blog do Roberto Leite

Assuntos de interesses multiplos e atuais.

Duas condenações à morte!!!

 

Duas condenações à morte? Sem nenhuma apelação?

 

Uma do Bispo Cáppio outra do velho Chico.

Não sei se vocês souberam, mas o servidor onde publico os meus artigos foi invadido e parte de meus artigos se perderam e fiquei fora do ar por algum tempo.

Consegui salvar muita coisa e sobre o famigerado projeto de transposição das águas do São Francisco, vou editar e publicar dois artigos anteriores no assunto.

1. Projeto mirabolante, e

 

2. O Bispo e o Velho Chico.

Este projeto, já nasceu como o tal PAC, natimorto, pois os estudos existentes, por vários órgãos responsáveis mostram a inviabilidade deste projeto monstruoso e idiota que o presidente também monstruoso e idiota vai tentar levar em frente na marra.

Sua ganância é insaciável e estes cinco ou seis bilhões de reais que estão orçados para o projeto falam mais alto em sua ética (?) do que o bom senso e os estudos técnicos de viabilidade sobre o assunto.

Para ele, apedeuta, não importa a morte do Bispo Cáppio que provavelmente ocorrerá, e também a morte lenta do Rio São Francisco que também provavelmente ocorrerá. Para ele apedeuta com sua tradição sindical, o que importa e unicamente o que importa é o imediato resultado das comissões e desvios desta enorme verba para este projeto mirabolante. Pelas tradições brasileiras em projetos desta natureza se foi orçado em seis bilhões, vai terminar em quinze ou vinte bilhões sem resultado prático e seus amigos, sua conta bancaria seu filhinho empresário todos vão se beneficiar destas mortes impunes, e deste enorme orçamento.

O reaparecimento da SUDENE e do DNOS, durante este governo calhorda, foi planejada e desejada para comandar e distribuir esta enorme verba.

Eta Brasil…..!!!!

Recebi um Email de minha irmã Sônia que mora em BH/MG sobre este assunto e vou publicar na íntegra porque está bom e dentro da parte responsável que ainda resta de bom no Brasil.

Não sei se vai dar resultado, mas vamos fazer pressão.

Água mole em pedra dura (cabeça e ética do Lula) tanto dá até que fura.

Vejam agora o Email da Sônia:

Paulo Nogueira Batista – Jornal A Tarde (15/03/2007)

Dom Luiz e o São Francisco

Retomo um tema que sempre me causa certa angústia. Anteontem, o governo publicou no Diário Oficial o edital para o início das obras do projeto de transposição de águas do Rio São Francisco. Estão previstos gastos de R$3,3 bilhões para as obras. O governo estima que a despesa total alcance R$6,6 bilhões, incluindo, além da construção de canais, gastos com projetos executivos, supervisão das obras e aquisição de equipamentos, entre outros. Desde o início da semana, centenas de representantes de movimentos sociais estão acampados em Brasília, reivindicando a retomada do diálogo com o governo, a revitalização do São Francisco e o arquivamento do projeto de transposição.

A minha atenção para o drama do São Francisco e das populações que dele dependem foi despertada pela greve de fome realizada pelo bispo Luiz Flávio Cappio em outubro de 2005, em Cabrobó. A greve foi suspensa por acordo negociado pelo então ministro Jaques Wagner, atual governador da Bahia. O ponto mais importante do acordo foi a promessa do governo de “prolongar o debate” sobre a transposição das águas do São Francisco, “ainda na fase anterior ao início de obras, para o esclarecimento amplo de questões que ainda suscitem dúvidas e divergências”, conforme documento negociado com dom Luiz pelo ministro Wagner e aprovado pelo presidente Lula.

Até onde sei, esse debate apenas começou. O ano de 2006, dominado pelas eleições, não foi propício ao aprofundamento da discussão.

A polêmica é intensa e o projeto vem dividindo o Nordeste. Em artigo publicado há poucos dias pela Agência Carta Maior, Leonardo Boff advertiu que, se o governo levar adiante o projeto sem levar em conta a existência de alternativas que muitos especialistas consideram mais baratas e socialmente mais eficazes, “podemos contar com nova greve de fome do bispo”. E acrescentou: “Entre o povo que não quer a transposição e as pressões de autoridades civis e eclesiásticas, dom Luiz ficará do lado do povo. E irá até o fim. Então, a transposição será aquela da maldição, feita à custa da vida de um bispo santo e evangélico.

Estará o governo disposto a carregar esta pecha pelo futuro afora?”.

Um bispo “santo e evangélico”.

