blog do Roberto Leite

Assuntos de interesses multiplos e atuais.

As verdades!…..

As verdades!…..

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Outro dia, um comentarista do blog, meu homônimo, (agradeço o comentário e a visita e o comentário está publicado) comentou que a oposição é muito cara de pau, por querer pautar o Brasil com a agenda derrotada em 2006.

Eu não me considero oposição política, sou sim oposição desta corja que o MP reconheceu como a maior quadrilha já posta em prática para roubar o erário.

A oposição não perdeu em 2006 com uma agenda derrotada, perdeu simplesmente por não saber fazer a campanha política necessária, por pensar que os problemas que envolviam o governo Lula iriam derrotá-lo por si só, e perdeu por excesso de selo em fazer uma campanha limpa e politicamente correta.

Perdeu por não insistir que o Lula explicasse a súbita fortuna de seu filho Luiz Flávio. Perdeu por não insistir que o Lula explicasse a reforma de seu apartamento com os cartões corporativos. Perdeu por deixar que os beneficiados pelos programas como a “Bolsa Esmola” pudessem votar.

Pelas ultimas contas, os beneficiados pela “Bolsa Família” são mais de 40 milhões, e estes quarenta milhões, como não poderia deixar de ser votaram no Lula.

Outro dia um prefeito perdeu o mandato por usar uma publicação oficial para fazer campanha política. Se estes quarenta milhões de beneficiados, que são realmente votos comprados, fossem impedidos de votar, o Lula iria ter somente 18 milhões de votos e perderia.

O TSE viu tudo isto de olhos fechados, e fez vista grossa quando a campanha do
Lula insinuou que se o opositor fosse eleito, o programa da esmola iria acabar.

A oposição viu tudo isto, e não fez nada e mereceu perder.

A agenda da oposição é a mesma do atual governo, pois o governo do Lula não tem agenda própria e segue na mesma política do governo anterior só que um pouco pior. E isto não quer dizer que a agenda do governo anterior está correta.

Está realmente parcialmente correta, mas também tem erros incríveis e distorções fantásticas que deveriam ter sido corrigidas se este atual governo tivesse competência para tal.

Os índices favoráveis da atual política estão assim porque o mundo permitiu e está crescendo como um todo. Poderia ter sido mais bem aproveitada se existisse um mínimo de boa vontade e competência por parte do governo.

Com a preocupação do governo em re-estatizar o país, aparelhar a máquina, e ao mesmo tempo se locupletar, esqueceu de governar.

E não foi falta de conhecimento, pois pessoas capazes e conhecedoras do problema não faltaram para não apenas criticar, mas oferecer as soluções cabíveis que colocariam o Brasil em um patamar superior frente ao mundo.

Leiam abaixo o artigo do economista Rodrigo Vieira de Ávila, permeado de pesquisas e verdades, que se fosse levado em conta poderia ter havido uma melhora considerável no Brasil.

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PAC: Programa de Atendimento aos Credores

Rodrigo Vieira de Ávila (*)

Dia 22 de janeiro de 2007, o Governo Federal anunciou o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), que consiste na suposta realização de investimentos de R$ 503 bilhões até 2010. Tais investimentos estariam dividos em três grandes áreas: “Logística” (transportes), “Energia” e “Infra Estrutura Social e Urbana” (habitação e saneamento). Com este Programa, o governo busca obter taxas de crescimento econômico maiores que as pífias taxas ocorridas nos últimos anos.

À primeira vista, esta quantia de R$ 503 bilhões parece algo monstruoso (valor este equivalente a quase 70% de todos os gastos do governo federal em 2006[1]), e sugeriria que o governo estaria realmente empenhado em melhorar a infra-estrutura do país, e as condições de vida da população brasileira. Mas o PAC não significa isso. Na realidade, o PAC aprofunda a política de superávits primários e de priorização aos gastos com a dívida pública, adotando medidas que implementam a proposta feita recentemente por Delfim Netto, do chamado “Déficit Nominal Zero”. Esta proposta consiste em aumentar o superávit primário de forma a viabilizar o pagamento de todos os juros da dívida. Visto que hoje o superávit equivale a menos da metade dos juros, a proposta de Delfim prega a realização de um ajuste fiscal de longo prazo, que busque cortar os gastos sociais (principalmente os da previdência, salário mínimo e dos servidores públicos) por um período de 10 anos, de forma a viabilizar o total pagamento dos encargos da dívida.

Para implementar a idéia proposta por um dos maiores ícones da ditadura militar, o governo Lula incluiu no PAC medidas que visam cortar gastos sociais pelos próximos 10 anos. Não por acaso, um dos itens do Programa denomina-se “Medidas Fiscais de Longo Prazo”, e prevê a limitação por 10 anos dos gastos com os servidores públicos, a limitação do reajuste do salário mínimo a índices pífios até 2011 e a criação do Fórum Nacional da Previdência Social, que visa propor uma nova Reforma da Previdência, para retirar mais direitos duramente conquistados pelos trabalhadores.

A Dívida Pública, o verdadeiro entrave ao desenvolvimento

Em 2006, o país sofreu uma sangria nunca antes vista na história. Os gastos federais com juros e amortizações das dívidas interna e externa[2] atingiram nada menos que R$ 275 bilhões, valor este equivalente a 37% do Orçamento de 2006. Parece impossível acreditar que esta fortuna, que beneficia uma elite de rentistas, foi muito maior que todos os gastos em 2006 da Previdência Social (R$ 193 bilhões), que atenderam a 24,2 milhões de beneficiários do Regime Geral de Previdência Social e suas famílias, além de mais de um milhão de servidores públicos federais inativos e seus pensionistas. O gráfico da página seguinte mostra como os gastos com a dívida em 2006 foram muitas vezes superiores aos gastos destinados a importantes áreas sociais.

Estes R$ 275 bilhões, gastos com a dívida apenas em 2006, equivalem a mais da metade do valor anunciado para o PAC para os próximos 4 anos (R$ 503 bilhões). Enquanto limita pesadamente os gastos sociais, o PAC, assim como todas as medidas econômicas deste governo e dos anteriores, não traz limite algum aos gastos com a dívida pública. Como veremos a seguir, esse Programa implementa, por lei, limitações nunca antes feitas aos gastos sociais, razão pela qual o PAC representa, na realidade, um verdadeiro “Programa de Atendimento aos Credores”.

 

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Orçamento Geral da União – 2006 – Executado até 31/12/2006

 

 

Fonte: Orçamento Geral da União (Sistema Access da Câmara dos Deputados)

Nota: Não inclui o Refinanciamento da Dívida

Limite para os gastos com servidores

Uma das medidas do PAC é o Projeto de Lei Complementar (já editado) que limita os gastos com servidores. Ele altera a “Lei de Responsabilidade Fiscal”, e diz que o gasto com funcionalismo somente poderá aumentar pela inflação mais 1,5% de aumento real, pelos próximos 10 anos (dentro da idéia do Déficit Nominal Zero). Esta medida elimina a possibilidade da recuperação, pelos servidores, das perdas passadas, uma vez que o próprio crescimento do número de servidores (pela realização de concursos públicos) ou a progressão na carreira dos servidores em atividade já consome a maior parte deste 1,5% de aumento real anual.

Importante lembrar que, em 1995, os gastos com pessoal equivaliam a 56,2% da Receita Corrente Líquida[3] do Governo Federal. Em 2005, equivaliam a apenas 30,9% (segundo o Boletim Estatístico de Pessoal do Ministério do Planejamento, de março/2006). E os neoliberais de plantão continuam apregoando que os gastos com pessoal são o grande problema das contas públicas. Mas o pior é que o governo adota esta idéia, e ainda propõe limitar de forma inédita (por meio de Lei Complementar) os aumentos dos servidores pelos próximos 10 anos.

Um detalhe importante dessa medida é que este limite – de aumento real de 1,5% ao ano – é para a folha de pagamento como um todo, ou seja: algumas categorias de servidores podem receber aumentos diferenciados. Ou seja: trata-se de incentivar uma guerra entre os próprios servidores, que terão de disputar entre si os parcos recursos para seus respectivos reajustes.

Um pequeno atenuante desta medida é o fato dela excluir do limite o impacto financeiro das alterações de legislação (resultantes das negociações com os servidores) efetivadas até 31 de dezembro de 2006.

Limite para o aumento do salário mínimo

Com relação ao salário mínimo, o PAC transforma em Lei o recente acordo com centrais sindicais, segundo o qual o índice anual de reajuste nos próximos quatro anos será baseado na inflação mais a variação real do PIB de dois anos atrás. Ou seja: dadas as últimas projeções para o crescimento econômico brasileiro nos próximos anos, o mínimo apenas crescerá cerca de 3% ao ano em termos reais. Sempre é bom lembrar que o “salário mínimo necessário” (calculado pelo DIEESE) era de R$ 1.510 em outubro de 2006. Este é o valor que garante o cumprimento do Artigo 7º da Constituição, segundo o qual é direito do trabalhador o salário mínimo capaz de atender às suas necessidades vitais básicas e de sua família com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social. Porém, com este índice de reajuste definido pelo governo e centrais sindicais, serão necessários 50 anos para que o mínimo atinja R$ 1.510. Isso considerando que o PIB crescerá 3% ao ano no período.

Essa limitação ao salário mínimo também segue a lógica do “Déficit Nominal Zero”, uma vez que visa impedir o aumento, como proporção do PIB, dos gastos com a Previdência. Dentro desta visão neoliberal, a Previdência seria a grande vilã das contas públicas, pois apresentaria imenso “déficit”, que teria de ser combatido com a redução dos benefícios previdenciários. Porém, sabemos que este “déficit” é fabricado através da mera comparação entre benefícios previdenciários e contribuições sobre a folha de salários. Esta falsa comparação omite escandalosamente que a Constituição de 1988 definiu que as fontes de financiamento da Seguridade Social (que inclui as áreas de saúde, assistência e previdência) não seriam apenas as contribuições sobre a folha, mas também contribuições como a Cofins, a CPMF e a CSLL. Quando computamos estas outras fontes de receita, verificamos que a Seguridade Social é altamente superavitária.

Criação do Fórum Nacional da Previdência Social

A Reforma da Previdência também é um dos pontos centrais da proposta de Déficit Nominal Zero, de Delfim Netto, e adotada por Lula. Por Decreto Presidencial de 22/01/2007, o PAC criou Fórum para a elaboração de uma proposta de Reforma da Previdência, tanto para o setor privado (INSS) como para os servidores públicos.[4] Para não ter de assumir o ônus político de propor a Reforma, Lula cria um Fórum que contará com a participação das centrais sindicais, governo e empresários. Em notícia do jornal Estado de São Paulo, de 23/01/2007, o Secretário de Políticas de Previdência Social, Helmut Schwarzer, diz abertamente que um dos objetivos do governo com o Fórum da Previdência é estabelecer a idade mínima para a aposentadoria no INSS. A notícia mostra também que o governo ainda vai “subsidiar” o Fórum com estudos encomendados. Ora, já vimos este filme. É claro que estes estudos tendenciosos irão justificar uma nova reforma. É claro também que tudo isso não passa de encenação para que o governo tente fazer a reforma sem “sujar as mãos”.

