blog do Roberto Leite

Assuntos de interesses multiplos e atuais.

Uma História do Norbelino

Uma História do Norbelino

Recebi outro dia por Email, do meu amigo Dr. João, esta interessante história que estou reproduzindo:

Para os que não conhecem a figura, Norbelino é um engenheiro de Teresina que também comete alguns escritos.

Uma das Histórias do Norbelino…

Estava sentado no meu escritório quando lembrei de uma chamada telefônica que tinha que fazer. Encontrei o número e liguei.
Atendeu-me um cara mal humorado dizendo:
– Fale!!!
– Bom dia. Poderia falar com Andréa?
O cara do outro lado resmungou algo que não entendi e desligou na minha cara.
Não podia acreditar que existia alguém tão grosso.
Depois disso, procurei na minha agenda o número correto da Andréa e liguei. O problema era que eu tinha invertido os dois últimos dígitos do seu número. Depois de falar com a Andréa, observei o número errado ainda anotado sobre a minha mesa. Decidi ligar de novo.
Quando a mesma pessoa atendeu, falei:
– Você é um Filho da puta!!!
Desliguei imediatamente e anotei ao lado do número a expressão ‘Filho Da puta’ e deixei o papel sobre a minha agenda. Assim, quando estava nervoso com alguém, ou em um mau momento do dia, ligava pra ele, e quando atendia, lhe dizia ‘Você é um Filho da puta’ e desligava sem esperar resposta.
Isto me fazia sentir realmente muito melhor. Ocorre que a Telemar introduziu o novo serviço ‘bina’ de identificação de chamadas, que me deixou preocupado e triste porque teria que deixar de ligar para o ‘Filho da puta’.
Então, tive uma idéia: disquei o seu número de telefone, ouvi a sua voz dizendo ‘Alô ‘ e mudei de identidade:
– Boa tarde, estou ligando da área de vendas da Telemar, para saber se o senhor conhece o nosso serviço de identificador de chamadas ‘bina’.
– Não estou interessado! – disse ele, e desligou na minha cara.
O cara era mesmo mal-educado. Rapidamente, disquei novamente:
– Alô?
– É por isso que você é um Filho da puta!!! – e desliguei.
Aqui vale até uma sugestão: se existe algo que realmente está lhe incomodando, você sempre pode fazer alguma coisa para se sentir melhor: simplesmente disque 0xx86-xxxx.xxxx ou o número de algum outro Filho da puta que você conheça, e diga para ele o que ele realmente é.
Acontece que eu fui até o Teresina Shoping, comprar umas camisas.
Uma senhora estava demorando muito tempo para tirar o carro deuma vaga no estacionamento. Cheguei a pensar que nunca fosse sair.
Finalmente seu carro começou a mover-se e a sair lentamente do seu espaço. Dadas às circunstâncias, decidi retroceder meu carro um pouco para dar à senhora todo o espaço que fosse necessário: ‘Grande!’ pensei, ‘finalmente vai embora’.
Imediatamente, apareceu um Vectra preto vindo do outro lado do estacionamento e entrou de frente na vaga da senhora que eu estava esperando. Comecei a tocar a buzina e a gritar:
– Ei, amigo. Não pode fazer isso! Eu estava aqui primeiro!
O fulano do Vectra simplesmente desceu do carro, fechou a porta, ativou o alarme e caminhou no sentido do shopping, ignorando a minha presença, como se não estivesse ouvindo. Diante da sua atitude, pensei: ‘esse cara é um grande Filho da puta! Com toda certeza tem uma grande quantidade de
Filhos da puta neste mundo!’. Foi aí que percebi que o cara tinha um aviso de ‘VENDE-SE’ no vidro do Vectra. Então,anotei o seu número telefônico e procurei outra vaga para estacionar.
Depois de alguns dias, estava sentado no meu escritório e acabara de desligar o telefone – após ter discado o 0xx86-xxxx.xxxx do meu velho amigo e dizer ‘Você é um Filho da puta’ (agora já é muito fácil discar pois tenho o seu número na memória do telefone), quando vi o número que havia anotado do cara do Vectra preto e pensei: ‘Deveria ligar para esse
