blog do Roberto Leite

Assuntos de interesses multiplos e atuais.

Cheyenne Social Club.

Cheyenne Social Club.conselho-de-etica.jpg

Em 1970, apresentaram um filme em Hollywood, que se chamou “Cheyenne Social Club”. Estrelavam Henry Fonda, e Jimmy Stewart e se tratava de uma comédia, onde um velho cowboy texano ganhou uma herança inesperada, e junto com um sócio, fundou um bordel, e o filme rodou por aí com aventuras dentro deste bordel, com fofocas e tentativas de golpe, ETC.

http://movies.yahoo.com/movie/1800046666/info

Eu não estou seguro se este filme passou por aqui ou como se chamou depois da tradução em português.

Estou falando deste filme, porque os acontecimentos atuais deste nosso congresso estão me lembrando as farras e comédias cínicas (digo cínica não no sentido filosófico da escola de Diógenes, mas no sentido do dicionário Aurélio, como Impudico ou obsceno)ocorridas dentro do desenrolar do filme.

A falta de vergonha é totalmente absurda:

Como pode ser possível que a nossa população se mantenha impassível, recebendo da mídia responsável tanta notícia ruim do comportamento destes nossos políticos, que se concentraram em seu clubinho social particular, para fingir que estão trabalhando, e ficam coorporativamente se protegendo. Está muito mais cômica a atitude do congresso do que a história do filme de comédia.

No caso do Senador Renan Calheiros, o foco da questão de ética foi completamente distorcido e desviado. A questão da ética profissional de não favorecer empreiteiras com suas emendas parlamentares, foi desviada para a possibilidade monetária de o Senador poder arcar com as responsabilidades de sustentar sua filha ilegítima.

O que deveria ser investigado pela comissão de ética seria a eventualidade da empreiteira estar pagando as despesas do Senador, tendo ele dinheiro ou não para tais despesas.

O foco agora, se passou para provar que o Senador Renan tem ou não tem condições financeiras para sustentar a sua aventura extraconjugal. Sustentar como? Vendendo o seu gado. E que gado e que confusão. Nem ele sabe como vendeu este gado, e diz que foi o seu veterinário, que é o secretário de saúde do município onde seu filho é o prefeito, que cuidou deste assunto. Ah bem!

Mirian Leitão escreveu com a picardia que lhe é peculiar sobre o gado do Senador:

“A melhor notícia econômica foi política: o senador Renan Calheiros lançou um novo produto no mercado de carnes. Todo mundo já conhecia o Boi Gordo. Mas das fazendas do senador sai o Boi Obeso: aquele que consegue um super preço no mercado. Mas como o administrador disse que tem menos bois do que o senador garante ter em suas terras, pode ser que seja uma nova espécie de boi voador.
O senador Romeu Tuma que há 21 anos caçava boi no pasto, no Cruzado, agora perdeu o jeito.
Está lá na turma do “vamos arquivar que a carne é fraca.
Um dos líderes da turma é o Cafeteira, aquele que em vez de carne prefere um caranguejo na praia.”

o-gado-do-renan.jpg

Eu pessoalmente penso que a emenda ficou pior do que o soneto. Preocupado como demonstrar que teria condições financeiras, o Renan, conseguiu um monte de papeis forjados ou falsos, com a firme intenção de apenas apresentar um pretexto para que o caso seja arquivado. Agora as desconfianças são duas, uma a do favorecimento da empreiteira e a outra de falsificação de documentos e mentira dentro do congresso.

Em recentes casos de perda de mandato no congresso, o ACM junto com o Roberto Arruda, foram pegos em mentiras e perderam o mandato, o Severino Cavalcante, em um simples caso de mensalinho, perdeu o mandato.

Seguindo as ações do Renan, bastaria o Severino provar que não precisava do dinheirinho do Buani, para ficar tudo resolvido. E não precisava mesmo, mas o Severino era o chefe do baixo clero, e não tinha tanta bala na agulha como o Renan.