Em notícia do jornal Investnews, no dia 24/01/2007, representante do setor financeiro afirma que “O Fórum permitirá a reunião de amplos setores da sociedade para discutir medidas polêmicas, que o governo não consegue adotar unilateralmente. Entre elas, por exemplo, o aumento da idade mínima para aposentadoria e o fim da aposentadoria especial para as mulheres (…) Com o Fórum poderão ser encontradas soluções consensuais, fazendo com que o Congresso acolha as medidas”. Está claro que os bancos, que terão assento garantido no Fórum (ao lado dos empresários, que também defendem pesadas reformas da Previdência) irão buscar a deterioração da previdência pública, para que possam ganhar rios de dinheiro explorando a previdência privada.

Resta saber qual será o papel das Centrais Sindicais neste Fórum. Irão novamente contra o interesse dos trabalhadores, assim como o foram na Reforma da Previdência de 2003?[5] Irão legitimar uma nova reforma, para livrar a cara do governo? Irão novamente se utilizar de um Fórum para tentar criar um falso consenso, como no recente episódio da Reforma Sindical?

É importante ressaltar também a contradição no fato do governo estar criando um Fórum para a discussão da Previdência e estar, ao mesmo tempo, impondo a aprovação do projeto da “Super Receita”, já em fase final de tramitação no Congresso. Ora, se a unificação dos fiscos já está concentrando no Tesouro os recursos da Previdência, qual a utilidade da criação deste Fórum, senão para implementar uma reforma previdenciária?

O PAC e a falsa redução do superávit primário

Apresentado pelo governo e pela imprensa como um Programa ambicioso de meio trilhão de reais em investimentos, o PAC, na verdade, é mais do mesmo. Nada menos que R$ 274 bilhões (dos R$ 503 bilhões totais) são investimentos em energia, oriundos de empresas estatais – principalmente a Petrobrás, cujos investimentos já estavam previstos antes do PAC – e outras fontes (fora do Orçamento Geral da União), ou seja: isso não representa um aumento significativo nos investimentos públicos. Outros R$ 146 bilhões referem-se a supostos investimentos em habitação e saneamento. Porém, não se trata de investimento público, e sim, preponderantemente, de financiamentos a empresas e pessoas físicas, que podem não ser contratados, e caso o sejam, terão de ser reembolsados ao governo. Outros R$ 58,3 bilhões são investimentos em transportes, em obras que, na maioria das vezes, já estavam previstas no Plano Plurianual de Investimentos (2004-2007).

A única fonte adicional relevante de recursos do Orçamento Geral da União para o PAC é o Projeto Piloto de Investimentos (PPI), que fornecerá R$ 52,5 bilhões nos próximos 4 anos, que não são contabilizados no cálculo do superávit primário. O PPI subirá dos atuais 0,2% do PIB para 0,5% do PIB nestes 4 anos, o que reduziria o superávit primário de 4,25% para 3,75% do PIB. O governo e setores da mídia apregoam que, desta forma, o governo Lula estaria priorizando os gastos sociais ao invés de gastar com a dívida. Errado. Em primeiro lugar, esta suposta redução no superávit se equivale a “retirar o bode da sala”, ou seja, reduzir o superávit para os níveis ocorridos durante o governo FHC. Em segundo lugar, por imposição do FMI, o PPI somente pode abranger empreendimentos que tenham retorno financeiro, principalmente por meio da cobrança de pedágios e tarifas. A maior parte destes investimentos se dá no setor de transportes, com a recuperação ou construção de rodovias. Após o Estado fazer os maiores dispêndios, estes empreendimentos podem ser repassados à iniciativa privada, que cobrará tarifas ou pedágio. É bom lembrar que o governo já anunciou que vai conceder à iniciativa privada 7 trechos de rodovias, onde serão instalados pedágios.

Ou seja: o PPI é, na verdade, mais uma forma de financiar privatizações, e esta suposta “redução” no superávit é falsa, pois o povo pagará por isso na forma de pedágios e tarifas. Ao mesmo tempo em que destina a maior parte do orçamento para o pagamento da dívida e contingencia os recursos da CIDE (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico), criada exatamente para custear as melhorias na rede viária, o governo obriga as pessoas a pagarem mais uma vez para poderem trafegar em estradas com boas condições.

Crescimento Econômico: para quem?

Em sua obsessão em atingir um crescimento econômico de 5% ao ano, o governo esquece de uma questão fundamental: quais seriam os setores que deveriam ser beneficiados? O PAC não questiona o modelo econômico brasileiro, que serve principalmente ao pagamento da dívida. Para tanto, este modelo privilegia os setores exportadores (que garantem as divisas necessárias para o pagamento aos credores externos) e o setor financeiro. É bastante ilustrativo o fato de que, logo após a divulgação do PAC – que teria por objetivo o aumento dos investimentos – o Banco Central reduziu o ritmo de queda das taxas de juros brasileiras, que são as maiores do mundo.

Na área de energia elétrica, por exemplo, o PAC prevê facilidades para os financiamentos concedidos pelo BNDES. A idéia seria afastar a hipótese de um novo apagão. Porém, temos de entender a lógica do sistema elétrico brasileiro, que hoje privilegia o atendimento das indústrias eletro-intensivas (como por exemplo as de alumínio, papel, celulose, etc), que consomem cerca de 32% da energia utilizada no Brasil[6]. São indústrias que produzem preponderantemente para a exportação, causam danos ambientais e geram poucos empregos, e ainda se beneficiam de tarifas baixíssimas de energia, muito menores que as pagas pelos consumidores residenciais. Ao invés de reverter este modelo que está depredando o meio ambiente e privilegiando pouquíssimos, o PAC faz o contrário: altera a legislação ambiental, de forma a agilizar os processos de licenciamento de empreendimentos energéticos.

Outra característica do PAC que ilustra a manutenção do modelo econômico é a ausência total do tema da Reforma Agrária, que, este sim, teria papel fundamental no desenvolvimento do país. Pesquisas comprovam[7] que os assentamentos de Reforma Agrária promovem uma dinamização da economia local e a distribuição de renda, diferentemente do chamado “agronegócio”, que não gera emprego e produz para a exportação. Ilustra bem esse aspecto a inclusão, no PAC, do Projeto de Transposição do São Francisco, que afetará seriamente o meio ambiente, para beneficiar o agronegócio.

No setor de transportes, a prioridade também é a facilitação do escoamento da produção nacional para o resto do mundo, através de ferrovias, hidrovias, rodovias e melhoria de portos. Alguns destes projetos são altamente danosos ao meio ambiente, como a hidrovia Paraná-Paraguai e o complexo do Rio Madeira, formado pelas hidrelétricas do Jirau e Santo Antônio, que visa também a criação de um grande sistema de hidrovias. Estes projetos visam escoar uma produção principalmente de minérios e commodities agrícolas, que beneficiam poucas empresas (muitas delas transnacionais), e não o povo brasileiro, que apenas fica com os danos ambientais causados por tais empreendimentos.

Outra prova de que o PAC não muda a lógica econômica é a ausência de uma reforma tributária realmente distributiva. As medidas tributárias do PAC se limitam a pequenas isenções fiscais a determinados setores, muitos deles altamente oligopolizados (como os do aço) que irão simplesmente embolsar tais isenções, não as repassando para o consumidor final.

Mudar o modelo de desenvolvimento

Para o Brasil realmente se desenvolver, é necessário alterar o modelo econômico, baseado no atendimento aos credores financeiros e exportadores. Para isso, deve alterar a política relativa ao endividamento. Não é possível que um país continue gastando 37% de seu orçamento anual (o equivalente a mais da metade dos supostos investimentos do PAC em 4 anos) para remunerar os rentistas. Os gastos com a dívida impedem os verdadeiros investimentos nas áreas que o país precisa, como educação, saúde e reforma agrária que, não por acaso, estão de fora do PAC.

A política de priorização aos rentistas impede os verdadeiros investimentos públicos, enquanto o nível altíssimo de endividamento brasileiro deixa o governo na mão do mercado financeiro, que assim continua cobrando altos juros para rolar a dívida. O Banco Central continua alheio aos anseios do país, mantendo e aprofundando a política dos juros mais altos do mundo, o que impede também o investimento privado.

Sem enfrentar o endividamento, não há mágica que faça o país se desenvolver. E para enfrentar o endividamento, o estoque atual da dívida deve ser questionado. Do contrário, continuaremos a pagar juros para sempre, pois, mesmo que a taxa Selic fosse drasticamente reduzida, o enorme estoque do endividamento nos obrigaria a gerar superávits primários monstruosos para pagarmos apenas os juros desta dívida.

E para questionarmos de forma soberana o estoque desta dívida obscura e repleta de irregularidades, nada melhor do que uma ampla e profunda auditoria com a participação da sociedade civil. Temos de identificar, por exemplo, as responsabilidades da ditadura militar sobre a dívida externa, uma vez que seu estoque atual decorre da elevação unilateral e ilegal das taxas de juros pelos EUA no final dos anos 70. Temos de identificar as irregularidades na sua contratação, já denunciadas em relatórios do Congresso Nacional. Temos de identificar como este endividamento externo implicou no enorme endividamento interno, provocado pelas altíssimas taxas de juros brasileiras, uma vez que estas foram estabelecidas para se atrair o capital estrangeiro, garantindo-se assim as divisas necessárias ao pagamento dos credores externos.

Temos de identificar também porque as dívidas dos estados foram completamente assumidas pelo Governo Federal no final dos anos 90 (quando já se encontravam infladas pelas atronômicas taxas de juros do governo federal), sem nenhum questionamento da origem obscura e muitas vezes ilegal destas dívidas. Temos também de questionar a legalidade das taxas de juros da dívida interna, uma vez que caracterizam crime de usura. Temos também de questionar os pagamentos antecipados da dívida externa, uma vez que foram feitos por meio da geração de mais dívida interna, mais cara e com prazos mais curtos.

É necessário uma auditoria sobre a dívida para que possamos recuperar o dinheiro que foi saqueado dos cofres públicos por todas estas décadas, punirmos os responsáveis por tais crimes, e, principalmente, mudarmos nosso modelo de desenvolvimento, por outro que não implique na depredação ambiental, na concentração de renda e no privilégio a um pequeno grupo de rentistas.

Brasília, 26/01/2007

 

 


(*) Economista da Campanha Auditoria Cidadã da Dívida, inserida na Rede Jubileu Sul Brasil.

[1] Exclusive o gasto com o Refinanciamento da Dívida (ou seja, a troca de títulos velhos por novos).

[2] Idem nota acima. Fonte: Orçamento Geral da União (Sistema Access da Câmara dos Deputados, 31/12/2006)

[3] A Receita Corrente Líquida do Governo Federal equivale às receitas menos as transferências a estados e municípios, a contribuição para o PIS/PASEP e os benefícios previdenciários do INSS.

[4] Em seu Artigo 1º, inciso I, o Decreto diz que o objetivo do Fórum é “promover o debate entre os representantes dos trabalhadores, dos aposentados e pensionistas, dos empregadores e do Governo Federal com vistas ao aperfeiçoamento e sustentabilidade dos regimes de previdência social e sua coordenação com as políticas de assistência social” (grifos nossos). Ou seja, a Fórum abrangerá tanto o Regime Geral de Previdência Social (INSS) como também o Regime Próprio de Previdência dos Servidores.

[5] O presidente da CUT, Luiz Marinho, chegou a ser contrário à greve dos servidores públicos pela retirada da proposta de Reforma da Previdência em 2003. Ver notícia da Folha de São Paulo, de 12/06/2003, “Protesto opõe direção da CUT e servidores”.

