blog do Roberto Leite

Assuntos de interesses multiplos e atuais.

Classificação social.

Classificação social.

Esta semana, alem da quantidade enorme de “Spams“, também recebi inúmeros Emails de grande valor e de informações preciosas e diversas. Foi de verdade uma boa mistura de correspondência.

A minha prima Claudia, que mora em Juiz De Fora MG, me enviou esta descrição de classificação social inusitada, mas cheia de verdades e vou publicar para compartilhar com vocês de uma boa teoria.

È de acordo com o Email enviado de Autoria de Martha Medeiros.

Estou repassando os créditos em confiança à origem, mas se houver alguém que saiba mais a respeito da origem pode reclamar que eu corrijo

Os ricos e os pobres – Martha Medeiros

Anos atrás escrevi sobre um apresentador de televisão que ganhava R$ 1 milhão por mês e que em entrevista vangloriava-se de nunca ter lido um livro na vida. Classifiquei-o imediatamente como um exemplo de pessoa pobre.

Agora leio uma declaração do publicitário Washington Olivetto em que ele fala sobre isso de forma exemplar. Ele diz que há no mundo os ricos-ricos (que têm dinheiro e têm cultura), os pobres-ricos (que não têm dinheiro mas são agitadores intelectuais, possuem antenas que captam boas e novas idéias) e os ricos-pobres, que são a pior espécie: têm dinheiro mas não gastam um único tostão da sua fortuna em livrarias, shows ou galerias de arte, apenas torram em futilidades e propagam a ignorância e a grosseria.

Os ricos-ricos movimentam a economia gastando em cultura, educação e viagens, e com isso propagam o que conhecem e divulgam bons hábitos. Os pobres-ricos não têm saldo invejável no banco, mas são criativos, efervescentes, abertos. A riqueza destes dois grupos está na qualidade da informação que possuem, na sua curiosidade, na inteligência que cultivam e passam adiante. São estes dois grupos que fazem com que uma nação se desenvolva. Infelizmente, são os dois grupos menos representativos da sociedade brasileira.

O que temos aqui, em maior número, é um grupo que Olivetto nem mencionou, os pobres-pobres, que devido ao baixíssimo poder aquisitivo e quase inexistente acesso à cultura, infelizmente não ganham, não gastam, não aprendem e não ensinam: ficam à margem, feito zumbis.
E temos os ricos-pobres, que têm o bolso cheio e poderiam ajudar a fazer deste país um lugar que mereça ser chamado de civilizado, mas que nada: eles só propagam atraso, só propagam arrogância, só propagam sua pobreza de espírito.

Exemplos? Vou começar por uma cena que testemunhei semana passada. Estava dirigindo quando o sinal fechou. Parei atrás de um Audi preto do ano. Carrão. Dentro, um sujeito de terno e gravata que, cheio de si, não teve dúvida: abriu o vidro automático, amassou uma embalagem de cigarro vazia e a jogou pela janela no meio da rua, como se o asfalto fosse uma lixeira pública. O Audi é só um disfarce que ele pôde comprar, no fundo é um pobretão que só tem a oferecer sua miséria existencial.

Os ricos-pobres não têm verniz, não têm sensibilidade, não têm alcance para ir além do óbvio. Só têm dinheiro. Os ricos-pobres pedem no restaurante o vinho mais caro e tratam o garçom com desdém, vestem-se de Prada e sentam com as pernas abertas, viajam para Paris e não sabem quem foi Degas ou Monet, possuem tevês de plasma em todos os aposentos da casa e só assistem programas de auditório, mandam o filho pra Disney e nunca foram a uma reunião da escola. E, claro, dirigem um Audi e jogam lixo pela janela. Uma esmolinha para eles, pelo amor de Deus.

O Brasil tem saída se deixar de ser preconceituoso com os ricos-ricos (que ganham dinheiro honestamente e sabem que ele serve não só para proporcionar conforto, mas também para promover o conhecimento) e se valorizar os pobres-ricos, que são aqueles inúmeros indivíduos que fazem malabarismo para sobreviver mas, por outro lado, são interessados em teatro, música, cinema, literatura, moda, esportes, gastronomia, tecnologia e, principalmente, interessados nos outros seres humanos, fazendo da sua cidade um lugar desafiante e empolgante. É este o luxo de que precisamos, porque luxo é ter recursos para melhorar o mundo que nos coube. E recurso não é só Money: é atitude e informação.


ricos.gif


20 jun 2007 - Posted by | ARTIGOS, EDUCAÇÃO

2 Comentários »

  1. Boa Tarde Roberto Leite,

    Considero essa critica como sendo uma falta de ética, e ética não se aprende em livros!!!! Pois da mesma forma que o “intelectual” Washington Olivetto, pode expressar sua opinião, o apresentador de 1 milhão também pode, isso se chama democrácia !!!! Será que tudo que conseguimos foi em vão? pintamos as caras atoa?

