: Matéria do Estadão
Crescimento é o maior registrado nos últimos cinco anos; de janeiro a julho, foram 26.694 ligações para o 181

SÃO PAULO – O primeiro semestre deste ano teve um aumento recorde de denúncias sobre tráfico de drogas em São Paulo. Entre janeiro e julho, o Disque Denúncia (181) foi acionado 26.694 vezes com informações sobre o comércio de cocaína, maconha, crack e ecstasy. O número é 21,4% superior ao registrado no mesmo período de 2007, quando foram 21.988 casos. O crescimento foi o maior registrado nos últimos cinco anos. Desde 2003, a evolução de um ano para outro nunca havia ultrapassado a casa dos 17%.

Bem aí está o que acontece com u uso indiscriminado de catalisador. Os efeitos indesejáveis estão começando a surgir, e esta mistura toda deve ser revista, pois sem controle pode é explodir na cara de quem está misturando.

E para quem está convencido de que as armas de fogo são as maiores causas de violência contra a vida, podem ler a reportagem abaixo que li hoje pela manhã.

http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL707904-5602,00-PASSAGEIRO+E+DECAPITADO+EM+ONIBUS+NO+CANADA.html

E o governo está gastando milhões em uma nova campanha contra as armas, e deveria estar gastando estes milhões em uma campanha pró-educação e com a própria educação básica.

26 ago 2008 Posted by | GOVERNO, POLÍTICA, Tolerância Zero | Deixe um comentário

Pesadelo

Pesadelo

Em uma eventual candidatura para presidente em 2010, onde a chapa vencedora fosse:

Presidente – Dilma Rousseff,

Vice – Gedel Vieira Lima,

Vocês podem imaginar o ministério:

Casa civil – Jader Barbalho

Fazenda – Paulo Maluf

Integração nacional – Anthony Garotinho

Agricultura – João Pedro Estédile

Justiça – Luiz Eduardo Greenhalgh

Meio Ambiente – Blairo Maggi

Transporte – Luiz Antônio Pagot

Minas e energia – Orestes Quércia

Comunicação – Martha Favre (Relaxa e goza)

Interior – Marco Aurélio _Top-Top – Garcia

Exterior – Celso Amorim

Educação – Delúbio Soares

Trabalho – Fabio Luiz da Silva (Lulinha)

Turismo – Ana Júlia Carepa

Pesca – Genival Inácio da Silva – (Vavá Lambari irmão do Lula)

Presidente do Banco Central – Newton Cardoso (Ex-governador de MG)

Esporte – Ricardo Teixeira

Esta escolha foi muito rápida e pode mudar.

Se vocês leitores tiverem algum candidato mais próprio para assumir o cargo, mandem a sugestão que eu mudo sim.

Sei que faltam muitos ministérios, mas não consigo lembrar todos. Candidatos com bons currículos eu sei que não deve faltar.

Pobre Brasil…….

22 ago 2008 Posted by | Cinismo, CURIOSIDADES, GOVERNO, Humor, POLÍTICA | 2 Comentários

Estava demorando a aparecer……

Estava demorando a aparecer……

Saiu na coluna do Claudio Humberto:

21/08/2008 | 00:00

Dilma e Geddel, a chapa de Lula

O presidente Lula parece decidido a levar adiante a candidatura da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) à sua sucessão, em 2010, e até já pensa no companheiro de chapa dela. Em conversa com políticos do Rio de Janeiro, entre os quais o vice-governador Luiz Fernando Pezão, Lula afirmou que o ideal seria uma chapa PT-PMDB e, se depender dele, o candidato a vice é o ministro Geddel Vieira Lima (Integração Nacional).

Este político baiano, que foi apelidado pelo finado ACM de “Agatunado”, tem uma tremenda fama de aproveitador (para quem conhece a peça já sabe como ele aproveita).

Foi encarregado de gerenciar uma verba para ser utilizada na condenação à morte do Rio São Francisco, de 6,2 bilhões de reais.

Os primeiros noventa milhões gastos nesta obra foram questionados pelo TCU, e depois da notícia não se ouviu mais nada. De acordo com as primeiras notícias de aproximadamente um ano atrás havia notas frias, notas falsas, falta de comprovantes e outras falcatruas.