cara também’.
E foi o que fiz. Depois de um par de toques alguém atendeu:
– Alô.
– Falo com o senhor que está vendendo um Vectra preto?
– Sim, é ele.
– Poderia me dizer onde posso ver o carro?
– Sim, eu moro na Rua xx, n° xx. É uma casa amarela e o Vectra está estacionado na frente.
– Qual e o seu nome?
– Meu nome e Eduardo Marques – diz o cara.
– Qual a hora é mais apropriada para encontrar com você, Eduardo?
– Pode me encontrar em casa à noite e nos finais de semana.
– É o seguinte Eduardo, posso te dizer uma coisa?
– Sim.
– Eduardo, você é um grande Filho da puta!!! – e desliguei o telefone.
Depois de desligar, coloquei o número do telefone do Eduardo (que parecia não ter ‘bina’, pois não fui importunado depois que falei com ele) na memória do meu telefone. Agora eu tinha um problema: eram dois
‘Filhos da puta’ para ligar.
Após algumas ligações ao par de ‘Filhos da puta’ e desligar-lhes, a coisa não era tão divertida como antes. Este problema me parecia muito sério e pensei em uma solução: em primeiro lugar, liguei para o ‘Filho da puta 1’. O cara, mal-educado como sempre, atendeu:
– Alô – e então falei:
– Você é um Filho da puta – mas desta vez não desliguei.
O ‘Filho da puta 1’ diz:
– Ainda está aí, desgraçado?
– Siiimmmmmmmm, amorrrrrr!!! – respondi rindo.
– Pare de me ligar, seu filho da mãe – disse ele, irritadíssimo.
– Não paro nããão, Filho da putinha querido!!!
– Qual é o teu nome, lazarento? – berrou ele, descontrolado!
Eu, com voz séria de quem também está bravo, respondi:
– Meu nome é Eduardo Marques, seu Filho da Puta. Porquê???
– Onde você mora, que eu vou aí te pegar, desgraçado? – gritou ele.
– Você acha que eu tenho medo de um Filho da puta? Eu moro na Rua xx, n°xx, em uma casa amarela, e o meu Vectra preto está estacionado na
frente. Seu palhaço filho da puta. E agora, vai fazer o quê???? – gritei eu.
– Eu vou até aí agora mesmo, cara. É bom que comece a rezar, porque você já era. – rosnou ele.
– Uuiii! É mesmo? Que medo me dá, Filho da puta. Você é um bosta! E eu estou na porta da minha casa te esperando!!! – e desliguei o telefone na cara dele.
Imediatamente liguei para o ‘Filho da puta 2’.
– Alô – diz ele.
– Olá, grande Filho da puta!!! – falei.
– Cara, se eu te encontrar vou…
– Vai o quê? O que você vai fazer??? Seu Filho da puta!
– Vou chutar a sua boca até não ficar nenhum dente, cara!!!
– Acha que eu tenho medo de você, Filho da puta? Vou te dar uma grande oportunidade de tentar chutar minha boca, pois estou indo para tua casa, seu Filho da puta!!! E depois de arrebentar sua cara, vou quebrar todos os vidros desta porcaria de Vectra que você tem. E reze pra eu não botar fogo nessa casa amarelinha de bicha. Se for homem, me espera na porta em 5 minutos, seu Filho da puta!!! – e bati o telefone no gancho.
Logo, fiz outra ligação, desta vez para a polícia. Usando uma voz afetada e chorosa, falei que estava na Rua xx, n° xx, e que ia matar o meu namorado homossexual assim que ele chegasse em casa.
Finalmente peguei o telefone e liguei o programa da Cidade Verde do Amadeu Campos, para reportar que ia começar uma briga de um marido que ia voltando mais cedo para casa para pegar o amante da mulher que morava na Rua xx, n° xx. Depois de fazer isto, peguei o meu carro e fui para Rua xx, n° xx, para ver o espetáculo.
Foi demais, observar um par de ‘Filhos da puta’ chutando-se na frente de duas equipes de reportagem, até a chegada de 3 viaturas e um helicóptero da polícia, levando os dois algemados e arrebentados para a delegacia.

27 jul 2008 Posted by | ANEDOTAS, CRONICAS, CURIOSIDADES, Humor | 1 Comentário

A lei seca do Lula II.

A lei seca do Lula II.

