O Brasil e a saúva II.

Este post foi escrito e publicado em junho de 2007, e continua muito atual. As coisas e os fatos sim mudaram, mas para pior. Os personagens ficaram desde então mais ousados, o cinismo aumentou, e as maracutaias estão a céu aberto. Os políticos estão tratando povo como idiotas, o povo está tratando os políticos como se fossem de outro país.
As notícias, as entrevistas, são reais e estão acontecendo no Brasil.
Não é possível que os cidadãos que estão pagando por tudo isto estejam observando tudo como se estivesse acontecendo na China, no Iraque ou mesmo em Israel.
Quando um político diz em alto e bom tom que está se lixando para a opinião pública e sai rindo, é um sinal de que algo está muito errado.
Este tal de Paulo Duque, de 81 anos de idade, com cara de mascate, é o suplente do suplente, não recebeu nem um simples voto, e já anuncia antes de conhecer todos os fatos que irá arquivar todas as denúncias contra seu patrão o Zé Sir Ney.
Bem leiam o artigo abaixo com mais de dois anos de publicação, assim como os artigos no conteúdo que são de outros autores e julguem vocês mesmos se algo está diferente ou pior
O Brasil e a saúva.
Ou o Brasil acaba com a Saúva ou a Saúva acaba com o Brasil.
Esta frase, de autor desconhecido, era propagada com afinco nos anos 60, e hoje está comprovado que era um equívoco total por parte dos pesquisadores.
Leiam sobre a saúva aqui:
http://fgaia.org.br/texts/brasil.html
Atualmente, existe uma linha de pensamento que até explora a possibilidade de que a frase seja de autoria de uma campanha dos produtores de agrotóxicos para justificar a venda dos seus produtos.
Agora, eu vou aproveitar esta frase equivocada para construir outra parecida, mas que não vai estar nunca equivocada, e vai permanecer atual para sempre.
Retirando-se a presunção aqui vai:
“Ou o Brasil acaba com a corrupção endêmica ou a corrupção acaba com o Brasil.”
O Lula em vez de mandar investigar a fundo o mensalão, abraçou o Roberto Jefferson e disse que confiaria sua vida à ele.
Disse algo parecido com ocaso do Palocci.
Agora vem falando o mesmo do seu irmão Vavá pela segunda vez, pois este já foi investigado por tráfico de influência e a investigação foi “influenciada” pelo ex-ministro da justiça.
Agora vem o caso do Renan Calheiros, que em uma averiguação fajuta pelo congresso, apresentou provas de que financeiramente poderia estar bancando a sua ex-amante e sua filha com esta. Este não é o caso, poderia é claro que poderia, pois ganha suficiente para isto. Mas se faria é outra coisa, pois a ganância não tem limites e como a revista veja publicou, o congresso tem é que vasculhar os extratos bancários dos dois para ver se saiu de um para ir para no outro. Existem inúmeras maneiras de se fazer isto, e uma delas é pelos pagamentos do CPMF. Pelo menos este imposto indecente deveria servir para algo decente.
Acorda Brasil, isto tem que acabar senão estamos perdidos.
Onde tem fumaça, certamente tem fogo.
Uma coisa o Brasil tem de sobra, são bons escritores e jornalistas falando sobre este assunto.
Liam o artigo do Jarbas logo abaixo:
Opinião: Endemia da ladroagem
Jarbas passarinho escreve:
Ao pregar diante de Dom João IV e sua corte, na Igreja da Misericórdia, o padre Vieira iniciou audaciosamente o sermão dizendo ser a Capela Real, e não aquela a que assomara, porque falaria de coisas atinentes à Sua Majestade Real e não de piedade, pois nem os reis podem ir ao paraíso sem levar consigo os ladrões, nem os ladrões podem ir ao inferno sem levar, com eles, os reis.
Louvado em São Tomás de Aquino e Santo Agostinho, vergastou os grandes que sabia ladrões, parte deles na Corte Real. Sem nomear quem quer que fosse, muitos que o ouviam sabiam ser seus alvos. Como vários santos trataram de ladrões protegidos pelos reis, advertiu: “O que vemos praticar em todos os reinos do mundo é, em vez de os reis levarem consigo os ladrões ao paraíso, os ladrões são os que levam consigo os reis ao inferno”.
Concluídas as invectivas, disse estar respondendo a Sua Majestade, que lhe perguntava se havia ou não conveniência de unirem-se as duas capitanias, do Maranhão e do Pará, em um só governo ou em dois. Menos mal – disse ele – será melhor um ladrão que dois, já que é mais difícil achar dois homens de bem.
Temos, hoje, 27 governadores e 38 ministros de Estado. Padre Vieira teria de mudar seus exemplos, pensando quão difícil é indicar não dois, mas muitos homens de bem para assessorarem Suas Excelências, sem o receio de desagradáveis procedimentos que os levem, junto com os protegidos, ao inferno. Há que fugirem de tal futuro os três poderes da República, bem assim as organizações sindicais patronais, até de terceiro grau, a representar milhares de empresários.
O quadro atual da desalentadora corrupção, que parece endêmica, bem mereceria uma defesa de tese de doutorado, receita para prevenir, evitar e impedir que o inferno do padre Vieira venha a ter dificuldade de alojá-los, tantos são. A triste realidade brasileira pode ser objeto não das increpações substantivas do padre Vieira, mas as adjetivas de seu contemporâneo Souza Macedo, o verdadeiro autor de A arte de furtar.
Não temos reis para ouvir, ao lado de seus ladrões, fingindo não saber nada, mas render-se aos indícios escandalosos de desonra, de pérfido exemplo, sobretudo para os jovens. São tantos, de pertinente autoridade não honrada, que, parodiando Norberto Bobbio, já não despertam a “santa indignação” que os provocava o furto do dinheiro público.
Repetir-se-ia, séculos depois, a engenhosa imaginação de Machado ao comparar as diversas fraudes com a conjugação dos tempos e modos do verbo rápio, de que derivam nosso rapinar e o substantivo rapina. Furtam pelo modo indicativo presente, quando, noviços, louvam os veteranos nas lições de como furtar nas licitações; pelo modo imperativo, mandando terceiros receber a propina depositada nos bancos ou no cofre das secretárias dos grandes empresários, e especialmente o imperativo negativo, ao bradarem, ofendidos, nunca terem recebido propina nem conhecerem sequer o propinador; pelo conjuntivo, lobistas experientes, que conjuntam a sua argúcia ao cabedal de magistrados, negociando suas sentenças, ou ao parlamentar zeloso e habilidoso a aprovar emendas para obras em que tem generosa participação e, descarado, ainda tenta chantagear o governo a cuja bancada pertence; pelo modo permissivo porque permitem que se furte, desde que se reparta o furto; pelo modo infinitivo, quando acha pouco e pede mais; e finalmente furtam pelo modo mais-que-perfeito, construindo pontes que ligam o nada ao nada coniventes com governador.
Mas o que essa novela Gautama mais estranha são os substantivos cuja significação varia com a mudança do gênero, em que Zuleide muda em Zuleido, original na troca e nada original na arte de furtar. Tantos se anteciparam, a ele, como os graúdos petistas, por exemplo, que surrupiaram, através de um intermediário experimentado na profissão de fraudador, muitos milhões de reais e quase mais ninguém se lembra disso. Talvez porque foram modestos e não furtaram o bilhão e meio de reais que o masculino de Zuleide amealhou em inocentes relações com seis ministérios e dezenas de honestos representantes de nosso povo.
Jarbas Passarinho foi ministro, senador, governador e é escritor
Agora, temos um excelente artigo do Laurence:
Por Laurence Bittencourt Leite, jornalista
A política brasileira caberia num romance de Dostoievski, mas não certamente em “Crime e Castigo”. Aqui só há o crime. Lembrei-me dessa frase lendo a primorosa crônica do jornalista Woden Madruga do último sábado sobre a “mentira” no nosso mundo (ou seria submundo?) político. Lembrei-me também que no Brasil nunca (já imagino os defensores!) ganhamos um prêmio Nobel. Vale acrescentar: em nada. Nadica de nada. Talvez muitos quisessem acabar até mesmo com a Física e a Química porque seus cientistas criaram a energia a vapor que criou a revolução industrial. Quanta, quanta picaretagem. Mas haveria um Nobel que se fosse instituído nós seriamos imbatíveis: Nobel de corrupção. Nesse nós somos Phd, com todos os “méritos”. Nesse nós exportamos “tecnologia”. O crime da corrupção, esse, esse é o nosso grande “patrimônio cultural”, acrescido do dificílimo mérito de não haver o castigo.
Lembro agora que na década de 80, Henry Kissinger, em entrevista a jornalistas brasileiros, disse que o Brasil era o maior potencial econômico do mundo. Sequer falava-se em China ou Índia. Percebam. No entanto, outra figura notável, essa do mundo das letras, Stefan Zweig escreveu um livro chamado “Brasil, o país do futuro”. O primeiro, Kissinger, hoje, ninguém mais fala. E Zweig suicidou-se. Como acréscimo aconselho a leitura do livro biográfico do jornalista Alberto Dines sobre Zweig chamado “Morte no paraíso”. O paraíso, claro, é o Brasil. O paraíso fiscal, o paraíso das incoerências, da corrupção.
Mas numa coisa eu posso concordar tanto com Kissinger quanto com Zweig. Nossas riquezas são imensas, inúmeras. Mas estão enterradas. De que valem? A questão é que para desenterrá-las nos falta cabeça. Falta “cérebro” para explorá-las. Não conheço nenhuma árvore, que sozinha produza papel, é preciso a parte do homem, para explorar a árvore, que se faz o papel que se faz o jornal, por exemplo. Mas nosso cérebro só funciona quando é para a exploração política. Exploração, mentira e corrupção. Ai, ele é imbatível. Eis a nossa civilização. Uma civilização sem culpa.
E qual a raiz a sociológica ou psicológica para não mentir? Sem dúvida, o medo da punição. Esse é outro nosso grande mérito: nós abolimos a punição. Somos um país livre. É outro nosso paradoxo. Aqui se muda de ideologia como se muda de roupa. Aqui se muda de partido sem nenhum constrangimento. E nesse momento, eu fico me perguntando para aqueles que defendem a sociedade: onde está a força da nossa sociedade para punir a mentira, o excesso? Essa sociedade é uma miragem? Ou justamente pelo (excesso) de miséria se torna manipulável? Algo natural ou premeditado?
Aqui o que temos é o Estado gastador, assistencialista e provedor. Que vai entregar casa, comida e roupa lavada. Mas sem acabar com a miséria. Percebem a contradição? É a saída marota? Os pobres se avolumam com seus pedidos porque a idéia não é acabar com a miséria e sim “explorar” a miséria. A nossa política se faz com o assistencialismo que nunca termina com a miséria. É o Estado gerador da dependência.
O incrível é que passamos mais de vinte anos de ditadura militar combatendo e criticando a dependência educacional, a dependência financeira, a dependência econômica da miséria, dos pobres ingnorantes e miseráveis. O combate, Jesus, hoje sabemos, era apenas para mudar de “dono” do Estado, ou de “dono” do poder. Resolver e acabar com a miséria pela geração de emprego e trabalho eles não querem nunca. Eles vivem de “dar” as coisas, mas esse “dar” é com o dinheiro dos outros, e pressupõe a continuação, a perpetuação da miséria. Pobre dependência.
Quem foi mesmo que disse que o homem se tornava homem quando recebia seu primeiro salário? Ah sim, foi Sartre. Ok. Mas repito: o nosso Nobel disparado seria o da corrupção. Esse é nosso eternamente.
Se não houver uma reforma política profunda, feita e comandada
pelos eleitores, a tendência é de um quadro pior no futuro
próximo, e de uma revolução violenta e sangrenta para tirar do
poder estes verdadeiros sanguesugas e carrapatos que não
querem largar o conforto de sugar o sangue dos brasileiros sem
serem importunados

Flores para los muertos.
Foi este artigo, que me mandaram por Email que chamou a minha atenção para o deputado Fernando Gabeira. Antes de ler este artigo do deputado, eu apenas sabia dele que ele havia participado do sequestro do embaixador americano, e que era como eu de Juiz de Fora. Depois de ler estre artigo acompanhei a atuação dele dentro do plenário peitando o presidente da câmara e outros parlamentares, como muita propriedade. Continuei a pesquisar sua atuação e deparei com um homem integro e coerente, que espero leve esta eleição do Rio de Janeiro, pois o Rio precisa dele.
Roberto Leite
Flores para los muertos.
Fernando Gabeira
Sempre que os fatos ganham velocidade, costumo comprar um bloco de notas. Anoto frases, idéias, intuições e deixo que se decantem com o tempo. Volto a elas, depois, para rejeitá-las ou desenvolvê-las. A primeira frase que me veio à cabeça foi a da vendedora de flores que encerra um filme.
O pequeno bloco também tem idéias. Por exemplo: comparar a ditadura com o governo Lula. Uma neutralizou o Congresso pelo medo; o outro, pelo pagamento de mesada. Ditadura e governo Lula compartilham o mesmo desprezo pela democracia, ambos violentaram a democracia reduzindo o Parlamento a uma ruína moral.
Os militares prepararam sua saída de forma organizada. Nem muito devagar para não parecer provocação nem muito rápido para não parecer que estavam com medo. Já o núcleo duro do governo Lula parece perdido, batendo cabeça, ou melhor, enfiando-a na areia, sem perceber que a polícia está chegando e, daqui a pouco, alguém vai gritar na porta do Planalto: “Se entrega, Corisco”.
Quando era menino e vivia em Juiz de Fora, fazíamos rodas de capoeira, bastante rudimentares, confesso. Mas cantávamos: “A polícia vem, que vem brava/quem não tem canoa, cai n’água”.
Tudo isso jorra aos borbotões na minha caderneta. Anotei: chamar alguém do “Guinness”, o livro dos recordes, para saber se algum tesoureiro de qualquer partido do mundo se desloca com batedores de motocicleta e carros clones para iludir perseguidores; se algum tesoureiro partidário se desloca com jatos particulares, semanalmente; se introduz no palácio associação de empreiteiros que receberam R$ 1,1 bilhão de dívidas.
Os militares batiam, davam choques e insultavam na sessão de tortura, mas vi muitos dizendo que me respeitavam porque deixei um bom emprego para combatê-los com risco de vida. Eles viam ideais no meu corpo arrasado pelo tiro e pela cadeia.
O PT queria que eu abrisse mão exatamente da minha alma, e me tornasse um deputado obediente, votando tudo o que o Professor Luizinho nos mandava votar. Os militares jamais pediriam isso. Desde o princípio, disseram que eu era irrecuperável e limitaram-se à tortura de rotina.
Jamais imaginei que seria grato aos torturadores por não me pedirem a alma. Não sabia que dias tão cinzentos ainda viriam pela frente. Que seria liderado por um homem que achava que Maurício de Nassau era um deputado de Pernambuco. Logo eu, que sou admirador de um deputado pernambucano chamado Joaquim Nabuco.
Foram os anos mais duros de minha vida. No meu caderno anoto frases e indicações das semelhanças da luta contra a ditadura e da luta contra este governo, desde que comecei a criticá-lo, com a importação de pneus usados. As pessoas têm suas carreiras, seus empregos, suas racionalizações. É preciso respeitá-las, atravessar o deserto sem ressentimentos.
Agora, sobretudo, é preciso respeitar o sofrimento dos vencidos. Outro dia, quando me referi a um núcleo na Casa Civil como um bando de ladrões que atentava contra a democracia, uma jovem deputada do PT estremeceu. Senti que não estava ainda preparada para essas palavras cruas. E fui percebendo pelas anotações que talvez esteja aí, para o escritor, o mais rico manancial de toda essa crise. Como estão as pessoas do PT? Como se ajustam a essa nova realidade, que destino tomaram na vida?
Procuro não confundir, entre os que ainda defendem o governo, aqueles que são cínicos cúmplices e os outros que apenas obedeceram a ordens sob a forma da aplicação do centralismo democrático. Alguns defendem porque ainda não conseguiram negociar com sua própria dor. Não podem suportá-la de frente. Mas terão de fazer algum dia, porque, por mais ingênuos que sejam, já perceberam que a mãe está no telhado.
Vamos ter de encarar juntos essa realidade. A grande experiência eleitoral da esquerda latino-americana, admirada por uma Europa desiludida com Cuba e Nicarágua, a grande novidade que verteu tintas, atraiu sábios, produziu livros e seminários, vai acabar na delegacia como um triste fato policial de roubo do dinheiro público e suborno de parlamentares.
Só os que se arriscarem a ir até o fundo dessa abjeção, compreendê-la em todos os seus detalhes mórbidos, têm chances de submergir para continuar o processo histórico. Por incrível que pareça, o Brasil continua, e a vontade de mudar é mais urgente do que em 2002. Por isso proponho agora um curto e eficaz trabalho de luto.
Anotação final: começa o espetáculo da CPI, secretárias e suas agendas, ex-mulheres e suas mágoas, arapongas, tesoureiros e seus charutos, vossa excelência para cá, vossa excelência para lá, sigilos bancários, telefônicos, emocionais. Viu, Duda, que cenas finais melancólicas quando um mercador tenta aplicar à complexidade da política a singeleza do vendedor de sabonetes?
Leia Também:
parte integrante do site
http://www.gabeira.com.br/fernandogabeira/
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O poder fazer…
Este post, está em meu outro blog, e foi ao ar em 1º de janeiro de 2007.
Como este novo blog que contém quase todos os posts do outro, somente começou em março de 2007, alguns posts do outro endereço não se encontram neste endereço. Esta semana estava editando alguns posts e encontrei este.
Li e decidi publicar, aproveitando a oportunidade para publicar também algumas charges atualizadas do Roque Sponholz.
Então aqui estamos:
Eu nasci no ultimo ano da segunda guerra mundial, e lá pelos anos 50, em plena guerra da Coréia, eu já entendia um pouco das notícias do Repórter Esso.
O meu pai, que sempre foi professor universitário, (UFMG) na época ouvia todas as noites o Repórter Esso e fazia alguns comentários sobre a guerra da Coréia.
Um dos comentários que eu ouvi e que não entendi, ou entendi errado foi:
“Se esta guerra demorar muito, o Mac Arthur acaba jogando uma bomba atômica lá e aí sim acaba rápido. 
Eu entendi assim:
“Se esta guerra não acabar rápido o macaco joga uma bomba lá… ETC.?
Eu perguntei para a minha mãe no dia seguinte:
“Mãe, quem é o macaco que joga bomba?
“Não sei meu filho, onde você ouviu isto?
“O papai disse isto ontem à noite depois do Repórter Esso.
“Então pergunte para ele na hora do almoço?
Esperei ansiosamente a hora do almoço, e assim que o meu pai chegou perguntei para ele:
“Pai quem é esse macaco que joga bomba?
“Que macaco filho?
“Este que você falou ontem depois do Repórter Esso?
“Eu não me lembro de ter falado nada de macaco?
“Falou sim, e disse que ele joga a bomba atômica para acabar com a guerra?
“Joga bomba atômica? – Ah sim, mas não é macaco, é o general americano Mac Arthur que comanda esta guerra, e se a guerra não acabar logo ele pode jogar uma bomba atômica como fez no Japão e a guerra acabou logo?
“E isto é bom?
“Não sei, respondeu meu pai e continuou” Se ele fizer isto, vai matar de uma morte horrível muita gente inocente, mas provavelmente vai acabar com a guerra.
“Porque ele quer matar tanta gente inocente?
“Ele não quer matar, mas quando existe uma guerra, muita gente morre mesmo os que não estão fazendo nada de mal.
“Ele pode matar gente como eu, o senhor, a mamãe que não estamos fazendo nada?
“Se existir uma guerra isto poderia acontecer”.
“Então eu não gosto dele”.
“Dele quem?
“Do general macaco americano.
“Meu filho, o nome do general é Mac Arthur e não macaco.
Aí terminou o nosso diálogo, e eu saí dali não entendendo como pede haver pessoas que matam em nome da guerra outras pessoas que não fizeram nada. Eu não sabia ainda o que seria uma bomba atômica, mas sentia que era uma coisa muito ruim para as pessoas.
E eu não gostava dos generais macacos americanos.
Depois disto, em pouco tempo faleceu o meu avô paterno, figura que eu tinha como homem sério que ele era e apesar de severo muito bom comigo e que senti muita falta nos anos que se seguiram. Esta foi minha primeira experiência em perder uma pessoa querida.
Depois disto os fatos que me marcaram foram a morte do Getúlio Vargas, a Martha Rocha, ganhando o concurso de Miss Brasil e São Paulo fazendo 400 anos de vida.
A eleição do Juscelino Kubitschek foi a primeira fase política da minha vida, principalmente porque o Juscelino era conhecido da família.
Ele tomou posse em 31 de janeiro de 1956
Em outubro de 1956 Aí houve a invasão da Hungria pela Rússia, e houve protestos nas ruas de Belo Horizonte, comandados pela Embaixada Americana.
Neste momento, veio na memória os fatos sobre o General macaco americano. Que matava os inocentes.
A revolução cubana e a vitória de Fidel Castro em 1959 foram divisórias quando os meus amigos e companheiros começaram a se definir entre direita e esquerda, na escola, clubes etc.
Em 1961, A União Soviética coloca Yuri Gagarin em órbita, na frente dos americanos e então, ponto para a esquerda que com isto tenta provar a superioridade do regime estatal russo.
Eu neste ponto estava muito indeciso sobre o assunto político internacional. De um lado, vários amigos, portando teorias de Carl Max e Engels como a esperança da raça humana. De outro lado, a sociedade americana, que representava o oposto do regime comunista e de onde eu conhecia através da revista Mecânica Popular em espanhol que o meu pai assinava. Eu gostava da idéia de fazer as coisas como havia aprendido com meu avô e meu pai, de não ter que depender de ninguém para desenvolver minhas idéias. Eu gostava dos projetos da revista e quando às vezes dependia de suprimentos encontrados apenas nos Estados Unidos, sentia vontade de ir para lá para poder concluir estes projetos. Aí eu me recordava da minha conversa com o meu pai sobre o General macaco e mudava de opinião.
Meus amigos, definidos como de esquerda, me estimulavam a ler Max e Engels, mas eu apesar de tentar, não consegui ver na teoria deles muita esperança para a humanidade.