Agora, vem esta notícia da possibilidade da candidatura deste político para vice da Dilma.

Quem quer casar com a dona baratinha que tem dinheiro na caixinha?

Vem que tem.

Eta Brasil…..

21 ago 2008 Posted by | ABUSOS LEGISLATIVOS, ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA, ÉTICA, GOVERNO, POLÍTICA | Deixe um comentário

Constituição natimorta!…

Constituição natimorta!…

Saiu hoje na coluna do Claudio Humberto:

OAB celebra 20 anos da Constituição”

“O presidente nacional da OAB, Cezar Britto, participa às 9h30 de hoje (21) da cerimônia de abertura do Fórum Brasileiro de Direito Constitucional, que comemorará as duas primeiras décadas da Constituição de 1988. O encontro “O STF e a Constituição: 20 anos” terá a Coordenação científica da advogada Daniela Tamanini, e reunirá mestres constitucionalistas, ministros da Corte, advogados e procuradores. O evento será no Centro de Eventos e Convenções Brasil 21, em Brasília. “

Esta constituição vergonhosa, que foi feita e construída com o pensamento em vingança e compensação social pelos abusos cometidos durante os anos de chumbo, está legalmente inválida pelos atos do então deputado Nelson Jobim, hoje ministro da defesa, que inseriu nela (constituição) depois de votada e aprovada, artigos de interesse de bancos nacionais e estrangeiros, e provavelmente dele próprio (o Jobim).

Este ato invalida esta constituição, que a OAB está comemorando o aniversário de 20 anos.

Comemorando um aniversário de uma coisa que ainda não nasceu.

Ah bom……

21 ago 2008 Posted by | ABUSOS LEGISLATIVOS, ÉTICA, GOVERNO, POLÍTICA | Deixe um comentário

A popularidade do desgoverno

A popularidade do desgoverno

Eu não sei como o desgoverno Lula pode ser tão popular.

Outro dia em uma estatística do IBGE, o número de eleitores para esta próxima eleição está bem perto dos 130.000.000. Deste total apenas 3% tem curso superior (3.900.000).

Em outra pesquisa sobre o ensino básico no Brasil – WWW.todospelaeducacao.com.br –, estamos, entre os 56 países pesquisados, em ultimo lugar geral, e em todas as matérias.

Em política internacional, depois da euforia inicial, perdemos em tudo que investimos. Culminando agora na rodada de Doha onde além das gafes internacionais do Ministro Celso Amorim, ficamos mal com os países latino americanos, ficamos mal com os países do G8, e ficamos mal também com a China. Na América Latina, estamos bancando e financiando tudo sozinhos e os parceiros apenas entram para tirar vantagens em tudo e o Brasil entra com as perdas. Na sociedade para construir uma refinaria em Pernambuco, a sócia Venezuela apenas entrou com a presença e duas visitas e cobranças pelo Hugo Chavez de sua aprovação no congresso brasileiro para fazer parte do MERCOSUL. Dinheiro nada. O BNDES já emprestou a fundo perdido para a Venezuela, mais de 12 bilhões de dólares. Este dinheiro não é do Lula, é dinheiro do FAT e, portanto dos trabalhadores brasileiros que podem tomar um grande calote.

A tentativa de uma cadeira permanente no comitê deliberativo da ONU, onde para isto perdoamos dívidas enormes aos países africanos, o Lula visitando países africanos sem nenhum motivo aparente, nem político nem comercial, apenas para tentar angariar os votos destes países para a posição na ONU. E no final não ficamos com nada apenas perdas.

Agora nos esportes, entramos nas olimpíadas de Pequim, com o maior contingente das ultimas presenças e vamos nos retirar com o pior resultado dos últimos tempos.

O comitê olímpico, presidido a mais de vinte anos pelo Carlos Arthur Nuzman, é uma mina de corrupção como durante os jogos pan-americanos, onde 12 das vinte empreiteiras que faziam parte dos trabalhos de implantação do parque para os jogos pertenciam a parentes e amigos pessoais do senhor Nuzman. Esta notícia rolou e parou e ninguém fez nada a respeito. Cadê o TCU ou a Policia Federal com os grampos?