[6] Dado fornecido pelo MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens), no site http://agenciacartamaior.uol.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=1143&alterarHomeAtual=1

[7] Ver, por exemplo, pesquisa do NEAD (Núcleo de Estudos Agrários e Desenvolvimento Rural), “Impactos dos Assentamentos: Um estudo sobre o meio rural brasileiro”, de 2004.

24 dez 2007 Posted by | ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA, ARTIGOS, ÉTICA, CRESCIMENTO ECONÔMICO, GOVERNO | Deixe um comentário

Um bom governo?

Um bom governo?

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Tem gente pensando que o governo do Lula está sendo muito bom.

Porque será?

Vamos pensar seriamente em que consiste um bom governo:

1. Educação – Obrigação de Fazer pelo governo – piorou e muito. Principalmente e educação básica.

· Existem projetos universitários de relativo sucesso, como o “Prouni”, mas é um projeto para lá de eleitoreiro e demagogo, pois a educação universitária apesar de muitíssimo necessária, ela precisa da educação de base para poder formar pessoas que tenham qualidades para exercer as profissões liberais e cooperar para o crescimento do país.

· A educação básica ficou em segundo plano como em todos os governos anteriores e, portanto neste quesito o atual governo deixou a desejar como todos os outros.

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2. Saúde – Obrigação de fazer do governo – estava mal no início do governo Lula e ficou pior nestes cinco anos de abandono.

· Existe atualmente uma epidemia de Dengue em formação nunca vista antes neste país.

· Endemias erradicadas como tuberculose e varíola, febre amarela, entre outras estão mostrando a cara por todo o país sem que nada seja feito.

· O salário do SUS pago aos médicos que deveria atingir 10 reais no meio do primeiro governo Lula está em sete reais com um atraso de três anos e com defasamento de 30%. E mesmo sendo que dez reais é uma verdadeira miséria para um clínico ganhar por uma consulta.

· O abandono em hospitais públicos é notório e a falta de verba está mais acentuada neste governo.

· O controle das verbas públicas está pior e o pouco dinheiro disponível está sendo roubado pelos afilhados e aspones do governo do toma lá dá cá.

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3. Segurança – Obrigação de Fazer do governo – Está pior do que antes, principalmente em um governo que se preocupou em confiscar armas e construir presídios melhores.

· Este governo iniciou com toda uma pompa de fazer uma política de melhorar a segurança do país, confiscando as armas do cidadão honesto. O ministro da justiça, um renomado advogado criminal, saiu pelo Brasil com uma comitiva recebendo as armas das mãos do cidadão honesto e pagando uma mixaria de 100 reais por estas armas confiscadas. No começo realmente quem entregou suas armas recebeu seu cem reais, mas da metade para diante foi calote mesmo e tem até hoje pessoas que entregaram suas armas e não receberam nada. Quando perguntado por um cidadão em São Paulo quantos AR15 ou granadas eles haviam recebido, o Ministro saiu com esta pérola “Nos não estamos em campanha para desarmar bandidos, isto é trabalho para polícia. Estamos é tentando evitar que as pessoa honestas se machuquem com suas armas” Ah bom…. Depois desta campanha caloteira, as estatísticas mostram que não houve nenhuma melhora mensurável no índice de acidentes com armas de fogo.

· Dos sete presídios federais de primeiro mundo que deveriam ter sido construídos, o segundo acaba de ser inaugurado, mas de acordo com a mídia, o Fernandinho Beira Mar preso em um deles, continua a comandar o tráfico com aparelhos celulares.

· A Força de Segurança Nacional, criada com toda pompa, ainda está por mostrar a que veio. Falta verba para comida e alojamento, falta treinamento adequado e falta inteligência para coordenar as funções desta força.

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Estas que deveriam ser as funções básicas do governo ficaram a desejar. Portanto no quesito básico o governo falhou. E vamos às outras partes componentes do governo para verificar como ficou:

4. Melhoria na infra-estrutura básica – Promessa de campanha do governo – ficou a desejar.

· Os portos brasileiros são dos piores e mais caros do mundo tanto para embarcar como para desembarcar mercadorias, fazendo com isto que as nossas importações fiquem mais caras e demoradas e as exportações também mais caras e lentas com enorme desperdício de mercadorias e tempo. Nada foi feito neste governo para melhorar esta situação que vem de outros governos.

· As estradas brasileiras estão pela morte, são totalmente fora do padrão internacional e também nacional, pois acreditem ou não, tempos também um padrão para ser seguido. Estão com sinalização precária, pavimentação acabada, obras de arte como pontes e viadutos sem manutenção e caindo aos pedaços. No início de 2006, houve uma campanha nacional de emergência em plena época das chuvas, para tapar buracos, tudo sem licitação pelo caráter emergencial. O TCU condenou 97% destas obras por superfaturamento, falta de notas fiscais, e outros delitos, mas as estradas, com raríssimas exceções continuam iguais ou piores do que antes da campanha.

· Os aeroportos, estes sim foram reformados. Foram em sua maioria reformados em seus saguões, estacionamentos e áreas de conforto aos passageiros, e esquecidos nos detalhes técnicos como as pistas e os equipamentos de segurança que continuam a serem os mesmos de anos antes, resultando ou colaborando com os mais terríveis acidentes aéreos da história deste país. E o famoso apagão aéreo está aí pára ficar, pois mesmo depois de tudo, os serviços estão de mal a pior.

5. Os programas sociais – promessa de campanha – Estes ficaram também pelo caminho:

· Primeiro emprego – Mal pensado, mal administrado. Faliu.

· Fome Zero – Logo no começo do governo o IBGE, órgão do governo constatou que o maior problema no Brasil era a obesidade e não a fome e o programa perdeu força. A filha do presidente, a Lurian Cordeiro, fundou em Santa Catarina uma ONG, para difundir o “Fome Zero”. Era a ONG “Rede 13”, que de ONG não tinha nada, pois receberam do governo 7,2 milhões para suas funções, sumiu com tudo e foi preciso o emissário especial do palácio, o Lorenzetti, ir até Santa Catarina e terminar a ONG.

· Luz para todos – Até que este programa funcionou em algumas partes do Brasil. Em alguns lugares realmente a rede elétrica foi estendida e os habitantes receberam pela primeira vez energia tão necessários para a dignidade humana. Houve, porém muito abuso e em um deles, o empresário favorito do governo foi pego cobrando, mas não fazendo o combinado. O Zuleido Veras foi pego pela PF em suas mutretas e locais que deveriam ter sido iluminados e servidos com energia foram esquecidos.

· Bolsa família – Este sim é um programa social muito bem falado pelos que dele se beneficiam. É um programa social assistencialista que foi copiado do governo FHC, com uma diferença marcante. No programa anterior, havia muitas contrapartidas para que o beneficiário pudesse continuar a receber o benefício. Crianças nas escolas, vacinas em dia, procura de trabalho, visitas aos postos de saúde, e uma finalidade e treinamento aos beneficiários para que depois de algum tempo pudessem sair do programa e fazer a sua vida com dignidade. Na modalidade atual, o beneficiário apenas deve estar desempregado. Isto causa uma situação inédita, pessoas não querem trabalhar com a sua carteira assinada, pois perderiam o benefício. E a fiscalização deixa a desejar e já foram pegas em flagrantes, pessoas que eram até funcionários públicos e recebendo o benefício. Este programa se tornou uma Esmola permanente para 45 milhões de pessoas, inscritas no programa.

6. Sistema financeiro – O sistema financeiro deste governo se resume na continuidade do sistema anterior, – o que é bom – dirigido por um membro do governo anterior, mas com uma diferença marcante, na pouca autoridade do presidente do Banco Central de ditar as políticas monetárias. Estas são de propriedade do Ministro da Fazenda, que por falta de experiência, gastou demasiado dinheiro com programas malucos e assistencialistas, comprando empresas, estatizando outras, e aumentando de tal modo o tamanho do estado que faltou dinheiro e a dívida pública interna estourou. É a maior jamais vista neste país. Em 2006, com os juros nas alturas o Brasil pagou para os bancos privados nada mais do que 37% do orçamento anual ou seja R$ 275 bilhões de reais somente nos juros. E agora você sabe a origem dos lucros estratosféricos nos bancos do Brasil. A nossa economia se crescer este ano os 5% com previsto, vai ter uma média nos cinco anos de 3,7%, a pior da América Latina e os bancos um lucro médio de 125% nestes mesmos cinco anos. A Petrobrás, o orgulho nacional com muita propriedade, perdeu produção pela primeira vez nos últimos 30 anos.

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E a pergunta do início volta agora ao final para a resposta deste autor:

Em minha opinião, este governo atual apenas no que se refere ao ato de governar ficou muito a desejar e apesar de ter conseguido algumas melhoras, no geral foi e está sendo um péssimo governo. Se for considerado o quesito corrupção e roubo dos cofres públicos, este foi e está sendo o mais corrupto de todos os governos na história deste país.

O ótimo artigo do Jornalista Laurence Bittencourt Leite, entra em mais detalhes técnicos sobre o desempenho deste governo

 

 

 

 

Por Laurence Bittencourt Leite, jornalista

Números não mentem. Ao contrário dos políticos. Em cinco anos de governo Lula a iniciativa privada investiu no país 1 trilhão e 500 bilhões de reais. Reparem e pensem nos números. Pensem. Agora reparem: em cinco anos de governo Lula a arrecadação nas três esferas girou em torno (mais na verdade) de 4 trilhões de reais. Sabem quanto o governo Lula investiu em infra-estrutura? 65 bilhões de reais. Comparem. Comparem. É uma piada.

Enquanto a iniciativa privada investiu 1 trilhão e 500 bilhões no país, o governo investiu solamente 65 bilhões em infra-estrutura. A pergunta é: que infra-estrutura foi essa, se a malha rodoviária nesse país é uma piada? Claro, crescemos, ou iremos crescer, é o que dizem os números, este ano. Este ano. Foram quatro anos de desastre. Mas este ano vamos crescer. E por quê? Por causa desse governo? Só rindo. Só trouxa para acreditar. E vender essa idéia. Não tem noção do ocorre no mundo.

O grosso do dinheiro (mais de 4 trilhões) arrecadado, veja bem, que o governo se vangloria, vem de impostos. Impostos. E ele ainda queria mais com a CPFM. Com ou sem CPFM a saúde jamais iria melhorar. O PT queria o dinheiro para outras questões e você já sabe para quê. E para onde vai ou foi toda a dinheirama restante? Moramos no Brasil e estas coisas (economia, números) não têm a menor importância, quando deveria ser o contrario, sendo justamente o que ocorre em qualquer país serio. Mas para onde foi ou vai a dinheirama?

A nossa estrutura portuária (minimamente privatizada sob FHC e duramente criticada pelo PT) é uma piada. Mas para onde vai ou foi a dinheirama? Você já sabe: para a máquina (não governamental, diga-se) dita do PT. Pode isso? Para a máquina do PT, quando deveria ser máquina pública. Mas aqui aplaudimos essa coisa vergonhosa.

E crescemos por quê? Porque o mundo tem crescido incansavelmente, percebam. Lula realmente é uma anta. Não tivemos nenhuma crise mundial. A economia mundial não pára de crescer. Mas o que vemos internamente é a demagogia, a coisa pérfida que é esse governo, o desmando na educação, na saúde, na segurança, nas estradas. Adianta?

Apesar do PT e exclusivamente por conta dos investimentos privados e pelo crescimento da economia mundial estamos crescendo. Mas os nossos lunáticos aqui nada querem saber disso. Acham que o PT é uma maravilha. Não é. É um desastre coberto de demagogia.