Eu sabia então como sempre soube e até hoje de que os homens eram e são diferentes, e com diferentes capacidades de pensar e de se desenvolver e que a tão falada injustiça social popular, não poderia se somente culpa dos patrões mesquinhos, mas era a diferença entre os próprios homens que criava as escalas sociais. A mudança de escala e condições sociais ficava mais difícil uma vez estabelecida a condição de inferioridade, mas se houvesse uma pessoa com uma capacidade muito melhor do que a sua classe social, este indivíduo tinha chance de se sobressair e mudar de classe. Então os seus descendentes poderiam ser parte de outra classe melhor.
Eu sempre pensei que os valores individuais e que deveriam reger a divisão das classes sociais.
Com este pensamento, as teorias onde o estado controlaria tudo e onde não poderia haver diferença de classes sociais, pareciam no mínimo utópicas demais e que não teriam possibilidade de acontecer. Primeiro é que os indivíduos de melhor desempenho teriam que ou trabalhar por outros ou se igualarem aos outros para se comportarem dentro de uma classe única. Seria fazer a média por baixo e desta forma negar a possibilidade de progresso.
Nesta época, eu tinha lido praticamente todos os livros clássicos brasileiros como Monteiro Lobato, Machado de Assis, José de Alencar, Érico Veríssimo, e os contemporâneos como Rachel de Queirós, Graciliano Ramos, Estanislau Ponte Preta, Fernando Sabino, e os estrangeiros como Eça de Queirós, Tolstoi, Esteinbeck, Dumas, Twain, Exuperry, e havia olhado de forma breve, sem me aprofundar muito, os trabalhos dos filósofos gregos e alemães como Sócrates, Aristóteles, Kant, Nietzsche e outros. Eu lia e leio o tempo todo. Eu encontrava alegria em todos os livros, mas os meus amigos que pregavam as doutrinas de Max, não conheciam quase nada dos outros autores, e quando eu perguntava por que não liam outras coisas, eles vinham com as desculpas de que não eram relevantes.
Isto para mim estava ficando com cara de fanatismo ideológico e eu me afastei destas idéias políticas de esquerda. Mais tarde, fui morar nos Estados Unidos,e me encontrei com os sindicatos americanos, com suas idéias sociais muito parecidas com as dos meus amigos da juventude de esquerda, onde um comando único poderia fazer muito mais por mim . A força da massa, etc. E que deveria participar do sindicato pára poder sobreviver, ETC. Eu então comecei a ver que os sindicalizados trabalhavam menos sim, mas não melhoravam muito e que os líderes não trabalhavam , mas melhoravam muito e comecei a ver tudo diferente.
Eu pensava: “Se eu que estou aqui para trabalhar de qualquer forma, provar ao meu patrão que eu posso fazer o trabalho de quatro sindicalizados, e pedir para ganhar o dobro do que ganho, vou conseguir? e dito e feito, em menos de um mês estava ganhando muito mais sem a ajuda do sindicato. Sofri com isto, fui perseguido, mas os valores individuais sempre foram a minha idéia de vencer e melhorar na vida.
Este é o resumo de como me orientei entre esquerda e direita, dando mais peso aos valores individuais do que os valores políticos sociais. Eu não gosto muito do estado. De nenhum estado. Mas por mais que busque ver um meio da sociedade viver sem o estado, não consigo enxergar. Então eu penso: “Se a sociedade necessita de um estado para sobreviver, que este seja o menor possível?
E eu comungo nos ideais do pensamento anarquista:
“O estado é o maior opressor do homem.
Roberto Leite de Assis Fonseca
Brasília dia 1º de janeiro de 2007.
Depois de escrever este resumo, encontrei este bom artigo de outro autor com um tema parecido:
CONFISSÕES DE UM EX-COMUNISTA.
Por Adauto Medeiros, engenheiro civil e empresário
Eu era um jovem sonhador quando li o livro “O que você sabe sobre o petróleo, de Gondin da Fonseca. Nele as multinacionais do petróleo eram a causadora de todos os males do mundo. Nesta época o Brasil estava começando a fomentar e criar sua grande riqueza que era o petróleo com a criação de uma estatal chamada Petrobrás. Na época não havia capitais nem financeiros nem humanos nacionais para bancar a exploração do ouro negro, como se dizia naqueles dias.
Trouxeram então um diretor da Standar Oil chamado Walter Link, que presidiu a Petrobrás e deu toda a estrutura administrativa que ela tem até hoje. Na época um barril de petróleo custava em torno de U$ 2,00, mas mesmo assim ela sobreviveu especialmente porque ao emplacar um carro a pessoa era obrigada a comprar ações da nova empresa monopolista. O monopólio levou 50 anos para promover a auto-suficiência.
Mas o livro de Gondin da Fonseca me influenciou tanto que para ser comunista foi um passo. O que de fato ocorreu.
Na Universidade juntei-me à esquerda e passei a achar e ter certeza que o comunismo era a única solução para resolver os problemas da miséria, não só no Brasil como no mundo. No auge da Guerra Fria li um pronunciamento de John Foster Dulles, Secretário de Estado de Eisenhower dizendo que a guerra seria vencida pelos americanos porque os russos não tinham economia para enfrentar a economia americana. Ele estava certo, mas na época, como bom comunista não acreditei e passei a ler compulsivamente os escritos de Lênin, Trotsky, sem falar em Marx, Engels e Hegel. Finalmente, como jovem, tinha encontrado o caminho da salvação da classe trabalhadora.
Na Universidade o diretório acadêmico era dirigido pelos comunistas, não só os filiados do PCB, como aqueles que como eu nunca tinham pertencido aos quadros do partidão. Eu era comunista, acreditava firmemente, mas sempre quis ser um uma espécie de livre-pensador, algo que entrava em conflito, porque esse tipo de mentalidade não se coaduna com filiação nem em religião e nem em partido político.
Mas em 1962, a União Soviética estava patrocinando o Festival da Juventude e desta feita foi em Helsink, Finlândia. Lembro que ela dava hospedagem apenas, mas para ir até o Festival cada um pagava suas despesas. Não hesitei e vendi uma modesta casa que tinha recebido como herança de meu pai (o que me levou no futuro a refletir e a entender que se não houvesse propriedade privada não teria como ter vendido e sem democracia não teria liberdade de ir e vir), troquei o dinheiro em dólares, e juntamente com mais dois colegas do Partido fomos para Viena e lá encontramos a cúpula da UIE (União Internacional dos Estudantes) que na época era dirigida por Marco Jamovich, um judeu brasileiro muito influente no comunismo internacional, e que depois foi trocado pelo embaixador americano.
Nesta viagem estavam os cantores (na época faziam um sucesso máximo) Nora Ney e Jorge Goulart e o famoso (logo ficaria famoso) ator de novelas Lima Duarte, além do Fernando Mesquita que depois viria a ser porta voz do presidente Sarney. Apanhamos o trem e quando cheguei na Rússia tomaram todos os passaportes e nos colocaram próximo da divisa com a Finlândia. Logo de cara, percebi que as estações eram todas cercadas com arame farpado, isto para que os russos não tivessem contato com os estrangeiros, pois eles podiam trazer (era essa a mentalidade na época que nós ouvíamos) o micróbio do capitalismo. Nos parecia estranho, uma vez que nós também éramos estrangeiros.
Mas o que nós encontramos e isso ficou na minha mente, foram cidades pobres, não havia estradas de rodagem e uma burocracia terrível igual à de Brasília. Aliás, hoje Brasília é pior. Em Helsink hospedei-me em um colégio juntamente com a delegação de Angola e da Guiné, onde conheci os principais líderes dos dois países, inclusive Agostinho Neto e Marcelino Serafim Goia que foram presidente e vice respectivamente de Angola e Guiné. Através de Marco Jamovich fui convidado para visitar a Tchecoslováquia como convidado do governo, onde passei 12 dias. Tive a oportunidade de conhecer desde as fábricas, passando pelas fazendas coletivas, até boates. Tudo era estatal e controlado pelo governo, desde o garçom até as músicas. Como só havia em cidade grande, portanto, só havia também uma boate grande; a fila para entrar nela era enorme e levava-se (fiquei sabendo) às vezes até mais de duas horas para conseguir entrar, e como tinha um número definido de pessoas para freqüentar, muitos que estavam na fila voltavam porque não havia mais lugar. As coisas aos poucos foram ficando mais claras para mim, e o que era uma crença inabalável nos regimes de esquerda, começou a ser posta em xeque, e comecei a me perguntar se uma sociedade toda regida pelo estado não conseguia resolver nem os problemas básicos quanto mais de laser.
Minha viagem à Rússia para participar do Festival da Juventude comunista, aconteceu em 1962. E foi nessa viagem a Rússia que vi no que havia resultado a revolução. Em 1960 Kruchev já havia denunciado no famoso XX Congresso comunista, mas no Brasil ainda não se sabia por inteiro da paranóia e dos crimes de Stalin. De qualquer forma fiquei decepcionado com a vida dos camponeses, em especial suas casas que eram construídas de feno e com sanitário ao ar livre. Aquilo chamou minha atenção e fiquei impressionado como um país que tinha mandado Yuri Gagarin ao espaço poderia ter uma população no campo tão pobre e vivendo em condições tão subhumanas. Depois descobri que 80% do orçamento russo era para a defesa. A guerra fria havia destruído a tentativa de construir o paraíso comunista. Mas não só isso, claro. A economia americana conseguia fazer tudo isso e ainda proporcionar um bem estar social ao seu povo. Isto me fez enxergar na deficiência do sistema econômico centralizado e dirigido por funcionários públicos. Hoje ninguém mais acredita nisso, mas na época todos os dogmas das esquerdas eram verdadeiros. Isto, ninguém acredita, com exceção certamente ainda da América Latina.
No entanto, lembro-me de um judeu russo que tinha ido estudar nos USA, no começo do século. Chegando na casa do tio, este perguntou o que ele queria estudar e jovem disse que ia fazer medicina porque queria estudar os micróbios. O tio disse que os micróbios estavam na terra e portanto ele deveria ser agrônomo. De fato, o futuro agrônomo descobriu a terramicina. E foi esse judeu russo que disse certa vez que o homem que aos 20 anos não é comunista é um homem sem coração, e que aos 40 anos se continuar sendo é um homem sem juízo. Quando agora o nosso presidente disse algo parecido, um plágio grosseiro sem saber a fonte, nisso ele estava certo.
O que todos perguntam, é porque mesmo dizendo isso, ele estar perto de Hugo Chaves, Fidel, Evo Morales, e Cia. Coisas do nosso presidente, certamente.
Bom, eu terminei meu curso de engenharia em 1963, na Politécnica de Campina Grande, e nesta época a política ideológica fervia dentro da Universidade. Eu que já voltara da Rússia decepcionado, não via no comunismo mais a solução para os problemas materiais da humanidade. Portanto, eu e quatro alunos começamos a fazer oposição a esquerda e conseguimos colocar como diretor da Escola de Engenharia, o professor Linaldo Albuquerque que era um homem integro e não era ligado aos comunistas. Foi nomeado e transformou a universidade da Paraíba a segunda do Brasil perdendo apenas para a UFRJ. Na época já havia professores do ITA, mas depois veio gente da França, Canadá, India, trazidos por Linaldo que transformou a Universidade como um todo, e não só num grande centro de engenharia e matemática. As escolas pertenciam a Universidade da Paraíba, hoje Universidade Federal de Campina Grande. Há poucos meses a Google recrutou um de seus professores para trabalhar nos USA, o que dá uma idéia de sua pujança.
Depois de formado comecei um pequeno negócio com uma pequena construtora. Eu tinha como contador um senhor que pertencia ao partido comunista que foi preso em 1967 e o levaram para João Pessoa. Fui a policia federal visitá-lo e tentar negociar mas não me deixaram falar com ele. Num sábado a tarde estava eu em casa quando fui preso pela policia federal pelo agente federal Índio Bugre, hoje aposentado. Preso fui levado para o Batalhão de Engenharia do Exercito em Campina Grande. Sei o quanto é desagradável um cidadão ser tirado de sua casa por forca do arbítrio e ter que prestar depoimento por algo que ele não sabe. Mesmo assim, apesar de ter sido preso político, nunca pedi indenização ao contribuinte e nem aposentadoria gorda como fizeram muitos e ainda continuam fazendo. Aliás eu não tenho nem mesmo aposentadoria, nem do INSS. Hoje aos 71 anos me considero um pequeno empresário, amante da livre iniciativa, pois tenho a consciência que o único meio de elevar o padrão material de um povo é pela democracia e pela geração de riquezas, e não somente sua divisão como os comunistas pensam, pois apenas ela pode dar ao homem a capacidade de criação e de gerar novas riquezas. Mas também sei que o capitalismo não é um sistema econômico capaz de resolver tudo, ele exige trabalho, talento e sobretudo talento para enfrentar as diversidades do mercado e as mudanças constantes. Mas só ele pode fazer migrar classes pobres para a classe média. Alias foi o capitalismo que criou a classe media. E basta um exemplo: a China antes da abertura capitalista tinha 1% de classe media, após a abertura já tem 11%. Eu costumo a dizer sempre que no capitalismo ou cresce ou empobrece, mas no comunismo nem cresce e portanto todos empobrecem. Trabalho todos os dias e acho ótimo a iniciativa privada, que junto com a democracia constituem o único sistema econômico e político em que um individuo pode viver sua plena cidadania. Neles, de fato, o contribuinte é valorizado. Por outro lado, é triste ver que a sociedade brasileira ainda não se definiu por nenhum sistema econômico. Aqui há uma democracia sem voto e um capitalismo sem lucro. Temos um regime em que a classe política vive como Reis olhando a ralé se debatendo com fome. Não é à toa que estamos parados no tempo há no mínimo 400 anos.
JK/Lula.
JK/Lula.
Quando vejo o Lula se comparar com Deus, todo
poderoso, não me importo muito porque levo em consideração o seu nível de conhecimento e de experiência e tomo esta comparação por total ignorância e falta de bom senso.
Quando o vejo se comparar a Getúlio Vargas, também não dou muita importância porque apesar de Getúlio ter sido um populista como o Lula, e um ditador como o Lula desejaria ser, a época é outra e não consigo ver outro Getúlio surgindo da maré do petismo.
Fico até esperançoso que como Getulio Vargas, “ele saia da vida para entrar para a história”.
Mas eu realmente saio do sério quando vejo o apedeuta querer se comparar ao JK.
O JK saiu também de uma juventude humilde e humildemente percorreu todos os caminhos políticos até chegar à presidência da Republica por seu mérito próprio e baseado em sua carreira profissional e política. Humildemente percorreu toda a carreira administrativa política sendo prefeito governador e presidente, angariando com isto experiência administrativa e currículo político que o levou a desempenhar o seu papel como presidente e cumprir sua meta de governo que foi tirar o Brasil de uma vida provinciana, e colocar o Brasil entre as nações em franco desenvolvimento. O seu lema de crescer cinqüenta anos em cinco, pode até ser considerado exagerado por alguns analistas, mas ele plantou esta semente que germinou e mudou a cara do Brasil.
O Lula, com uma origem também humilde, optou pelo
caminho sindical onde impera o peleguismo e o favoritismo, onde os líderes tiram vantagens do sofrimento de seus companheiros, usam e abusam do direito de ganhar sem trabalhar. Dentro deste populismo sindical, o Lula, tendo ampla oportunidade de se aplicar, estudar alguma carreira, aprender outros idiomas, optou para não fazer nada disto confiante em seu carisma inegável para camuflar o seu despreparo em qualquer das áreas administrativas e políticas. Prova disto é que em sua única aparição política de sua carreira pré-presidencial, foi como deputado constituinte onde passou praticamente despercebido e nem participou da faina congressista.
Ultimamente o Lula anda dizendo para se esperar o ano de 2010 para que ele seja realmente reconhecido como o salvador da pátria depois que o seu “PAC” for totalmente aplicado e começar a dar frutos. Até disse que pode registrar em cartório esta afirmação. Que coisa mais ridícula.
Já pensou se o JK em vez de encarar todas as obras que realizou dissesse a mesma coisa.
Hoje não teríamos Brasília, Três Marias, Furnas, Indústria automobilística, Belém /Brasília, Rio/Brasília, Fernão Dias, e outras coisas que o JK prometeu e fez sem registrar em cartório nenhuma promessa idiota.
O que o Lula deveria ter feito e registrado em cartório, foram suas promessas de campanha presidenciais no primeiro e segundo mandato de:
1. Abaixar o nível de tarifas com uma reforma tributária/fiscal. Não somente não registrou como não realizou. Ao contrário aumentou a carga tributária brasileira, que segundo ele em sua campanha já era insustentável para o povo brasileiro.
2. Prometeu reparar o sistema previdenciário, que segundo ele era falta de vontade política, pois o sistema tinha dinheiro sobrando, mas era desviado pela corrupção e má gestão. Não fez nada disto como em seu primeiro mandato o seu ministro da previdência o atual presidente do PT Ricardo Berzoini quis obrigar todos os previdenciários incluindo os inválidos e idosos a enfrentarem uma tremenda fila nos prédios do INSS para provarem que existiam. Uma grande covardia e falta de bom senso.
3. Melhorar o ensino básico porque era uma vergonha um professor primário ganhar em Pernambuco R$ 15,00 por mês. Realmente o salário dos professores melhorou um pouco e recentemente foi decretado um piso salarial depois de cinco anos de governo. Mas o ensino continua fraco e nos testes escolares o Brasil continua nos últimos lugares entre os países testados. As universidades consomem quase toda a verba do MEC e o ensino básico que é o alicerce de toda a educação fica com as migalhas.
4. E por aí vai, promessas e promessas, como o seu programa “Fome Zero”, que fez água e parou como o “Primeiro Emprego” que também não vingou. Como suas promessas de parar com o desmatamento da Amazônia e que em seu governo foi o maior em todos os tempos.
Não há e nem pode haver nenhum termo de comparação entre os dois governos.
Hoje pela manhã ao ler o Blog da Adriana –
http://www.prosaepolitica.com.br/index.php
Encontrei um artigo do Giulio Sanmartini, que cita outro autor sobre este mesmo tema.
Vou reproduzir os dois:
O álcool fala mais alto
(Giulio Sanmartini) Tenho me referido à má administração do uso do álcool por parte do presidente Lula, que muitas coisas do que diz não fazem sentido por esse motivo. Todavia, comecei a preocupar-me de estar exagerando, por isso transcrevo abaixo trechos de um artigo do jornalista Cláudio Lessa, que tem um magnífico currículo: âncora da Rede Globo, Voz da América, Rádio JB e corresponde durante vários anos na Casa Branca. Me parece que nosso pensamentos coincidem:
“E por falar em Fazendão, não é que Sua Etílica Excelência voltou ao descaramento de se comparar com JK? Devia estar de fogo, mais uma vez, quando deixou a língua se contorcer mais uma vez em torno dessa lorota. Logo com JK, que construiu Brasília, abriu estradas (a gigantesca Belém-Brasília é apenas uma delas), modernizou a indústria, estimulou a manutenção de um ambiente social que acabou propiciando o surgimento de fenômenos culturais (como a Bossa Nova), fenômenos esportivos (a vitória da Copa de 58 e o triunfo da tenista Maria Ester Bueno) e, sobretudo não teve o desprazer de ver seus companheiros de política e governo nas páginas policiais por causa corrupção, a ponto de quase ficar sozinho no palácio de governo.
Já o falastrão nunca fez nada em dois mandatos (JK só teve um), a não ser viajar, feliz da vida, depois de comprar os votos de 11 milhões de famílias com o bolsa-esmola; abominar publicamente a leitura e qualquer tipo de estímulo à formação cultural organizada de um povo inteiro que precisa desesperadamente disso para seguir em frente no mundo globalizado; agir como um boçal ao fazer a apologia do fumo, sem mostrar que possui a consciência da dimensão do cargo que ocupa, especialmente numa época em que a ciência comprova (e os hospitais estão abarrotados de gente morrendo de câncer de pulmão e enfisema) a necessidade premente de se coibir o uso dessas substâncias venenosas, enquanto o seu próprio ministro da Saúde está empenhado numa campanha nacional nesse sentido. Se na era JK buscava-se a excelência, na era atual a palavra de ordem é “mediocrizar a qualquer custo”.
“Não há comparação possível entre as duas figuras.”
A esquizofrenia da obsessão
Quando eu estava cursando o quarto ano primário, no Grupo Escolar Barão Do Rio Branco em Belo Horizonte/MG, a minha professora, uma paulista muito simpática de Campos do Jordão, e que se chamava (ou chama) Dona Maria Passos, passou para a nossa turma como dever de féria de julho, uma composição com o título “A esquizofrenia da obsessão”.
Pode até parecer uma loucura, mas é a mais pura verdade.
Com esta incumbência em foco, fui logo perguntar para minha mãe o que era isto. Ela me sugeriu procurar no dicionário.
O melhor dicionário que havia na minha casa, era uma coleção do “Laudelino Freire”.
Grande e Novíssimo Dicionário da Língua Portuguesa (1939-1944), de publicação póstuma, em cinco volumes.
Não tenho mais acesso a este dicionário, e como tenho o Aurélio no computador vamos às definições sobre o tema de acordo com o tio do Chico Buarque:
Esquizofrenia
[De esquiz(o)- + -fren(o)- + -ia1.]
Substantivo feminino.
1.Psiq. Termo que engloba várias formas clínicas de psicopatia e distúrbios mentais próximos a ela (v. distúrbio esquizotípico); sua característica fundamental é a dissociação e a assintonia das funções psíquicas, disto decorrendo fragmentação da personalidade e perda de contato com a realidade.
Esquizofrenia hebefrênica. 1. Psiq. Forma de esquizofrenia observada, em geral, em adolescente, e que se caracteriza por distúrbios da afetividade, regressão e hipocondria; hebefrenia.
obsessão
[Do lat. obsessione.]
Substantivo feminino.
1.Impertinência, perseguição, vexação.
2.Psiq. Pensamento, ou impulso, persistente ou recorrente, indesejado e aflitivo, e que vem à mente involuntariamente, a despeito de tentativa de ignorá-lo ou de suprimi-lo; idéia fixa, mania.
Eu me recordo bem que cheguei à conclusão que o tema deveria se referir, a uma loucura temporária sobre um assunto qualquer, em que o indivíduo perdia o contato com a realidade, se dedicando a uma idéia sua sobre qualquer assunto, mas que obstruiria as outras visões sobre o mesmo assunto. Em resumo, uma espécie de mania temporária. Se esta mania persistisse, poderia ser considerada uma loucura.
