blog do Roberto Leite

Assuntos de interesses multiplos e atuais.

A realidade e o pessimismo.

A realidade e o pessimismo.

Eu já escrevi anteriormente porque o Brasil não vai crescer. Não é uma onda de pessimismo, porque desejar que o circo pegue fogo não beneficia ninguém, e comprometeria o futuro de meus quatro filhos todos menores. Eu desejaria que o Brasil deslanchasse fosse quem fosse que estivesse no poder, fosse de que partido fosse. Eu gostaria que o Brasil tivesse uma taxa de crescimento sustentável de 10% do PIB ao ano mesmo no governo Lula. Principalmente no governo Lula. Mas sou também realista e sei que pelo andar da carruagem o crescimento brasileiro vai continuar no mesmo ritmo dos últimos 10 anos, sem nenhuma esperança de milagres. Apenas um ponto em foco para quem pensa que estou errado, é o problema energético. O Brasil somente tem no momento a energia suficiente para crescer 6% total. Mais do que isto, é apagão. E não tem nada sendo feito para normalizar este problema. A indústria está crescendo bem e o agronegócio também, mas estão encostados nos problemas da infra-estrutura viária, que está tornando impossível o escoamento da produção. Os investimentos federais prometidos estão próximos ao nada, e este crescimento industrial tende a se congelar por causa dos custos elevados para o escoamento da produção.

Não se consegue esconder mais o sol com a peneira, e através dos furos da peneira estão aparecendo as figuras da realidade atual.

O maior mérito do governo Lula, foi não querer mexer no sistema econômico herdado do governo FHC. O sistema de metas, a desvinculação do dólar e o superávit primário, foi o que deu confiança no mercado, e proporcionou a estabilidade financeira que gozamos no momento. O que poderia ser feito e não foi, foi uma reforma tributária real, e um desabono tributário maior da economia brasileira. Se isto fosse realizado estaríamos ainda em melhor situação financeira. Para qualquer país democrata crescer, a carga tributária não deve ultrapassar os 25% do PIB.

Eu li ontem na coluna do Claudio Humberto, que o IBGE, está planejando uma nova maneira de calcular o PIB, considerando as funções não remuneradas com dona de casa como produção e desta forma dar uma bombada artificial no PIB.

DA coluna do CH:

Novo PAC do PIBhttp

O PIB brasileiro vai dar mais um salto metodológico. Agora o IBGE quer quantificar todo o trabalho sem remuneração, e quase sempre sem folga, que a mulher, principalmente, dedica à família, criando filhos e cuidando de parentes idosos. A nova tendência é incluir o valor do trabalho doméstico no cálculo da riqueza do País. Falta dar a essas mulheres a contrapartida da aposentadoria. As chamadas atividades não-remuneradas representam 60% do PIB da Espanha e 44% da França.

Eu preferiria que fosse um crescimento real e não apenas estatístico. Será esta a segunda vez que no governo Lula se muda as regras do jogo para parecer que se está ganhando.

Se realmente quiser valorizar o trabalho não remunerado das mulheres e outras pessoas do lar, poderia se fazer uma estatística paralela, mas conservando-se a estatística tradicional para manter em perspectiva o real crescimento do país.

Tem gente muito preparada, vendo nesta atual apatia do governo Lula, um prelúdio do fim de governo. Os juros vão continuar caindo gradativamente até atingirem um patamar compatível com os países em desenvolvimento, ou os desenvolvidos, as ações do governo continuarão a ser tímidas e inconclusas impróprias para um país com o potencial do Brasil, a Dilma Rousef vai continuar a mandar (governar mesmo) e o Lula vai ser como o fenômeno do Lech Walesa na Polônia,

Leiam sobre o Lech Walesa aqui: http://pt.wikipedia.org/wiki/Lech_Wa%C5%82%C4%99sa

Um retrocesso, e um desapontamento geral, fruto do despreparo, da ignorância e do corporativismo sindical.

O Lech Walesa, ainda levou um premio Nobel da páz coisa que o Lula está muito longe de conseguir.