Os petistas, claro, falam em aumento do IDH. É piada. Falam de “passagem” de aglomerados da “classe” média baixa para níveis melhores. Outra piada. O que mantem esse país minimamente funcionando continua sendo a iniciativa privada. A área de saúde continua sendo um verdadeiro açougueiro. O desprezo, o descaso, a perfídia. O crescimento do país, fique certo, não vem de investimento do governo, que é uma piada.

O que esse governo fez foi aumentar a divida interna de 650 bilhões em cinco anos para mais de 1 trilhão e 250 bilhões de reais. Os bancos nunca faturaram tanto como sob o governo “socialista” de Lula.

Lula é uma anta, claro. Uma piada.

Mas se você quiser mais dado, aqui vai: só no ano passado o governo pagou de juros e amortizações das dívidas interna e externa nada menos que R$ 275 bilhões, ou seja, 36,7% do orçamento de 2006 (quá, quá, quá. São dados da Auditoria Cidadã). Isso significa que, em um ano, esse governo elogiado, pagou mais que os R$ 197,4 bilhões do primeiro mandato de FHC, e também mais que os R$ 268,3 bilhões do segundo mandato tucano. Comparem. Comparem. Só piada para elogiar essa anta.

Essa montanha de dinheiro paga aos banqueiros para manter a máquina do PT, é retirada dos orçamentos da saúde, educação. E o que vemos é o total e brutal sucateamento dos hospitais públicos. E Lula esbanjando e viajando. Enquanto isso gente morrendo aos borbotões. Quanto socialismo! Quanto. Quanta sensibilidade. Mas vamos crescer esse ano. Sem dúvida: apesar do PT. Apesar dessa anta. Vamos crescer esse ano. Lembrem-se: 1 trilhão e 500 bilhões investidos pela iniciativa privada em 5 anos. Nesses mesmos 5 anos o governo “investiu” 65 bilhões de reais em infra-estrutura.

Mas vamos crescer.

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18 dez 2007 Posted by | ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA, ÉTICA, CRESCIMENTO ECONÔMICO, ECONOMIA, EDUCAÇÃO, GOVERNO, POLÍTICA | 1 Comentário

Oração de natal de 2007.

Oração de natal de 2007.

Eu não sei realmente quem seja Hugo Hamann, (existe um economista por este nome) peço por isto desculpas pela minha ignorância, mas o seu poema de final de ano em segunda edição é imperdível. Ele encontrou de tudo um pouco, e nos mostra quanto a memória perdoa. Várias destas citações, no momento do acontecimento foram revoltantes, mas com o tempo, começam a cair no esquecimento, e são lembranças como esta do Hamann que conservam vivas as mazelas ocorridas em nossa sociedade

Parabéns Hugo

ORAÇÃO DE NATAL 2007

HUGO HAMANN

Pela graça e simpatia da senadora Idelíideli.jpgvava.jpglambari.jpgsuplici.jpg
Pelo poder de síntese do Eduardo Suplicí
Pelo irmão do presidente que era só um lambarí
Senhor, tende piedade de nós

Pelo Zuleido Veras e as pontes da Gautamazuleido.jpgprimeira-dama.jpgitamar.jpg
Pelas opiniões importantes da nossa primeira dama
Pelo perigo latente quando Itamar não reclama
Senhor, tende piedade de nós

Pela histórica vaia na inauguração do PANvaia-do-pan.jpgheraclito.jpgbig-renan.jpgroriz.jpg
Pelo Heráclito Fortes e sua pinta de galã
Pela novilha do Roriz e pela vaca do Renan
Senhor, tende piedade de nós

Pela grana que rolou na TelecomItáliatelecom-italia.jpgnovo-mandato.jpgchinaqglia.jpg
Pelo novo mandato e a velha bandalha
Pela reforma dentária do Arlindo Chinaglia
Senhor, tende piedade de nós

Pelo uso de lobista pra pagar pensão de filhalobista.jpgatleta-deportado.jpgepitacio.jpgcafeteira.jpg
Pelos atletas cubanos devolvidos para a ilha
Pelo ilustre Cafeteira que tem que trocar a pilha
Senhor, tende piedade de nós

Pelo jeito brincalhão do alegre José Serraserra.jpgchavez.jpgrainha-da-inglaterra.jpg
Pelo Cháves construindo faculdade pra “sem-terra”
Pelo papo da “galega” com a rainha da Inglaterra
Senhor, tende piedade de nós

Pela soda cáustica no leite de caixinhaleite.jpgcristina.jpgmarta.jpg
Pela Argentina que elegeu sua Rosinha
Pela Dona Marta e sua blusa de oncinha
Senhor, tende piedade de nós

Pela prisão do Cacciola e a grande presepadacacciola.jpgbotox.jpgjobin-e-cobra.jpg
Pela festa de botox no Palácio da Alvorada
Pelo Jobim que enfrenta cobra e até onça pintada!
Senhor tende piedade de nós 1/3

Pelo Lula que não sabe das mutretas do compadrecompadre.jpglancellotti.jpgcabeca-de-bagre.jpg
Pelo interno da Febem sustentado pelo padre
Pela usina que depende da autorização do bagre
Senhor, tende piedade de nós

Pelo “relaxa e goza” em pleno aeroportorelaxa-e-goza.jpgdelubio.jpgfesta.jpg
Pelo Delúbio que agora se faz de morto
Pelas festinhas juninas na Granja do Torto
Senhor, tende piedade de nós

Pelo terceiro mandato em plena campanha3mandato.jpgbarganha.jpgjuan-carlos.jpg
Pelo PMDB e a eterna barganha
Pelo “por qué no te callas” do rei da Espanha
Senhor, tende piedade de nós

Pelo dólar no missal da mulher do missionáriobispa.jpgmonica-play-boy.jpgromario.jpg
Pelas fotos da Playboy que abundaram no Plenário
Pelo doping descoberto na careca do Romário
Senhor, tende piedade de nós

Pelo César Maia e seu governo virtualcezar-maia.jpgmarco-maciael.jpgmarina-silva.jpg
Pelo Marco Maciel e seu corpinho escultural
Pela Marina Silva e sua voz tão sensual
Senhor, tende piedade de nós

Pelo Chávez e sua bravataschavez-fuma.jpgmaluf.jpggravatas-do-rabino.jpg
Pelo Maluf e suas mamatas
Pelo rabino e suas gravatas
Senhor, tende piedade de nós

Pelo Cabral que descobriu que sempre foi petistacabral-petista.jpgfidel.jpgmonica.jpg
Pelo Fidel que hoje se trata com médico legista
Pelo Renan que acreditou no furo da jornalista
Senhor, tende piedade de nós

Pela troca de partido para aprovação de emendatroca-de-partidos.jpgmarinamantega4.jpgmangabeira.jpg
Pela filha amanteigada do ministro da Fazenda
Pelo Mangabeira Unger que precisa de legenda
Senhor, tende piedade de nós

Pelo Luciano Huck e a falta de um rolexluciano.jpgwellington-salgado.jpgrenan-desprevenido.jpg
Pelo Wellington Salgado e a falta de um gumex
Pelo senador Calheiros e a falta de um jontex
Senhor, tende piedade de nós 2/3

Pelo lindo amor que une os juízes do STFjuizes.jpgxo-cpmf.jpgdilma.jpg
Pelo choro permanente pela CPMF
Pelo dengo e humildade da ministra Dilma Rousseff
Senhor, tende piedade de nós

Pelo Chávez e Fidel que adoram biodieselchaves-e-fidel.jpgagripino.jpgsarney.jpg
Pelo Agripino Maia e seu charme irresistível
Pelo imortal Sarney hoje mais pra imorrível
Senhor, tende piedade de nós

Pelo governo que tungagoverno-que-tunga.jpgprsidente-de-sunga.jpgdunga.jpg
Pelo presidente de sunga
Pela elegância do Dunga
Senhor, tende piedade de nós

Pelo assessor da presidência Marco Aurélio top-topmarco-aurelio-top-top.jpgbope.jpgnote-book.jpg
Pela campanha educativa dos policiais do Bope
Pelos ministros do Supremo brincando com o laptop
Senhor, tende piedade de nós

Pelo Bush que exportou democracia pro Iraquebush-no-iraque.jpgjobin-na-anac.jpgjuiz-e-criminoso.jpg
Pelo amor entre o Jobim e os diretores da Anac
Pelo juiz que acha normal que o criminoso escape
Senhor, tende piedade de nós

Pela escova progressiva do ex-sapo barbudolula_cartelito.jpgsarkosy.jpgcontroladores.jpg
Pelo chato Sarkosy que merece ser cornudo
Pelo controlador de vôo que era cego, surdo e mudo
Senhor, tende piedade de nós

Pelo Lobão e Zé Sarney dividindo o Maranhãomaranhao.jpgrenan-o-santo.jpgcasamento-na-roca.jpg
Pelo Renan canonizado no lugar do Frei Galvão
Pela Marisa que não fala, mas que presta uma atenção!
Senhor, tende piedade de nós

Pelo afilhado da Dinda que voltou e já sumiucollor.jpgo-livro-do-lula.jpgcapitao-nascimento.jpg
Pelo último livro que o Luiz Inácio coloriu
Pelo capitão Nascimento pra presidente do Brasil
Senhor, tende piedade de nós

Enfim,
Para que possamos sobreviver aos próximos natais
Senhor, dai-nos a paz 3/3

As fotos e ilustrações foram acrescentadas por Roberto Leite

Para matar a saudade, leiam também a edição de 2006, que está imperdível:

ORAÇÃO DE NATAL 2006

Dezembro 2006

Hugo Hamann

Senhor, tende piedade de nós:

Pelo projeto político do deputado Clodovil

Pelo “espetáculo do crescimento? que até hoje ninguém viu

Pelas explicações sucintas do ministro Gilberto Gil

Senhor, tende piedade de nós

Pelo jeitinho brejeiro da nossa juíza

Pelo perigo constante quando Lula improvisa

Pelas toneladas de botox da Dona Marisa

Senhor, tende piedade de nós

Pelo Marcos Valério e o Banco Rural

Pela casa de praia do Sérgio Cabral

Pelo dia em que Lula usará o plural

Senhor, tende piedade de nós

Pelo nosso Delúbio e Vandomiro Diniz

Pelo “nunca antes nesse país?

Pelo povo brasileiro que acabou pedindo bis

Senhor, tende piedade de nós

Pela Cicarelli na praia namorando sem vergonha

Pela Dilma Rousseff sempre tão risonha

Pelo Gabeira que jurou que não fuma mais maconha

Senhor, tende piedade de nós

Pela importante missão do astronauta brasileiro

Pelos tempos que Lorenzetti era só marca de chuveiro

Pelo Freud que “não explica? a origem do dinheiro

Senhor, tende piedade de nós

Pelo casal Garotinho e sua cria

Pelos pijamas de seda do “nosso guia?

Pela desculpa de que “o presidente não sabia?

Senhor, tende piedade de nós

Pela jogada milionária do Lulinha com a Telemar

Pelo espírito pacato e conciliador do Itamar

Pelo dia em que finalmente Dona Marisa vai falar

Senhor, tende piedade de nós

Pela “queima do arquivo? Celso Daniel

Pela compra do dossiê no quarto de hotel

Pelos “hermanos compañeros? Evo, Chaves e Fidel

Senhor, tende piedade de nós

Pelas opiniões sensatas do prefeito César Maia

Pela turma de Ribeirão que caía na gandaia

Pela primeira dama catando conchinha na praia

Senhor, tende piedade de nós

Pelo escândalo na compra de ambulâncias da Planam

Pelos aplausos “roubados? do Kofi Annan

Pelo lindo amor do “sapo barbudo? por sua “rã?