Outro dia em uma conversa com o meu irmão José, ele manifestou a sua opinião sobre as estatísticas favoráveis depois de estabelecida a Tolerância Zero pelo governo Lula:

“Se houvesse o aparato de fiscalização nas ruas o tempo todo da mesma maneira que estão atuando agora depois da Tolerância Zero, teriam também diminuído os incidentes com os bêbados dirigindo. Os limites antigos com 0,6% de álcool no organismo, não são considerados embriaguês suficiente para o motorista perder o controle e causar acidentes”

Outro comentário inteligente sobre esta nova medida, é que isto é mais uma medida arrecadatória, mais uma maracutaia para alguém ganhar muito dinheiro com a venda de bafômetros que podem ser comprados no site de compras “EBay” por US$100,00 e estão sendo vendidos aos órgãos fiscalizadores pela merreca de R$6.000,00. E o comandante da Polícia Rodoviária Federal ainda disse cinicamente que importação é um negócio lucrativo e não uma obra de caridade.

Recebi também um Email revoltado que vou reproduzir na íntegra por conter muitas verdades e bater com a minha revolta sobre esta lei idiota que foi assinada pelo Lula para tirar um pouco o foco das ultimas maracutaias que foram divulgadas sobre sua administração, da crescente onda inflacionária que também é o fruto da gastança e do descaso infra-estrutural do país. Funciona assim assina-se uma lei destas e a revolta popular faz o povo colocar em segundo plano a perigosa onda inflacionária que não para de crescer.

Leiam este Email cheio de verdades:

Quem é o amigo da vez se você fizer um brinde no motel?

Da série “Curiosidades da Lei Filha da Puta/2008”:

1) O Dep. Hugo Leal, relator dessa obra de mestre, é evangélico e pertence ao PSC-RJ, eleito no palanque de ninguém menos que Anthony Garotinho. Nós sabemos que Garotinho por ser evangélico não bebe, mas o que ele faz sóbriozinho todo mundo sabe pela imprensa. E o que eu tenho a ver com a religião deles? Eles não podem respeitar a minha?

2) Os acidentes caíram 24% e o movimento noturno no Brasil todo caiu 60%, familias não brindam, namorados não brindam, um bombom é crime, restaurantes estão quebrando, garçons e cozinheiros sendo demitidos, pessoas não saem mais de casa.

3) Esse negócio de amigo da vez é coisa de moleque. Você sinceramente tem um amigo barbado, barrigudo, pai de familia que vai dirigir para você depois do happy hour? Você sinceramente vai com essa sua cara de babaca combinar com outros marmanjos de 50 anos de um de vocês não beber? É coisa de babaca não é? Isso é, ou não é pra destruir todos os bares e restaurantes? Só adolescente tem “amiguinho” que não bebe.

4) Tem coisa mais brochante do que não poder brindar num motel? Imagina, você brinda e do lado de fora já tem uma gente fina te esperando. Pensam que é brincadeira? Passem no motel flamingo em Brasília entre 19 e 22 horas, fica uma viatura do lado de fora vigiando um por um.

5) Depois de brochar, tem coisa mais brochante que pedir pra amiguinho dirigir pra você depois do happy hour?

6) Depois de brochar 2 vezes tem coisa mais brochante do que parar para um guarda fedorento que brochou a semana toda em casa e está louco pra te multar em R$ 500000 e ainda te obrigar a soprar naquela bosta chinesa transistorizada que agora tem poder de te prender?

7) Depois de brochar pela terceira vez dê um soco no nariz do filho da puta que defende essa lei porque “diminuiu 24%” dos acidentes. É claro, Einstein, ninguém mais está saindo. Se ninguém sai, ninguém bate o carro.

8) Eu experimentei sair de taxi. Depois de brochar 4 vezes, só isso é mais brochante. Você vai dar um beijinho nela e o taxista ta babando no retrovisor ouvindo Radioatividade sertaneja 2 AM.

9) Com esse transporte público de merda que tem no Brasil resta chamar um taxi. Uma corrida de 3 quarteirões custa R$ 15,00 na bandeirada 2. É, na verdade, mais um imposto brochante que o governo criou.

10) Sinceramente? Se você não se revoltar e não passar este email a TODOS seus amigos, você é um brocha.