Foi o que escrevi sobre o tema em pauta. Uma análise pessoal sobre o significado do título proposto. Não se esqueçam que eu tinha apenas 10 anos de idade.
Dona Maria Passos, aceitou a redação, mas se mostrou desapontada, pois não era o que tinha em mente.
Dos 45 alunos, apenas três entregaram os trabalhos
Até hoje penso nisto e não sei qual era a idéia de dona Maria Passos sobre este tema.
Aí penso no Brasil, o mesmo Brasil do Laudelino Freire, o mesmo Brasil do Aurélio Buarque de Holanda, o mesmo Brasil de dona Maria Passos, o mesmo Brasil seu e o meu.
Vejo na televisão, uma propaganda caríssima do Ministério da Educação sobre o IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica).
Uma simpática e sorridente senhora aparece falando sobre este indicador, que em 2005 era de 3,8 e agora já está em 4,2 e que a meta almejada é de 6,0.
Enquanto fala, ela vai subindo uns degraus, e parece que a melhoria até o momento foi bem grande, mas não é. Prestem atenção de 3,8 para 4,2, é apenas um ganho de 0,4, mas na proporção do anuncio parece bem grande, e a distância da meta é proporcionalmente igual à distância percorrida nestes três anos. Mas, não é assim de 4,2 para 6,0 faltam 1,8 que significa 4,5 vezes o ganho em três anos. Neste ritmo levaríamos 13,5 anos para a meta de seis. Esta é mais uma propaganda enganosa e cara deste governo de mentiras.
Ficamos em ultimo lugar entre 56 países pesquisados sobre os conhecimentos do ensino médio, em quase todas as matérias, e nas matérias que não tiramos a pior nota ficamos bem próximas do final da escala.
O Brasil da atualidade, o mesmo Brasil do Pré-sal, o mesmo Brasil do futuro, o mesmo Brasil da erradicação da pobreza, está gastando com toda a educação pública, 2,5 do PIB (Produto Interno Bruto).
Os gastos com as propagandas enganosas com esta do IDEB somam três vezes mais do que o gasto com a educação básica.
Destes 2,5 do PIB (aproximadamente 62.000.000.000), 80% é gasto com a educação universitária, ou seja, 50 bilhões de reais. ( aí estão incluídos os cartões corporativos, as mordomias, e os desvios de praxe) Com a educação básica apenas esta merreca de 12 bilhões de reais.
Como poderemos esperar que o Brasil melhore, se os estudantes que chegam à universidade mal sabem ler e escrever?
Este governo está gastando muito com o ensino universitário (este dá votos), quando os alunos que lá chegam não foram preparados para absorver os ensinamentos universitários. Para se evitar uma reprovação geral, as universidades têm que abaixar o nível e formar estes ignorantes que serão o futuro do Brasil. Qual futuro?
O presidente Lula, umas das vítimas deste descaso escolar, não para de propagar o futuro do Brasil. Ele sim foi vítima do descaso, mas poderia ter se aplicado melhor, pois teve ampla oportunidade para isto, mas optou para continuar ignorante.
E apregoa aos quatro ventos o quanto está gastando com as universidades.
E o ensino básico senhor presidente? Este mesmo que lhe faltou e ainda faz falta quando em público sem nenhum pejo, recita estas abobrinhas que lhe parecem engraçadas, mas matam de vergonha os ex-alunos de dona Maria Passos, assim como matam de vergonha esta aluna da UFRG do curso de direito que escreveu a redação abaixo que me foi enviada por Email pelo meu amigo o Dr. João.
REDAÇÃO DE ESTUDANTE CARIOCA VENCE CONCURSO DA UNESCO COM 50.000 PARTICIPANTES
Imperdível para amantes da língua portuguesa, e claro também para Professores. Isso é o que eu chamo de jeito mágico de juntar palavras simples para formar belas frases. REDAÇÃO DE ESTUDANTE CARIOCA VENCE CONCURSO DA UNESCO COM 50.000 PARTICIPANTES
Tema:‘Como vencer a pobreza e a desigualdade’
Por Clarice Zeitel Vianna Silva
UFRJ – Universidade Federal do Rio de Janeiro – Rio de Janeiro – RJ
‘PÁTRIA MADRASTA VIL’
Onde já se viu tanto excesso de falta? Abundância de inexistência. .. Exagero de escassez… Contraditórios? ? Então aí está! O novo nome do nosso país! Não pode haver sinônimo melhor para BRASIL.
Porque o Brasil nada mais é do que o excesso de falta de caráter, a abundância de inexistência de solidariedade, o exagero de escassez de responsabilidade.
O Brasil nada mais é do que uma combinação mal engendrada – e friamente sistematizada – de contradições.
Há quem diga que ‘dos filhos deste solo és mãe gentil.’, mas eu digo que não é gentil e, muito menos, mãe. Pela definição que eu conheço de MÃE, o Brasil está mais para madrasta vil.
A minha mãe não ‘tapa o sol com a peneira’. Não me daria, por exemplo, um lugar na universidade sem ter-me dado uma bela formação básica.
E mesmo há 200 anos atrás não me aboliria da escravidão se soubesse que me restaria a liberdade apenas para morrer de fome. Porque a minha mãe não iria querer me enganar, iludir. Ela me daria um verdadeiro Pacote que fosse efetivo na resolução do problema, e que contivesse educação + liberdade + igualdade. Ela sabe que de nada me adianta ter educação pela metade, ou tê-la aprisionada pela falta de oportunidade, pela falta de escolha, acorrentada pela minha voz-nada-ativa. A minha mãe sabe que eu só vou crescer se a minha educação gerar liberdade e esta, por fim, igualdade. Uma segue a outra… Sem nenhuma contradição!
É disso que o Brasil precisa: mudanças estruturais, revolucionárias, que quebrem esse sistema-esquema social montado; mudanças que não sejam hipócritas, mudanças que transformem!
A mudança que nada muda é só mais uma contradição. Os governantes (às vezes) dão uns peixinhos, mas não ensinam a pescar. E a educação libertadora entra aí. O povo está tão paralisado pela ignorância que não sabe a que tem direito. Não aprendeu o que é ser cidadão.
Porém, ainda nos falta um fator fundamental para o alcance da igualdade: nossa participação efetiva; as mudanças dentro do corpo burocrático do Estado não modificam a estrutura. As classes média e alta – tão confortavelmente situadas na pirâmide social – terão que fazer mais do que reclamar (o que só serve mesmo para aliviar nossa culpa)… Mas estão elas preparadas para isso?
Eu acredito profundamente que só uma revolução estrutural, feita de dentro pra fora e que não exclua nada nem ninguém de seus efeitos, possa acabar com a pobreza e desigualdade no Brasil.
Afinal, de que serve um governo que não administra? De que serve uma mãe que não afaga? E, finalmente, de que serve um Homem que não se posiciona?
Talvez o sentido de nossa própria existência esteja ligado, justamente, a um posicionamento perante o mundo como um todo. Sem egoísmo. Cada um por todos…
Algumas perguntas, quando auto-indagadas, se tornam elucidativas. Pergunte-se: quero ser pobre no Brasil? Filho de uma mãe gentil ou de uma madrasta vil? Ser tratado como cidadão ou excluído? Como gente… Ou como bicho?
Premiada pela UNESCO, Clarice Zeitel, de 26 anos,
estudante que termina faculdade de direito da UFRJ em julho, concorreu com outros 50 mil estudantes universitários.
Ela acaba de voltar de Paris, onde recebeu um prêmio da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) por uma redação sobre ‘Como vencer a pobreza e a desigualdade’ .
A redação de Clarice intitulada `Pátria Madrasta Vil´ foi incluída num livro, com outros cem textos selecionados no concurso. A publicação está disponível no site da Biblioteca Virtual da Unesco.
Se este tema da obsessão fosse dado nos tempos atuais eu certamente escreveria sobre a obsessão pelo poder do presidente Lula e da esquizofrenia para conseguir isto a todos os custos passando pelas mentiras, ridículos e tudo o mais, sem se importar realmente com o futuro da nação que sem dúvida nenhuma espera que algum mandatário se preocupe realmente com a educação básica, o que o Lula desconhece e por isto não está nem aí.
Revista velha…
Revista velha…
Outro dia, exatamente no dia 10 de agosto de 2008, fui a Belo Horizonte MG, para renovar a CNH (Carteira Nacional de Habilitação). Este ano houve uma novidade, como a minha carteira é de 1962, tive de cumprir uma nova exigência do DETRAN e participar de 15 horas de curso de “Direção Defensiva”, fazer uma pequena prova sobre o assunto ensinado, e fazer o exame médico normal. Devo dizer que não foi uma coisa totalmente inútil como poderia ter sido. No pequeno tempo disponível, houve até muita informação trocada sobre o CTB (Código de Trânsito Brasileiro), e algo de útil ficou gravado na memória minha e espero de outras pessoas que participaram do mesmo curso. Pelo preço pago, R$ 43,00 foi uma educação barata e pela duração periódica do evento, de cinco em cinco anos, não é uma coisa muito exagerada como algumas coisas inúteis e burocráticas e caras, fruto das mentes doentias dos legisladores brasileiros. (eu por completar 65 anos no ano que vem, devo depois de 2009 fazer esta reciclagem de três em três anos – Acho justo).
Outra coisa antes de entrar no assunto do título. Foi em um dos exames médicos do DETRAN, em 1994, que descobri a minha hipertensão e iniciei o tratamento.
E também foi durante a espera para efetuar este novo exame médico, que deparei com uma edição de “VEJA” esquecida na cadeira ao meu lado. Fiquei surpreso pela capa, pois se tratava de grampos no supremo, e do Ministro Gilmar Mendes. Assuntos muito atuais e isto me fez pensar que fosse a VEJA da semana que alguém havia esquecido no consultório médico. Como sempre faço (eu e muitas pessoas que conheço) abri na parte da entrevista das páginas amarelas, e era uma entrevista de cunho científico, e um assunto também atual e li esta interessante entrevista, ainda pensando estar lendo uma revista nova. O entrevistado, o primatologista holandês “Frans de Waal”, tem muitas coisa novas e interessantes e atuais, portanto não levantou suspeita de que fosse uma entrevista antiga.
Depois, fui à coluna do Millor onde na maioria das vezes ele fala de algo ocorrido durante a semana ou pouco antes, dando assim uma dica sobre a data da revista. Desta vez, ele não falou sobre nada disto e falou sobre a crase e sua idéia sobre ela.
Do Millor, pulei para o Radar do Lauro Jardim – aí, não teve jeito as notícias pareciam um caso de “Deja vu”. Li sobre a compra da Suzano Petroquímica, sobre o Renan Calheiros dando calote no IPTU (Realmente ele pode – somente ele) sobre Luiz Paulo Conde e Furnas, sobre o padre Marcelo Rossi e pensei será? Voltei então para a capa da revista VEJA em minhas mãos e procurei a data – 22 de agosto de 2007 – edição 2022 – incrível, esta revista tinha quase exatamente um ano e as notícias estavam muito atuais, os assuntos dos colunistas, tudo parecia dentro das datas atuais um ano depois. Incrível. Na sessão “CARTAS”, um leitor comparou o governo Lula ao de Getúlio Vargas. Um entregou Olga Benário para ser torturada e morta e o outro fez o mesmo com os refugiados boxeadores cubanos. Outro leitor, desta vez um português disse com certa dose de propriedade, que o Brasil é um país de primeiríssimo mundo com políticos de terceiro mundo.
Uma interessante visão do motivo de nossos problemas.
Na parte internacional, sobre as eleições americanas, dava como certa a vitória da Hillary que teria uma disputa com o Ex-prefeito Rudolph Giuliani, para disputar aparentemente o cargo com o ex-governador de Massachusets Mitt Romney pelos republicanos. Nada disto aconteceu e nesta parte a história teve outro desfecho.
Na parte econômica, falou-se sobre a primeira crise do século e que é a mesma que continua a movimentar as especulações atuais. Sobre este assunto poderia alguém um pouco desinformado pensar se tratar de assunto atual.
Nas entrevistas a outros economistas sobre o assunto, incrivelmente todos acertaram em uma forma ou de outra.
Sobre o “Recall de Brinquedos”, acaba de haver outro pela mesma empresa, “MATELL”. Assunto atual novamente. Em “DATAS”, quero enfatizar um assunto curioso. Em 1979, quando o Maluf fundou a Paulipetro, eu trabalhava para uma empresa americana de porte médio para grande no ramo de exploração de petróleo. Na época eu fazia parte de um corpo de 9.000 empregados em todo o mundo o que não é pouco. Esta empresa publicava mensalmente uma revista sobre o nosso assunto, mas era uma revista de variedades e curiosidades e tinha a parte de economia e investimentos. Na época da fundação da Paulipetro, a nossa revista aconselhava muita caução em investir na empresa de Maluf, pois possuíamos relatórios sobre as pesquisas na área da Paulipetro, e todos eles demonstravam a não existência de petróleo na área. Na época a nossa revista dizia ser um provável “SCAM” que quer dizer um golpe. E assim foi.
No Mainardi, este assunto de bater no PT, é comum e está atual em qualquer época, portanto não houve nenhuma surpresa por ali.
Agora, como a veja faz, deixei para o ultimo um dos colunistas favoritos. Roberto Pompeu de Toledo.
Não é por ele ser um exímio escritor que realmente o é. Não é por dizer coisas novas e sensacionais por que de vez em quanto ele faz isto. O meu favoritismo em sua coluna, é que Roberto é um escritor muito eclético, aborda qualquer assunto com maestria, e em seus artigos, ele sempre compõe certa dose de justiça. Não chega a ser um justiceiro, mas um apaziguador. Sua posição sobre vários temas é uma posição correta sempre. Isto promove ao ler os seus artigos uma leveza de opinião sobre os mesmos por parte do leitor.
Pelo menos no que me toca é assim.
Este artigo da revista velha também está atual e por isto publiquei na íntegra. Em um país no qual o principal mandatário, ao inaugurar o início de uma obra (aqui somente se inaugura o início) abre o seu discurso com a singela frase:
“- Aqui está o meu discurso que mandei imprimir com letras bem grande pra mim não errar”
Antes de abrir o discurso ( que provavelmente alguém escreveu para ele) ele errou pelo menos duas vezes.
Realmente parece que o Brasil acabou.
Ensaio: Roberto Pompeu de Toledo
“O Brasil é isso mesmo que está aí”
Terrível parecer, de alguém que conhece o assunto, reforça uma sensação que paira no ar
Os distraídos talvez ainda não tenham percebido, mas o Brasil acabou. Sinais disso foram se acumulando, nos últimos meses: a falência do Congresso e de outras instituições, a inoperância do governo, a crise aérea, o geral desarranjo da infra-estrutura. A esses fatores, evidenciados por acontecimentos recentes, somam-se outros, crônicos, como a escola que não ensina, os hospitais que não curam, a polícia que não policia, a Justiça que não faz justiça, a violência, a corrupção, a miséria, as desigualdades. Se alguma dúvida restasse, ela se desfaz no parecer autorizado como poucos de um Fernando Henrique Cardoso, cujas credenciais somam oito anos de exercício da Presidência da República a mais de meio século de estudo do Brasil. “Que ninguém se engane: o Brasil é isso mesmo que está aí”, declara ele, numa reportagem de João Moreira Salles na revista Piauí.
Ora, direis, como afirmar que o Brasil acabou? Certo perdeste o senso, pois, se estamos todos ainda morando, comendo, dormindo, pagando as contas, indo às compras, nos divertindo, sofrendo, amando e nos exasperando num lugar chamado Brasil, é porque ele ainda existe. Eu vos direi, no entanto, que, quando acaba a esperança, junto com ela acaba a coisa à qual a esperança se destinava. É à esperança no Brasil que o sociólogo-presidente se refere. Para ele, o Brasil jamais conhecerá um crescimento como o da China ou o da Índia. “Continuaremos nessa falta de entusiasmo, nesse desânimo”, diz. O prognóstico é tão mais terrível quanto coincide com – e reforça – o sentimento que ultimamente tomou conta mesmo de quem não é sociólogo nem nunca conheceu por experiência própria os mecanismos de governo e de poder.
O Brasil que “é isso mesmo” é o das adolescentes grávidas e dos adolescentes a serviço do tráfico, das mães que tocam lares sem marido, das religiões que tomam dinheiro dos fiéis, dos recordes mundiais de assassinatos e de mortos em acidentes automobilísticos, dos presos que comandam de suas células o crime organizado, dos trabalhadores que gastam três horas para ir e três horas para voltar do trabalho, das cidades sujas, das ruas esburacadas.
Procura-se o governo e… não há governo. Há muito que nem o presidente, nem os governadores, nem os prefeitos mandam. Quem manda é a trindade formada pelas corporações, máfias e cartéis. Não há governo que se imponha a corporações como a dos policiais, ou a dos professores, ou a dos funcionários das estatais. Não há o que vença as máfias dos políticos craques em arrancar para seus apaniguados cargos em que possam distribuir favores e roubar. Para enfrentar – ou, humildemente, tentar enfrentar – cartéis como o das companhias aéreas, só em época em que elas estão fragilizadas, como agora. Às vezes os cartéis se aliam às máfias, em outras se transmudam nelas. Em outras ainda são as corporações que, quando não se aliam, se transformam em máfias. Em todos os casos, o interesse público, em tese corporificado pelos governos, não é forte o bastante para dobrar os fragmentados interesses privados.
A tais males soma-se o cinismo. Não há outra palavra para descrever o projeto, supostamente de fidelidade partidária, aprovado na semana passada na Câmara. O projeto, muito ao contrário de punir ou coibir os trânsfugas, perdoa-lhes o passado e garante-lhes o futuro. Quanto ao passado, estão anistiados os parlamentares que trocaram de partido e que por isso, no entendimento do Tribunal Superior Eleitoral, deveriam perder o mandato. No que concerne ao futuro, o projeto estabelece que a cada quatro anos os parlamentares terão folga de um mês na regra da fidelidade partidária, pois ninguém é de ferro, e estarão abertos a negócios e oportunidades. Estamos diante de uma das mais originais contribuições da imaginação brasileira ao repertório universal de regras político-eleitorais. Para concorrer a uma eleição, o candidato deve estar filiado a um partido há pelo menos um ano. Mas, segundo o projeto, no mês que antecede a esse ano de jejum o candidato pode trocar o partido pelo qual foi eleito por outro. Como a eleição é sempre em outubro, esse mês será o setembro do ano anterior. Eis o Carnaval transferido para setembro. O projeto é uma esposa compreensiva que, no Carnaval, libera o marido para a gandaia.
FHC não era tão descrente. No parágrafo final do livro A Arte da Política, em que rememora os anos de Presidência, escreveu: “Se houve no passado recente quem empunhasse a bandeira das reformas, da democracia e do progresso, não faltará quem possa olhar para a frente e levar adiante as transformações necessárias para restabelecer a confiança em nós mesmos e no futuro desse grande país”. Na reportagem da revista Piauí, ele não poupa nem seu próprio governo: “No meu governo, universalizamos o acesso à escola, mas pra quê? O que se ensina ali é um desastre”. Pálidos de espanto, como no soneto de Bilac, assistimos à desintegração da esperança na pátria, o que equivale a dizer que é a pátria mesma que se desintegra aos nossos olhos.
Outro assunto sem nenhum vínculo ao artigo do presente post mas que quero comentar, porque não sai de minha mente, é a coluna do Roberto Pompeu sobre a morte de D. Ruth Cardoso, que foi sensacional.
Acho que futuramente vou publicar este artigo.
Agora um pouco de humor para não deixar o Brasil acabar completamente.
Recebi por Email a seguinte frase muito sugestiva.
80% dos eleitores brasileiros não usam ler o jornal.
Usam sim o jornal para limpar o rabo.
Aí está simplesmente a razão do atual congresso.
Comentário Surpresa.
Comentário Surpresa.
A maior prazer que encontro em escrever artigos para o blog, são os comentários, dos leitores.
Qualquer comentário pro ou contra, tem um enorme valor para mim.
Eu não tenho o costume de pescar, mas posso imaginar uma pessoa com uma vara e uma isca no anzol, esperando pegar alguma coisa. O pescador evidentemente sempre sonha com um bom resultado na forma de um peixe de bom tamanho e boa qualidade. E a surpresa do resultado deve ser a razão pela qual tantas pessoas têm esta verdadeira fascinação pela pescaria. Nunca se sabe qual será o resultado.
Também existem pessoas que vão pescar para ter uma razão para beber cachaça, e não se importam nada com os peixes, o negócio é beber. Peixes eles podem comprar no mercado depois. Não sei bem porque mas tenho uma idéia que este tipo de pescaria poderia ser o tipo que o Lula gostaria.
Mas o assunto hoje, é que pesquei com um de meus artigos um bom peixe.
Foi com grata surpresa que encontrei nos comentários de um dos meus artigos (http://robertoleite.assisfonseca.com.br/?p=308)
O comentário de Haroldo Pereira Barbosa.
Na internet, encontrei seu auto-perfil que copiei:
BIOGRAFIA
Haroldo Pereira Barboza
Carioca – Nascido em 1945 – Vila Isabel/Andaraí-RJ – Esposa : Irene (* anos) – Filho : Marcelo (27).
* de mulher não se diz a idade para não levar com o rolo de pastel na cuca.
Formado : Matemática (estudei no Pedro II) – Analista de Computador aposentado.
Desde 1997 comecei a participar de concursos literários (19 prêmios já obtidos).
Participei de 8 antologias (tenho 565 trabalhos no micro e registrados na FBN).
Time : Fluminense (nasci no mesmo dia de sua fundação – 21/07)
Música : Beatles, Dicró, Gabriel Pensador, Beth Carvalho, Chico Buarque e Ray Coniff.
Literatura : Veríssimo, Carlos E. Novaes, Ziraldo, Jô e Isaac Asimov.
Comida: strognoff, língua, abacate, manga e goiaba.
Bebida: sucos diversos sem álcool (menos abacaxi e maracujá).
Filmes: ficção científica, policiais e suspense.
Além de contos e poemas, gosto de escrever sobre política, esporte, temas infantis e sobre qualidade de vida. Várias matérias já publicadas em jornais da empresa, de clubes e de bairros (além de sítios da rede).
Assinante de Superinteressante, JB, O Farol, Alternativa, Ecos da Taba, DCL e Tribuna da Imprensa (35 artigos publicados).
Membro da UBQ e da SUIPA. Sócio dos clubes Fazenda Clube Marapendi e Tijuca Tênis Clube.
Jogo futebol, sinuca, bocha, ping-pong, xadrez e canastra (nesta preferência).