A Polícia Federal, nuca prendeu tantos corruptos como agora, mas isto não é apenas por causa do trabalho da polícia como também nunca na história deste país se transgrediu tanto, se roubou tanto, com tanto cinismo e descaramento. Apesar dos caros e incessantes trabalhos da Polícia Federal, não tem nenhum contraventor, ladrão, político, preso por seus atos ilegais. Dentro da cúpula do desgoverno, dentro dos ambientes mais íntimos das vísceras desgovernamentais, se encontram os cabeças e executores de vários dos mais flagrantes delitos sem que nenhuma destas pessoas esteja ao menos preocupada com qualquer tipo de punição. O Apedeuta chamou seus mais próximos colaboradores de “ALOPRADOS”, e pronto já foi castigo suficiente. Os 1,7 milhões de reais que foram flagrados nas mãos dos aloprados, estão até hoje esperando o dono aparecer.

Estamos em uma crise inflacionária, nem tanto por causa do desgoverno, mas também por questões internacionais diversas, (que por sinal foram também responsáveis pelo crescimento durante o desgoverno) mas o desgoverno não entrega os pontos e diz que estamos muito bem.

Agora, em um rampante totalitário, o desgoverno quer criar uma nova estatal, paralela à Petrobrás, para explorar o pré-sal, reserva esta descoberta pela Petrobrás com recursos dos acionistas. Isto segundo notícias é para não ter que dividir os lucros com os acionistas que pagaram os contratos de risco para a exploração e descoberta das reservas do pré-sal. Deve ser coisa da cabeça doentia do rei do tártaro, o Marco Aurélio “top top” Garcia.

Grande roubo este, bem comparado ao do EVO MORALES com as refinarias da Petrobrás.

Coisa ruim e ditatorial, este governo aprende rápido.

Resultados bons com as idéias mirabolantes, o apedeuta não apregoa porque não os tem.

Veja esta reportagem abaixo, exemplo dos feitos do governo.

Quem está aprovando este governo não sabe disto e se sabe não lhe interessa, pois deve estar se locupletando com as peripécias do desgoverno.

5. Berço do Fome Zero, Guaribas segue na miséria
O Valor Econômico (para assinantes) teve a oportuna idéia de visitar a pequena Guaribas, no Piauí, cinco anos e meio depois de ter sido escolhida como vitrine do então recém-lançado Fome Zero. A lógica do programa de fazer um trabalho emergencial (alimentar a população) para que depois a cidade se desenvolvesse pelas próprias pernas fracassou. Passada a empolgação inicial, Guaribas não avançou nada. A agricultura e o comércio são insignificantes e quase a totalidade das famílias continua dependendo do Bolsa-Família, num ciclo que dificilmente vai se encerrar a curto prazo. Um retrato bem brasileiro.

Bem que outro dia recebi por Email o resultado de uma estatística, que não apregoaram a fonte e não sei se verdadeira, mas está pelo menos engraçada e pela aprovação recorde do desgoverno Lula, pode muito bem ser verdadeira:

Da totalidade dos eleitores, apenas 20% têm o hábito de ler o jornal. Os demais 80% usam o jornal apenas para limpar o rabo.

19 ago 2008 Posted by | ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA, ANEDOTAS, CRESCIMENTO ECONÔMICO, GOVERNO, POLÍTICA | 2 Comentários

Revista velha…

Revista velha…

Outro dia, exatamente no dia 10 de agosto de 2008, fui a Belo Horizonte MG, para renovar a CNH (Carteira Nacional de Habilitação). Este ano houve uma novidade, como a minha carteira é de 1962, tive de cumprir uma nova exigência do DETRAN e participar de 15 horas de curso de “Direção Defensiva”, fazer uma pequena prova sobre o assunto ensinado, e fazer o exame médico normal. Devo dizer que não foi uma coisa totalmente inútil como poderia ter sido. No pequeno tempo disponível, houve até muita informação trocada sobre o CTB (Código de Trânsito Brasileiro), e algo de útil ficou gravado na memória minha e espero de outras pessoas que participaram do mesmo curso. Pelo preço pago, R$ 43,00 foi uma educação barata e pela duração periódica do evento, de cinco em cinco anos, não é uma coisa muito exagerada como algumas coisas inúteis e burocráticas e caras, fruto das mentes doentias dos legisladores brasileiros. (eu por completar 65 anos no ano que vem, devo depois de 2009 fazer esta reciclagem de três em três anos – Acho justo).