É realmente revoltante ver que as polícias brasileiras, mal treinadas e incompetentes como vêm demonstrando ultimamente as notícias dos equívocos cometidos por esta gente, em vez de procurar dar mais segurança ao cidadão comum, estão todas as noites em plantão permanente perto dos lugares mais concorridos da noite, para pegar os incautos que tomaram talvez dois chopes, ou como vêm dizendo as autoridades que se você comer dois Bon bons de licor, você é uma ameaça à segurança pública.

Se houvesse uma forma de educar o cidadão nas escolas de base sobre as responsabilidades no trânsito, eu garanto que os índices de acidentes vão diminuir. Nos Estados Unidos a educação obrigatória no transito começa aos dez anos. E para terminar, os bêbados de plantão já saem de casa dirigindo bêbados às oito horas da manhã, quando não estão de plantão as Blitz do DETRAN.

Vou relatar um fato ocorrido comigo em 1980 no Chile, em pleno regime de força Pinochet:

Estava eu trabalhando com petróleo na cidade de Punta Arenas no sul do Chile, quando foi necessário fazer um inventário de tubos em um armazém a uns 80 quilômetros de distancia. No carro da empresa de petróleo, iniciamos a viagem quando uns 30 quilômetros à frente encontramos uma barreira com vários soldados armados e outras pessoas à paisano.

Um destes homens à paisano, muito bem vestido, se aproximou da janela do motorista e disse:

“- Senhores peço desculpas pelo incomodo, mas sou representante do judiciário local e tenho em minhas mãos um mandato judicial oficial que vou lhes dar uma cópia. Este mandato nos dá o direito de interromper a via pública para identificar os passageiros que passarem por aqui. Vou precisar apenas de seus documentos pessoais, para conferencia rápida e não vamos deter-los por muito tempo.”

E assim foi feito, os documentos foram conferidos em uns dez minutos, os soldados armados não se aproximaram, ficaram à distância apenas como uma garantia. E isto foi em uma ditadura.

Quase igual ao Brasil!

Constitucionalmente, o direito de ir e vir é uma garantia, e como no exemplo acima, deveria haver uma ordem judicial para interromper uma via pública, com pessoas educadas e a paisano para lidar com os cidadãos, deixando ao lado os integrantes armados, apenas para as emergências. Deveriam fornecer uma cópia do mandato aos cidadãos incomodados com a interrupção de sua rotina em uma via pública. Isto seria no mínimo uma atividade democrática e respeitosa às pessoas que estão pagando os salários das autoridades.

Mas o que esperar em um país democrático onde o cidadão é obrigado a votar????????????

Realmente, eu creio que depois da euforia inicial, as blits vão arrefecer e tudo vai ficar mais ou menos normal, como sempre acontece no Brasil. Menos a existência da lei que vai ficar pairando indefinidamente sobre as nossas cabeças.

Eu posso visualizar em uma festa dada por um cidadão com alguma ambição política, é motivo de preocupação para outro político da oposição deste pretensioso futuro político. Então este político preocupado move seus contatos políticos e consegue uma blits em uma das ruas principais perto da casa do futuro político e quase todas as pessoas que saem da festa são paradas e multadas. No dia seguinte no noticiário sai a manchete “Orgia e bebedeira em casa de fulano dá multa e cadeia dos participantes”

Qualquer desafeto de qualquer um pode ficar de espreita e produzir coisa semelhante enquanto existir esta lei imbecil.

20 jul 2008 Posted by | ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA, AUTORITARISMO, CENSURA, GOVERNO, Justiça, POLÍTICA | 1 Comentário

Situaçao atual II.

Situaçao atual II.

Em meu ultimo artigo, falei sobre a preocupante situação da economia brasileira. Agora tem mais sobre o mesmo assunto.

Neste cenário de marasmo internacional de crescimento, bolha na economia americana, preço escalante do petróleo, e conseqüentemente elevação nos insumos agrícolas que são derivados do petróleo. Com esta elevação, os alimentos que são o fruto resultante dos insumos agrícolas, estão em franca escalada trazendo aos consumidores brasileiros uma preocupação constante de como adaptar o orçamento doméstico à esta nova realidade.