Nas horas vagas, dou aulas de Matemática para jovens (9 a 12 anos) que precisam tirar nota acima de 7 na prova dentro de 25 dias. Palestras grátis sobre qualidade de vida somente durante as festas sociais (grupos de 4 a 8 curiosos).
Autor do livro: Brinque e cresça feliz – minha contribuição contra uma das causas que estão tornando nossa hipócrita sociedade violenta além dos limites toleráveis.
Nunca tive certeza se minhas faculdades mentais são equilibradas. O certo é que jamais visitei a colônia Juliano Moreira com receio de ficar retido por lá … para sempre. Se me convidarem para alguma solenidade, deixem-me longe do microfone, pois sou capaz de tomá-lo e não largá-lo mais, contando piadas diversas. Creio que poderia ser um bom animador de auditório. Isto não significa que “dou” para radialista.
E o seu comentário foi o seguinte:
Só faltam 492.
Cavalos de raça são oriundos do acasalamento de animais de alta linhagem. Assim como o cruzamento de Dobermans produz filhotes com enormes chances de obterem prêmios em exposições caninas. Fato que não ocorrerá com filhotes gerados pelo encontro de uma Doberman com um vira-latas. Ou por dois vira-latas!
O mesmo se dá na espécie humana. Gerações produzidas por uma seqüência de acasalamentos entre seres possuidores de boas qualidades humanas vão refinando os elementos que contribuem para um longo aprimoramento da sociedade que os abriga.
Infelizmente nossa terra foi descoberta e usada apenas com o objetivo de servir de celeiro de recursos para a Europa e não como ponto de lazer ou futura moradia de seus descendentes. Por isto não se preocuparam em aprimorar o ambiente em pauta. Para realizar o sujo e estafante trabalho de extração das riquezas era preciso usar a mão de obra de pessoas sem um mínimo de preparo. O importante era serem fortes e receberem baixas gratificações (ou nada, sendo escravos).
E foi desta base heterogênea que nosso povo se formou. Jamais tivemos oportunidade de criar identidade própria, pois em curtos ciclos sofremos influência negativa de novos estrangeiros que aqui aportavam na busca de falsas promessas de seus algozes. Nossos antepassados não tiveram nenhuma oportunidade para lutarem por uma causa que unisse a nação e trouxesse orgulho aos seus herdeiros.
E o resultado desta miscigenação hoje se externa pelo comportamento de nossa sociedade sem nenhum vínculo positivo com alguma cultura vencedora do passado. É por causa desta nossa caminhada sem rumo onde a maioria pensa no individualismo sem perceber a deterioração do coletivo que a prejudicará mais à frente. Por isto seremos conhecidos por “colônia” até completarmos 1000 anos de idade. Só faltam 492!
Formamos legiões volumosas de adoradores de Big Bobo Brasil (pagamos tarifas para vermos calcinhas, cuecas e esfregadelas) e apreciadores de sons (que chamam de música) que fazem apologia de barbaridades comportamentais. Milhões de resignados que suportam ficar noites em filas em busca de escolas para filhos, que se contaminam em portas de hospitais degradados e tendo dezenas de direitos desrespeitados por feitores que possuem bom trânsito nos corredores da “justiça”(?). Nossos jovens não sabem 25% do Hino Nacional. A melodia que acompanha a maior parte deles (os que ainda não estão surdos) é o zumbido provocado pelas drogas comercializadas livremente. Nos resignamos com salários congelados enquanto banqueiros, operadoras de telefonia, empreiteiras e laboratórios lucram 70 vezes acima da inflação “oficial”.
Aceitamos que 50 ou 100 chefes da marginalidade dominem centros urbanos com mais de 6 milhões de habitantes e permitimos com naturalidade que dirigentes corruptos permaneçam em seus cargos e sejam reeleitos fazendo rodízios em todas as esferas. Idolatramos canalhas que desviam verbas que seriam destinadas em nosso benefício. Convivemos harmoniosamente com mosquitos dengosos e amarelados que ceifam vidas.
Nosso futuro próximo tende a ser pior, pois multidões de desesperançados são aprovadas nas escolas (até com nota zero) sem uma base mínima que lhes ofereça uma compreensão adequada em busca de uma qualidade razoável de vida em troca dos impostos desumanos que precisam pagar. Os poucos iluminados que superam estas adversidades e se projetam em suas atividades específicas, são atraídos para o estrangeiro onde podem desenvolver o potencial que carregam e são devidamente remunerados. No máximo permanecem aqui a serviço de alguma corporação multinacional.
O restante que não foi acostumado a raciocinar (apenas seguem a bula que a mídia coloca nas manchetes), atua como mera boiada para legitimar a farsa que dirigentes públicos encenam prometendo milagres para melhorar a vida de seus “eleitores”. Ficamos exultantes quando nossos herdeiros conseguem um diploma e montam uma barraca de camelô para vender produtos piratas.
Existem duas remotas chances para revertermos tal penúria:
1 – esgotamento completo das minas que farão com que nossos algozes nos abandonem na miséria total e então seremos obrigados a nos unir para levantar nossa pátria.
2 – Uma catástrofe natural (ou mesmo provocada pela ganância) que destrua toda a estrutura podre que nos envolve e nos permita enxergar um destino (ainda que distante) que ofereça esperanças.
Até lá continuaremos escorregando docilmente para o subterrâneo do poço, tendo em vista que o fundo deste já desabou há muito tempo e a luz da lanterna apagou-se por desvio de verbas reservadas para as pilhas.
A locomotiva dos condenados segue tranqüila para a estação zero da degradação humana. Quem desejar saltar antes, terá de pular pela janela e arriscar-se a pisar na lama podre encoberta pelos tapetes administrativos.
Boa viagem para todos nós.
Referendo de sucesso será o que permitir expurgo no Congresso.
Haroldo P. Barboza – Matemática e Recreação pedagógica.
Autor do livro: BRINQUE E CRESÇA FELIZ!
Cada coisa em seu lugar????
Cada coisa em seu lugar????
Estou bem longe de ser considerado puritano. Longe disto, eu falo palavras de baixo calão, esbravejo, conto anedotas cabeludas, e não me oponho a nada neste mundo desde que seja mais ou menos dentro dos limites que a sociedade convencionou.
Não acredito que os limites convencionais da sociedade sejam lá muito bem definidos, e sei que existe e dentro do sistema cultural de uma nação tão grande e diversa como o Brasil, várias interpretações de um mesmo conceito.
Tudo bem, a rigidez conceitual entre as pessoas leva ao preconceito o que também não é nada bom.
Recentemente, veio à tona umas impropriedades da ministra da Integração Racial A D. Matilde Ribeiro. O seu erro maior aconteceu a mais de um ano, quando se revelou preconceituosa contra as pessoas brancas. Ela disse que: “quando uma pessoa negra ou de origem negra sentisse raiva contra uma pessoa branca, esta pessoa de origem negra tinha razão, pois sua raça tinha sido maltratada pelos brancos durante anos”. Esta declaração em um governo sério deveria ser bastante para que ela fosse exonerada do cargo de representante do Governo.
Como seria possível que logo a Ministra da Integração Racial fosse fornecer a receita para um preconceito racial, e sendo ela da raça negra, este preconceito transpareceu em seu discurso contra a raça branca. Mas ela não foi exonerada por este motivo, e sim quando no portal da transparência que é do governo apareceram os seus gastos com o famoso cartão corporativo, e ela realmente exagerou nos gastos com suas mordomias. Se o governo fosse mais sério e tivesse removido a ministra por justa causa na demonstração racista, teria poupado o desgaste dos cartões.
Mas este não é o assunto deste post.
Buscando algo sobre o Clóvis Bornay, na internet, encontrei em outros blogs, uma referencia sobre o lustre que o deputado federal Clodovil Hernandes mandou fazer para ornamentar o seu gabinete na câmara dos deputados. De acordo com as notícias encontradas, se isto for realmente verdade, (pode ser montagem, pois a internet está cheia disto), e sendo seu gabinete de trabalho no congresso um lugar reservadamente público, esta demonstração do seu gosto pessoal está fugindo de suas atribuições assim como a demonstração racista da ministra. Como representante popular o deputado Clodovil, deve ser manter exercendo o seu mandato dentro das regras de conduta exigidas pelo código de ética e digo se existir realmente este lustre dependurado em seu gabinete, o conselho de ética da Câmara dos Deputados deveria investigar e punir com a perda de mandato esta demonstração de desrespeito com a sua obrigação dentro do congresso.
Se o gasto com o lustre foi pago como diz o artigo com a verba indenizatória este custo deverá ser imediatamente ressarcido aos cofres do erário.
Como eu disse no início deste artigo, as preferências sexuais do Clodovil, é problema dele e não me afeta em nada, como não me afeta sua religião, seus gostos de comida, desde que mantidas debaixo de sua responsabilidade pessoal.
O que me afeta, é ajudar a manter com o dinheiro dos impostos que eu pago, uma irreverência e um gasto totalmente desnecessário como este da matéria apresentada.
Em sua casa e com o dinheiro dele, ele pode fazer o que quiser.
Dentro do congresso não.
Um dos blogs em que encontrei a matéria foi:
http://forum.hardmob.com.br/showthread.php?t=326996
Vejam a matéria abaixo:
[Clodovil] Lustre Traquinas
Desenhado pelo próprio Clodovil, o lustre foi montado pela estilista mato-grossense Chiquita Folharal. Chiquita Folharal foi a responsável pelos ornamentos do caixão de Clóvis Bornay.
O lustre custou 300 mil reais e consumiu quase toda a verba de gabinete do Deputado mais alegre do Brasil. “Ele é tudo de bom! O problema, meu Amor”, reclama Clô, “é que ninguém consegue se concentrar no trabalho
“Uma ‘coisa’ dessa pendurada no meio do gabinete, balançando pra lá e pra cá”, prende a atenção de todos.
Subindo as sobrancelhas, Excelentíssimo deputado acrescenta: “Se bem que eu não vim aqui para trabalhar mesmo, hahahaha”, finaliza.
só pode ser sacanajem, como o povo de SP elege um fdp desse…
Presidente vá se danar!
Encontrei no blog da Adriana, (http://pep-home.blogspot.com/)
um artigo que ela escreveu em junho de 2005 e que foi publicado na “ A gazeta”
Apesar de não ter lido a versão publicada na internet, eu imagino como ficou, pois eu encontrei trechos de vários autores distribuídos e modificados na internet.
Eu estou republicando na íntegra o texto dela, que pode ter sido escrito a mais de dois anos, mas não perdeu a validade porque a verdade nunca tem data de vencimento.
Os acontecimentos atuais, e as maracutaias deste governo, não param de acontecer e o povo, vem absorvendo tudo isto e com esta absorção, a noção de ética e de moral vão se diluindo na formação de nossos jovens e com isto a reputação do Brasil vai junto, tudo para o lixo.
A menção no artigo de noção de justiça na cabeça de Fernandinho Beiramar, está correta, pois este criminoso também é um empresário, em sua empresa, empregou várias pessoas que dependem de sua organização para criar as suas famílias.
Aliás, o Fernandinho, apesar de contraventor e criminoso, trabalhou muito mais na formação de sua empresa do que o incapaz, ignorante, preguiçoso e dono da verdade Lula da Silva.
E continua trabalhando, pois deu na mídia outro dia que apesar de estar em uma prisão federal de segurança máxima continua a comandar o tráfico lá de dentro com o seu celular.
E como as aves da mesma espécie se congregam, a turma do Lula continua a desprezar a verdade e tratar as maracutaias descobertas dentro do site do próprio governo como coisa natural e como sensacionalismo da mídia.
Circula pela internet um texto meu com o título adulterado. Quero aqui explicar aos leitores que o artigo “Presidente, vá se danar!” foi publicado no dia 25 de julho de 2005, portanto, há dois anos. Jamais escreveria um texto com o título tão chulo como na versão adulterada, não por puritanismo ou por respeito ao presidente, mas é que apesar de ter a certeza de que Lula merece cada um dos palavrões que brasileiros de bom senso e saco cheio, atribuem a ele, eu não sou Marta Suplicy, não vulgarizo para criticar.
Agradeço a todos os mais de 30 mil e-mails que já recebi e que ainda estou recebendo, tanto os de apoio como os críticos, com esse eu me compadeço. Aos muitos brasileiros que sentiram no texto um grito de todos e que se expressaram penhorando apoio, meu muito obrigada.
O artigo, como tem dois anos, está defasado diante de tantos escândalos de corrupção envolvendo os homens do presidente Lula, diante de tanta incompetência e falta de responsabilidade, diante de tamanha covardia que ele vem demonstrando à nação. Por tudo isso, continuo com o firme propósito de mandar o Presidente se danar.
Presidente, vá se danar!
24 de julho de 2005 – Jornal A Gazeta – Edição Nº 5046
Não sei se é desespero ou ignorância. Pode ser pelo convívio com as más companhias, mas eu, com todo o respeito que a “Instituição” Presidente da República merece, digo ao senhor Luis Inácio que vá se danar. Quem é ele para dizer, pela segunda vez, que tem mais moral e ética “que qualquer um aqui neste país”? Tomou algumas doses a mais do que o habitual, presidente?
Esta semana eu conheci Seu Genésio, funcionário de um órgão público que tem infinitamente mais moral que o senhor, Luis Inácio.
Assim como o senhor, Seu Genésio é de origem humilde, só estudou o primeiro grau e sua esposa foi babá. Uma biografia muito parecida com a sua, com uma diferença, a integridade. Ao terminar um trabalho que lhe encomendei, perguntei a ele quanto eu o devia. Ele olhou nos meus olhos e disse:
- Olha doutora, esse é o meu trabalho. Eu ganho para fazer isso. Se eu cobrar alguma coisa da senhora eu vou estar subornando. Vou sentir como se estivesse recebendo o mensalão.
Está vendo senhor presidente, isso é integridade, moral, ética, princípios coesos. Não admito que o senhor desmereça o povo humilde e trabalhador com seu discurso ébrio.
Seu Genésio, com a mesma dificuldade da maioria do povo brasileiro, criou seus filhos. E aposto que ele acharia estranho se um dos quatro passassem a ostentar um patrimônio exorbitante, porque apesar tê-los feito estudar, ele tem consciência das dificuldades de se vencer. No entanto, Lula, seu filho recebeu mais de US$ 2.000.000,00 (dois milhões de dólares) de uma empresa de telefonia, a Telemar. E isso, apenas por ser seu filho, presidente! Apenas por isso e o senhor achou normal. Não é corrupção passiva? Isso é corrupção Luis Inácio! Não é ético nem moral! É imoral!
E o senhor acha isso normal? Presidente, sempre procurei criar os meus filhos dentro dos mesmos princípios éticos e morais com que fui criada. Sempre procurei passar para eles o sentido de cidadania e de respeito aos outros. Não posso admitir que o senhor, que deveria ser o exemplo de tudo isso por ser o representante máximo do Brasil, venha deturpar a educação que dou a eles. Como posso olhar nos olhos dos meus filhos e garantir que o trabalho compensa, que a vida íntegra é o caminho certo, cobrar o respeito às instituições, quando o Presidente da República está se embriagando da corrupção do seu governo e acha isso normal, ético e moral?
Desafio o senhor a provar que tem mais moral e ética que eu!
Quem sabe “vossa excelência” tenha perdido a noção do que seja ética e moralidade ao conviver com indivíduos inescrupulosos, como o gangster José Dirceu (seu ex-capitão), e outros companheiros de partido, não menos gangsteres, como Delúbio, Sílvio Pereira, Genoíno, entre outros.
Lula, eu acredito que o senhor não saiba nem o que seja honestidade, uma prova disso foi o episódio da carteira achada no aeroporto de Brasília. Alguém se lembra? Era início de 2004, Waldomiro Diniz estava em todas as manchetes de jornal quando Francisco Basílio Cavalcante, um faxineiro do aeroporto de Brasília, encontrou uma carteira contendo US$ 10 mil e devolveu ao dono, um turista suíço. Basílio foi recebido por esse senhor aí, que se tornou presidente da república. Na ocasião, Lula disse em rede nacional, que se alguém achasse uma carteira com dinheiro e ficasse com ela, não seria ato de desonestidade, afinal de contas, o dinheiro não tinha dono. Essa é a máxima de Lula: achado não é roubado.
O turista suíço quis recompensar o Seu Basílio lhe pagando uma dívida de energia elétrica de míseros 28 reais, mas as regras da Infraero, onde ele trabalha, não permitem que funcionários recebam presentes. E olha que a recompensa não chegava nem perto do valor da Land Rover que seu amigo ganhou de um outro “amigo”.
Basílio e Genésio são a cara do povo brasileiro. A cara que Lula tentou forjar que era possuidor, mas não é. Na verdade Lula tinha essa máscara, mas ela caiu. Não podemos suportar ver essa farsa de homem tripudiar em cima na pureza do nosso povo. Lula não é a cara do brasileiro honesto, trabalhador e sofrido que representa a maioria. Um homem que para levar vantagem aceita se aliar a qualquer um e é benevolente com os que cometem crimes para benefício dele ou de seu grupo e ainda acha tudo normal! Tenha paciência! “Fernandinho beira-mar”, guardando as devidas proporções, também acha seus crimes normais.
Desculpe-me, ‘presidente’, mas suas lágrimas apenas maculam a honestidade e integridade do povo brasileiro, um povo sofrido que vem sendo enganado, espoliado, achacado e roubado há anos. E é por esse povo que eu me permito dizer: Presidente, vá se danar!
E não adianta fingir que não é com ele, a responsabilidade do cargo vem com a responsabilidade dos atos dele e de outros
Caminhos Cruzados
Caminhos cruzados
Durante a minha adolescência, apareceram as linhas de escolha políticas prevalecentes no mundo até então. O nosso jovem mundo é o que quero dizer.
Encontrei colegas muitos amigos, que freqüentavam a nossa casa em Belo Horizonte, e que andavam com os livros de Marx e Engels debaixo do braço, e tentavam me convencer que a doutrina socialista era o futuro e que o capitalismo era um grande erro.
Eu confesso que não me aprofundei muito nos ensinamentos dos filósofos alemães, por uma razão simples, falta de tempo. Eu aos dezesseis anos havia lido e ainda lia romances e livros de autores nacionais e internacionais, como Machado de Assis, Monteiro Lobato, José de Alencar, Érico Veríssimo, Jorge Amado, Graciliano Ramos, Alexandre Dumas, Steinbeck, Castro Alves, e muitos outros incluindo os livros da Coleção Terra Mar e AR, com as aventuras de Tarzan, e uma revista policial chamada X9. Sobrou pouco tempo para os Alemães. Mas mesmo assim li um pouco de sua doutrina e ensinamentos, e realmente não me convenci de sua aplicação e possibilidade de sucesso.
Eu lia também uma revista assinada por meu pai, em espanhol, pois não havia em português, e que era a Mecânica Popular, nela eu via os projetos mecânicos e eletrônicos feitos por pessoas simples da sociedade americana, e que espelhava o sucesso do sistema deles, que era o capitalismo tão condenado pelos socialistas.
Com a falta de tempo, gasto em outros autores, e com a vontade de fazer o que faziam os cidadãos americanos, não fui contaminado com as idéias de Marx, que sempre tratei com respeito, mas também com certo desdém.
O tempo passou e o modelo estatal, se bem que um pouco modificado de Marx, se provou ineficiente, e o modelo capitalista tão condenado por ele, continuou dando aos cidadãos americanos um meio de vida razoavelmente melhor do que os países que adotaram uma economia estatal.
Mas existem os “die hard”, expressão com tradução um pouco fraca em português, ou seja, “duro de morrer”.
Um deles é o homenageado do ano Oscar Niemeyer que completou cem anos de uma vida produtiva e talentosa como arquiteto de fama mundialmente reconhecida.
Outro dia recebi em um email outra visão sobre a atitude de Niemeyer, escrita por um autor chamado Rodrigo Constantino. Não pude ou não tive como constatar a veracidade da autoria e a internet é notório para modificar ou atribuir autoria a outras pessoas. Vou publicar a visão dele com restrição e se houver qualquer discrepância quanto à autoria, peço aos leitores que interfiram que eu corrijo.
UM SÉCULO DE HIPOCRISIA
por Rodrigo Constantino
“É divertidíssima a esquizofrenia de nossos artistas e intelectuais de esquerda: admiram o socialismo de Fidel Castro, mas adoram também três coisas que só o capitalismo sabe dar – bons cachês em moeda forte; ausência de censura e consumismo burguês. Trata-se de filhos de Marx numa transa adúltera com a Coca-Cola…” (Roberto Campos)
O arquiteto Oscar Niemeyer completou um século de vida sob grande reverência da mídia. Ele foi tratado como “gênio” e um “orgulho nacional”, respeitado no mundo todo. Não vem ao caso julgar suas obras em si, em primeiro lugar porque não sou arquiteto e não seria capaz de fazer uma análise técnica, e em segundo lugar porque isso é irrelevante para o que pretendo aqui tratar.
Entendo perfeitamente que podemos separar as obras do seu autor, e julgá-los independentemente. Alguém pode detestar a pessoa em si, mas respeitar seu trabalho. O problema é que vejo justamente uma grande confusão no caso de Niemeyer e tantos outros “artistas e intelectuais”. O que acaba sendo admirado, quando não idolatrado, é a própria pessoa. E, enquanto figura humana, não há nada admirável num sujeito que defendeu o comunismo a vida inteira.
Niemeyer, sejamos bem francos, não passa de um hipócrita. Seus inúmeros trabalhos realizados para governos, principalmente o de JK, lhe renderam uma vasta e incalculável fortuna. O arquiteto mamou e muito nas tetas estatais, tornando-se um homem muito rico. No entanto, ele insiste em pregar, da boca para fora, o regime comunista, a “igualdade” material entre todos. Não consta nas minhas informações que ele tenha doado sua fortuna para os pobres. Enquanto isso, o capitalista “egoísta” Bill Gates já doou vários bilhões à caridade.
Além disso, a “igualdade” pregada por Niemeyer é aquela existente em Cuba, cuja ditadura cruel o arquiteto até hoje defende. Gostaria de entender como alguém que defende Fidel Castro, o maior genocida da América Latina, pode ser uma figura respeitável enquanto ser humano. São coisas completamente contraditórias e impossíveis de se conciliar. Mostre-me alguém que admira Fidel Castro e eu lhe garanto se tratar ou de um perfeito idiota ou de um grande safado. E vamos combinar que a ignorância é cada vez menos possível como desculpa para defender algo tão nefasto como o regime cubano, restando apenas a opção da falta de caráter mesmo. Ainda mais no caso de Niemeyer.