Em minha vida, já conheci homens de grande espírito público (Octávio Gouvêa de Bulhões e meu pai, por exemplo), já conheci figuras heróicas (Dilson Funaro), mas devo dizer que nunca havia conhecido um santo, o que não é de espantar, dada a extraordinária raridade do fenômeno. No ano passado, contudo, tive a honra de me encontrar diversas vezes com dom Luiz. Quem sou eu para dizer quem é ou não é santo? Mas Leonardo Boff tem autoridade e conhecimento para tal. Conhece dom Luiz há muito tempo, foi seu professor no seminário de teologia em Petrópolis, no início dos anos 70, e tornou-se seu amigo e admirador. Desde aquela época, relembrou Boff em artigo escrito na época da greve de fome, dom Luiz se destacava por “uma aura de simplicidade e santidade”.

No final de fevereiro, dom Luiz esteve em Brasília para protocolar carta ao presidente da República. A sua disposição é retomar o debate sobre o São Francisco e as soluções para o Semi-árido.

Nessa carta, o bispo observa, por exemplo, que a Agência Nacional de Águas propõe 530 obras para solucionar os problemas de abastecimento hídrico até 2015 em todos os núcleos urbanos com mais de cinco mil habitantes do Semi-árido. “Essas obras beneficiariam as populações mais necessitadas e custariam R$ 3,6 bilhões, sendo portanto mais baratas, mais abrangentes, mais eficientes do que qualquer obra de transposição hídrica”, argumenta.

Dom Luiz não faz ameaças. Pede apenas “que se retome o diálogo e que se garanta que seja amplo, transparente, verdadeiro e participativo, incluindo toda a sociedade do São Francisco e do Semi-árido, conforme foi pactuado em Cabrobó em outubro de 2005”.

Se as dúvidas são tantas, se há tanta incerteza sobre os méritos do projeto de transposição, esse apelo precisa ser atendido. Trata-se de cumprir o que foi acordado pelo governo, em negociação difícil e até dramática, graças à qual se preservou a vida de dom Luiz e se abriu a perspectiva, ainda não concretizada, de uma discussão profunda sobre a transposição e as alternativas.

“A minha atenção para o drama do São Francisco e das populações que dele dependem foi despertada pela greve de fome realizada pelo bispo Luiz Flávio Cappio”

Transposição das águas do Rio São Francisco: Um novo desfile e a mesma fantasia, por Washington Novaes

5/03/2007

[O Estado de S. Paulo] Haja fôlego, paciência, persistência. Há uns 15 anos vem o autor destas linhas transcrevendo periodicamente graves questões levantadas por cientistas, administradores públicos, Tribunais de Contas, a respeito do famigerado projeto de transposição das águas do Rio São Francisco. A todas responde a administração federal – quando responde – com argumentos do tipo “não se pode negar uma caneca de água a 12 milhões de vítimas da seca”. E vai em frente, até que surja uma nova barreira – como foi a greve de fome do bispo dom Luiz Flávio Cappio.

Agora, esquecido o bispo e derrubadas na Justiça medidas liminares, anuncia o ministério da Integração Nacional que fará imediatamente licitações (no valor aproximado de R$ 100 milhões) para contratar empresas que façam os projetos executivos da obra, orçada em R$ 6,6 bilhões nesta etapa. E o bispo manda nova carta ao presidente, lembrando que o Tribunal de Contas da União diz que o projeto não beneficiará o número de pessoas que se alardeia, que a Agência Nacional de Águas propõe obras em 530 municípios para solucionar os mesmos problemas com metade dos recursos previstos para a transposição e que populações a 500 metros do rio continuarão, apesar da transposição, a sofrer com a falta de água. Já o Comitê de Gestão da bacia (que por 44 votos a 2 foi contra a transposição) diz que esta atende a menos de 20% do semi-árido, que 44% da população do meio rural continuará sem acesso a água – “exatamente os que mais precisam” – e que a revitalização do rio prometida pelo ministério da Integração Nacional precisa “sair do campo da retórica”. E o ministério Público volta a recorrer à Justiça, lembrando que nos termos da Constituição, por atingir terras indígenas, a obra precisa de autorização do Congresso Nacional, o que ainda não aconteceu.

Como já foi dito aqui, parece uma assombração que some e reaparece de tempos em tempos. Sem falar no governo imperial, foi no começo da década de 1980, ainda nos tempos do “Brasil Grande” da ditadura militar, que o projeto ressuscitou, para uma vida muito breve. Pouco mais de uma década depois, embora o então ministro do Meio Ambiente Rubens Ricupero dissesse que o São Francisco já era “um rio ameaçado de extinção”, por causa do desmatamento nas regiões onde nascem e por onde passam seus formadores, o ministério do Interior voltou à carga, com um projeto de transpor 150 metros cúbicos por segundo, a um custo de US$ 1,5 bilhão. Mas ele foi fulminado por um parecer do Tribunal de Contas da União, que mostrava ser um fantasma esdrúxulo, pois o ministério do planejamento dele não sabia, assim como os ministérios da Agricultura (que cuida de irrigação), da Reforma Agrária e da Fazenda (que libera recursos). Além disso, o projeto implicava prejuízos de US$ 1 bilhão anuais na geração de energia, inviabilizava mais áreas para irrigação a montante do que beneficiava a jusante e concentrava os benefícios num pequeno número de grandes produtores rurais.