Outra coisa antes de entrar no assunto do título. Foi em um dos exames médicos do DETRAN, em 1994, que descobri a minha hipertensão e iniciei o tratamento.

E também foi durante a espera para efetuar este novo exame médico, que deparei com uma edição de “VEJA” esquecida na cadeira ao meu lado. Fiquei surpreso pela capa, pois se tratava de grampos no supremo, e do Ministro Gilmar Mendes. Assuntos muito atuais e isto me fez pensar que fosse a VEJA da semana que alguém havia esquecido no consultório médico. Como sempre faço (eu e muitas pessoas que conheço) abri na parte da entrevista das páginas amarelas, e era uma entrevista de cunho científico, e um assunto também atual e li esta interessante entrevista, ainda pensando estar lendo uma revista nova. O entrevistado, o primatologista holandês “Frans de Waal”, tem muitas coisa novas e interessantes e atuais, portanto não levantou suspeita de que fosse uma entrevista antiga.

Depois, fui à coluna do Millor onde na maioria das vezes ele fala de algo ocorrido durante a semana ou pouco antes, dando assim uma dica sobre a data da revista. Desta vez, ele não falou sobre nada disto e falou sobre a crase e sua idéia sobre ela.

Do Millor, pulei para o Radar do Lauro Jardim – aí, não teve jeito as notícias pareciam um caso de “Deja vu”. Li sobre a compra da Suzano Petroquímica, sobre o Renan Calheiros dando calote no IPTU (Realmente ele pode – somente ele) sobre Luiz Paulo Conde e Furnas, sobre o padre Marcelo Rossi e pensei será? Voltei então para a capa da revista VEJA em minhas mãos e procurei a data – 22 de agosto de 2007 – edição 2022 – incrível, esta revista tinha quase exatamente um ano e as notícias estavam muito atuais, os assuntos dos colunistas, tudo parecia dentro das datas atuais um ano depois. Incrível. Na sessão “CARTAS”, um leitor comparou o governo Lula ao de Getúlio Vargas. Um entregou Olga Benário para ser torturada e morta e o outro fez o mesmo com os refugiados boxeadores cubanos. Outro leitor, desta vez um português disse com certa dose de propriedade, que o Brasil é um país de primeiríssimo mundo com políticos de terceiro mundo.

Uma interessante visão do motivo de nossos problemas.

Na parte internacional, sobre as eleições americanas, dava como certa a vitória da Hillary que teria uma disputa com o Ex-prefeito Rudolph Giuliani, para disputar aparentemente o cargo com o ex-governador de Massachusets Mitt Romney pelos republicanos. Nada disto aconteceu e nesta parte a história teve outro desfecho.

Na parte econômica, falou-se sobre a primeira crise do século e que é a mesma que continua a movimentar as especulações atuais. Sobre este assunto poderia alguém um pouco desinformado pensar se tratar de assunto atual.

Nas entrevistas a outros economistas sobre o assunto, incrivelmente todos acertaram em uma forma ou de outra.

Sobre o “Recall de Brinquedos”, acaba de haver outro pela mesma empresa, “MATELL”. Assunto atual novamente. Em “DATAS”, quero enfatizar um assunto curioso. Em 1979, quando o Maluf fundou a Paulipetro, eu trabalhava para uma empresa americana de porte médio para grande no ramo de exploração de petróleo. Na época eu fazia parte de um corpo de 9.000 empregados em todo o mundo o que não é pouco. Esta empresa publicava mensalmente uma revista sobre o nosso assunto, mas era uma revista de variedades e curiosidades e tinha a parte de economia e investimentos. Na época da fundação da Paulipetro, a nossa revista aconselhava muita caução em investir na empresa de Maluf, pois possuíamos relatórios sobre as pesquisas na área da Paulipetro, e todos eles demonstravam a não existência de petróleo na área. Na época a nossa revista dizia ser um provável “SCAM” que quer dizer um golpe. E assim foi.