Na prática, Niemeyer é um capitalista, não um comunista. Mas um capitalista da pior espécie: o que usa a retórica socialista para enganar os otários. Sua festa do centenário ocorreu em São Conrado, bairro de luxo no Rio, para 400 convidados. Bem ao lado, vivem os milhares de favelados da Rocinha. Artistas de esquerda são assim mesmo: adoram os pobres, de preferência bem longe. Outro aclamado artista socialista é Chico Buarque, mais um que admira Cuba bem de longe, de sua mansão, aqui ou em Paris. E cobra caro em seus shows, mantendo os pobres bem afastados de seus eventos.
A definição de socialista feita por Roberto Campos nos remete diretamente a estes artistas: “No meu dicionário, ’socialista’ é o cara que alardeia intenções e dispensa resultados, adora ser generoso com o dinheiro alheio, e prega igualdade social, mas se considera mais igual que os outros”.
Aquelas pessoas que realmente são admiráveis, como tantos empresários que criam riqueza através de inovações que beneficiam as massas, acabam vítima da inveja esquerdista. O sujeito que ficou rico porque montou um negócio, gerou empregos e criou valor para o mercado, reconhecido através de trocas voluntárias, é tachado de “egoísta”, “insensível” ou mesmo “explorador” por aqueles mordidos pela mosca marxista. Mas quando o ricaço é algum hipócrita que prega aos quatro ventos as “maravilhas” do socialismo, vivendo no maior luxo que apenas o capitalismo pode propiciar, então ele é ovacionado por uma legião de perfeitos idiotas, de preferência se boa parte de sua fortuna for fruto de relações simbióticas com o governo . Em resumo, os esquerdistas costumam invejar aquele que deveria ser admirado, e admirar aquele que deveria ser execrado. É muita inversão de valores!
Recentemente, mais três cubanos fugiram da ilha-presídio de Fidel Castro. Eles eram artistas, como o cantor Chico Buarque, por exemplo. Aproveitaram a oportunidade e abandonaram o “paraíso” comunista, que faz até o Brasil parecer um lugar decente.
Eu gostaria de aproveitar a ocasião para fazer uma proposta: trocar esses três “fugitivos” que buscam a liberdade por Oscar Niemeyer, Chico Buarque e Luiz Fernando Verissimo, três adorados artistas brasileiros, defensores do modelo cubano. Claro que não seria uma troca compulsória, pois estas coisas autoritárias eu deixo com os comunistas, que abominam a liberdade individual. A proposta é uma sugestão, na verdade. Acho que esses três comunistas mostrariam ao mundo que colocam suas ações onde estão suas palavras, provando que realmente admiram Cuba. Verissimo recentemente chegou a escrever um artigo defendendo Zapata e Che Guevara. Não seria maravilhoso ele demonstrar a todos como de fato adora o resultado dos ideais dessas pitorescas figuras?
Enfim, Niemeyer completa cem anos de vida. Um centenário defendendo atrocidades, com incrível incapacidade de mudar as crenças diante dos fatos. O que alguém como Niemeyer tem para ser admirado, enquanto pessoa? Os “heróis” dos brasileiros me dão calafrios! Eu só lamento, nessas horas, não acreditar em inferno. Creio que nada seria mais justo para um Niemeyer quando batesse as botas do que ter de viver eternamente num lugar como Cuba, a visão perfeita de um inferno, muito mais que a de Dante. E claro, sem ser amigo do diabo, pois uma coisa é viver em Cuba fazendo parte da nomenklatura de Fidel, com direito a casas luxuosas e Mercedes na garagem, e outra completamente diferente é ser um pobre coitado qualquer lá. Acredito que esse seria um castigo merecido para este defensor de Cuba, que completa um século de hipocrisia sendo idolatrado pelos idiotas.
E o excelente jornalista Laurence Bittencourt Leite, disse a mesma coisa sem mencionar o nosso herói, e de uma forma mais sutil. Bem mais sutil.
Por Laurence Bittencourt Leite, jornalista
Por muito tempo acreditei em socialismo e bobagens como ser o Estado o motor do desenvolvimento. Não é. Tempos bobos e infantis. Para quem ele seria o motor do desenvolvimento? Isso é importante responder. E se fosse, por que a União Soviética faliu? Ninguém responde. Silêncio estratégico. Isso claro, porque não há resposta. Idem a mesma pergunta com o “socialismo” da China? Ou por que Cuba é uma miséria, onde as pessoas fazem fila para conseguir um pedaço de pão e falta o mínimo (para a maioria bem entendido)? Se política e Estado resolvesse o problema por que o Sudão é o que é, vivendo apenas em guerras tribais? Nem falo nos países onde o que temos é um misto de religião e Estado. A economia entre eles simplesmente não existe.
É infantil acreditar no Estado como motor do desenvolvimento. O Brasil é o exemplo, onde estamos parados e emperrados há séculos. Crescer dói. A única questão séria, certamente é (foi) a grande percepção de Bernard Shaw de que Marx nos ganha moralmente. E ganha. Isso para quem o leu direitinho, com sua análise do capitalismo nascente. Quem pode ficar a favor de um sistema que põe para trabalhar mulheres e crianças 10, 12, horas por dia? Ninguém obviamente. Isso foi o capitalismo nascente. Incrível que hoje as mulheres fazem parte da mão de obra do mundo moderno, instituído por esse mesmo capitalismo, amedrontando o poder masculino. Essa pode ser uma outra história, se bem que faça parte dessa história, repito, para que entende mesmo.
Bernard Shaw foi um gênio ao dizer que Marx nos ganha moralmente. Mas sem esquecer de acrescentar ao final, “e ponto final”. Shaw não era marxista, bem entendido. Mas não vou entrar aqui nesse detalhe. Fica para um outro momento. Ou então como escreveu Merleau Ponty ao dizer que Marx era um clássico. E é. Mas Marx não escreveu uma virgula sobre o que seria a economia socialista. Não há economia socialista. É ai que ele emperra e todos os grandes teóricos que escreveram sobre ele, de Isaiah Berlin, Raymond Aron, Sartre, até Noberto Bobbio. Deixo de fora os revolucionários de 17. O que Marx fez foi produzir uma critica sobre a economia capitalista passando a imaginar (criar) um sistema fechado que achou que a humanidade iria seguir. No entanto, deixou de fora desse sistema a economia. Esse foi o nó.
Se riqueza fosse dinheiro no bolso, seria fácil resolver o problema do mundo. Mas não é. Quem entende isso? Adianta? Aqui na América Latina, uma das latrinas do mundo ainda se acredita nisso. Produzem-se quilos de papeis para defender o atraso. Mas vejam os que defendem isso? Estão mamando direta ou indiretamente com o Estado à custa da população esquálida e miserável. Sabem disso? Riem com isso.
Quando li Roberto Campos escrever que riqueza não era dinheiro no bolso, tremi da raiva, no meu tempo de esquerdismo. Ele estava totalmente certo. Eu errado. Será que as pessoas que defendem o socialismo ou o Estado como motor do desenvolvimento acreditam mesmo nisso? A picaretagem não tem limites. Não se envergonham, nem se acanham. Se riqueza fosse dinheiro no bolso bastaria colocar um grupo de 100 (bastaria 100) pessoas dividido em grupo de 10 trabalhando um dia (um dia) por semana para “fabricar” dinheiro e dar para cada contribuinte 100 mil reais por mês. A burrice não tem limites. Esse tipo de “saída” segue o mesmo raciocínio “lógico” de querer derrubar a inflação por decreto. Mas decreto num país como o nosso, no setor público, é a grande produção. Adianta?
O grande fascínio de Marx foi moral. Na prática um desastre. Marx, para quem entende, virou Hegel de cabeça baixo, esquecendo o desenvolvimento ou evolução espiritual se concentrando na existência ou relações materiais, que para ele, Marx, moveria o mundo. Deixou de lado o psicológico e viu na religião o ópio do povo. Um avanço? Hoje um dos ópios do povo, são as produções esquerdistas. Imaginar que o capitalismo seja algo ideal é tolice, mas sua vitória é inconteste no mundo. Basta perceber que a democracia (no socialismo não tem democracia) aceita tudo. Repito, aceita tudo. Ou seja não é excludente. Ao contrário do socialismo. Haja picaretagem. Mas adianta? No mundo artístico as provas são incalculáveis. Um autor como J. D. Salinger que detesta o mundo moderno, escreveu um livro e ficou milionário, virando as costas para esse mundo não saindo de dentro de casa. Impossível isso no socialismo de Fidel. Mas nossos escritores querem vender muito ficando contra o mercado. Olhem a incoerência. Mas repito, o capitalismo é duro.
Contradições.
Não sendo eu instruído na carreira legislativa ou legal, fico sempre imaginando o significado amplo da palavra democracia sem na verdade encontrar uma coerência final no o que realmente significa este sistema de governo.
As pessoas e jornalistas que dentro de suas colunas, citam este sistema, dizem ou escrevem uma visão geral, com poucos detalhes e apenas superficial mais para ilustrar o tema em que se baseia a notícia.
Outro dia herdei de um primo recentemente falecido, alguns livros interessantes, e entre eles, um que se destaca é o “Dicionário de Política” editado pela UNB, e tendo como autores: Norberto Bobbio, Nicola Matteucci, e Gianfranco Pasquino.
Este exemplar é a 8ª edição de um livro originalmente italiano e magistralmente traduzido, editado pela gráfica da Universidade de Brasília.
Procurei então neste livro a definição de Democracia.
É um tema extenso e complicado, sendo que este tema foi durante séculos discutido entre os povos, sem que se chegasse à uma conclusão inteiramente óbvia sobre a melhor maneira de governo popular.
Sendo a sociedade como um todo muito mais dinâmica do que as leis, algumas idéias que poderiam ter dado certo entre uma sociedade, ficaram datadas com o passar dos tempos, e foram então distorcidas e modificadas por ação do próprio povo. Estas modificações em curso, feitas geralmente por pessoas visando algum interesse próprio, levam à modificações do sistema do povo para um sistema menos participativo que nos casos extremos termina com uma ditadura déspota, onde os direitos cidadãos não são respeitados.
Pelo que eu pude vislumbrar dentro dos ensinamentos deste tema, a democracia atual se baseia em dois itens:
1. Voto popular – o mandatário é escolhido por votação popular voluntária.
2. Independência entre os poderes – Os três principais poderes democráticos, Legislativo, Executivo e Judiciário, têm que ser totalmente independentes entre si.
As democracias existentes atuais, que governam as repúblicas, têm algumas características próprias de cada uma delas, e das 165 atuais, apenas 11 mantêm um regime democrático à mais de 30 anos.
A mais duradoura de todas é a republica dos Estados Unidos da América, que instituiu a sua constituição em 1789, e que nela especificou o seu tipo de governo e que é respeitado até hoje.
Existem atualmente algumas distorções sociais no sistema americano, que são constantemente discutidos em sua suprema corte, mas em síntese o sistema prevalece.
Desde que em uma democracia o poder emana do povo, e sendo que nos países modernos o desejo do povo é manifestado pelos representantes deste povo, a promiscuidade entre o executivo e o legislativo prejudica esta relação.
O judiciário, que seria o responsável para julgar procedentes as modificações necessárias para a adaptação do sistema democrático ao dinamismo social, deve ser o mais afastado possível do sistema executivo para se evitar decisões parciais ou privilegiadas.
As principais distorções do sistema atual brasileiro são as seguintes:
· Obrigatoriedade de voto –
o A prática do voto obrigatório remonta à Grécia Antiga, quando o legislador ateniense Sólon fez aprovar uma lei específica obrigando os cidadãos a escolher um dos partidos, caso não quisessem perder seus direitos de cidadãos. A medida foi parte de uma reforma política que visava conter a radicalização das disputas entre facções que dividiam a pólis. Além de abolir a escravidão por dívidas e redistribuir a população de acordo com a renda, criou também uma lei que impedia os cidadãos de se absterem nas votações da assembléia, sob risco de perderem seus direitos.
o No Brasil, o voto é obrigatório para cidadãos entre 18 e 70 anos, e opcional para cidadãos de 16, 17 ou acima de 70 anos. Críticos dessa lei argumentam que ela facilita a criação de currais eleitorais, onde eleitores de baixo nível educacional e social são facilmente corrompidos por políticos de maior poder financeiro, que usam técnicas de marketing (quando não dinheiro vivo ou favores diretos) para cooptá-los. Ainda de acordo com os críticos, o voto obrigatório é uma distorção: o voto é um direito, e a população não pode ser coagida a exercê-lo.
· A compra de votos –
o Sempre vai existir um pequeno percentual de votos comprados. A justiça está de olho e alguns parlamentares que foram pilhados comprando votos perderam os seus mandatos. Agora depois da reeleição para presidente da republica, os programas sociais do governo, estão descaradamente sendo usados para comprar votos. Pelas ultimas estatísticas do IBGE, são 47 milhões de pessoas diretamente inscritos nos programas sociais do governo, principalmente o “Bolsa Família”. Com a obrigatoriedade do voto e com um benefício como esta esmola dada sem nenhuma contrapartida, fica evidente que a máquina federal está aparelhando uma grande parte da população para mascarar a democracia, e cinicamente comprando votos. Se considerarmos que pelo menos a metade desta população vivendo à custa do governo, e ouvindo nos programas de campanha eleitoral que um novo governador ou presidente vai acabar com a mamata. Votam com o governo para garantir a manutenção da mamata.
o Sendo as máquinas de votar muito sofisticadas hoje em dia, seria bem fácil cruzar os votos dados com os participantes dos programas sociais do governo, e anular estes votos, para que depois das eleições não exista a possibilidade de um impedimento por votos comprados.
o O TSE deveria ficar atento a esta possibilidade para que a tênue democracia existente atualmente, não fique travestida de legalidade sendo que na verdade, a maioria dos votos foi comprada com dinheiro dos impostos.
· A impunidade –
o Durante a campanha para presidente, ficou constada uma situação de caixa dois pela campanha do Lula para presidente. Comparado com as cifras faraônicas das campanhas, o valor em pauta era apenas de R$20.000,00.
o Diante desta possibilidade, de impugnação da chapa do Lula, o simpático TSE decidiu que como era apenas uma questão de vinte e poucos mil reais, isto não representaria uma vantagem real para o Partido dos Trabalhadores, e arquivou o processo.
o E aqui fica a pergunta para o Ministro Marco Aurélio Mello (O autor da decisão): e a quebra da lei? Se for pequena pode ficar impune? E onde na constituição existe alguma clausula sobre isto? E onde no código penal existe a estipulação de que se o delito for por questão quantitativa monetária inferior aos milhões gastos em campanhas políticas pode ficar impune? E onde em algum lugar exista uma decisão de que se o valor do roubo for pequeno, que o perpetrador do delito pode ficar com a vantagem da pilhagem?
· O governo por decreto –
o Existe uma possibilidade dentro da nossa constituição que está definitivamente sendo usada pelo poder executivo para mascarar a democracia e fazer dela um sistema esdrúxulo e espúrio, sem realmente uma das características de separações entre os poderes. São as medidas provisórias editadas sem critério ou sem limites, fazendo do executivo um legislador das próprias decisões.
o Este aparato está sendo usado indiscriminadamente pelo governo, às vezes em claro detrimento da constituição, sem as necessárias causas e motivos emergenciais, para parar a pauta do congresso, em certas decisões que não favorecem ou fazem parte dos planos do executivo. E quando aparecem votações interessantes aos interesses do executivo, elas são cinicamente retiradas e a pauta fica então liberada para a votação que favorece os interesses do executivo.
o Esta promiscuidade entre poderes, tira do povo a possibilidade de interferência em assuntos de interesse popular direto, e deveria sem perde de tempo ser modificada, limitando imediatamente o número de medidas provisórias que o executivo poderia emitir. Um bom número seria apenas seis por ano ou uma a cada dois meses, apenas para os assuntos de real emergência. Este excesso de medidas provisórias criou um governo por decreto e a representatividade democrática fica definitivamente abalada.
Bem por hoje, são estas divagações sobre os regimes democráticos existentes e entre eles o do Brasil que está rapidamente se modificando para ficar parecido com a democracia de Hugo Chaves, Fidel Castro, Adolf Hitler, Benito Mussolini, Sadan Hussein, entre outros déspotas onde de acordo com eles estes mandatários foram eleitos com os votos populares, e então este era um sistema democrático.
Nem sempre a pura manifestação do povo pelo voto se traduz em uma democracia.
Um bom 2008 para todos os participantes deste local de desabafo, e um agradecimento pelas visitas e pelos comentários enviados.
Um grande abraço
Roberto Leite
As verdades!…..
As verdades!…..
Outro dia, um comentarista do blog, meu homônimo, (agradeço o comentário e a visita e o comentário está publicado) comentou que a oposição é muito cara de pau, por querer pautar o Brasil com a agenda derrotada em 2006.
Eu não me considero oposição política, sou sim oposição desta corja que o MP reconheceu como a maior quadrilha já posta em prática para roubar o erário.
A oposição não perdeu em 2006 com uma agenda derrotada, perdeu simplesmente por não saber fazer a campanha política necessária, por pensar que os problemas que envolviam o governo Lula iriam derrotá-lo por si só, e perdeu por excesso de selo em fazer uma campanha limpa e politicamente correta.
Perdeu por não insistir que o Lula explicasse a súbita fortuna de seu filho Luiz Flávio. Perdeu por não insistir que o Lula explicasse a reforma de seu apartamento com os cartões corporativos. Perdeu por deixar que os beneficiados pelos programas como a “Bolsa Esmola” pudessem votar.
Pelas ultimas contas, os beneficiados pela “Bolsa Família” são mais de 40 milhões, e estes quarenta milhões, como não poderia deixar de ser votaram no Lula.
Outro dia um prefeito perdeu o mandato por usar uma publicação oficial para fazer campanha política. Se estes quarenta milhões de beneficiados, que são realmente votos comprados, fossem impedidos de votar, o Lula iria ter somente 18 milhões de votos e perderia.
O TSE viu tudo isto de olhos fechados, e fez vista grossa quando a campanha do
Lula insinuou que se o opositor fosse eleito, o programa da esmola iria acabar.
A oposição viu tudo isto, e não fez nada e mereceu perder.
A agenda da oposição é a mesma do atual governo, pois o governo do Lula não tem agenda própria e segue na mesma política do governo anterior só que um pouco pior. E isto não quer dizer que a agenda do governo anterior está correta.
Está realmente parcialmente correta, mas também tem erros incríveis e distorções fantásticas que deveriam ter sido corrigidas se este atual governo tivesse competência para tal.
Os índices favoráveis da atual política estão assim porque o mundo permitiu e está crescendo como um todo. Poderia ter sido mais bem aproveitada se existisse um mínimo de boa vontade e competência por parte do governo.
Com a preocupação do governo em re-estatizar o país, aparelhar a máquina, e ao mesmo tempo se locupletar, esqueceu de governar.
E não foi falta de conhecimento, pois pessoas capazes e conhecedoras do problema não faltaram para não apenas criticar, mas oferecer as soluções cabíveis que colocariam o Brasil em um patamar superior frente ao mundo.
Leiam abaixo o artigo do economista Rodrigo Vieira de Ávila, permeado de pesquisas e verdades, que se fosse levado em conta poderia ter havido uma melhora considerável no Brasil.
PAC: Programa de Atendimento aos Credores
Rodrigo Vieira de Ávila (*)
Dia 22 de janeiro de 2007, o Governo Federal anunciou o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), que consiste na suposta realização de investimentos de R$ 503 bilhões até 2010. Tais investimentos estariam dividos em três grandes áreas: “Logística” (transportes), “Energia” e “Infra Estrutura Social e Urbana” (habitação e saneamento). Com este Programa, o governo busca obter taxas de crescimento econômico maiores que as pífias taxas ocorridas nos últimos anos.
À primeira vista, esta quantia de R$ 503 bilhões parece algo monstruoso (valor este equivalente a quase 70% de todos os gastos do governo federal em 2006[1]), e sugeriria que o governo estaria realmente empenhado em melhorar a infra-estrutura do país, e as condições de vida da população brasileira. Mas o PAC não significa isso. Na realidade, o PAC aprofunda a política de superávits primários e de priorização aos gastos com a dívida pública, adotando medidas que implementam a proposta feita recentemente por Delfim Netto, do chamado “Déficit Nominal Zero”. Esta proposta consiste em aumentar o superávit primário de forma a viabilizar o pagamento de todos os juros da dívida. Visto que hoje o superávit equivale a menos da metade dos juros, a proposta de Delfim prega a realização de um ajuste fiscal de longo prazo, que busque cortar os gastos sociais (principalmente os da previdência, salário mínimo e dos servidores públicos) por um período de 10 anos, de forma a viabilizar o total pagamento dos encargos da dívida.
Para implementar a idéia proposta por um dos maiores ícones da ditadura militar, o governo Lula incluiu no PAC medidas que visam cortar gastos sociais pelos próximos 10 anos. Não por acaso, um dos itens do Programa denomina-se “Medidas Fiscais de Longo Prazo”, e prevê a limitação por 10 anos dos gastos com os servidores públicos, a limitação do reajuste do salário mínimo a índices pífios até 2011 e a criação do Fórum Nacional da Previdência Social, que visa propor uma nova Reforma da Previdência, para retirar mais direitos duramente conquistados pelos trabalhadores.
A Dívida Pública, o verdadeiro entrave ao desenvolvimento
Em 2006, o país sofreu uma sangria nunca antes vista na história. Os gastos federais com juros e amortizações das dívidas interna e externa[2] atingiram nada menos que R$ 275 bilhões, valor este equivalente a 37% do Orçamento de 2006. Parece impossível acreditar que esta fortuna, que beneficia uma elite de rentistas, foi muito maior que todos os gastos em 2006 da Previdência Social (R$ 193 bilhões), que atenderam a 24,2 milhões de beneficiários do Regime Geral de Previdência Social e suas famílias, além de mais de um milhão de servidores públicos federais inativos e seus pensionistas. O gráfico da página seguinte mostra como os gastos com a dívida em 2006 foram muitas vezes superiores aos gastos destinados a importantes áreas sociais.