Foi para o limbo até 1998, quando ressurgiu em nova versão de túneis que levariam água para o abastecimento de cidades, ao custo de US$ 700 milhões. Durou pouco a reaparição. Mas já estava de volta no final de 2000, numa versão em que 127 metros por segundo transpostos beneficiariam 8 milhões de pessoas e o abastecimento de água de 268 cidades, além de irrigar 260 mil hectares. O professor Aziz Ab’Saber, da USP, lembrou na época que os beneficiados seriam menos de um terço das vítimas da seca (27 milhões). A Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) observou que pelo menos 30% da água se perderia por evaporação. E a Cáritas mostrou que a solução para comunidades isoladas está na implantação de cisternas de placa (das quais já há 160 mil), não na transposição, que não chegaria a esses lugares.

Levou algum tempo para recuperar-se o combalido. Mas retornou em 2003. Dessa vez, teve a oposição do Comitê de Gestão da bacia, da CNBB, da OAB, das arquidioceses à beira-rio. Custaria R$ 4,2 bilhões para uma transposição de 53 metros cúbicos por segundo. Vários especialistas (professor Aldo Rebouças, da USP, professor Abner Curado, da UFRN, professor João Suassuna, da Fundação Joaquim Nabuco, entre muitos) mostraram a desnecessidade: o problema no semi-árido é de gestão, não de escassez.

Mesmo levantando mais de 40 questões, o Ibama concedeu em 2005 licença prévia. Sabendo que 70% da água seria para irrigação e 26% para o abastecimento de cidades, e não para proporcionar “uma caneca de água para as vítimas da seca”. Que não estava equacionada a questão dos subsídios necessários para uma água que poderia custar até cinco vezes mais que a então disponível. Que a maior parte da água transposta iria para açudes onde se perde até 75% por evaporação. Que havia enormes discrepâncias a cada citação do número de beneficiados (12 milhões? 7,24 milhões? 9,02 milhões? 7,21 milhões?) e dos hectares irrigados (161 mil? 186 mil?). Mais grave que tudo: o próprio estudo de impacto ambiental dizia que 20% dos solos que se pretendia irrigar “têm limitações para uso agrícola”; e “somados aos solos líticos, notadamente impróprios, respondem por mais de 50% do total” das terras que seriam irrigadas. Não bastasse, “62% dos solos precisam de controle, por causa da forte tendência à erosão”. Ainda assim, concedeu licença prévia ao projeto, pois as objeções do Comitê de Gestão haviam sido ignoradas pelo Conselho Nacional de Recursos Hídricos, onde o governo federal, sozinho, tem a maioria dos votos.

Agora, o velho abantesma retorna à avenida, sem responder a nenhuma das muitas questões levantadas principalmente por cientistas.

E retorna com a mesma fantasia.

Washington Novaes é jornalista. E-mail: wlrnovaes@uol.com.br

( www.ecodebate.com.br ) artigo originalmente publicado no O Estado de S.Paulo – 02/03/2007

Se você é contra a Transposição do Rio São Francisco escreva para os deputados no site:

www2.camara.gov.br/internet/popular/falecomdeputado.html/

Ou mande diretamente para o presidente mostrando a sua posição:

https://sistema.planalto.gov.br/falepr/exec/index.cfm?acao=email.formulario&CFID=1006323&CFTOKEN=88203168

 


20 mar 2007 - Posted by | ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA, ARTIGOS, AUTORITARISMO, ÉTICA, PAC, POLÍTICA

1 Comentário »

  1. Sou cidadã,brasileira, me sinto totalmente no direito de dar e expor minha opnião, a transposição do rio são francisco não so afetará a nossa natureza,mas abalará a vida de novas geraçães que viram e muitas dessas gerações não teram a oportunidade de fazer diferença, ja que o mau ja estará feito,não podemos deixar que uma unica pessoa tenha uma hipotese de que dará certo, as incertezas não ajudam, temos que fazer nossa parte da maneira mais correta, atravez da votação que é um meio de cada um fazer sua parte, ja que seremos nós os principais prejudicados e assim ternos um resultado justo, ja que temos instruções suficientes para elegermos um presidente mesmo não tendo a convição que é o melhor, podemos votar comtra a transposição e dizer NÃO!!! A TRANSPOSIÇÃO DO RIO SÃO FRANSCISCO E O NOSSO PRESIDENTE QUE ARRUME OUTRA SOLUÇÃO JA QUE ELE RECEBE E MUITO BEM PRA ISSO.

    Comentário por Jáfia Gomes Almeida - estudante de Eng.de Produção | 31 mar 2007 | Responder


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