No Mainardi, este assunto de bater no PT, é comum e está atual em qualquer época, portanto não houve nenhuma surpresa por ali.

Agora, como a veja faz, deixei para o ultimo um dos colunistas favoritos. Roberto Pompeu de Toledo.

Não é por ele ser um exímio escritor que realmente o é. Não é por dizer coisas novas e sensacionais por que de vez em quanto ele faz isto. O meu favoritismo em sua coluna, é que Roberto é um escritor muito eclético, aborda qualquer assunto com maestria, e em seus artigos, ele sempre compõe certa dose de justiça. Não chega a ser um justiceiro, mas um apaziguador. Sua posição sobre vários temas é uma posição correta sempre. Isto promove ao ler os seus artigos uma leveza de opinião sobre os mesmos por parte do leitor.

Pelo menos no que me toca é assim.

Este artigo da revista velha também está atual e por isto publiquei na íntegra. Em um país no qual o principal mandatário, ao inaugurar o início de uma obra (aqui somente se inaugura o início) abre o seu discurso com a singela frase:

“- Aqui está o meu discurso que mandei imprimir com letras bem grande pra mim não errar”

Antes de abrir o discurso ( que provavelmente alguém escreveu para ele) ele errou pelo menos duas vezes.

Realmente parece que o Brasil acabou.

Ensaio: Roberto Pompeu de Toledo

“O Brasil é isso mesmo que está aí”

Terrível parecer, de alguém que conhece o assunto, reforça uma sensação que paira no ar

Os distraídos talvez ainda não tenham percebido, mas o Brasil acabou. Sinais disso foram se acumulando, nos últimos meses: a falência do Congresso e de outras instituições, a inoperância do governo, a crise aérea, o geral desarranjo da infra-estrutura. A esses fatores, evidenciados por acontecimentos recentes, somam-se outros, crônicos, como a escola que não ensina, os hospitais que não curam, a polícia que não policia, a Justiça que não faz justiça, a violência, a corrupção, a miséria, as desigualdades. Se alguma dúvida restasse, ela se desfaz no parecer autorizado como poucos de um Fernando Henrique Cardoso, cujas credenciais somam oito anos de exercício da Presidência da República a mais de meio século de estudo do Brasil. “Que ninguém se engane: o Brasil é isso mesmo que está aí”, declara ele, numa reportagem de João Moreira Salles na revista Piauí.

Ora, direis, como afirmar que o Brasil acabou? Certo perdeste o senso, pois, se estamos todos ainda morando, comendo, dormindo, pagando as contas, indo às compras, nos divertindo, sofrendo, amando e nos exasperando num lugar chamado Brasil, é porque ele ainda existe. Eu vos direi, no entanto, que, quando acaba a esperança, junto com ela acaba a coisa à qual a esperança se destinava. É à esperança no Brasil que o sociólogo-presidente se refere. Para ele, o Brasil jamais conhecerá um crescimento como o da China ou o da Índia. “Continuaremos nessa falta de entusiasmo, nesse desânimo”, diz. O prognóstico é tão mais terrível quanto coincide com – e reforça – o sentimento que ultimamente tomou conta mesmo de quem não é sociólogo nem nunca conheceu por experiência própria os mecanismos de governo e de poder.

O Brasil que “é isso mesmo” é o das adolescentes grávidas e dos adolescentes a serviço do tráfico, das mães que tocam lares sem marido, das religiões que tomam dinheiro dos fiéis, dos recordes mundiais de assassinatos e de mortos em acidentes automobilísticos, dos presos que comandam de suas células o crime organizado, dos trabalhadores que gastam três horas para ir e três horas para voltar do trabalho, das cidades sujas, das ruas esburacadas.