Estes R$ 275 bilhões, gastos com a dívida apenas em 2006, equivalem a mais da metade do valor anunciado para o PAC para os próximos 4 anos (R$ 503 bilhões). Enquanto limita pesadamente os gastos sociais, o PAC, assim como todas as medidas econômicas deste governo e dos anteriores, não traz limite algum aos gastos com a dívida pública. Como veremos a seguir, esse Programa implementa, por lei, limitações nunca antes feitas aos gastos sociais, razão pela qual o PAC representa, na realidade, um verdadeiro “Programa de Atendimento aos Credores”.
Orçamento Geral da União – 2006 – Executado até 31/12/2006
Fonte: Orçamento Geral da União (Sistema Access da Câmara dos Deputados)
Nota: Não inclui o Refinanciamento da Dívida
Limite para os gastos com servidores
Uma das medidas do PAC é o Projeto de Lei Complementar (já editado) que limita os gastos com servidores. Ele altera a “Lei de Responsabilidade Fiscal”, e diz que o gasto com funcionalismo somente poderá aumentar pela inflação mais 1,5% de aumento real, pelos próximos 10 anos (dentro da idéia do Déficit Nominal Zero). Esta medida elimina a possibilidade da recuperação, pelos servidores, das perdas passadas, uma vez que o próprio crescimento do número de servidores (pela realização de concursos públicos) ou a progressão na carreira dos servidores em atividade já consome a maior parte deste 1,5% de aumento real anual.
Importante lembrar que, em 1995, os gastos com pessoal equivaliam a 56,2% da Receita Corrente Líquida[3] do Governo Federal. Em 2005, equivaliam a apenas 30,9% (segundo o Boletim Estatístico de Pessoal do Ministério do Planejamento, de março/2006). E os neoliberais de plantão continuam apregoando que os gastos com pessoal são o grande problema das contas públicas. Mas o pior é que o governo adota esta idéia, e ainda propõe limitar de forma inédita (por meio de Lei Complementar) os aumentos dos servidores pelos próximos 10 anos.
Um detalhe importante dessa medida é que este limite – de aumento real de 1,5% ao ano – é para a folha de pagamento como um todo, ou seja: algumas categorias de servidores podem receber aumentos diferenciados. Ou seja: trata-se de incentivar uma guerra entre os próprios servidores, que terão de disputar entre si os parcos recursos para seus respectivos reajustes.
Um pequeno atenuante desta medida é o fato dela excluir do limite o impacto financeiro das alterações de legislação (resultantes das negociações com os servidores) efetivadas até 31 de dezembro de 2006.
Limite para o aumento do salário mínimo
Com relação ao salário mínimo, o PAC transforma em Lei o recente acordo com centrais sindicais, segundo o qual o índice anual de reajuste nos próximos quatro anos será baseado na inflação mais a variação real do PIB de dois anos atrás. Ou seja: dadas as últimas projeções para o crescimento econômico brasileiro nos próximos anos, o mínimo apenas crescerá cerca de 3% ao ano em termos reais. Sempre é bom lembrar que o “salário mínimo necessário” (calculado pelo DIEESE) era de R$ 1.510 em outubro de 2006. Este é o valor que garante o cumprimento do Artigo 7º da Constituição, segundo o qual é direito do trabalhador o salário mínimo capaz de atender às suas necessidades vitais básicas e de sua família com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social. Porém, com este índice de reajuste definido pelo governo e centrais sindicais, serão necessários 50 anos para que o mínimo atinja R$ 1.510. Isso considerando que o PIB crescerá 3% ao ano no período.
Essa limitação ao salário mínimo também segue a lógica do “Déficit Nominal Zero”, uma vez que visa impedir o aumento, como proporção do PIB, dos gastos com a Previdência. Dentro desta visão neoliberal, a Previdência seria a grande vilã das contas públicas, pois apresentaria imenso “déficit”, que teria de ser combatido com a redução dos benefícios previdenciários. Porém, sabemos que este “déficit” é fabricado através da mera comparação entre benefícios previdenciários e contribuições sobre a folha de salários. Esta falsa comparação omite escandalosamente que a Constituição de 1988 definiu que as fontes de financiamento da Seguridade Social (que inclui as áreas de saúde, assistência e previdência) não seriam apenas as contribuições sobre a folha, mas também contribuições como a Cofins, a CPMF e a CSLL. Quando computamos estas outras fontes de receita, verificamos que a Seguridade Social é altamente superavitária.
Criação do Fórum Nacional da Previdência Social
A Reforma da Previdência também é um dos pontos centrais da proposta de Déficit Nominal Zero, de Delfim Netto, e adotada por Lula. Por Decreto Presidencial de 22/01/2007, o PAC criou Fórum para a elaboração de uma proposta de Reforma da Previdência, tanto para o setor privado (INSS) como para os servidores públicos.[4] Para não ter de assumir o ônus político de propor a Reforma, Lula cria um Fórum que contará com a participação das centrais sindicais, governo e empresários. Em notícia do jornal Estado de São Paulo, de 23/01/2007, o Secretário de Políticas de Previdência Social, Helmut Schwarzer, diz abertamente que um dos objetivos do governo com o Fórum da Previdência é estabelecer a idade mínima para a aposentadoria no INSS. A notícia mostra também que o governo ainda vai “subsidiar” o Fórum com estudos encomendados. Ora, já vimos este filme. É claro que estes estudos tendenciosos irão justificar uma nova reforma. É claro também que tudo isso não passa de encenação para que o governo tente fazer a reforma sem “sujar as mãos”.
Em notícia do jornal Investnews, no dia 24/01/2007, representante do setor financeiro afirma que “O Fórum permitirá a reunião de amplos setores da sociedade para discutir medidas polêmicas, que o governo não consegue adotar unilateralmente. Entre elas, por exemplo, o aumento da idade mínima para aposentadoria e o fim da aposentadoria especial para as mulheres (…) Com o Fórum poderão ser encontradas soluções consensuais, fazendo com que o Congresso acolha as medidas”. Está claro que os bancos, que terão assento garantido no Fórum (ao lado dos empresários, que também defendem pesadas reformas da Previdência) irão buscar a deterioração da previdência pública, para que possam ganhar rios de dinheiro explorando a previdência privada.
Resta saber qual será o papel das Centrais Sindicais neste Fórum. Irão novamente contra o interesse dos trabalhadores, assim como o foram na Reforma da Previdência de 2003?[5] Irão legitimar uma nova reforma, para livrar a cara do governo? Irão novamente se utilizar de um Fórum para tentar criar um falso consenso, como no recente episódio da Reforma Sindical?
É importante ressaltar também a contradição no fato do governo estar criando um Fórum para a discussão da Previdência e estar, ao mesmo tempo, impondo a aprovação do projeto da “Super Receita”, já em fase final de tramitação no Congresso. Ora, se a unificação dos fiscos já está concentrando no Tesouro os recursos da Previdência, qual a utilidade da criação deste Fórum, senão para implementar uma reforma previdenciária?
O PAC e a falsa redução do superávit primário
Apresentado pelo governo e pela imprensa como um Programa ambicioso de meio trilhão de reais em investimentos, o PAC, na verdade, é mais do mesmo. Nada menos que R$ 274 bilhões (dos R$ 503 bilhões totais) são investimentos em energia, oriundos de empresas estatais – principalmente a Petrobrás, cujos investimentos já estavam previstos antes do PAC – e outras fontes (fora do Orçamento Geral da União), ou seja: isso não representa um aumento significativo nos investimentos públicos. Outros R$ 146 bilhões referem-se a supostos investimentos em habitação e saneamento. Porém, não se trata de investimento público, e sim, preponderantemente, de financiamentos a empresas e pessoas físicas, que podem não ser contratados, e caso o sejam, terão de ser reembolsados ao governo. Outros R$ 58,3 bilhões são investimentos em transportes, em obras que, na maioria das vezes, já estavam previstas no Plano Plurianual de Investimentos (2004-2007).
A única fonte adicional relevante de recursos do Orçamento Geral da União para o PAC é o Projeto Piloto de Investimentos (PPI), que fornecerá R$ 52,5 bilhões nos próximos 4 anos, que não são contabilizados no cálculo do superávit primário. O PPI subirá dos atuais 0,2% do PIB para 0,5% do PIB nestes 4 anos, o que reduziria o superávit primário de 4,25% para 3,75% do PIB. O governo e setores da mídia apregoam que, desta forma, o governo Lula estaria priorizando os gastos sociais ao invés de gastar com a dívida. Errado. Em primeiro lugar, esta suposta redução no superávit se equivale a “retirar o bode da sala”, ou seja, reduzir o superávit para os níveis ocorridos durante o governo FHC. Em segundo lugar, por imposição do FMI, o PPI somente pode abranger empreendimentos que tenham retorno financeiro, principalmente por meio da cobrança de pedágios e tarifas. A maior parte destes investimentos se dá no setor de transportes, com a recuperação ou construção de rodovias. Após o Estado fazer os maiores dispêndios, estes empreendimentos podem ser repassados à iniciativa privada, que cobrará tarifas ou pedágio. É bom lembrar que o governo já anunciou que vai conceder à iniciativa privada 7 trechos de rodovias, onde serão instalados pedágios.
Ou seja: o PPI é, na verdade, mais uma forma de financiar privatizações, e esta suposta “redução” no superávit é falsa, pois o povo pagará por isso na forma de pedágios e tarifas. Ao mesmo tempo em que destina a maior parte do orçamento para o pagamento da dívida e contingencia os recursos da CIDE (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico), criada exatamente para custear as melhorias na rede viária, o governo obriga as pessoas a pagarem mais uma vez para poderem trafegar em estradas com boas condições.
Crescimento Econômico: para quem?
Em sua obsessão em atingir um crescimento econômico de 5% ao ano, o governo esquece de uma questão fundamental: quais seriam os setores que deveriam ser beneficiados? O PAC não questiona o modelo econômico brasileiro, que serve principalmente ao pagamento da dívida. Para tanto, este modelo privilegia os setores exportadores (que garantem as divisas necessárias para o pagamento aos credores externos) e o setor financeiro. É bastante ilustrativo o fato de que, logo após a divulgação do PAC – que teria por objetivo o aumento dos investimentos – o Banco Central reduziu o ritmo de queda das taxas de juros brasileiras, que são as maiores do mundo.
Na área de energia elétrica, por exemplo, o PAC prevê facilidades para os financiamentos concedidos pelo BNDES. A idéia seria afastar a hipótese de um novo apagão. Porém, temos de entender a lógica do sistema elétrico brasileiro, que hoje privilegia o atendimento das indústrias eletro-intensivas (como por exemplo as de alumínio, papel, celulose, etc), que consomem cerca de 32% da energia utilizada no Brasil[6]. São indústrias que produzem preponderantemente para a exportação, causam danos ambientais e geram poucos empregos, e ainda se beneficiam de tarifas baixíssimas de energia, muito menores que as pagas pelos consumidores residenciais. Ao invés de reverter este modelo que está depredando o meio ambiente e privilegiando pouquíssimos, o PAC faz o contrário: altera a legislação ambiental, de forma a agilizar os processos de licenciamento de empreendimentos energéticos.
Outra característica do PAC que ilustra a manutenção do modelo econômico é a ausência total do tema da Reforma Agrária, que, este sim, teria papel fundamental no desenvolvimento do país. Pesquisas comprovam[7] que os assentamentos de Reforma Agrária promovem uma dinamização da economia local e a distribuição de renda, diferentemente do chamado “agronegócio”, que não gera emprego e produz para a exportação. Ilustra bem esse aspecto a inclusão, no PAC, do Projeto de Transposição do São Francisco, que afetará seriamente o meio ambiente, para beneficiar o agronegócio.
No setor de transportes, a prioridade também é a facilitação do escoamento da produção nacional para o resto do mundo, através de ferrovias, hidrovias, rodovias e melhoria de portos. Alguns destes projetos são altamente danosos ao meio ambiente, como a hidrovia Paraná-Paraguai e o complexo do Rio Madeira, formado pelas hidrelétricas do Jirau e Santo Antônio, que visa também a criação de um grande sistema de hidrovias. Estes projetos visam escoar uma produção principalmente de minérios e commodities agrícolas, que beneficiam poucas empresas (muitas delas transnacionais), e não o povo brasileiro, que apenas fica com os danos ambientais causados por tais empreendimentos.
Outra prova de que o PAC não muda a lógica econômica é a ausência de uma reforma tributária realmente distributiva. As medidas tributárias do PAC se limitam a pequenas isenções fiscais a determinados setores, muitos deles altamente oligopolizados (como os do aço) que irão simplesmente embolsar tais isenções, não as repassando para o consumidor final.
Mudar o modelo de desenvolvimento
Para o Brasil realmente se desenvolver, é necessário alterar o modelo econômico, baseado no atendimento aos credores financeiros e exportadores. Para isso, deve alterar a política relativa ao endividamento. Não é possível que um país continue gastando 37% de seu orçamento anual (o equivalente a mais da metade dos supostos investimentos do PAC em 4 anos) para remunerar os rentistas. Os gastos com a dívida impedem os verdadeiros investimentos nas áreas que o país precisa, como educação, saúde e reforma agrária que, não por acaso, estão de fora do PAC.
A política de priorização aos rentistas impede os verdadeiros investimentos públicos, enquanto o nível altíssimo de endividamento brasileiro deixa o governo na mão do mercado financeiro, que assim continua cobrando altos juros para rolar a dívida. O Banco Central continua alheio aos anseios do país, mantendo e aprofundando a política dos juros mais altos do mundo, o que impede também o investimento privado.
Sem enfrentar o endividamento, não há mágica que faça o país se desenvolver. E para enfrentar o endividamento, o estoque atual da dívida deve ser questionado. Do contrário, continuaremos a pagar juros para sempre, pois, mesmo que a taxa Selic fosse drasticamente reduzida, o enorme estoque do endividamento nos obrigaria a gerar superávits primários monstruosos para pagarmos apenas os juros desta dívida.
E para questionarmos de forma soberana o estoque desta dívida obscura e repleta de irregularidades, nada melhor do que uma ampla e profunda auditoria com a participação da sociedade civil. Temos de identificar, por exemplo, as responsabilidades da ditadura militar sobre a dívida externa, uma vez que seu estoque atual decorre da elevação unilateral e ilegal das taxas de juros pelos EUA no final dos anos 70. Temos de identificar as irregularidades na sua contratação, já denunciadas em relatórios do Congresso Nacional. Temos de identificar como este endividamento externo implicou no enorme endividamento interno, provocado pelas altíssimas taxas de juros brasileiras, uma vez que estas foram estabelecidas para se atrair o capital estrangeiro, garantindo-se assim as divisas necessárias ao pagamento dos credores externos.
Temos de identificar também porque as dívidas dos estados foram completamente assumidas pelo Governo Federal no final dos anos 90 (quando já se encontravam infladas pelas atronômicas taxas de juros do governo federal), sem nenhum questionamento da origem obscura e muitas vezes ilegal destas dívidas. Temos também de questionar a legalidade das taxas de juros da dívida interna, uma vez que caracterizam crime de usura. Temos também de questionar os pagamentos antecipados da dívida externa, uma vez que foram feitos por meio da geração de mais dívida interna, mais cara e com prazos mais curtos.
É necessário uma auditoria sobre a dívida para que possamos recuperar o dinheiro que foi saqueado dos cofres públicos por todas estas décadas, punirmos os responsáveis por tais crimes, e, principalmente, mudarmos nosso modelo de desenvolvimento, por outro que não implique na depredação ambiental, na concentração de renda e no privilégio a um pequeno grupo de rentistas.
Brasília, 26/01/2007
(*) Economista da Campanha Auditoria Cidadã da Dívida, inserida na Rede Jubileu Sul Brasil.
[1] Exclusive o gasto com o Refinanciamento da Dívida (ou seja, a troca de títulos velhos por novos).
[2] Idem nota acima. Fonte: Orçamento Geral da União (Sistema Access da Câmara dos Deputados, 31/12/2006)
[3] A Receita Corrente Líquida do Governo Federal equivale às receitas menos as transferências a estados e municípios, a contribuição para o PIS/PASEP e os benefícios previdenciários do INSS.
[4] Em seu Artigo 1º, inciso I, o Decreto diz que o objetivo do Fórum é “promover o debate entre os representantes dos trabalhadores, dos aposentados e pensionistas, dos empregadores e do Governo Federal com vistas ao aperfeiçoamento e sustentabilidade dos regimes de previdência social e sua coordenação com as políticas de assistência social” (grifos nossos). Ou seja, a Fórum abrangerá tanto o Regime Geral de Previdência Social (INSS) como também o Regime Próprio de Previdência dos Servidores.
[5] O presidente da CUT, Luiz Marinho, chegou a ser contrário à greve dos servidores públicos pela retirada da proposta de Reforma da Previdência em 2003. Ver notícia da Folha de São Paulo, de 12/06/2003, “Protesto opõe direção da CUT e servidores”.
[6] Dado fornecido pelo MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens), no site http://agenciacartamaior.uol.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=1143&alterarHomeAtual=1
[7] Ver, por exemplo, pesquisa do NEAD (Núcleo de Estudos Agrários e Desenvolvimento Rural), “Impactos dos Assentamentos: Um estudo sobre o meio rural brasileiro”, de 2004.
Oração de natal de 2007.
Oração de natal de 2007.
Eu não sei realmente quem seja Hugo Hamann, (existe um economista por este nome) peço por isto desculpas pela minha ignorância, mas o seu poema de final de ano em segunda edição é imperdível. Ele encontrou de tudo um pouco, e nos mostra quanto a memória perdoa. Várias destas citações, no momento do acontecimento foram revoltantes, mas com o tempo, começam a cair no esquecimento, e são lembranças como esta do Hamann que conservam vivas as mazelas ocorridas em nossa sociedade
Parabéns Hugo
ORAÇÃO DE NATAL 2007
HUGO HAMANN
Pela graça e simpatia da senadora Idelí![]()
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Pelo poder de síntese do Eduardo Suplicí
Pelo irmão do presidente que era só um lambarí
Senhor, tende piedade de nós
Pelo Zuleido Veras e as pontes da Gautama![]()
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Pelas opiniões importantes da nossa primeira dama
Pelo perigo latente quando Itamar não reclama
Senhor, tende piedade de nós
Pela histórica vaia na inauguração do PAN![]()
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Pelo Heráclito Fortes e sua pinta de galã
Pela novilha do Roriz e pela vaca do Renan
Senhor, tende piedade de nós
Pela grana que rolou na TelecomItália![]()
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Pelo novo mandato e a velha bandalha
Pela reforma dentária do Arlindo Chinaglia
Senhor, tende piedade de nós
Pelo uso de lobista pra pagar pensão de filha![]()
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Pelos atletas cubanos devolvidos para a ilha
Pelo ilustre Cafeteira que tem que trocar a pilha
Senhor, tende piedade de nós
Pelo jeito brincalhão do alegre José Serra![]()
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Pelo Cháves construindo faculdade pra “sem-terra”
Pelo papo da “galega” com a rainha da Inglaterra
Senhor, tende piedade de nós
Pela soda cáustica no leite de caixinha![]()
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Pela Argentina que elegeu sua Rosinha
Pela Dona Marta e sua blusa de oncinha
Senhor, tende piedade de nós
Pela prisão do Cacciola e a grande presepada![]()
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Pela festa de botox no Palácio da Alvorada
Pelo Jobim que enfrenta cobra e até onça pintada!
Senhor tende piedade de nós 1/3
Pelo Lula que não sabe das mutretas do compadre![]()
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Pelo interno da Febem sustentado pelo padre
Pela usina que depende da autorização do bagre
Senhor, tende piedade de nós
Pelo “relaxa e goza” em pleno aeroporto![]()
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Pelo Delúbio que agora se faz de morto
Pelas festinhas juninas na Granja do Torto
Senhor, tende piedade de nós
Pelo terceiro mandato em plena campanha![]()
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Pelo PMDB e a eterna barganha
Pelo “por qué no te callas” do rei da Espanha
Senhor, tende piedade de nós
Pelo dólar no missal da mulher do missionário![]()
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Pelas fotos da Playboy que abundaram no Plenário
Pelo doping descoberto na careca do Romário
Senhor, tende piedade de nós
Pelo César Maia e seu governo virtual![]()
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Pelo Marco Maciel e seu corpinho escultural
Pela Marina Silva e sua voz tão sensual
Senhor, tende piedade de nós
Pelo Chávez e sua bravatas![]()
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Pelo Maluf e suas mamatas
Pelo rabino e suas gravatas
Senhor, tende piedade de nós
Pelo Cabral que descobriu que sempre foi petista![]()
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Pelo Fidel que hoje se trata com médico legista
Pelo Renan que acreditou no furo da jornalista
Senhor, tende piedade de nós
Pela troca de partido para aprovação de emenda![]()
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Pela filha amanteigada do ministro da Fazenda
Pelo Mangabeira Unger que precisa de legenda
Senhor, tende piedade de nós
Pelo Luciano Huck e a falta de um rolex![]()
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Pelo Wellington Salgado e a falta de um gumex
Pelo senador Calheiros e a falta de um jontex
Senhor, tende piedade de nós 2/3
Pelo lindo amor que une os juízes do STF![]()
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Pelo choro permanente pela CPMF
Pelo dengo e humildade da ministra Dilma Rousseff
Senhor, tende piedade de nós
Pelo Chávez e Fidel que adoram biodiesel![]()
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Pelo Agripino Maia e seu charme irresistível
Pelo imortal Sarney hoje mais pra imorrível
Senhor, tende piedade de nós
Pelo governo que tunga![]()
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Pelo presidente de sunga
Pela elegância do Dunga
Senhor, tende piedade de nós
Pelo assessor da presidência Marco Aurélio top-top![]()
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Pela campanha educativa dos policiais do Bope
Pelos ministros do Supremo brincando com o laptop
Senhor, tende piedade de nós
Pelo Bush que exportou democracia pro Iraque![]()
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Pelo amor entre o Jobim e os diretores da Anac
Pelo juiz que acha normal que o criminoso escape
Senhor, tende piedade de nós
Pela escova progressiva do ex-sapo barbudo![]()
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Pelo chato Sarkosy que merece ser cornudo
Pelo controlador de vôo que era cego, surdo e mudo
Senhor, tende piedade de nós
Pelo Lobão e Zé Sarney dividindo o Maranhão![]()
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Pelo Renan canonizado no lugar do Frei Galvão
Pela Marisa que não fala, mas que presta uma atenção!