Senhor, tende piedade de nós

Pela Heloisa Helena nua em pêlo

Pela Jandira Feghali e seu cabelo

Pelo charme irresistível do Aldo Rebelo

Senhor tende piedade de nós

Pela greve de fome que engordou o Garotinho

Pela Denise Frossard de colar e terninho

Pelas aulas de subtração do professor Luizinho

Senhor, tende piedade de nós

Pela volta triunfal do “caçador de marajás?

Pelo Duda Mendonça e os paraísos fiscais

Pelo Galvão Bueno que ninguém agüenta mais

Senhor, tende piedade de nós

Pela eterna farra dos nossos banqueiros

Pela quebra do sigilo do pobre caseiro

Pelo Jader Barbalho que virou “conselheiro?

Senhor, tende piedade de nós

Pela máfia dos “vampiros? e “sanguessugas?

Pelas malas de dinheiro do Suassuna

Pelo Lula na praia com sua sunga

Senhor, tende piedade de nós

Pelos “meninos aloprados? envolvidos na lambança

Pelo plenário do Congresso que virou pista de dança

Pelo compadre Okamotto que empresta sem cobrança

Senhor, tende piedade de nós

Pela família Maluf e suas contas secretas

Pelo dólar na cueca e pela máfia da Loteca

Pela mãe do presidente que nasceu analfabeta

Senhor, tende piedade de nós

Pela invejável cultura da Adriana Galisteu

Pelo “picolé de xuxu? que esquentou e derreteu

Pela infinita bondade do comandante Zé Dirceu

Senhor, tende piedade de nós

Pela eterna desculpa da “herança maldita?

Pela fama do “chefe? abusar da birita

Pelo novo penteado da companheira Benedita

Senhor, tende piedade de nós

Pela refinaria brasileira que hoje é boliviana

Pelo “compañero? Evo Morales que nos deu uma banana

Pela mulher do presidente que virou italiana

Senhor, tende piedade de nós

Pelo MST e pela volta da Sudene

Pelo filho do prefeito e pelo neto do ACM

Pelo político brasileiro que coloca a mão na “m?

Senhor, tende piedade de nós

Pelo Ali Babá e sua quadrilha

Pelo Gushiken e sua cartilha

Pelo Zé Sarney e sua filha

Senhor, tende piedade de nós

Pelas balas perdidas na Linha Amarela

Pela conta bancária do bispo Crivella

Pela cafetina de Brasília e sua clientela

Senhor, tende piedade de nós

Pelo crescimento do PIB igual do Haití

Pelo Doutor Enéas e pela senhorita Suely

Pela décima plástica da Marta Suplicy

Senhor, tende piedade de nós

Por fim

Para que possamos festejar juntos os próximos natais

Senhor, dái-nos a paz

Dezembro 2006

Hugo Hamann

 

15 dez 2007 Posted by | ARTIGOS, CURIOSIDADES, POLÍTICA | 7 Comentários

O sindicato da vergonha.

O sindicato da vergonha.

 

 

O termo “sindicato” deriva do latim syndicus, que é proveniente do grego sundikós, com o significado do que assiste em juízo ou justiça comunitária. Na Lei Le Chapellier, de julho de 1791, o nome síndico era utilizado com o objetivo de se referir a pessoas que participavam de organizações até então consideradas clandestinas.

 

“Se queres conhecer o Inácio, coloque-o em um palácio”

Esta frase do Barão de Itararé foi cunhada dez anos antes do Lula nascer.

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Eu detesto os sindicatos, detesto o corporativismo que eles representam; o peleguismo, etc.

Detesto ver que os líderes ficam muito melhores do que os sindicalizados, sem fazer absolutamente nada, a não ser conversa fiada, e eles têm uma atitude muito semelhante aos cartolas do futebol, que invariavelmente ficam muito ricos, e os clubes e os atletas que se danem.

Não estou falando do sindicalismo no Brasil, estou falando do sindicalismo americano, onde trabalhei 27 anos e senti na pele a força destas organizações parasitas, que se agremiam em detrimento das empresas e dos empregados e favorecem apenas os seus interesses.

E note-se que nos Estados Unidos, não existe por lei uma contribuição compulsória, os sindicatos têm que se esforçar pelo menos para conseguir adeptos, pois as contribuições são em sua maioria voluntárias.

No caso do Brasil, a situação é pior, pois os trabalhadores têm obrigação legal de contribuir um dia de seu salário para os sindicatos.

Isto gera os sindicatos que vivem apenas deste repasse, sem fazer absolutamente nada.

Em geral no Brasil pelo que até o momento consegui acompanhar, os sindicatos são piores do que os americanos, não contribuindo em nada para a sociedade como um todo e pelo contrário usando a sociedade para seu benefício, em detrimento de outras pessoas.

E foi neste ambiente propicio à proliferação de injustiças e desonestidade que nasceu e cresceu o PT, partido da atual administração e do Lula que foi seu fundador e que desde então nunca trabalhou, apenas aproveitou o esforço de outros para se locupletar.

E por esta razão sempre fui contra o PT como sou contra qualquer organização sindical.

E o resultado está aí.

Além de não fazer nada pelo Brasil, o Lula agora não quer e não pode abrir mão da CPMF,

que no final da corrida para a sua perpetuação virou questão de honra para o sindicato que governa o Brasil.dia-do-palhaco.jpg

Estão sindicalizando o congresso também

Colocaram o sindicato em um palácio, e viram o que aconteceu…..

Ninguém melhor do que o Villas-Bôas Corrêa para escrever a respeito deste assunto como encontrei hoje no Jornal do Brasil on Line

O artigo do Villas:

O fundo cinzento da CPMF

Qualquer que seja o resultado da batalha campal que o governo trava com a oposição para aprovar a cobrança da Contribuição Provisória sobre a Mobilização Financeira – mais conhecida pela sigla CPMF ou pelo apelido de imposto sobre o cheque – um balanço em aberto registra a dupla derrota do presidente Lula, da sua desastrada equipe de articuladores e do Congresso, ou mais precisamente, do Senado.

Pois nunca, até onde cutuco a memória, a Câmara Alta dos severos senhores de barbas e cabelo brancos passou por crise igual ou parecida com tão drástico rombo na imagem de sua respeitabilidade. Nem nos amargos tempos da ditadura militar.

O presidente deveria ter se poupado antes de embarafustar pelo labirinto das contradições ou da ignorância dos limites da tolerável intromissão na negociação parlamentar, muito mais ajustada aos entendimentos entre líderes, com a participação dos ministros da Fazenda, do Planejamento ou das Relações Institucionais, o estreante José Lúcio Monteiro.

Pois uma das tarefas ministeriais e das lideranças do bloco governista é poupá-lo do excesso de exposição, com respingos na imagem presidencial. Mas quem segura a vaidade exibicionista que se enxerga no espelho como o maior presidente de todos os tempos, o salvador da pátria que se afogava nas águas sujas dos dois mandatos do seu antecessor?

Vitória, mesmo lambuzada pela calda amarga, é sempre doce. Mas, o ziguezague do eu- não-disse-o-que-disse deixa um rastro de imaturidade e açodamento.

Afinal, em que ficamos: “Os senadores são responsáveis, têm preocupações com o Brasil” ou integram o bando de sonegadores e de inimigos dos pobres?

Lula passou pelo Congresso como gato sobre chapa quente. No exercício do mandato do mais votado deputado-constituinte jamais se sentiu à vontade entre os mais de 300 picaretas que estigmatizou na frase untada de ressentimento.

Na mesma corda-bamba, o maior líder sindicalista do país, como presidente do Partido dos Trabalhadores e na linha reta da coerência, combateu a manobra do presidente Fernando Henrique Cardoso para arrancar a aprovação pelo Congresso da emenda que contaminou o regime com a praga da reeleição.

Eleito presidente na quarta tentativa, não se enredou em constrangimentos éticos para disputar o segundo mandato e ser eleito com 58 milhões de votos. Custou a falar claro nos sinuosos desmentidos sobre as tramas palacianas para o encaixe do terceiro mandato na prometida reforma política adiada para o dia de são nunca.

Na tardia choradeira oficial, o presidente e ministros clamam pelo R$ 40 bilhões anuais da cobrança do imposto do cheque. E têm lá as suas razões óbvias. Mesmo para um governo da gastança, que dissipa bilhões na orgia de nomeações para cargos em comissão que dispensam o aborrecimento dos concursos e que chega à metade do segundo mandato com o saco das promessas de duas campanhas lotado até a boca, a rede rodoviária esburacada e recordes de acidentes, os portos ao abandono, as ferrovias entregues à ferrugem, um insucesso no Senado seria um desastre quase irremediável.

Mas deixemos de hipocrisia. As cólicas que roncam nas tripas oficiais passam ao largo da crise moral que contamina os três poderes. E o governo que não teve competência e garra para enfrentar as reformas prioritárias que contaminam o Executivo e seu patusco e obeso ministério, nem a audácia para a operação de limpeza das mordomias, vantagens, benefícios dos penduricalhos que alçam o mandato ao topo de um dos melhores empregos do mundo.

Lula está prometendo fazer oito anos em dois. E um JK pelo avesso.

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12 dez 2007 Posted by | ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA, ARTIGOS, ÉTICA, CPMF, GOVERNO | 1 Comentário

Profecia?

Profecia?

Será que o Barão de Itararé seria um profeta?

Ele cunhou esta frase:

Queres conhecer o Inácio, coloca-o num palácio.

Nome:

Aparício Fernando
de Brinkerhoff Torelly –
Nascimento: 29/01/1895
Natural: Rio Grande do Sul Morte: 27/11/1971

Mais sobre o Barão de Itararé em:

http://www.releituras.com/itarare_bio.aspbarao-de-itarare.jpg


Foi em meados de 1930 quando o Barão de Itararé escreveu esta frase, aproximadamente uns dez anos antes do Lula nascer. Quanta verdade contém esta frase.

Ouvindo o Apedeuta dizer suas besteiras defendendo o indefensável que é a permanência da CPMF, ele já se considera um imperador.

Fazendo ameaças por todas as partes, e seguido de perto por seu séquito de ignorantes e aproveitadores, dizendo e repetindo as mesmas ameaças.

Outro dia surgiu na mídia uma matéria sobre o MMM (Ministro Mantega Mentira), dizendo que o plano emergencial já está pronto, se perderem a aprovação da CPMF, eles vão criar um imposto igualzinho por medida provisória.

Que grande cara de pau desta gente, medidas provisórias são medidas emergenciais e estão sendo usadas para tudo desde manipular as votações no congresso ou para arrancar mais dinheiro do povo. Outro dia escutando um economista na CBN, gostaria de lembrar o nome, mas estava dirigindo e não pude pegar, disse uma frase que resume tudo sobre a necessidade de se abolir a CPMF:

“A CPMF retira 40 bilhões da sociedade, e coloca nas mãos do governo para gastar como quiser, e o governo gasta mal”

O presidente Lula mente muito para enganar os incautos sobre o imposto:

“Somente 14 milhões de pessoas pagam a CPMF” – Mentira deslavada e cínica:

Divide-se 40 bilhões de Reais por 14 milhões de pessoas ou correntistas, e consegue-se uma média de R$ 3.000,00 por cada conta corrente. É muito dinheiro para ser retirado das contas dos correntistas, e será muito mais do que os 0.38% que é o imposto. De onde vem esta diferença? Do povão que paga por tudo o que consome e em cascata o valor da CPMF multiplicado por tantas vezes quanto a mercadoria trocou de mãos. Outra mentira:

“Sem a CPMF, não haverá dinheiro para a saúde” – Mentira deslavada e cínica:

Pela constituição o governo tem obrigação de gastar 20% do PIB com a saúde pública, tenha CPMF ou não e se não gastar, como não gasta, este governo deveria ser impedido como queria o Novo Ministro do SEALOPRA Mangabeira Unger em 2005, e estes irresponsáveis deveriam ir para a cadeia.