Diariamente nos órgãos noticiosos existem reportagens a respeito das maquininhas de marcar e remarcar os preços, a respeito também dos hábitos de fazer compras, hábitos de se evitar o supérfluo, ETC.

Não bastasse isto, o brasileiro da classe média, que paga 90% de todos os impostos arrecadados, está aprendendo a investir um pouco do que sobra nas bolsas de valores, introduzindo com isto uma nova dimensão à economia nacional que são os investimentos de capital. Neste mundo capitalista globalizado, esta prática é muito sadia para a economia. Depois da estabilização monetária desfrutada nos últimos dez anos, os brasileiros começaram a se aventurar nos investimentos de capital. Com esta inflação presente, todos os investimentos perderam para a inflação, ou melhor, houve perda de dinheiro investido. O investidor brasileiro que acreditou no sistema anunciado pelo governo perdeu dinheiro quando investiu na economia. Isto é muito preocupante.

O governo que prometeu a estabilidade, não vai acomodar as perdas destes investidores.

E o governo aparentemente está dizendo que não tem preocupação com esta inflação, que segundo também o governo, está sob controle, e é apenas fruto de safra diferencial e que liberou mais dinheiro para financiar a nova safra que deverá ser maior 15% do que a anterior, e que este aumento vai reduzir o preço dos alimentos. Os alimentos básicos da mesa do brasileiro, carne, feijão e arroz, estão em média pelo Brasil 30% mais caros, e o pão, que é feito com trigo, quase todo importado da Argentina, está também 50% mais caro em média. Agora, a Argentina está em crise séria, e a elevação da safra brasileira de grãos, vai se basear em soja para exportação, onde está bem valorizada. O Arroz, onde uma grande parte que era produzida no norte, onde existe conflitos territoriais, vai continuar escasso e com preços altos, a carne, vai precisar de pelo menos dois anos para se introduzir novas matrizes no mercado pois as existentes foram abatidas para equilibrar o mercado decrescente alguns anos antes. O feijão, este pode se ajustar com uma boa safra, mas este cereal apenas não irá afetar a regularização dos preços em geral.

Em um ambiente como este, o governo, ou melhor, os integrantes do governo que podem ter um pouco de bom senso econômico devem saber que existe no Brasil, uma situação com potencial explosivo para uma inflação elevada e constante nos anos porvir e que esta situação, se houver muita competência no gerenciamento da crise inflacionária, pode ser de uma duração de no mínimo dois anos.

E hoje em minha viagem habitual pelos blogs, encontrei no site da Adriana Vandoni, (http://www.prosaepolitica.com.br) um interessante relato em forma de parábola sobre um típico brasileiro introduzido ao consumismo.

Este elemento pode ser o pavio de uma explosão inflacionária no futuro próximo.

A história do João

Por Raphael Curvo

Advogado pela PUC-RJ e pós graduado pela Universidade Cândido Mendes-RJ

João, técnico aposentado, recebe R$ 1.300,00 mensais. Algumas estripulias, como cerveja com os amigos e cinema com a patroa nos finais de semana, dá para realizar sem apertar o orçamento. Afinal, os aumentos nos preços dos alimentos estão sob controle e os ganhos da aposentadoria garantem a geladeira da casa. Estou satisfeito e sobra para uns abusos de fim de ano, diz João.

Vendo um programa de TV, João se depara com anúncio, aos gritos, de que agora todos podem ter o seu carro. Como, eu ter um carro? O anúncio da revendedora lhe dispara o coração. Percebe que com menos de 30% da sua aposentadoria poderá financiar o sonho quase impossível. Ter um carro? “Miráculo”!!! E mais entusiasmado fica ao descobrir que não será necessária a entrada para a concretização do sonho de consumo. Quase desmaia quando o anunciante grita “e ainda tem troco de três mil reais”.

Sem pestanejar, em segundos estava lá. Concretizou a compra de um reluzente automóvel em 84 prestações mensais de 400 reais. Lógico, teve um gasto extra com o seguro, impostos e taxinhas, insignificantes ante as chaves do carro na mão. Mal saiu da revendedora, passou em uma loja de som e investiu os três mil recebidos como troco. Como o carro é flex, se subir o álcool enche o tanque com gasolina e vice – versa; tá resolvida a questão de combustível.