Leiam um bom artigo do Villas:

Opinião: Um jeito de fim de governo

Villas-Bôas Corrêa, repórter político do JB

A impressão de que o governo da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva custou a começar deu uma cambalhota, virou pelo avesso: hoje e cada vez mais, toma o jeito de que curte a vida e arruma as malas para passar a faixa para o sucessor que aspira eleger.

O governo mira-se no espelho dos inegáveis êxitos emplacados nos quatro anos iniciais e que ainda saboreia, como quem custa a deixar a mesa antes de provar de todas as sobremesas. Estatísticas é o que não faltam para o oba-oba de fim de festa: índices de inflação domada, o risco do país despenca em queda livre, o superávit comercial nas nuvens, a dívida externa é menor do que as reservas e o balanço de pagamentos está no azul.

Mas pisar no freio e parar diante do painel dos sucessos não é atitude adequada para o ambicioso líder sindical que galgou cada degrau da escada e tentou três vezes, para na quarta emplacar a vitória, enfeitada pelo bis.

De lá para cá, a traquitana anda com a morosidade de um jegue das suas memórias do filho da Dona Lindu, nascido em Garanhuns, cidade do sertão pernambucano maltratada pela seca, em 27 de outubro de 1945. E não há uma boa explicação para o seu desligamento diante do modesto, contraditório governo, deformado pela extravagância das improvisações.

Não há como dissimular a evidência de que a rotina administrativa escorregou para as mãos da ministra Dilma Rousseff, chefe da Casa Civil e virtual presidente em exercício, seja nas ausências do recordista de viagens internacionais e domésticas ou mesmo nos dias em que o titular passa em Brasília. Pelo visto, a semana da madraçaria parlamentar de dois a três dias úteis pegou como tiririca.

Agora, exatamente neste momento, a ausência presidencial agrava e prolonga as encrencas em que o governo e o Congresso se enroscam. E as suas viagens pelos quatro cantos do mundo baixaram para o nível da rotina. Rendem poucos e sumários registros na mídia e passam batidas pela desatenção popular.

Mais de uma semana nas asas do exausto Aerolula, para encontros de escassa significação na Inglaterra – que a pífia atuação da indefinida Seleção Brasileira das experiências de Dunga, na inauguração do novo estádio de Wembley, não aliviou as angústias do antigo peladeiro e torcedor fanático – o cancelado encontro em Marrocos, as cerimônias na Índia e os três dias em Berlim para participar de encontro da cúpula do G-8 compõem uma agenda de quem tem pouco o que fazer.

Por cá, as coisas se complicam. A Polícia Federal decidiu ir à luta e impor a sua autonomia com a iniciativa de operações em série para desbaratar as quadrilhas que roubam o dinheiro público na espantosa estimativa oficial de R$ 40 bilhões anuais.

No último bote, a PF caiu em cima da gangue envolvida com a máfia dos caça-níqueis e prendeu 77 integrantes da turma em seis Estados e em Brasília. Claro que Lula não tem que se envolver na atuação da Polícia Federal. Só que desta vez, um dos 50 mandados de busca e apreensão, em São Bernardo do Campo (SP) varejou a casa de Genival Inácio da Silva, o Vavá, irmão do presidente e que fora acusado de fazer lobby, no Palácio do Planalto, para empresas do ABC paulista.

Vavá foi preso. Ainda na capital da Índia, o presidente Lula, falando aos jornalistas, emplacou uma declaração perfeita. Não negou a solidariedade ao irmão, que conhece “há 61 anos” e dúvida que tenha feito “alguma coisa errada”. Renovou rasgados elogios à Polícia Federal e fechou o raciocínio com lógica direta: quem provar a inocência, será solto; quem tiver culpas no cartório, pagará por elas. O que vale para todos, seja ou não parente do presidente da República.

No Congresso experiente em lidar com tais enredos, a poeira assenta nos acertos em surdina. O senador Renan Calheiros conta as horas para a sumária absolvição pelo severo Conselho de Ética do Senado.

No mais, as reformas continuam empacadas. Na forma do louvável costume.

 

07 jun 2007 - Posted by | ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA, ÉTICA

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