“A CPMF é um imposto pequenino que não onera ninguém” – Mentira deslavada e cínica:

Se for um imposto tão insignificante, porque será que o Imperador Lula está se esforçando tanto para que ele continue? Porque será que ele cancelou o que mais gosta de fazer, e que é viajar pelo mundo à custa do erário, para ajudar a lutar para a permanência deste imposto indecente? E se é um imposto pequenino, como será que chegou a quarenta bilhões?

“Se os senadores não tiverem juízo, votam contra. Se tiverem juízo, eles aprovam e podem dizer para o povo que graças a eles a gente aprovou recursos para ajudar os pobres deste país. Se fosse para ajudar rico, ninguém votaria contra. Mas para conseguir um centavo para o povo pobre, é uma guerra” – Mentira deslavada e cínica:

“Eles quando eram da oposição, votaram em massa e fechados contra a CPMF, porque eram da “OPOSIÇÃO”. Queriam era ver o circo pegar fogo o que agora usam para explicar a atitude da oposição. E a CPMF é um imposto contra os pobres principalmente porque os ricos que colocam seu dinheirinho lá no exterior como fez a sua filha Lurian Cordeiro com os sete e meio milhões de Reais da sua ONG a “Rede 13” que quebrou e não prestou contas dos repasses que totalizaram esta quantia. Agora dizem que é imposto para ajudar pobres. Pobres aspones que ganham em média R$5.000,00 por mês, e que o Lula não para de contratar.”

“A CPMF arrecada R$ 40 bilhões e metade deles é para a saúde. Só o Bolsa Família utiliza 76% de dinheiro da CPMF” – Mentira deslavada e cínica novamente:

Metade é 50% com os 76% da bolsa esmola, seria 126%, portanto as contas do imbecil além de mentirosas não estão batendo. E Bolsa família é problema dele, não da CPMF e se a CPMF fosse totalmente usada na manutenção e melhoria da saúde, seria ainda ilegal, mas seria mais simpática, e a saúde estaria melhor do que o marasmo atual.

“Os deputados já votaram, não é possível que alguém não tenha a responsabilidade de saber que nenhum governo pode prescindir de R$ 40 bilhões”. – Mentira deslavada e cínica:

“Nenhum governo”, faltou completar “irresponsável como o nosso”, porque a arrecadação de impostos sem a CPMF, está 125% superior do que no governo FHC, e a infra estrutura está pior, as estadas estão pela morte, os portos inadequados, a energia está por uma pequena seca, a produção da Petrobrás caiu pela primeira vez em 30 anos, a educação está muito pior, a saúde está pior.

“- Quem não quer a CPMF é quem sonega imposto, porque a CPMF é um imposto que vai detectar quem está sonegando –“ – Mentira deslavada e cínica.

Se isto fosse a verdade, os mensaleiros e aloprados, que movimentaram bilhões de reais, seriam pegos e com provas irrefutáveis pois durante os golpes a CPMF estava em pleno vigor.

O dinheiro dos aloprados está até hoje na PF, onde ninguém reclamou a posse. Nas fotos divulgadas, os dólares têm um rótulo do Banco Central e os reais também são rotulados pela Caixa Econômica e pelo BC. E nem assim se consegue encontrar a origem deste dinheiro. E o marqueteiro do PT, o Duda Mendonça que foi receber seus honorários nas ilhas Cayman, onde não cobram CPMF. E quando eles eram contra? Eram eles sonegadores ou apenas caixa dois que o presidente disse na França ser coisa normal?

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Outras máximas do Barão de Itararé

Barão de Itararé

De onde menos se espera daí é que não sai nada.

Mais vale um galo no terreiro do que dois na testa.

Quem empresta, adeus…

Dizes-me com quem andas e eu te direi se vou contigo.

Pobre, quando mete a mão no bolso, só tira os cinco dedos.

Quando pobre come frango, um dos dois está doente.

Genro é um homem casado com uma mulher cuja mãe se mete em tudo.

Cleptomaníaco: ladrão rico. Gatuno: cleptomaníaco pobre.

Quem só fala dos grandes, pequeno fica.

Viúva rica, com um olho chora e com o outro se explica.

Depois do governo ge-gê, o Brasil terá um governo ga-gá. ( Ge-gê: apelido de Getulio Vargas. Ga-gá: referia-se às duas primeiras letras no sobrenome do novo presidente, Eurico Gaspar Dutra).

Um bom jornalista é um sujeito que esvazia totalmente a cabeça para o dono do jornal encher nababescamente a barriga.

Neurastenia é doença de gente rica. Pobre neurastênico é malcriado.

O voto deve ser rigorosamente secreto. Só assim, afinal, o eleitor não terá vergonha de votar no seu candidato.

Os juros são o perfume do capital.

Urçamento é uma conta que se faz para saveire como debemos aplicaire o dinheiro que já gastamos.

Negociata é todo bom negócio para o qual não fomos convidados.

O banco é uma instituição que empresta dinheiro à gente se a gente apresentar provas suficientes de que não precisa de dinheiro.

A gramática é o inspetor de veículos dos pronomes.

Cobra é um animal careca com ondulação permanente.

Tudo seria fácil se não fossem as dificuldades.

Sábio é o homem que chega a ter consciência da sua ignorância.

Há seguramente um prazer em ser louco que só os loucos conhecem.

É mais fácil sustentar dez filhos que um vício.

A esperança é o pão sem manteiga dos desgraçados.

Adolescência é a idade em que o garoto se recusa a acreditar que um dia ficará chato como o pai.

O advogado, segundo Brougham, é um cavalheiro que põe os nossos bens a salvo dos nossos inimigos e os guarda para si.

Senso de humor é o sentimento que faz você rir daquilo que o deixaria louco de raiva se acontecesse com você.

Mulher moderna calça as botas e bota as calças.

A televisão é a maior maravilha da ciência a serviço da imbecilidade humana.

Este mundo é redondo, mas está ficando muito chato.

Pão, quanto mais quente, mais fresco.

A promissória é uma questão “de…vida”. O pagamento é de morte.

A forca é o mais desagradável dos instrumentos de corda.




09 dez 2007 Posted by | ABOBRINHAS, ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA, ÉTICA, Cinismo, CPMF, GOVERNO, POLÍTICA | Deixe um comentário

Uma ficção dantesca!

Uma ficção dantesca!

Outro dia recebi por Email, uma carta entrevista, no formato Power Point da Microsoft, em que um reporter sem nome entrevista o criminoso Marcola.

Era uma entrevista impressionante, com recheios de realidade e fantasia erudita, coisa que eu duvido muito que seja da capacidade mental do Marcola.

Especialmente o final em Latim.

Surpreso pela possibilidade de ser real esta entrevista, eu pesquisei na internet, e descobri que era uma obra de ficção do colunista e cineasta Arnaldo Jabor, mostrando no formato Orson Wells (A Guerra dos Mundos), o desmando e a realidade da sociedade brasileira, quando joga para debaixo do tapete os problemas imediatos e colhe em futuros bem próximos os frutos desta opção.

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A educação, por exemplo, está totalmente desprestigiada. Seja ela qual forem pública ou privada, nossos alunos estão cada vez menos conscientes da realidade.

Para ser coerente com a atual realidade o governo deveria aplicar no mínimo 20% do PIB para a educação. (Coréia do Sul, Chile, Argentina, Índia, Rússia, e China, investem pelo menos 10% do PIB em educação) (A Coréia vem investindo 23% do PIB por mais de 25 anos)

Destes 20%, deveria ir para a educação Elementar, Básica e Secundária a maioria destes recursos.

A educação superior gratuita e totalmente financiada pelo governo deveria ser abolida a favor de uma educação paga, com as escolas produzindo recurso, pois seus laboratórios têm esta capacidade.

As escolas de medicinas podem ter seus próprios hospitais pagos ou em convênios mais baratos, mas deveriam ser auto-suficientes.

As escolas de engenharia poderiam ter seus laboratórios de pesquisas fazendo pesquisas para a indústria privada.

E por aí vai. As escolas primárias, não podem gerar recursos e devem ser custeadas com os impostos pagos pelo cidadão.

No Brasil as universidades públicas consomem 80% da parca verba da educação, que não passa de 5% do PIB.

Em contrapartida a Bolsa Família consome mais de 10% do PIB. E não ensina a pescar, é pura assistência permanente tipo esmola. E sem contrapartida. O único requisito é praticamente estar desempregado.

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Quando foi criada no governo FHC tinha a finalidade de manter na escola os menores de idade.

Para freqüentar escolas, primeiro é preciso ter escolas, professores, merenda.

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Não tendo escolas decentes, como vamos obrigar os alunos a freqüentarem?

Esta inversão de coisas no Brasil de deve exclusivamente ao fato de que os alunos das escolas primárias e secundárias, não podem votar e os universitários votam. Portanto os políticos em sua conhecida demagogia dão preferência para as leis que podem ajudar os alunos universitários.

Eles se esqueceram de que a base da universidade é simplesmente o ensino elementar e secundário. E sem uma base boa, a descriminação é maior, a ignorância maior e o despreparo para uma realidade atual é muito grande.

Os testes de conhecimento internacionais e nacionais mostram como andamos em comparação com o resto do mundo.

Quando não se dedica muito esforço para a educação, a sociedade fica segregada e despreparada.

Reflete em tudo na vida. O lixo nas ruas, os pequenos furtos, as pichações, que são pequenos delitos, que são admitidos por falta de educação, que se migram para delitos mais graves, que se migram para o crime organizado como na ficção do Jabor.

Vou reproduzir a ficção do Jabor e depois dois comentários a respeito desta ficção:

http://portal.an.uol.com.br/2006/mai/23/0opi.jsp

Artigos

Estamos todos no inferno Entrevista ao Jornal O GLOBO por “Marcola”marcola.jpg

Arnaldo Jabor jornalista e cineasta

a.j.producao em uol.com.br

– Você é do PCC?