Senhor, tende piedade de nós
Pelo afilhado da Dinda que voltou e já sumiu![]()
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Pelo último livro que o Luiz Inácio coloriu
Pelo capitão Nascimento pra presidente do Brasil
Senhor, tende piedade de nós
Enfim,
Para que possamos sobreviver aos próximos natais
Senhor, dai-nos a paz 3/3
As fotos e ilustrações foram acrescentadas por Roberto Leite
Para matar a saudade, leiam também a edição de 2006, que está imperdível:
ORAÇÃO DE NATAL 2006
Dezembro 2006
Hugo Hamann
Senhor, tende piedade de nós:
Pelo projeto político do deputado Clodovil
Pelo “espetáculo do crescimento? que até hoje ninguém viu
Pelas explicações sucintas do ministro Gilberto Gil
Senhor, tende piedade de nós
Pelo jeitinho brejeiro da nossa juíza
Pelo perigo constante quando Lula improvisa
Pelas toneladas de botox da Dona Marisa
Senhor, tende piedade de nós
Pelo Marcos Valério e o Banco Rural
Pela casa de praia do Sérgio Cabral
Pelo dia em que Lula usará o plural
Senhor, tende piedade de nós
Pelo nosso Delúbio e Vandomiro Diniz
Pelo “nunca antes nesse país?
Pelo povo brasileiro que acabou pedindo bis
Senhor, tende piedade de nós
Pela Cicarelli na praia namorando sem vergonha
Pela Dilma Rousseff sempre tão risonha
Pelo Gabeira que jurou que não fuma mais maconha
Senhor, tende piedade de nós
Pela importante missão do astronauta brasileiro
Pelos tempos que Lorenzetti era só marca de chuveiro
Pelo Freud que “não explica? a origem do dinheiro
Senhor, tende piedade de nós
Pelo casal Garotinho e sua cria
Pelos pijamas de seda do “nosso guia?
Pela desculpa de que “o presidente não sabia?
Senhor, tende piedade de nós
Pela jogada milionária do Lulinha com a Telemar
Pelo espírito pacato e conciliador do Itamar
Pelo dia em que finalmente Dona Marisa vai falar
Senhor, tende piedade de nós
Pela “queima do arquivo? Celso Daniel
Pela compra do dossiê no quarto de hotel
Pelos “hermanos compañeros? Evo, Chaves e Fidel
Senhor, tende piedade de nós
Pelas opiniões sensatas do prefeito César Maia
Pela turma de Ribeirão que caía na gandaia
Pela primeira dama catando conchinha na praia
Senhor, tende piedade de nós
Pelo escândalo na compra de ambulâncias da Planam
Pelos aplausos “roubados? do Kofi Annan
Pelo lindo amor do “sapo barbudo? por sua “rã?
Senhor, tende piedade de nós
Pela Heloisa Helena nua em pêlo
Pela Jandira Feghali e seu cabelo
Pelo charme irresistível do Aldo Rebelo
Senhor tende piedade de nós
Pela greve de fome que engordou o Garotinho
Pela Denise Frossard de colar e terninho
Pelas aulas de subtração do professor Luizinho
Senhor, tende piedade de nós
Pela volta triunfal do “caçador de marajás?
Pelo Duda Mendonça e os paraísos fiscais
Pelo Galvão Bueno que ninguém agüenta mais
Senhor, tende piedade de nós
Pela eterna farra dos nossos banqueiros
Pela quebra do sigilo do pobre caseiro
Pelo Jader Barbalho que virou “conselheiro?
Senhor, tende piedade de nós
Pela máfia dos “vampiros? e “sanguessugas?
Pelas malas de dinheiro do Suassuna
Pelo Lula na praia com sua sunga
Senhor, tende piedade de nós
Pelos “meninos aloprados�? envolvidos na lambança
Pelo plenário do Congresso que virou pista de dança
Pelo compadre Okamotto que empresta sem cobrança
Senhor, tende piedade de nós
Pela família Maluf e suas contas secretas
Pelo dólar na cueca e pela máfia da Loteca
Pela mãe do presidente que nasceu analfabeta
Senhor, tende piedade de nós
Pela invejável cultura da Adriana Galisteu
Pelo “picolé de xuxu? que esquentou e derreteu
Pela infinita bondade do comandante Zé Dirceu
Senhor, tende piedade de nós
Pela eterna desculpa da “herança maldita?
Pela fama do “chefe? abusar da birita
Pelo novo penteado da companheira Benedita
Senhor, tende piedade de nós
Pela refinaria brasileira que hoje é boliviana
Pelo “compañero? Evo Morales que nos deu uma banana
Pela mulher do presidente que virou italiana
Senhor, tende piedade de nós
Pelo MST e pela volta da Sudene
Pelo filho do prefeito e pelo neto do ACM
Pelo político brasileiro que coloca a mão na “m�?
Senhor, tende piedade de nós
Pelo Ali Babá e sua quadrilha
Pelo Gushiken e sua cartilha
Pelo Zé Sarney e sua filha
Senhor, tende piedade de nós
Pelas balas perdidas na Linha Amarela
Pela conta bancária do bispo Crivella
Pela cafetina de Brasília e sua clientela
Senhor, tende piedade de nós
Pelo crescimento do PIB igual do Haití
Pelo Doutor Enéas e pela senhorita Suely
Pela décima plástica da Marta Suplicy
Senhor, tende piedade de nós
Por fim
Para que possamos festejar juntos os próximos natais
Senhor, dái-nos a paz
Dezembro 2006
Hugo Hamann
O sindicato da vergonha.
O sindicato da vergonha.
O termo “sindicato” deriva do latim syndicus, que é proveniente do grego sundikós, com o significado do que assiste em juízo ou justiça comunitária. Na Lei Le Chapellier, de julho de 1791, o nome síndico era utilizado com o objetivo de se referir a pessoas que participavam de organizações até então consideradas clandestinas.
“Se queres conhecer o Inácio, coloque-o em um palácio”
Esta frase do Barão de Itararé foi cunhada dez anos antes do Lula nascer.
Eu detesto os sindicatos, detesto o corporativismo que eles representam; o peleguismo, etc.
Detesto ver que os líderes ficam muito melhores do que os sindicalizados, sem fazer absolutamente nada, a não ser conversa fiada, e eles têm uma atitude muito semelhante aos cartolas do futebol, que invariavelmente ficam muito ricos, e os clubes e os atletas que se danem.
Não estou falando do sindicalismo no Brasil, estou falando do sindicalismo americano, onde trabalhei 27 anos e senti na pele a força destas organizações parasitas, que se agremiam em detrimento das empresas e dos empregados e favorecem apenas os seus interesses.
E note-se que nos Estados Unidos, não existe por lei uma contribuição compulsória, os sindicatos têm que se esforçar pelo menos para conseguir adeptos, pois as contribuições são em sua maioria voluntárias.
No caso do Brasil, a situação é pior, pois os trabalhadores têm obrigação legal de contribuir um dia de seu salário para os sindicatos.
Isto gera os sindicatos que vivem apenas deste repasse, sem fazer absolutamente nada.
Em geral no Brasil pelo que até o momento consegui acompanhar, os sindicatos são piores do que os americanos, não contribuindo em nada para a sociedade como um todo e pelo contrário usando a sociedade para seu benefício, em detrimento de outras pessoas.
E foi neste ambiente propicio à proliferação de injustiças e desonestidade que nasceu e cresceu o PT, partido da atual administração e do Lula que foi seu fundador e que desde então nunca trabalhou, apenas aproveitou o esforço de outros para se locupletar.
E por esta razão sempre fui contra o PT como sou contra qualquer organização sindical.
E o resultado está aí.
Além de não fazer nada pelo Brasil, o Lula agora não quer e não pode abrir mão da CPMF,
que no final da corrida para a sua perpetuação virou questão de honra para o sindicato que governa o Brasil.
Estão sindicalizando o congresso também
Colocaram o sindicato em um palácio, e viram o que aconteceu…..
Ninguém melhor do que o Villas-Bôas Corrêa para escrever a respeito deste assunto como encontrei hoje no Jornal do Brasil on Line
O artigo do Villas:
O fundo cinzento da CPMF
Qualquer que seja o resultado da batalha campal que o governo trava com a oposição para aprovar a cobrança da Contribuição Provisória sobre a Mobilização Financeira – mais conhecida pela sigla CPMF ou pelo apelido de imposto sobre o cheque – um balanço em aberto registra a dupla derrota do presidente Lula, da sua desastrada equipe de articuladores e do Congresso, ou mais precisamente, do Senado.
Pois nunca, até onde cutuco a memória, a Câmara Alta dos severos senhores de barbas e cabelo brancos passou por crise igual ou parecida com tão drástico rombo na imagem de sua respeitabilidade. Nem nos amargos tempos da ditadura militar.
O presidente deveria ter se poupado antes de embarafustar pelo labirinto das contradições ou da ignorância dos limites da tolerável intromissão na negociação parlamentar, muito mais ajustada aos entendimentos entre líderes, com a participação dos ministros da Fazenda, do Planejamento ou das Relações Institucionais, o estreante José Lúcio Monteiro.
Pois uma das tarefas ministeriais e das lideranças do bloco governista é poupá-lo do excesso de exposição, com respingos na imagem presidencial. Mas quem segura a vaidade exibicionista que se enxerga no espelho como o maior presidente de todos os tempos, o salvador da pátria que se afogava nas águas sujas dos dois mandatos do seu antecessor?
Vitória, mesmo lambuzada pela calda amarga, é sempre doce. Mas, o ziguezague do eu- não-disse-o-que-disse deixa um rastro de imaturidade e açodamento.
Afinal, em que ficamos: “Os senadores são responsáveis, têm preocupações com o Brasil” ou integram o bando de sonegadores e de inimigos dos pobres?
Lula passou pelo Congresso como gato sobre chapa quente. No exercício do mandato do mais votado deputado-constituinte jamais se sentiu à vontade entre os mais de 300 picaretas que estigmatizou na frase untada de ressentimento.
Na mesma corda-bamba, o maior líder sindicalista do país, como presidente do Partido dos Trabalhadores e na linha reta da coerência, combateu a manobra do presidente Fernando Henrique Cardoso para arrancar a aprovação pelo Congresso da emenda que contaminou o regime com a praga da reeleição.
Eleito presidente na quarta tentativa, não se enredou em constrangimentos éticos para disputar o segundo mandato e ser eleito com 58 milhões de votos. Custou a falar claro nos sinuosos desmentidos sobre as tramas palacianas para o encaixe do terceiro mandato na prometida reforma política adiada para o dia de são nunca.
Na tardia choradeira oficial, o presidente e ministros clamam pelo R$ 40 bilhões anuais da cobrança do imposto do cheque. E têm lá as suas razões óbvias. Mesmo para um governo da gastança, que dissipa bilhões na orgia de nomeações para cargos em comissão que dispensam o aborrecimento dos concursos e que chega à metade do segundo mandato com o saco das promessas de duas campanhas lotado até a boca, a rede rodoviária esburacada e recordes de acidentes, os portos ao abandono, as ferrovias entregues à ferrugem, um insucesso no Senado seria um desastre quase irremediável.
Mas deixemos de hipocrisia. As cólicas que roncam nas tripas oficiais passam ao largo da crise moral que contamina os três poderes. E o governo que não teve competência e garra para enfrentar as reformas prioritárias que contaminam o Executivo e seu patusco e obeso ministério, nem a audácia para a operação de limpeza das mordomias, vantagens, benefícios dos penduricalhos que alçam o mandato ao topo de um dos melhores empregos do mundo.
Lula está prometendo fazer oito anos em dois. E um JK pelo avesso.
Uma ficção dantesca!
Uma ficção dantesca!
Outro dia recebi por Email, uma carta entrevista, no formato Power Point da Microsoft, em que um reporter sem nome entrevista o criminoso Marcola.
Era uma entrevista impressionante, com recheios de realidade e fantasia erudita, coisa que eu duvido muito que seja da capacidade mental do Marcola.
Especialmente o final em Latim.
Surpreso pela possibilidade de ser real esta entrevista, eu pesquisei na internet, e descobri que era uma obra de ficção do colunista e cineasta Arnaldo Jabor, mostrando no formato Orson Wells (A Guerra dos Mundos), o desmando e a realidade da sociedade brasileira, quando joga para debaixo do tapete os problemas imediatos e colhe em futuros bem próximos os frutos desta opção.
A educação, por exemplo, está totalmente desprestigiada. Seja ela qual forem pública ou privada, nossos alunos estão cada vez menos conscientes da realidade.
Para ser coerente com a atual realidade o governo deveria aplicar no mínimo 20% do PIB para a educação. (Coréia do Sul, Chile, Argentina, Índia, Rússia, e China, investem pelo menos 10% do PIB em educação) (A Coréia vem investindo 23% do PIB por mais de 25 anos)
Destes 20%, deveria ir para a educação Elementar, Básica e Secundária a maioria destes recursos.
A educação superior gratuita e totalmente financiada pelo governo deveria ser abolida a favor de uma educação paga, com as escolas produzindo recurso, pois seus laboratórios têm esta capacidade.
As escolas de medicinas podem ter seus próprios hospitais pagos ou em convênios mais baratos, mas deveriam ser auto-suficientes.
As escolas de engenharia poderiam ter seus laboratórios de pesquisas fazendo pesquisas para a indústria privada.
E por aí vai. As escolas primárias, não podem gerar recursos e devem ser custeadas com os impostos pagos pelo cidadão.
No Brasil as universidades públicas consomem 80% da parca verba da educação, que não passa de 5% do PIB.
Em contrapartida a Bolsa Família consome mais de 10% do PIB. E não ensina a pescar, é pura assistência permanente tipo esmola. E sem contrapartida. O único requisito é praticamente estar desempregado.
Quando foi criada no governo FHC tinha a finalidade de manter na escola os menores de idade.
Para freqüentar escolas, primeiro é preciso ter escolas, professores, merenda.
Não tendo escolas decentes, como vamos obrigar os alunos a freqüentarem?
Esta inversão de coisas no Brasil de deve exclusivamente ao fato de que os alunos das escolas primárias e secundárias, não podem votar e os universitários votam. Portanto os políticos em sua conhecida demagogia dão preferência para as leis que podem ajudar os alunos universitários.
Eles se esqueceram de que a base da universidade é simplesmente o ensino elementar e secundário. E sem uma base boa, a descriminação é maior, a ignorância maior e o despreparo para uma realidade atual é muito grande.
Os testes de conhecimento internacionais e nacionais mostram como andamos em comparação com o resto do mundo.
Quando não se dedica muito esforço para a educação, a sociedade fica segregada e despreparada.
Reflete em tudo na vida. O lixo nas ruas, os pequenos furtos, as pichações, que são pequenos delitos, que são admitidos por falta de educação, que se migram para delitos mais graves, que se migram para o crime organizado como na ficção do Jabor.
Vou reproduzir a ficção do Jabor e depois dois comentários a respeito desta ficção:
http://portal.an.uol.com.br/2006/mai/23/0opi.jsp
Artigos
Estamos todos no inferno Entrevista ao Jornal O GLOBO por “Marcola”
Arnaldo Jabor jornalista e cineasta
a.j.producao em uol.com.br
- Você é do PCC?
- Mais que isso, sou um sinal de novos tempos. Era pobre e invisível… Vocês nunca me olharam durante décadas… E antigamente era mole resolver o problema da miséria… O diagnóstico era óbvio: migração rural, desnível de renda, poucas favelas, ralas periferias… A solução é que nunca vinha… Que fizeram? Nada. O governo federal alguma vez alocou uma verba para nós? Só aparecíamos nos desabamentos no morro ou nas músicas românticas sobre a “beleza dos morros ao amanhecer”, essas coisas… Agora, estamos ricos com a multinacional do pó. E vocês estão morrendo de medo… Somos o início tardio de vossa consciência social… Viu? Sou culto… Leio Dante na prisão…
- Mas…a solução seria…
- Solução? Não há mais solução, cara… A própria idéia de “solução” já é um erro. Já olhou o tamanho das 560 favelas do Rio? Já andou de helicóptero por cima da periferia de São Paulo? Solução como? Só viria com muitos bilhões de dólares gastos organizadamente, com um governante de alto nível, uma imensa vontade política, crescimento econômico, revolução na educação, urbanização geral; e tudo teria de ser sob a batuta quase que de uma “tirania esclarecida”, que pulasse por cima da paralisia burocrática secular, que passasse por cima do Legislativo cúmplice (ou você acha que os 287 sanguessugas vão agir?; se bobear, vão roubar até o PCC…) e do Judiciário que impede punições. Teria de haver uma reforma radical do processo penal do País, teria de haver comunicação e inteligência entre polícias municipais, estaduais e federais (fazer até conference calls entre presídios…) E tudo isso custaria bilhões de dólares e implicaria uma mudança psicossocial profunda na estrutura
política do País. Ou seja: é impossível. Não há solução.
- Você não tem medo de morrer?
- Vocês é que têm medo de morrer, eu não. Aliás, aqui na cadeia vocês não podem entrar e me matar…mas eu posso mandar matar vocês lá fora… Somos homens-bomba. Na favela tem 100 mil homens-bomba… Estamos no centro do “Insolúvel”, mesmo… Vocês no bem e eu no mal e, no meio, a fronteira da morte, a única fronteira.
Já somos uma outra espécie, já somos outros bichos, diferentes de vocês. A morte para vocês é um drama cristão numa cama, no ataque do coração… A morte para nós é o “presunto” diário, desovado numa vala… Vocês intelectuais não falavam em “luta de classes”, em “seja marginal seja herói”? Pois é: chegamos, somos nós! Há há… Vocês nunca esperavam esses guerreiros do pó, né?
Sou inteligente. Leio, li 3 mil livros e leio Dante…mas meus soldados todos são estranhas anomalias do desenvolvimento torto deste País. Não há mais proletários, ou infelizes ou explorados. Há uma terceira coisa crescendo aí fora, cultivado na lama, se educando no absoluto analfabetismo, se diplomando nas cadeias, como um monstro Alien escondido nas brechas da cidade. Já surgiu uma nova linguagem. Vocês não ouvem as gravações feita “com autorização da Justiça”? Pois é. É outra língua. Estamos diante de uma espécie de pós-miséria. Isso. A pós-miséria gera uma nova cultura assassina, ajudada pela tecnologia, satélites, celulares, internet, armas modernas. É a merda com chips, com megabytes. Meus comandados são uma mutação da espécie social, são fungos de um grande erro sujo.
- O que mudou nas periferias?
- Grana. A gente hoje tem. Você acha que quem tem 40 milhões de dólares como o Beira-mar não manda? Com 40 milhões a prisão é um hotel, um escritório… Qual a polícia que vai queimar essa mina de ouro, tá ligado?
Somos uma empresa moderna, rica. Se funcionário vacila, é despedido e jogado no “microondas… há,há… Vocês são o Estado quebrado, dominado por incompetentes.
Temos métodos ágeis de gestão. Vocês são lentos e burocráticos. Lutamos em terreno próprio. Vocês em terra estranha. Não tememos a morte. Vocês morrem de medo.
Somos bem armados. Vocês vão de “três oitão”. Estamos no ataque. Vocês na defesa. Vocês têm mania de humanismo. Nós somos cruéis, sem piedade.
Vocês nos transformam em superstars do crime. Fazemos vocês de palhaços. Somos ajudados pela população das favelas, por medo ou por amor. Vocês são odiados.
Vocês são regionais, provincianos. Nossas armas e produto vêm de fora; somos globais. Não nos esquecemos de vocês; são nossos fregueses. Vocês nos esquecem assim que passa o surto de violência.
- Mas o que devemos fazer?
- Vou dar um toque, mesmo contra mim. Peguem os barões do pó! Tem deputado, senador, tem generais, tem até ex-presidentes do Paraguai nas paradas de cocaína e armas.
Mas quem vai fazer isso? O Exército? Com que grana? Não tem dinheiro nem para o rancho dos recrutas… O País está quebrado, sustentando um Estado morto a juros de 20% ao ano, e o Lula ainda aumenta os gastos públicos, empregando 40 mil picaretas. O Exército vai lutar contra o PCC e o CV? Estou lendo o Klausewitz, “Sobre a Guerra”. Não há perspectiva de êxito… Somos formigas devoradoras, escondidas nas brechas… A gente já tem até foguete antitanques… Se bobear, vão rolar uns Stingers aí… Pra acabar com a gente, só jogando bomba atômica nas favelas… Aliás, a gente acaba arranjando também “umazinha” daquelas bombas sujas mesmo… Já pensou? Ipanema radioativa?
- Mas…não haveria solução?
- Vocês só podem chegar a algum sucesso se desistirem de defender a “normalidade”. Não há mais normalidade alguma. Vocês precisam fazer uma autocrítica da própria incompetência.
Mas vou ser franco…na boa…na moral… Estamos todos no centro do “Insolúvel”. Só que nós vivemos dele e vocês…não têm saída. Só a merda. E nós já trabalhamos dentro dela.
Olha aqui, mano, não há solução. Sabem por quê? Porque vocês não entendem nem a extensão do problema. Como escreveu o divino Dante: Lasciate ogni speranza voi che entrate! Percam todas as esperanças. Estamos todos no inferno.
…………………………………………….
PURA FICÇÃO
Ainda sobre a entrevista do pseudo-Marcola
Por Olívio Tavares de Araújo em 18/7/2006
Sinal dos tempos e da sina brasileira. Antigamente usávamos o adjetivo pseudo para textos clássicos aos quais durante algum tempo se atribuiu uma autoria que depois se verificou ser falsa: o pseudo-Plutarco, o pseudo-Plotino. No Brasil temos agora o pseudo-Marcola. Também eu fui vítima dessa confusão internética que – nunca descobriremos como, com que objetivos nem por quem – atribuiu ao bandido Marcola uma apocalíptica entrevista em O Globo. Agora sabemos que no original foi obra de ficção de Arnaldo Jabor – como tal, brilhante, irretocável. Inclusive nas improváveis mas afinal convincentes provocações estéticas. O pseudo-Marcola é quase um poeta: “Meus comandados … são fungos de um grande erro sujo”. “Chapeaux bas, messieurs!” – como disse Schumann diante de Chopin.
Entretanto, enquanto acreditei que a entrevista fosse verdadeira (felizmente, não mais que algumas horas), o que mais senti foi tristeza e medo. Tanta inteligência, tal precisão na anamnese e diagnóstico, domínio tão absoluto da palavra, conhecimento de causa, do ser humano e da história, porém num desesperado, convicto de que não existe solução e de que o inferno neste país é inevitável: seria esse, enfim, o nosso destino de líder revolucionário? Mas para os verdadeiros líderes revolucionários a esperança não constitui pré-requisito? Ademais um líder, lembremos, confessadamente criminoso e cruel, capaz de qualquer ato em função de seus propósitos, que reconhece mandar liquidar e colocar no ‘microondas’ as peças ineficientes de sua máquina de droga e morte? Um hitlerzinho porém com o sinal trocado – porque fundado em verdades?