    Será que essa crítica não é uma forma de preconceito, com os menos “intelectuais”. O artigo afirma que algo além de livros, obras… são coisas fúteis!!! Na minha opinião futilidade é se pagar milhões em obras de arte, enquanto a maioria de nossas crianças não possuem o que comer e precisam trabalhar e com isso deixam de estudar, será que o caminho certo não seria implantar a educação em sua base, criticar o governo por não desempenhar seu papel e não criticar apresentadores de TV que nada tem a ver com isso, concordo que por ser um formador de opinião deveria dar o exemplo, mas acredito que este não deva ser a solução. A solução é seguir o menor intelectual do Brasil, como dizem, nosso rei Pelé, que uma vez disse “devemos cuidar de nossas criancinhas…” , será que ele não tem razão? esse não é o caminho certo?

    “OU DEVEMOS CUIDAR DE NOSSOS APRESENTADORES, ATORES…”E COM ISSO MUDAREMOS O BRASIL.”

    EU GOSTARIA DE VER REPORTAGENS CONSTRUTIVAS !!!!

    GOSTARIA DE TER RETORNO!!! NA QUALIDADE DE CIDADÃO E LEITOR DE SEUS ARTIGOS.

    ATT.

    ADRIANO CASTRO
    JAÚ SP
    ADRIANOCASTROW@YAHOO.COM.BR

    Comentário por Adriano | 20 nov 2008 | Responder

  2. Adriano,
    Em primeiro lugar quero agradecer a visita e o comentário.
    Depois quero dizer que tive que ler o post várias vezes, mas não encontrei nele nada preconceituoso, ou alguma falta de ética.
    Não tem nada demais o apresentador ganhar um milhão, mas em um país com tanta falta de educação escolar, falta de hábito de ler, ele o apresentador, como você frisou, um formador de opinião, não deveria dar um mal exemplo, se vangloriando de ter alcançado sucesso sem ler nenhum livro na vida. Se houve alguma falta de ética foi por parte dele. E quero discordar de você, ética se aprende em livros e escolas sim, ( Você já leu Mark Twain?) o nome real dele, era Samuel Langhorne Clemens, e os livros dele, apear de infantis, são cheios de exemplos éticos e valiosos, e se aprende também com exemplos em casa.
    O que você disse é uma grande verdade, o ensino básico no Brasil é uma vergonha, e eu bato nesta tecla constantemente. O governo, com seu maior programa social, o “Bolsa Família” disse querer acabar com o emprego infantil e colocar mais crianças nas escolas. Tudo uma grande farsa. Com este programa ele criou uma nova classe de vagabundos (Claro que existem exceções) mas o trabalho infantil persiste e também a evasão escolar. Constantemente, em vários artigos eu relembro que o Brasil gasta com educação apenas 2,7% do PIB, e deste total, apenas 20% com o ensino básico. Um verdadeira vergonha. O Chile e a Argentina gastam proporcionalmente é claro, muito mais do que o Brasil.
    Mas voltando ao artigo que publiquei, Insisto que a classificação usada pela autora é verdadeira. A Autora não entrou em muitos detalhes mas quando classificou um Rico Pobre, foi apenas uma forma elegante e poética de expressar pobreza de espírito. E isto realmente é comum entre os que antigamente o meu pai denominava ” Nouveau riche”. São pessoas ricas , mas sem cultura, e que tem a tendência de propagar por meio de seus descendentes o desprezo pela cultura. Atraso. Para nos tornarmos um país decente e ético, dependemos de ensino e cultura. Não tem outro caminho. O Novo Rico, com seu desprezo pela cultura, também geralmente despreza a ética.
    Agradeço novamente sua visita, e continue mandando comentários. Assim, com diálogo poderemos vislumbrar outras idéias.
    Um grande abraço

    Comentário por Roberto Leite de Assis Fonseca | 20 nov 2008 | Responder


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