Procura-se o governo e… não há governo. Há muito que nem o presidente, nem os governadores, nem os prefeitos mandam. Quem manda é a trindade formada pelas corporações, máfias e cartéis. Não há governo que se imponha a corporações como a dos policiais, ou a dos professores, ou a dos funcionários das estatais. Não há o que vença as máfias dos políticos craques em arrancar para seus apaniguados cargos em que possam distribuir favores e roubar. Para enfrentar – ou, humildemente, tentar enfrentar – cartéis como o das companhias aéreas, só em época em que elas estão fragilizadas, como agora. Às vezes os cartéis se aliam às máfias, em outras se transmudam nelas. Em outras ainda são as corporações que, quando não se aliam, se transformam em máfias. Em todos os casos, o interesse público, em tese corporificado pelos governos, não é forte o bastante para dobrar os fragmentados interesses privados.

A tais males soma-se o cinismo. Não há outra palavra para descrever o projeto, supostamente de fidelidade partidária, aprovado na semana passada na Câmara. O projeto, muito ao contrário de punir ou coibir os trânsfugas, perdoa-lhes o passado e garante-lhes o futuro. Quanto ao passado, estão anistiados os parlamentares que trocaram de partido e que por isso, no entendimento do Tribunal Superior Eleitoral, deveriam perder o mandato. No que concerne ao futuro, o projeto estabelece que a cada quatro anos os parlamentares terão folga de um mês na regra da fidelidade partidária, pois ninguém é de ferro, e estarão abertos a negócios e oportunidades. Estamos diante de uma das mais originais contribuições da imaginação brasileira ao repertório universal de regras político-eleitorais. Para concorrer a uma eleição, o candidato deve estar filiado a um partido há pelo menos um ano. Mas, segundo o projeto, no mês que antecede a esse ano de jejum o candidato pode trocar o partido pelo qual foi eleito por outro. Como a eleição é sempre em outubro, esse mês será o setembro do ano anterior. Eis o Carnaval transferido para setembro. O projeto é uma esposa compreensiva que, no Carnaval, libera o marido para a gandaia.

FHC não era tão descrente. No parágrafo final do livro A Arte da Política, em que rememora os anos de Presidência, escreveu: “Se houve no passado recente quem empunhasse a bandeira das reformas, da democracia e do progresso, não faltará quem possa olhar para a frente e levar adiante as transformações necessárias para restabelecer a confiança em nós mesmos e no futuro desse grande país”. Na reportagem da revista Piauí, ele não poupa nem seu próprio governo: “No meu governo, universalizamos o acesso à escola, mas pra quê? O que se ensina ali é um desastre”. Pálidos de espanto, como no soneto de Bilac, assistimos à desintegração da esperança na pátria, o que equivale a dizer que é a pátria mesma que se desintegra aos nossos olhos.

Outro assunto sem nenhum vínculo ao artigo do presente post mas que quero comentar, porque não sai de minha mente, é a coluna do Roberto Pompeu sobre a morte de D. Ruth Cardoso, que foi sensacional.

Acho que futuramente vou publicar este artigo.

Agora um pouco de humor para não deixar o Brasil acabar completamente.

Recebi por Email a seguinte frase muito sugestiva.

80% dos eleitores brasileiros não usam ler o jornal.

Usam sim o jornal para limpar o rabo.

Aí está simplesmente a razão do atual congresso.

14 ago 2008 Posted by | ABOBRINHAS, ANEDOTAS, ARTIGOS, GOVERNO, POLÍTICA | Deixe um comentário

Reforma política já.

Reforma política já.

A reportagem abaixo tem 18 meses de idade, mas reflete um problema antigo com a realidade atual.

Recentemente, eu penso que o Senador Suplicy, adotou uma posição favorável ao voto voluntário enquanto que o deputado Chico Alencar, antes favorável mudou para a continuidade desta medida totalmente antidemocrática.

O voto obrigatório tem 76,5 anos de existência e somente serviu para desmerecer a democracia.

No ultimo censo eleitoral se constatou que somos 130 milhões de eleitores e somente deste imenso universo de votantes apenas 3% ou seja, 3.900.000, têm curso superior.