O Renan tem a quadrilha, e seus cúmplices. Eu penso que está por aí assim:

“ O Renan foi pego gente e se a gente não livrar a cara dele, estamos todos fritos pois ele pode falar e pegam todo mundo”

Foi mais ou menos isto que o Zé Dirceu disse sobre o Silvinho e o Delúbio. “Se levarem (a depor) estes dois estaremos fritos”

E a coisa está então assim:

(Cúmplice nº1) Romeu Tuma corregedor da casa não encontra nenhuma prova de irregularidades. Ele muda o foco da questão e diz que o Senador não precisava de ajuda da empreiteira para manter seus compromissos financeiros.

(cúmplice nº 2) Vem o Sibá Machado, com a incumbência de valorizar esta tese e concordar com o corregedor, o que faz sem nenhuma demonstração de pejo. Em uma declaração sobre a convocação da principal envolvida e o pivô da crise, ele simplesmente saiu com a pérola: Convocar a Mônica para depor para que? Fazer fofoca? Somente por esta declaração deveria perder o mandato por demonstração de preconceito contra a classe feminina.

(cúmplice nº 3) Depois vem o Epitácio Cafeteira e como relator do conselho de ética, produz um relatório, baseado no fato de que o Renan comprovou que é rico o suficiente para sustentar a sua amante e filha com esta e pronto, está arquivado o caso. E mais, ele diz que não muda o relatório, nem que a vaca tussa. Podem provar o que quiserem, o meu relatório está pronto e vai ser este.

Isto no mínimo é crime de formação de quadrilha.

verificando-a-documentacao.jpg

Agora adiaram o julgamento para que a PF faça a perícia da documentação apresentada. Mas de acordo com a PF, não será uma perícia contável, como averiguação se as empresas que adquiriram o gado do Senador eram legítimas ou não. A perícia, vai apenas verificar se as notas e documentação apresentadas podem ter sido adulteradas.

A gente isto é demais, os blocos de notas podem ter sido feitos sobre encomenda, na gráfica do congresso, que a perícia não vai encontrar nada errado nelas. Basta não ter rasuras e pronto estão legitimadas.

Em nota do Claudio Humberto de hoje, parece que já estão considerando trazer a vizinha da Mônica para depor.

Que bobagem, que a comissão de ética faça uma acareação pública entre a Mônica e o Gontijo, e se ficar aparente, de que o Senador mentiu ferro nele. Fora pilantra.

Se o Gontijo disser de público, durante a acareação, corroborado pelo depoimento da Mônica, que o Senador lhe deu o dinheiro para os pagamentos, aí sim. O Senador deverá provar que teria condições para tal.

Está fora de ordem os acontecimentos relevantes.

E mais, os Senadores da República, não apenas têm que ser honestos como têm que parecer honestos, e a jornalista Adriana Vandoni, em sua reportagem sobre as peripécias do Blairo Maggi, iniciou o seu artigo assim:

A história nos conta que no ano 62 a.C., durante os festejos da “boa deusa”, era realizada uma festa com acesso reservado às mulheres. Durante o evento, Pompéia, a jovem mulher de Júlio César foi pega em uma armadilha. Publius Clodius, um jovem rico e audacioso, encantado pela beleza de Pompéia, se vestiu de mulher e entrou na festa com o propósito de se aproximar dela. Porém, a mãe de Julio Cesar descobriu antes que Pompéia tomasse conhecimento do fato. César divorciou-se de Pompéia, que ficou mal falada por toda Roma.

Chamado a depor César, ao perceber que o povo estava contra ele, surpreendeu a todos ao dizer que não sabia de nada entre os dois. Um dos senadores então perguntou: – “Então porque se divorciou da sua mulher?”; e César respondeu: – “À mulher de César não basta ser, terá que parecer”.

E não é este o presente caso?

A atitude da comissão de ética do Senado e a de seus principais protagonistas (é claro que existem exceções, que não pertencem ao clube mencionado no artigo nem à quadrilha formada para perdoar o Renan), está toda podre.

Está mais parecendo coisa de bordel, e neste caso não é uma comédia, mas uma tragédia, onde a vítima é o Brasil.

Acorda Brasil.