Outro programa na TV, outra surpresa ao perceber que também pode ter uma televisão de plasma de 32’ na pequena sala da casa. Apenas pouco mais de 10% do que ganha e a patroa ficará feliz em ver melhor as novelas do dia-a-dia. E João vai aos poucos se sentindo poderoso, com certo ar de vencedor. Já tem carro e TV de plasma. Daí, para a compra de um novo conjunto de sofá mais sofisticado para a sala foi um passo. É, a sala ficou apertada e carro precisa de uma garagem coberta. Decidiu: vamos às obras. É só fazer um empréstimo consignado com juros tão pequenos que não serão sentidos nas prestações. Com essa inflação controlada, dá para levar e alçar vôos baixos.

Passados alguns meses, o direito de ter carro e consumir, defendido pelo presidente e assumido pelo João, começou a sofrer turbulências das quais pensava nunca iria passar. Luz, água, telefone, remédios, combustível, alimentação e outros tantos produtos começaram a sair do controle financeiro doméstico com pequenos aumentos, mas constantes. João começou a perceber que o provento estava se tornando pequeno. Um aumento na aposentadoria se tornou uma necessidade. Enfim, o governo pode promover isso, está arrecadando como nunca. Por que não dar aumento? É uma questão de tempo, pensa. Até lá fará um novo empréstimo consignado para suprir os buracos no orçamento e diminuir os atrasos das prestações.

João hoje faz parte do cálculo feito pela Associação Comercial de São Paulo sobre a evolução da inadimplência que constata ser o dobro da oficial de 7,3%, excluído o crédito consignado. Esta situação de desconto em folha retira do tomador do empréstimo a possibilidade de atrasos, mas, por outro lado, implica em dificuldade de atendimento de outras necessidades prioritárias que podem ser urgentes, tais como problemas de saúde.

A irresponsável política de expansão de crédito está começando a apresentar a fatura. João e muitos outros vão entrar em desespero com agravante da redução do feijão com arroz na sua mesa. Não fossem estimulados ao consumo selvagem da superficialidade, suas vidas poderiam estar com melhor qualidade naquilo que é essencial.

É preciso constatar que não é somente no bojo dos aposentados que tal situação está em evolução. Os assalariados começam a perceber, logo após a compra, que o carro também exige manutenção e esta não está incluída na prestação mensal. Terão os mesmos sintomas e sofrerão os mesmos efeitos dos aposentados. E mais, descobrirão que sem estudo e preparação qualificada não terão espaços para crescer salarialmente. Este fato coloca mais de 90% da população brasileira ativa em situação de conflito e insegurança pessoal. Mudança, só com educação responsável e de qualidade. Caso contrário, sempre terá “a história do João”.

Depois deste conto do João, um detalhe que encontrei também hoje na coluna do Claudio Humberto:

A culpa da falta de escolas é dos políticos que compram votos

Desembargador Estácio Gama , presidente do TRE-AL, sobre os políticos de ficha suja

O Brasil gastava no governo do FHC, 3% do PIB com a educação, sendo que destes míseros 3%, 70% era investido em educação superior. Uma vergonhosa realidade.

No atual governo, são gastos 2,5% do PIB (o PIB cresceu) com a educação. Destes mízeros 2,5%, 80% são investidos em educação superior. Outra vergonhosa realidade.

Em países em desenvolvimento, como a Índia e Coréia do Sul, Chile e Argentina, os gastos com a educação são em média 18% do PIB correspondente a cada país. O melhor desempenho entre estes países é o da Coréia que vem investindo consistentemente pelos últimos 25 anos, 25% do seu PIB em educação básica, sendo que no ensino universitário, os investimentos são no financiamento dos cursos, mas todo ensino superior é cobrado dos alunos. No Brasil, onde ensino superior grátis dá dividendo político, e o ensino básico não dá, este ensino está sendo deixado no ostracismo.

Agora, sem nenhuma estrutura básica, o que poderemos esperar dos alunos universitários?

Apenas a mediocridade crescente que aparece nos testes de avaliação e nas pérolas dos vestibulares em todo o país.

18 jul 2008 Posted by | ECONOMIA, EDUCAÇÃO, GOVERNO, POLÍTICA | Deixe um comentário

   

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