Enquanto isto, o “Bolsa Família” atende a 46.000.000 de pessoas. (realmente, deste montante, nem todos estão em idade de votar, pois são menores de idade, mas a discrepância entre pessoas educadas e pessoas dependentes no governo é flagrante)

Além do Bolsa família, existe o “PROUNI”, que é um programa para colocar na universidade particular, estudantes sem possibilidades de freqüentar uma universidade pública. O governo compensa as escolas do programa com redução nos impostos.

Alem destes dois e vários outros do governo federal (Luz para Todos, Fome Zero, ETC) existem também em vários municípios e estados programas assistencialistas, com claro cunho eleitoral.

Eu arrisco a adivinhar que mais de 45% (58.000.000) dos eleitores estão de alguma forma, vinculados a programas de assistência publica que sempre são usados para favorecer os mandatários eleitos, para uma segundo turno ou para campanha para os candidatos do partido da situação.

Na reportagem abaixo, antiga, mas atual tem a seguinte afirmação que é a expressão da verdade:

“O voto obrigatório faz com que tenhamos uma quantidade maior de eleitores, não qualidade”

O professor da UNB, Otaciano Nogueira tem outra frase temática:

– O voto obrigatório não cumpriu um papel. O aprimoramento da cultura cívica se faz com exemplos, e não obrigações.

Agora leiam a reportagem abaixo:

Voto obrigatório completa 75 anos na mira da reforma política

Publicada em 23/02/2007 às 19h42m

Luisa Guedes – O Globo Online

RIO – Depois de resistir a pelo menos 24 propostas de parlamentares que pediam seu fim, o voto obrigatório completa 75 anos neste sábado, mas está novamente em xeque. Senadores, deputados e cientistas políticos apostam que o tema estará em pauta durante as discussões da reforma política, prometida para este ano.

“O voto obrigatório faz com que tenhamos uma quantidade maior de eleitores, não qualidade”

Na Câmara, há mais de 30 anos são apresentadas propostas para extinguir a obrigatoriedade de comparecer às urnas, instituída em 24 de fevereiro de 1932, por decreto do então presidente Getúlio Vargas. O projeto mais recente, de autoria do deputado Mendonça Prado (PFL-SE), foi arquivado na mudança do ano legislativo. Embora o passado mostre que o tema enfrenta resistência entre os parlamentares, o deputado pediu o desarquivamento da matéria e, confiante na sua aprovação, diz que a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara vai retomar as discussões sobre o voto obrigatório. (Ouça trechos da entrevista)

– É melhor para o país que o cidadão deixe de votar enquanto não esteja decidido, ao invés de expressar sua opinião em função de alguém que lhe deu um santinho ou uma carona no dia da eleição. Esse é o voto sem reflexão e consciência. O voto obrigatório faz com que tenhamos uma quantidade maior de eleitores, não qualidade – resume Prado.

O deputado Chico Alencar (PSOL-RJ) em sessão do Congresso – Arquivo – Ailton de Freitas / O Globo

Para o deputado, como os eleitores já têm a opção do voto nulo, não há risco de haver uma redução da participação política caso a obrigatoriedade de ir às urnas seja extinta. Mas a preocupação com a despolitização levou um antigo defensor do voto livre a mudar de opinião. O deputado Chico Alencar (PSOL-RJ) pondera que, se por um lado o voto voluntário garante a conscientização do eleitor, por outro lado a sociedade tem dever de eleger seus representantes. (Ouça trechos da entrevista)

– Em função da obrigatoriedade de votar, o povo pelo menos presta atenção na política e nos seus representantes na época das eleições. Eu, que já defendi o voto voluntário, hoje transito para entendê-lo como um dever e, portanto, manter a obrigatoriedade. Mas isso é uma discussão da reforma política. Felizmente não tenho que decidir agora – diz.

“ Não há reforma substantiva se a gente não discute elementos fundantes da nossa péssima cultura política ”

Mesmo sendo contra mudanças na legislação atual, Alencar defende a discussão sobre o tema:

– É fundamental. Diz respeito ao eleitorado, aos mecanismos de eleger representantes, à prática nefasta da compra de votos. Se a gente esquecer disso, faremos uma reforma política pela metade. Não há reforma substantiva se a gente não discute elementos fundantes da nossa péssima cultura política. O voto livre faz parte disso e motiva as pessoas para o debate porque interessa mais do que outros temas.