– Mais que isso, sou um sinal de novos tempos. Era pobre e invisível… Vocês nunca me olharam durante décadas… E antigamente era mole resolver o problema da miséria… O diagnóstico era óbvio: migração rural, desnível de renda, poucas favelas, ralas periferias… A solução é que nunca vinha… Que fizeram? Nada. O governo federal alguma vez alocou uma verba para nós? Só aparecíamos nos desabamentos no morro ou nas músicas românticas sobre a “beleza dos morros ao amanhecer”, essas coisas… Agora, estamos ricos com a multinacional do pó. E vocês estão morrendo de medo… Somos o início tardio de vossa consciência social… Viu? Sou culto… Leio Dante na prisão…

– Mas…a solução seria…

– Solução? Não há mais solução, cara… A própria idéia de “solução” já é um erro. Já olhou o tamanho das 560 favelas do Rio? Já andou de helicóptero por cima da periferia de São Paulo? Solução como? Só viria com muitos bilhões de dólares gastos organizadamente, com um governante de alto nível, uma imensa vontade política, crescimento econômico, revolução na educação, urbanização geral; e tudo teria de ser sob a batuta quase que de uma “tirania esclarecida”, que pulasse por cima da paralisia burocrática secular, que passasse por cima do Legislativo cúmplice (ou você acha que os 287 sanguessugas vão agir?; se bobear, vão roubar até o PCC…) e do Judiciário que impede punições. Teria de haver uma reforma radical do processo penal do País, teria de haver comunicação e inteligência entre polícias municipais, estaduais e federais (fazer até conference calls entre presídios…) E tudo isso custaria bilhões de dólares e implicaria uma mudança psicossocial profunda na estrutura

política do País. Ou seja: é impossível. Não há solução.

– Você não tem medo de morrer?

– Vocês é que têm medo de morrer, eu não. Aliás, aqui na cadeia vocês não podem entrar e me matar…mas eu posso mandar matar vocês lá fora… Somos homens-bomba. Na favela tem 100 mil homens-bomba… Estamos no centro do “Insolúvel”, mesmo… Vocês no bem e eu no mal e, no meio, a fronteira da morte, a única fronteira.

Já somos uma outra espécie, já somos outros bichos, diferentes de vocês. A morte para vocês é um drama cristão numa cama, no ataque do coração… A morte para nós é o “presunto” diário, desovado numa vala… Vocês intelectuais não falavam em “luta de classes”, em “seja marginal seja herói”? Pois é: chegamos, somos nós! Há há… Vocês nunca esperavam esses guerreiros do pó, né?

Sou inteligente. Leio, li 3 mil livros e leio Dante…mas meus soldados todos são estranhas anomalias do desenvolvimento torto deste País. Não há mais proletários, ou infelizes ou explorados. Há uma terceira coisa crescendo aí fora, cultivado na lama, se educando no absoluto analfabetismo, se diplomando nas cadeias, como um monstro Alien escondido nas brechas da cidade. Já surgiu uma nova linguagem. Vocês não ouvem as gravações feita “com autorização da Justiça”? Pois é. É outra língua. Estamos diante de uma espécie de pós-miséria. Isso. A pós-miséria gera uma nova cultura assassina, ajudada pela tecnologia, satélites, celulares, internet, armas modernas. É a merda com chips, com megabytes. Meus comandados são uma mutação da espécie social, são fungos de um grande erro sujo.

– O que mudou nas periferias?

– Grana. A gente hoje tem. Você acha que quem tem 40 milhões de dólares como o Beira-mar não manda? Com 40 milhões a prisão é um hotel, um escritório… Qual a polícia que vai queimar essa mina de ouro, tá ligado?

Somos uma empresa moderna, rica. Se funcionário vacila, é despedido e jogado no “microondas… há,há… Vocês são o Estado quebrado, dominado por incompetentes.

Temos métodos ágeis de gestão. Vocês são lentos e burocráticos. Lutamos em terreno próprio. Vocês em terra estranha. Não tememos a morte. Vocês morrem de medo.

Somos bem armados. Vocês vão de “três oitão”. Estamos no ataque. Vocês na defesa. Vocês têm mania de humanismo. Nós somos cruéis, sem piedade.

Vocês nos transformam em superstars do crime. Fazemos vocês de palhaços. Somos ajudados pela população das favelas, por medo ou por amor. Vocês são odiados.

Vocês são regionais, provincianos. Nossas armas e produto vêm de fora; somos globais. Não nos esquecemos de vocês; são nossos fregueses. Vocês nos esquecem assim que passa o surto de violência.

– Mas o que devemos fazer?

– Vou dar um toque, mesmo contra mim. Peguem os barões do pó! Tem deputado, senador, tem generais, tem até ex-presidentes do Paraguai nas paradas de cocaína e armas.

Mas quem vai fazer isso? O Exército? Com que grana? Não tem dinheiro nem para o rancho dos recrutas… O País está quebrado, sustentando um Estado morto a juros de 20% ao ano, e o Lula ainda aumenta os gastos públicos, empregando 40 mil picaretas. O Exército vai lutar contra o PCC e o CV? Estou lendo o Klausewitz, “Sobre a Guerra”. Não há perspectiva de êxito… Somos formigas devoradoras, escondidas nas brechas… A gente já tem até foguete antitanques… Se bobear, vão rolar uns Stingers aí… Pra acabar com a gente, só jogando bomba atômica nas favelas… Aliás, a gente acaba arranjando também “umazinha” daquelas bombas sujas mesmo… Já pensou? Ipanema radioativa?

– Mas…não haveria solução?

– Vocês só podem chegar a algum sucesso se desistirem de defender a “normalidade”. Não há mais normalidade alguma. Vocês precisam fazer uma autocrítica da própria incompetência.

Mas vou ser franco…na boa…na moral… Estamos todos no centro do “Insolúvel”. Só que nós vivemos dele e vocês…não têm saída. Só a merda. E nós já trabalhamos dentro dela.

Olha aqui, mano, não há solução. Sabem por quê? Porque vocês não entendem nem a extensão do problema. Como escreveu o divino Dante: Lasciate ogni speranza voi che entrate! Percam todas as esperanças. Estamos todos no inferno.

…………………………………………….

PURA FICÇÃO

Ainda sobre a entrevista do pseudo-Marcola

Por Olívio Tavares de Araújo em 18/7/2006

Sinal dos tempos e da sina brasileira. Antigamente usávamos o adjetivo pseudo para textos clássicos aos quais durante algum tempo se atribuiu uma autoria que depois se verificou ser falsa: o pseudo-Plutarco, o pseudo-Plotino. No Brasil temos agora o pseudo-Marcola. Também eu fui vítima dessa confusão internética que – nunca descobriremos como, com que objetivos nem por quem – atribuiu ao bandido Marcola uma apocalíptica entrevista em O Globo. Agora sabemos que no original foi obra de ficção de Arnaldo Jabor – como tal, brilhante, irretocável. Inclusive nas improváveis mas afinal convincentes provocações estéticas. O pseudo-Marcola é quase um poeta: “Meus comandados … são fungos de um grande erro sujo”. “Chapeaux bas, messieurs!” – como disse Schumann diante de Chopin.

Entretanto, enquanto acreditei que a entrevista fosse verdadeira (felizmente, não mais que algumas horas), o que mais senti foi tristeza e medo. Tanta inteligência, tal precisão na anamnese e diagnóstico, domínio tão absoluto da palavra, conhecimento de causa, do ser humano e da história, porém num desesperado, convicto de que não existe solução e de que o inferno neste país é inevitável: seria esse, enfim, o nosso destino de líder revolucionário? Mas para os verdadeiros líderes revolucionários a esperança não constitui pré-requisito? Ademais um líder, lembremos, confessadamente criminoso e cruel, capaz de qualquer ato em função de seus propósitos, que reconhece mandar liquidar e colocar no ‘microondas’ as peças ineficientes de sua máquina de droga e morte? Um hitlerzinho porém com o sinal trocado – porque fundado em verdades?

Tiro errado

Tive tristeza e medo. Medo de classe? Um pouco, sem dúvida. Nunca passei fome. Financiado por meu pai, pude aprender inglês, francês, espanhol, italiano. Acabo de ser curador de uma exposição das obras caríssimas de Volpi num museu cuja presidente é banqueira, ouço com gáudio Mozart, Beethoven, Brahms, Schubert, Corelli, e estou relendo Anna Akhmatova e Konstantinos Kaváfis, este na impecável tradução de José Paulo Paes. Tudo isso certamente não me credenciaria a ser querido num futuro Estado pseudo-marcolês. Sou um intelectual brasileiro, essa categoria que o pseudo-Marcola tão percucientemente ironiza: “Vocês intelectuais não falavam em luta de classes, em ‘seja marginal, seja herói’? Pois é: chegamos, somos nós!” (Em tempo: enquanto grito de guerra, “seja marginal, seja herói” nunca me pareceu senão a imbecilidade que é, e que só transitou incólume porque durante a ditadura militar talvez não fosse mesmo de boa tática investir contra ele).

Ah, sim, ia-me esquecendo: sou também – ou pelo menos me considero – de esquerda. Quem sabe, então, não deveria ficar mais tranqüilo – já que a esquerda, supõe-se, seria a aliada histórica natural do pseudo-Marcola?

Ah, não, infelizmente essa ingenuidade já não tenho. Nada, nem no discurso do pseudo-entrevistado nem na lição do passado, me permite supor que, por ser de esquerda, eu seria poupado. Ser ou não de esquerda não iria servir a ninguém para nada. Na implantação do estado pseudo-marcolês não haveria tempo para questões de justiça, aliança, lealdade, princípios, ideologia – essas inúteis sutilezas de classe dominante. Assim como, garanto-lhes, não houve tempo para que Hitler e sua tchurma examinassem prévia e criteriosamente a lista dos mortos no expurgo de Roehm. Foi como deu, e pronto. Nessas, o crítico musical Willi Schmidt levou um tiro enquanto tocava seu violoncelo, antes que o executor percebesse que o nome na lista não era exatamente aquele. Havia uma diferença de um L e um D a mais ou a menos, uma coisa qualquer, assim. Uma pequena distração. E o Willi errado se foi.

O holocausto dos intelectuais humanistas

Voltando um pouco atrás. Resta outra hipótese. Quem sabe não valeria a pena o holocausto de minha classe, dos intelectuais humanistas e iludidos como eu – animais pré-históricos, diante dessa “terceira coisa crescendo aí fora, cultivada na lama, se educando no absoluto analfabetismo, se diplomando nas cadeias”, com toda propriedade (e de novo alguma poesia) descrita pelo pseudo-Marcola? Quem sabe não valeria a pena imolar tanto esquerdas como direitas, às tontas e às cegas, com a solene indiferença de um deus bárbaro, em prol do novo Estado pseudo-marcolês?

Mas será que temos motivos para crer que ele seria melhor e mais justo? Revoluções muito mais bem nascidas deram no que deram. Os 50.000 guilhotinados da Convenção deram em Napoleão, que deu nos 3,5 milhões de mortos do 18 de Brumário ao Grand Empire, que deu no Congresso de Viena, na reorganização reacionária da Europa, na restauração dos Bourbon na França, e na maravilhosa frase de Talleyrand sobre eles – que, essa sim, valeu a pena: “Não aprenderam nada, não esqueceram nada”. Lênin, coitado, deu em Stalin, que entre as repressões no campo, os expurgos e o Gulag parece que ultrapassou a marca dos 39 milhões de assassinados. Por enquanto o verdadeiro Marcola e o PCC não chegaram sequer às centenas. Mas se Marx tiver razão quanto à história se repetir como tragédia, antes de repetir-se como farsa…

Há alguns dias, neste mesmo Observatório da Imprensa a psicanalista Anna Verônica Mautner, uma criatura adorável, afirmou da pseudo-entrevista [ver remissão abaixo]: “Amei”. Declarou-a “maravilhosa”, e diante de sua apocrifia lamentou: “Queríamos todos que fosse verdade”. Todos quem, cara-pálida? Eu não, querida Anna Verônica. Não amei coisa nenhuma – e que maravilha que tudo era mentira! Estou agradecendo a Deus porque o pseudo-Marcola não existe. E a Arnaldo Jabor por toda a penosa mas excitante experiência.