Vamos aproveitar esta deixa onde os pilantras estão com as calças baixas para fazer algo produtivo, como uma demonstração de que não estamos mais agüentando esta situação.

reneu-e-o-minotouro.jpg

Leiam o artigo completo da Adriana:

Por Adriana Vandoni

 

A história nos conta que no ano 62 a.C., durante os festejos da “boa deusa”, era realizada uma festa com acesso reservado às mulheres. Durante o evento, Pompéia, a jovem mulher de Júlio César foi pega em uma armadilha. Publius Clodius, um jovem rico e audacioso, encantado pela beleza de Pompéia, se vestiu de mulher e entrou na festa com o propósito de se aproximar dela. Porém, a mãe de Julio Cesar descobriu antes que Pompéia tomasse conhecimento do fato. César divorciou-se de Pompéia, que ficou mal falada por toda Roma.

Chamado a depor César, ao perceber que o povo estava contra ele, surpreendeu a todos ao dizer que não sabia de nada entre os dois. Um dos senadores então perguntou: – “Então porque se divorciou da sua mulher?”; e César respondeu: – “À mulher de César não basta ser, terá que parecer”.

Dois mil anos depois a frase de César ainda vale para qualquer situação em que esteja implicada retidão de comportamento e decência de atitudes. Daí vem o clichê que pode parecer piegas, mas não é, de que uma atitude pode ser legal, mas é imoral. Não é piegas, principalmente nos dias de hoje em que o Brasil vive um verdadeiro caos moral, afinal, comportar-se de forma ética é seguir além das regras, é seguir princípios e agir dignamente. A transparência cobrada dos agentes públicos está exatamente no que César cobrava de sua mulher: não basta ser, deve parecer. O gestor deve estar acima de qualquer suspeita e para permanecer assim, deveria partir dele a iniciativa de esclarecer atos que possam comprometer sua honra. É, a honra tem valor!, para uns. E para os que a prezam, esse valor é imensurável.

Esta semana o BNDES aprovou um financiamento de R$ 360 milhões para a construção de um parque gerador de energia elétrica, localizado no rio Juruena, entre os municípios de Sapezal e Campos de Júlio, ambos no Estado de Mato Grosso, conforme encontra-se no seu site. As 5 PCHs – Pequenas Centrais Elétricas, que receberão o reforço financeiro do BNDES são: PCH Cidezal – R$ 63 milhões; PCH Parecis – R$ 62 milhões; PCH Rondon – R$ 51 milhões; PCH Sapezal – R$ 64 milhões; PCH Telegráfica – R$ 120 milhões.

As cinco fazem parte do Consórcio Juruena, que foi composto em dezembro de 2002 pela Linear Participações e Incorporações, pela MCA Engenharia e Barragem e pela Maggi Energia S/A. Esta última, notoriamente, de propriedade do governador de Mato Grosso, Blairo Maggi. Segundo consta, o grupo empresarial do governador ainda é partícipe do Consórcio.

As cinco PCHs já possuem, de acordo com o BNDES, “Licença de Instalação. As obras associadas aos programas ambientais relacionados nas licenças contemplam, dentre outros, os programas de monitoramento e controle ambiental, conservação da fauna e flora, preservação do patrimônio arqueológico, comunicação social e gestão ambiental”. Autorizações dadas pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente do estado de MT, do qual um dos empresários interessados é o próprio governador.

Todo o processo pode ser legal, embora sejam conhecidas as dificuldades que outros empresários estão enfrentando para obter essas mesmas licenças ambientais. Os trâmites desse processo que envolve os interesses de Blairo Maggi pode ter corrido normalmente, mas o silêncio como ele tramitou deixará sempre a dúvida de que ocorreu o uso do cargo público em benefício privado.

A questão é que não pode pairar a suspeita de que o empresário Blairo Maggi tomou de assalto o estado de Mato Grosso e o usa para beneficiar seus interesses privados. De que, como governador age seguindo seus interesses empresariais e que como empresário, se vale de ser governador.

Nossa história mostra dezenas, centenas, talvez milhares de casos onde atitudes canalhas foram realizadas por governantes em benefício próprio e em detrimento do povo. Blairo deve, em defesa da sua honra, mostrar que não fez uso pessoal do cargo que hoje ocupa.

Se no Direito cabe à acusação o ônus da prova, na vida pública, pairando suspeitas e desentendidos, recomenda a moral de César que essa imposição se inverta.

17 jun 2007 - Posted by | ABUSOS LEGISLATIVOS, AUTORITARISMO, ÉTICA, POLÍTICA

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