Também contrário ao voto facultativo, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) se arrisca a fazer previsões. (Ouça trechos da entrevista)

senador Eduardo Suplicy (PT-SP) em entrevista no Senado – Arquivo – Roberto Stuckert Filho/O Globo

– O voto obrigatório tem uma certa função didática no sentido de deixar as pessoas mais conscientes do seu direito de votar. Mas acho que podemos prever para a próxima década, depois de 2010, o momento em que poderemos passar a ter um processo não obrigatório, quando se tiver assegurado a todos os brasileiros o direito a uma educação mais universalizada e todos estiverem efetivamente alfabetizados. O voto facultativo ficaria, portanto, para as eleições de 2014.

O caráter didático foi uma das justificativas apresentadas para a que o voto obrigatório fosse instituído, no início da era Vargas, mas o cientista político da Universidade de Brasília (UnB) Otaciano Nogueira afirma que a obrigação de ir às urnas não trouxe qualquer benefício para a história política do país .

– O voto obrigatório não cumpriu um papel. O aprimoramento da cultura cívica se faz com exemplos, e não obrigações.

O analista sugere que seja realizada uma consulta à sociedade para decidir sobre o tema, que, segundo ele, não é de competência do Congresso. Já para o senador Álvaro Dias (PSDB-PR), que apresentou projeto para tornar o voto facultativo, os parlamentares têm procuração dos eleitores para este tipo de decisão. O senador diz que há “mecanismos para auscultar a população”, como as pesquisas – que, em média, apontam o apoio de pouco mais da metade da população ao voto facultativo.

O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) discursa no plenário do Senado – Arquivo – Ailton de Freitas / O Globo

– Desobrigando os eleitores de votar, você permite acesso às urnas àqueles que têm um grau de conscientização política mais elevado – argumenta.

Questionado se isso não restringiria a participação nas eleições a uma minoria, Dias afirma que a “população tem gosto em participar”, o que se verificaria, de acordo com ele, em atos que não são obrigatórios. (Ouça trechos da entrevista)

– O voto facultativo não desestimularia a população, mas exigiria mais competência dos políticos. Seria um aprimoramento do processo político.

Dias e os demais parlamentares que apresentaram projetos para tornar o voto facultativo contam com um aliado dedicado. Há dois anos, o arquiteto Paulo Bandeira reúne informações sobre o assunto em um site, que divulga os projetos de lei relacionados ao tema. E para o aniversário de 75 anos do voto obrigatório, Bandeira preparou uma manifestação que deve, no mínimo, chamar a atenção do Congresso.

– Vou passar o sábado mandando e-mails para todos os parlamentares, pedindo a aprovação das propostas que tornam o voto facultativo – promete o arquiteto.

Está em curso uma nova tentativa para se colocar em voto, uma PEC (Proposta de Emenda Constitucional), que é complicada pois exige um quorum muito grande nas duas casas. Esta PEC é para modificar na constituição a obrigatoriedade de votar.

Eu tenho mandado aos Senadores, uma sugestão para que conste desta PEC, que as pessoas que estiverem incluídas em qualquer programa assistencialista, (Federal. Estadual, ou Municipal) sejam excluídas de lista de votantes, até que estejam fora destes programas.

Isto é muito fácil de programar, pois para receberem dinheiro do governo as pessoas têm que apresentar o CPF, que pode constar do cadastro eleitoral. Nas mesas de fiscalização eleitoral, o mesário ao digitar o CPF, pode constatar a existência de alguma restrição.

Uma medida destas tem uma tremenda força transparente e os programas assistencialistas perdem o cunho eleitoral, tão nocivo ao nosso sistema político atual.

Aos que lerem esta mensagem podem começar a mandar Email para os políticos e se quiserem um modelo, coloque nos comentários este desejo que enviarei por Email.

03 ago 2008 Posted by | GOVERNO, POLÍTICA, Reforma eleitoral, REFORMA POLÍTICA | Deixe um comentário

   

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