“ENTREVISTA´´ DE MARCOLA

Onde começa e onde termina o virtual

Por Anna Veronica Mautner em 27/6/2006

Um belo dia, há duas semanas se muito, começou a aparecer entre meus e-mails, vindo de conhecidos e também de conhecidos de conhecidos, um texto de três páginas que continha – segundo o título – uma entrevista realizada por um repórter da Globo, anônimo, com o prisioneiro Marcola.

Confesso que fui tomada por um mecanismo que na psicanálise é chamado “mecanismo de negação”. Isto é, apaguei o fato de ter estranhado que uma entrevista tão importante não tivesse o nome do jornalista que a tivesse realizado. Preferi não acreditar nesta minha observação que mais tarde, como veremos, teria tudo a ver.

Li e reli a entrevista. Amei. Entre surpreendida e estonteada, andei dias com o papel na mão. Como eu sou analfabeta em máquinas e não sei usar o “encaminhar”, só sei usar o “responder” e o “imprimir” – a corrente parou na minha mão. Outros, mais hábeis que eu, continuaram espalhando a entrevista pelo mundo afora. Conversei até não mais poder a respeito do significado de tão maravilhosa entrevista, de tantas respostas pertinentes e argutas.

Quando já parecia estar passando o efeito, eis que me chega na forma de comunicado: a entrevista chegando às mãos de determinado jornalista, parou. Este esclareceu a uma de minhas amigas da corrente que o tal texto era da lavra de Arnaldo Jabor. Este meu amigo, Jabor, tinha inventado uma entrevista fictícia para sua coluna semanal. As perguntas e as respostas eram da lavra dele.

Criação de diálogos

O que de fato me deixou perplexa, me aturdiu, foi que todo um grupo de brasileiros, urbanos, alfabetizados, nível superior, gente do mundo, gente nada ingênua, tenha aceito que a produção intelectual de Jabor poderia ter sido gerada por Marcola que vive, sempre viveu, em um outro universo onde vigoram outros parâmetros e conceitos. Se fosse de verdade, com certeza teria o nome do entrevistador e ainda teria tido seguimento da imprensa.

Dias depois, encontro pessoalmente com Jabor, que tinha ouvido falar de uma certa entrevista do Marcola que estaria circulando, mas ainda não tinha chegado até ele. Ele confessou que não imaginou que se tratasse de sua própria obra de ficção. E assim se fechou a corrente.

Uma dramaturga disse que poderia ter desconfiado, pois a entrevista era obra de alguém afeito à criação de diálogos. Muita gente, pelo visto, estranhou. Contudo, queríamos todos que fosse verdade.

Por quê? Ainda não tenho resposta.

09 dez 2007 Posted by | ARTIGOS, ÉTICA, EDUCAÇÃO, GOVERNO, POLÍTICA | Deixe um comentário

Sonegadores.


Sonegadores.

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Em uma ocasião, durante o início do governo FHC, um representante do FED, o Banco Central Americano, em visita ao Brasil, foi apresentado ao sistema tarifário arrecadatório brasileiro.

Ao deparar com os 76 impostos cobrados dos cidadãos, das pequenas empresas, e de um modo geral de toda a população, ele exclamou:

“Isto aqui não é um sistema tarifário, mas uma indústria de sonegação, pois somente pode sobreviver a este sistema quem consegue inventar um método seguro de sonegar impostos”

Na época, esta declaração saiu na mídia, em revistas, e causou certo mal estar no governo iniciante, mas como tudo no Brasil, caiu no esquecimento bem rápido, principalmente porque nada foi feito a respeito.

E ainda não existia CPMF.

Quando esta idéia surgiu no congresso, todo o PT gritou em uníssono sobre a agressividade deste imposto e lutou até o fim para a não aprovação deste imposto.

 

Se como diz atualmente o Lula de que somente os sonegadores não gostam deste imposto, poderemos assumir sem sombra de dúvida de que os petistas estavam era com medo de que este imposto começasse a vasculhar as suas contas de caixa dois.

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Eu realmente gostaria que o Lula explicasse para a nação, onde foi parar aquele dinheiro, que o governo destinou para a ONG da Lurian Cordeiro, a filha ilegítima do Lula.

A “rede 13” foi criada com fins pedagógicos assistenciais, e para administrar o “Fome Zero em Santa Catarina, mas não funcionou e especula-se de que foram repassados pelo governo sete e meio milhões de reais para as operações em pauta que não aconteceram. Não houve nenhuma prestação de contas sobre este repasse, e também se especula que este dinheiro foi lavado para fora do Brasil e se encontra na conta da Lurian em Miami.

Leia algo sobre a Rede 13 em: http://edulevy.blogspot.com/2006/09/histria-mal-contada-da-ong-do-filho-de.html

Idelí Salvati, não quer nem ouvir falar em investigação pela CPI das ONGS nesta ONG suspeita, e que foi extinta seis meses depois de fundada, sem prestar contas dos repasses de sete e meio milhões de reais.

Como houve exageros de gastos, o churrasqueiro do Lula de nome Chuveiro Elétrico, ops digo Lorenzetti, foi encarregado de limpar tudo e acabar com a ONG.

E não creio que esta gente pagou um centavo de CPMF. E se pagou onde estão os indícios dos gastos para serem investigados pela receita?

Este mesmo Lorenzetti estava francamente e diretamente envolvido com o dinheiro dos “Aloprados”, que não pode ser mostrado pela imprensa por ordem do Ministro da Justiça, e que foi divulgado em foto por um delegado que por causa disto sofreu várias sanções dentro da PF.

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As fotos mostram estes pacotes de dinheiro, com rótulos do BC e da Caixa, que nunca foram encontrados os seus donos e ainda estão na delegacia da PF aguardando destino.

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E são os sonegadores que não querem a CPMF. Quanto se arrecadou com a CPMF o dinheiro dos “aloprados”.

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Como parte do dinheiro apreendido era em dólares, novos em folha, transferidos de Miami para o Brasil por intermédio de doleiros, houve a especulação de que o Lorenzetti programou tudo isto com uma parte do dinheiro da Lurian Cordeiro que está escondido em Miami. Quem tem dinheiro no exterior não paga CPMF.

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E o presidente não consegue parar de mentir. É compulsório. A vida dele é uma mentira.

Desde o seu dedinho convenientemente amputado, à sua pensão de R$ 3,700,00 por estar preso por 31 dias, à sua moradia na casa do Roberto Teixeira, seu compadre, ao seu apartamento de cobertura reformado com o seu cartão corporativo, à súbita fortuna de seu filho Flavio, e à venda de influêcia praticada pelo seu irmão Vavá, que ele denominou lambari, ao seu irmão mais velho o Frei Chico, que não é nem Frei e nem Chico, mas também recebe pensão por ficar preso por 15 dias. E a ética para ele ficou definida quando em Paris no seu famoso discurso e explicação do Valerioduto ele disse que caixa dois é coisa normal.

E em uma demonstração de desespero, agora democraticamente ameaça o Brasil com mentiras, que será deixado em um cáos se a CPMF não for aprovada.

Hoje nas notícias, precisamente em Migalhas; http://www.migalhas.com.br/mig_hoje.aspx

Lí o sdeguinte:

O governo federal vai reintegrar milhares de servidores públicos demitidos durante o mandato de Fernando Collor, por considerar que foram vítimas de atos ilegais e de perseguição política.

Se continuar assim, terá de subir a alíquota da CPMF para .50% para poder sobreviver com seus pequenos gastos.

E dinheiro na cueca?dineiro-na-cueca.jpg

Pagou CPMF?

Eta Brasil….

E o Boris Cazoy que foi expulso da Record por ordem do governo,

(leia-se Bispo Crivela) escreveu um bom artigo que vou publicar abaixo:

O JB on-line,

Editorial por Boris Casoy

Quem sonega

Em mais um de seus discursos lapidares, o presidente Lula afirmou, em Colatina, no Espírito Santo, que “quem tem medo da CPMF é quem sonega imposto”. E foi mais longe ao vociferar contra o DEM, adversário ferrenho da CPMF. Chamou o partido pela sua antiga sigla, PFL, para acrescentar que a agremiação “torce todo santo dia para as coisas não darem certo no país”. O DEM respondeu duro em nota oficial, dizendo que “Lula mente de forma cínica”.

Não iria eu tão longe como o ex-PFL. Mas restariam no ar algumas dúvidas a serem esclarecidas. Em que lugar, por exemplo, se colocariam o presidente e o PT na época em ele e seu partido foram visceralmente contra a CPMF? Seriam sonegadores? Ou seguidores do “quanto pior, melhor”? Será que o caixa 2 confessado candidamente, como se não fosse crime, por Lula, numa entrevista em Paris, não caracteriza sonegação? Será que os dólares que o publicitário Duda Mendonça recebeu de contas no exterior por serviços prestados à campanha presidencial não seriam indícios de sonegação? Ou porventura os dirigentes do PT tiveram a habilidade de transformar dinheiro de origem legal em numerário “por fora”?

O fato é que a irritação de Lula demonstra que as coisas não vão tão bem no trabalho de cooptação de adversários do imposto. O presidente e o PT mostram-se irritados e até intolerantes com as manobras regimentais da oposição tentando complicar a prorrogação do imposto – manobras essas que o PT quando oposição se cansou de lançar mão, aliás, de maneira democrática e legítima, como democrática e legítima é hoje a ação oposicionista. O problema, na verdade, não está nos partidos de oposição. Bastaria que os governistas organizassem seus contingentes no Congresso, especialmente no Senado, para resolver a questão. Mas o clima de irritação na base do governo é tal que Lula se vê obrigado a uma incursão mais profunda em domínios oposicionistas para tentar garantir a prorrogação. O descontentamento do oficialismo no Congresso tem variadas raízes. Vai desde a gula de alguns pela conquista de cargos e benesses orçamentárias até a incompetência de lideranças da base aliada, cujas intervenções, com a sutileza de um elefante, redundam em catástrofes políticas, algumas dignas do anedotário congressista.

Hoje o tempo trabalha a favor do governo, embora Lula saiba que a essa altura dos acontecimentos a cotação para a mudança de voto esteja nas alturas. E pode subir ainda mais na medida em que se aproxima a votação no plenário do Senado. Com voto aberto e imprensa atenta, uma mudança de posição pode sair muito caro, já que expõe o parlamentar à fiscalização da mídia e de seus eleitores. Mas burras abertas e cargos em leilão sempre seduziram muitas alminhas em busca de um porto seguro…

No fundo, no fundo, pouco de tudo isso importa muito. Só servirá para medirmos a temperatura da ética e da preocupação dos parlamentares com os destinos do Congresso e, principalmente, com seu eleitorado. Até porque não se deve superestimar a burrice da população, imaginando que a maioria possa acreditar na asneira oficial de que a CPMF atinge apenas os mais ricos, quando na verdade dá uma enorme cacetada nos mais pobres. Ou que Lula queira fazer uma reforma tributária digna desse nome para reduzir nossa pornográfica carga tributária.

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O governo está em outra: quer gastar mais, contratar funcionários a rodo, não fazer nenhum esforço de racionalização de despesas e inaugurar mais uma TV oficial, que terá a a isenção de uma Agência Tass. Tudo pelo terceiro mandato. Aquele que Lula garante não querer….

Bom artigo este do Boris.

E a educação como andará?

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02 dez 2007 Posted by | ABOBRINHAS, ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA, ÉTICA, CPMF, GOVERNO, POLÍTICA | Deixe um comentário

   

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