Tiro errado
Tive tristeza e medo. Medo de classe? Um pouco, sem dúvida. Nunca passei fome. Financiado por meu pai, pude aprender inglês, francês, espanhol, italiano. Acabo de ser curador de uma exposição das obras caríssimas de Volpi num museu cuja presidente é banqueira, ouço com gáudio Mozart, Beethoven, Brahms, Schubert, Corelli, e estou relendo Anna Akhmatova e Konstantinos Kaváfis, este na impecável tradução de José Paulo Paes. Tudo isso certamente não me credenciaria a ser querido num futuro Estado pseudo-marcolês. Sou um intelectual brasileiro, essa categoria que o pseudo-Marcola tão percucientemente ironiza: “Vocês intelectuais não falavam em luta de classes, em ‘seja marginal, seja herói’? Pois é: chegamos, somos nós!” (Em tempo: enquanto grito de guerra, “seja marginal, seja herói” nunca me pareceu senão a imbecilidade que é, e que só transitou incólume porque durante a ditadura militar talvez não fosse mesmo de boa tática investir contra ele).
Ah, sim, ia-me esquecendo: sou também – ou pelo menos me considero – de esquerda. Quem sabe, então, não deveria ficar mais tranqüilo – já que a esquerda, supõe-se, seria a aliada histórica natural do pseudo-Marcola?
Ah, não, infelizmente essa ingenuidade já não tenho. Nada, nem no discurso do pseudo-entrevistado nem na lição do passado, me permite supor que, por ser de esquerda, eu seria poupado. Ser ou não de esquerda não iria servir a ninguém para nada. Na implantação do estado pseudo-marcolês não haveria tempo para questões de justiça, aliança, lealdade, princípios, ideologia – essas inúteis sutilezas de classe dominante. Assim como, garanto-lhes, não houve tempo para que Hitler e sua tchurma examinassem prévia e criteriosamente a lista dos mortos no expurgo de Roehm. Foi como deu, e pronto. Nessas, o crítico musical Willi Schmidt levou um tiro enquanto tocava seu violoncelo, antes que o executor percebesse que o nome na lista não era exatamente aquele. Havia uma diferença de um L e um D a mais ou a menos, uma coisa qualquer, assim. Uma pequena distração. E o Willi errado se foi.
O holocausto dos intelectuais humanistas
Voltando um pouco atrás. Resta outra hipótese. Quem sabe não valeria a pena o holocausto de minha classe, dos intelectuais humanistas e iludidos como eu – animais pré-históricos, diante dessa “terceira coisa crescendo aí fora, cultivada na lama, se educando no absoluto analfabetismo, se diplomando nas cadeias”, com toda propriedade (e de novo alguma poesia) descrita pelo pseudo-Marcola? Quem sabe não valeria a pena imolar tanto esquerdas como direitas, às tontas e às cegas, com a solene indiferença de um deus bárbaro, em prol do novo Estado pseudo-marcolês?
Mas será que temos motivos para crer que ele seria melhor e mais justo? Revoluções muito mais bem nascidas deram no que deram. Os 50.000 guilhotinados da Convenção deram em Napoleão, que deu nos 3,5 milhões de mortos do 18 de Brumário ao Grand Empire, que deu no Congresso de Viena, na reorganização reacionária da Europa, na restauração dos Bourbon na França, e na maravilhosa frase de Talleyrand sobre eles – que, essa sim, valeu a pena: “Não aprenderam nada, não esqueceram nada”. Lênin, coitado, deu em Stalin, que entre as repressões no campo, os expurgos e o Gulag parece que ultrapassou a marca dos 39 milhões de assassinados. Por enquanto o verdadeiro Marcola e o PCC não chegaram sequer às centenas. Mas se Marx tiver razão quanto à história se repetir como tragédia, antes de repetir-se como farsa…
Há alguns dias, neste mesmo Observatório da Imprensa a psicanalista Anna Verônica Mautner, uma criatura adorável, afirmou da pseudo-entrevista [ver remissão abaixo]: “Amei”. Declarou-a “maravilhosa”, e diante de sua apocrifia lamentou: “Queríamos todos que fosse verdade”. Todos quem, cara-pálida? Eu não, querida Anna Verônica. Não amei coisa nenhuma – e que maravilha que tudo era mentira! Estou agradecendo a Deus porque o pseudo-Marcola não existe. E a Arnaldo Jabor por toda a penosa mas excitante experiência.
“ENTREVISTA´´ DE MARCOLA
Onde começa e onde termina o virtual
Por Anna Veronica Mautner em 27/6/2006
Um belo dia, há duas semanas se muito, começou a aparecer entre meus e-mails, vindo de conhecidos e também de conhecidos de conhecidos, um texto de três páginas que continha – segundo o título – uma entrevista realizada por um repórter da Globo, anônimo, com o prisioneiro Marcola.
Confesso que fui tomada por um mecanismo que na psicanálise é chamado “mecanismo de negação”. Isto é, apaguei o fato de ter estranhado que uma entrevista tão importante não tivesse o nome do jornalista que a tivesse realizado. Preferi não acreditar nesta minha observação que mais tarde, como veremos, teria tudo a ver.
Li e reli a entrevista. Amei. Entre surpreendida e estonteada, andei dias com o papel na mão. Como eu sou analfabeta em máquinas e não sei usar o “encaminhar”, só sei usar o “responder” e o “imprimir” – a corrente parou na minha mão. Outros, mais hábeis que eu, continuaram espalhando a entrevista pelo mundo afora. Conversei até não mais poder a respeito do significado de tão maravilhosa entrevista, de tantas respostas pertinentes e argutas.
Quando já parecia estar passando o efeito, eis que me chega na forma de comunicado: a entrevista chegando às mãos de determinado jornalista, parou. Este esclareceu a uma de minhas amigas da corrente que o tal texto era da lavra de Arnaldo Jabor. Este meu amigo, Jabor, tinha inventado uma entrevista fictícia para sua coluna semanal. As perguntas e as respostas eram da lavra dele.
Criação de diálogos
O que de fato me deixou perplexa, me aturdiu, foi que todo um grupo de brasileiros, urbanos, alfabetizados, nível superior, gente do mundo, gente nada ingênua, tenha aceito que a produção intelectual de Jabor poderia ter sido gerada por Marcola que vive, sempre viveu, em um outro universo onde vigoram outros parâmetros e conceitos. Se fosse de verdade, com certeza teria o nome do entrevistador e ainda teria tido seguimento da imprensa.
Dias depois, encontro pessoalmente com Jabor, que tinha ouvido falar de uma certa entrevista do Marcola que estaria circulando, mas ainda não tinha chegado até ele. Ele confessou que não imaginou que se tratasse de sua própria obra de ficção. E assim se fechou a corrente.
Uma dramaturga disse que poderia ter desconfiado, pois a entrevista era obra de alguém afeito à criação de diálogos. Muita gente, pelo visto, estranhou. Contudo, queríamos todos que fosse verdade.
Por quê? Ainda não tenho resposta.
Aprofundando o dialogo!!!!
Aprofundando o dialogo!!!!
“A eleição de Lula (ou do Chavez) já foi o resultado da histórica insensibilidade da elite e da desmoralização da política.”
Esta frase, que muito bem pode ser de autoria do Senador Cristovam Buarque, mas não estou seguro, pode muito bem ilustrar também a eleição do Chavez para presidente da Venezuela.
Durante anos, os eleitos presidentes daquele país visinho, eram pessoas de cultura, médicos, advogados, com tradição política, e por muitos anos reinaram neste país com um clima de insegurança social profundo. A polícia federal de repressão por lá, a temida PTJ, prendia quem queria e por qualquer razão, mantinha os inimigos e críticos do governo presos indefinidamente sem julgamento. Era totalmente corrupta, e por pagamento fazia o que queria.
Este clima de insegurança social culminou com a eleição de um golpista consagrado, na esperança de que ele fosse melhor do que o que havia reinado até ali.
A verdade, é que a tímida democracia que havia até o momento, poderia ser ainda melhorada democraticamente, mas com um ditador no poder, com dinheiro e armado até os dentes, o sistema piorou, e muito e o pior ainda está por vir.
O estadismo expulsou a iniciativa privada e o populismo está quebrando o país.
Não sei quanto tempo a Venezuela agüenta, mas vai arrebentar em cima dos mais fracos como sempre acontece.
Ainda usando a frase acima, vamos ver o caso do Brasil:
Muita gente da mídia, e da política, da tímida oposição, que como oposição vive se vendendo ou pisando na bola, ainda pensa que o mensalão, era o plano do Zé Dirceu, para se perpetuar no poder, comprando os parlamentares, para votarem tudo o que se propusesse como o controle da mídia e a censura prévia, a CPMF, a DRU, a legislação por decreto indefinidamente e a eleição do candidato proposto, propriamente ele o Dirceu.
Eu estou desconfiando, de uma conspiração muito mais profunda.
O mensalão serviu para desmoralizar o legislativo mais do que nada. A absolvição dos mensaleiros, a dança da Ângela Pizzaola Guadagnin, colocou definitivamente o legislativo como bola da vez. É verdade que o executivo ficou um pouco arranhado, pois as coisas foram um pouco apressadas por um acidente de percurso.
Agora o caso do Renan, coloca em cheque a mais alta casa de representação (?) do país
Depois, foi a vez de o legislativo embarcar nesta de comprado, pensando mais em salários do que necessariamente um julgamento decente e com isto piorar o clima de insatisfação da população.
Junto com a inércia do governo, de falar muito e fazer pouco, caprichando nos programas assistencialistas, está criando no Brasil, um clima de insatisfação muito parecido com o que existia na Venezuela pré Chavez.
E apesar de que a democracia no Brasil seja mais sólida do que na Venezuela, de que o campo industrial seja muito maior e mais completo, de que os investimentos estrangeiros sejam muito mais sólidos tudo isto não é garantia contra a insatisfação do povo e a descrença no sistema.
E esta descrença, pode levar o povo do Brasil acreditar que possa haver uma forma melhor do que a atual e que apareça algum aventureiro com credenciais de ditador e tomar o lugar da democracia.
Isto seria um atraso social tremendo e devemos ter cautela para que se este é o plano do PT para se perpetuar no poder, tirarmos dele esta idéia e que dentro da lei e da democracia podemos consertar as incoerências do sistema sem os choques de uma ditadura.
Eta Brasil
Leia abaixo o texto do Senador Cristovam Buarque, retirado do Blog do Noblat:
http://oglobo.globo.com/pais/noblat/post.asp?cod_post=81680
Por que Chávez?
Talvez nenhum outro líder político latino-americano tenha recebido tanta atenção de jornalistas e de políticos brasileiros quanto o presidente Chávez. As análises e críticas são sempre sobre “o que é” e “como age Chávez”. Ninguém pergunta “por que Chávez?” – o que levou a Venezuela, depois de 50 anos de democracia, a optar, por meio do voto, eleição após eleição, por um governo com características autocratas. A resposta é simples: Chávez é o produto da insensibilidade da elite e da desmoralização da política.
Durante os 50 anos de sua democracia, a Venezuela teve dois partidos se sucediam, sem nada mudar, exceto o nome do Presidente. Uma falsa alternância do poder. Por todo esse tempo, o país exportou petróleo e teve recursos para financiar o luxo e a sofisticação do consumo de uma minoria rica. Muito pouco foi usado para atender às necessidades da população pobre, ou para investir em um projeto estratégico de desenvolvimento. O resultado foi um país dividido por uma apartação social, o total estranhamento entre incluídos e excluídos, que se vêem como se fossem partes separadas de um mesmo país, e não componentes de uma mesma nação.
O Brasil se comporta hoje como a Venezuela de anos atrás. A eleição de Lula já foi o resultado da histórica insensibilidade da elite e da desmoralização da política. Ele representava o novo, dizia que o Congresso era composto por 300 picaretas; liderava um partido que era símbolo da luta contra a corrupção e da esperança de uma nova política nacional, que transformaria a sociedade em benefício da emancipação das camadas pobres. É verdade que, no poder, Lula não se comportou como Chávez: em vez de dividir o país, fez uma coesão política entre pobres e ricos. Mas não criou as condições para a unidade social, para a formação de uma nação. Em vez de mudar a sociedade, tomou medidas que acomodaram o povo e os partidos. Adotou uma forma de fazer política idêntica à que antes criticava. A coesão política veio do compromisso com a manutenção do status quo em todas as áreas, e da concessão de programas assistenciais para as camadas pobres.
O resultado é que o Brasil de hoje é a Venezuela de antes de Chávez, com o agravante da perda da esperança no governo Lula. A democracia vai aos poucos sendo corroída pela desmoralização dos políticos, pela insensibilidade das elites dirigentes, pelo cinismo da comemoração pelos pequenos avanços, pela aceitação de que a corrupção é natural e generalizada. Somos um caldeirão de frustrações fabricando uma alternativa autocrática.
Apesar de criticar Chávez, o Congresso brasileiro colabora sistematicamente para fabricar o chavismo no Brasil. Com o aumento do salário dos parlamentares, os acordos para salvar colegas condenados pela opinião pública, a mudança de posições que depende de estar no governo ou na oposição, o aumento de impostos repudiado pelos contribuintes, os fracos resultados no enfrentamento dos problemas da população. Nem aqueles que criticam Chávez sentem saudades dos partidos e dos políticos de antes.
Os juízes passam a idéia de estar mais preocupados com o aumento dos seus salários do que em fazer justiça, e permitem a vergonhosa impunidade dos ricos. Colaboram para formar o desejo popular de um líder autoritário. Na Venezuela, mesmo aqueles que se horrorizam com o controle da justiça afirmam que a justiça anterior não merecia sobreviver.
A imprensa, apesar de denunciar constantemente a corrupção, se concentra no debate superficial, generaliza a crítica a todo político, desmoraliza a classe política – e junto com ela, a democracia –, ignora propostas alternativas para um Brasil sem apartação. Critica os erros, mas não denuncia as causas.
É como nas tragédias gregas. Ninguém quer o resultado trágico do autoritarismo. Mas como atores, estamos todos – Congresso, justiça, imprensa – fazendo a nossa parte para que o Brasil seja uma fábrica de autocratas, produtos da insensibilidade da elite e da desmoralização da política.
Melhor do que um sonho
Melhor do que um sonho
Têm coisas na vida que te enchem de prazer.
Não há dinheiro no mundo que possa comprar a felicidade de ler de vez em quando algo bem bolado e bem escrito por alguém por quem você tem enorme carinho e admiração.
Estes momentos na vida de uma pessoa são as ilhas de felicidades na vida atual onde diariamente os veículos noticiosos trazem notícias que envergonham e fazem ter vergonha de compartilhar a raça humana com esta canalha da política, dos lobistas do cinismo, com os invasores de terra, com os impunes, com os crápulas, com os Renans, com os Jaders, com os Malufes da atualidade.
O meu sobrinho José Melo, http://traveler.com.br/blogs/ze/ teve esta idéia de um encontro entre o Hugo Chávez e o Gorbachev. Um encontro fictício evidentemente, mas baseado na história atual, e nas possíveis conseqüências da política venezuelana. Comentou comigo esta idéia e queria que eu escrevesse, mas recusei e dei toda a força e realmente achei a idéia excelente.
Encontrei hoje no meu email esta história, que foi escrita por ele, com pesquisa feita por ele e que poderia realmente ter acontecido, da exata maneira descrita por ele.
Quero compartilhar com vocês:
Um encontro de peso
Por José Melo
Era uma manhã tranqüila, todos no porto de Vladivostok começavam sua rotina – fiscais, pescadores, estivadores, patrões e funcionários, tudo funcionando como uma máquina.
Exatamente às 8:30, Gorbachev percebe a chegada pontual de seu ilustre convidado à mesa de café da manhã. Há muito tempo o último líder Soviético vinha observando a movimentação política de Hugo Chavez na América Latina e decidiu convidar o presidente Venezuelano para um bate-papo bem longe do calor latino.
Eis que o destino me proporcionou acesso exclusivo a esse memorável encontro e aquí lhes ofereço, com exclusividade, uma transcrição fiel do que vi e ouvi.
- “Bom dia, comrade Gorbachev, como está o Senhor?”
- “Bom dia, estou bem, obrigado. Sente-se, Chavez. Não vamos perder tempo – vou direto ao assunto : quero lhe falar sobre o que você está fazendo na Venezuela. Meu governo não me pediu para termos este encontro, é iniciativa minha, e nada do que eu lhe disser reflete a posição da Rússia.”
Acostumado aos floreios típicos de encontros de presidentes latinos, Chavez viu-se perplexo diante da abordagem sem rodeios do velho líder comunista.
- “O Sr. Gorbachev não me convidou para um sermão, foi?”
- “Não é bem um sermão, Chavez. Eu lhe chamei para tirar algo que trago no meu peito há um bom tempo, me persegue, em minha mente, é preciso que lhe fale do que vejo na América Latina e lhe dar um parecer histórico do que penso. Não se ofenda, é para lhe sugerir, sim, uma mudança de curso.”
- “Bem, nesse caso, não tenho tempo para isso Sr. Gorbachev. Reconheço sua estatura política e respeito seu prestígio em todo o mundo, mas sinceramente, o Sr. já viu em 2 eleições que seu povo não lhe quer mais, se sentem traídos, e veja o que meu povo diz sobre mim, comrade. Tenho 60% de aprovação, fúi re-eleito pela maioría e continuo resistindo às pressões dos Estados Unidos como o Sr. talvez não tenha resistido. Peço licença mas devo voltar aos trabalhos.”
- “Que trabalhos, Chavez? Vai devolver a Venezuela à 1917 e fingir que nós já não tentamos o que você está fazendo em seu país? E sobre as eleições, meu povo votou, ou deixou de votar em mim, após um período de 72 anos de partido único. Temos nossos problemas na Rússia, como você tem em seu país, mas não compare a dimensão das coisas. O não-voto em mim significava a desaprovação da forma brusca com que a abertura se deu, fora de meu controle. Meu povo não me odeia, olhe em volta de você, há apenas um agente me protegendo e ando assim por todo meu país. A abertura fugiu de meu controle, mas eu não fúi culpado por tudo. Há alguns dias morreu um dos verdadeiros culpados pela abertura brusca na Rússia, a Yeltsin, sim, você poderia ter dito o que tem a dizer sobre a abertura violenta que vivemos em 1991, não a mim. Você atendeu a meu convite, e eu lhe agradeço. Acho que não devia perder a viagem. Mas se quiser, vá em paz.”
Os dois fizeram um curto silêncio, como se medissem a estatura de cada um. Chavez viu-se diante de um ex-presidente de super-potência, Prêmio Nobel da paz, que o convidara para uma conversa pessoal, reservada. Chavez não podia virar as costas e retirar-se do encontro. E Gorbachev não escondia sua inquietação, ele quase literalmente bateu com o sapato na mesa.
Antes que Chavez respondesse, Gorbachev prosseguiu, calmamente. Como quem dá uma aula a um aluno precipitado. Pausadamente, a cada palavra detinha-se com olhar fixo em Chavez, para ver se o Venezuelano iria embora do encontro.
- “Eram outros tempos. Tínhamos outra visão do mundo, estávamos decididos a mudar o mundo como ninguém jamais havia tentado. Desafiamos o Czar, a Igreja Católica, os Judeus, os Protestantes, questionamos a existência do Estado, desafiamos o poder da Rainha da Inglaterra e todos seus territórios, de fato desafiamos todas as Coroas, questionamos o Capitalismo, o Fascismo e o Nazismo – tudo de uma vez só. O movimento Bolchevique russo foi o mais atrevido da história, ninguém ousou mais que nós. Eu nasci após a revolução, fui o último líder Soviético e o primeiro deles a ter nascido após a 2a revolução em Outubro de 1918. Eu não conheci Lênin, e talvez por isso tive uma visão diferente de meus antecessores. Eu sabia já entre meus 20 ou 30 anos de idade que era preciso mudar algo, mas eu nunca soube ao certo o que mudar.”
O presidente da Venezuela sentou-se em meio à fala de Gorbachev. E apenas ouviu, com expressão sóbria e concentrada, um raro momento público em que não se mostrava sorridente ou comunicativo.
- “Quando ingressei no Partido Comunista da União Soviética, em 1952, eu tinha 21 anos. Eu criticava veladamente a dureza do regime de Stalin, apenas a amigos mais próximos, porém jamais duvidei de que estávamos no caminho certo e que o ocidente estava completamente errado. No ano seguinte explodimos nossa primeira bomba-H e a URSS tornou-se uma superpotência nuclear. Era um motivo de orgulho para todos nós saber que não podíamos mais ser destruídos pelo poder militar americano. Éramos soberanos, éramos, afinal, uma potência mundial.”
“Foi então nos escalões do sistema político Comunista que comecei a fazer certas críticas a nossa burocracia. Éramos menos ágeis que o ocidente. Precisávamos copiar determinadas tecnologias do ocidente, em especial os rápidos avanços na informática, sem os quais ficaríamos atrás dos americanos e teríamos imensa dificuldade com a formação de nossa juventude no futuro. Manter-nos atualizados no ramo de tecnologia era essencial. E foi uma luta, uma verdadeira guerra fria. Interceptávamos lotes de chips Intel que haviam sido deliberadamente adulterados pela empresa em parceria com o serviço secreto dos EUA, tínhamos que fazer engenharia reversa de tudo para construir algo útil com aqueles chips. E o embargo financeiro! Isso sim me leva ao assunto do dia: Cuba.”
“Fidel Castro é um homem decente. É autêntico. Advogado, desportista, Fidel teve uma formação de elite, porém viu que seu País estava afundando sob Fulgêncio Batista. E decidiu que a luta armada era o caminho. Ele não era um Comunista de formação, penso que sequer por convicção. Mas meu antecessor, Nikita Khruschev, teve por Fidel um carinho e uma consideração que Kennedy não teve. E foi assim que a Revolução Cubana de 1959 se uniu a nós, e tornou-se um espinho para os EUA. Nós enviamos a Cuba o que tínhamos de melhor em termos bélicos, em termos de engenharia e em termos de endosso político. Atacar Cuba significava atacar a Rússia, pode haver um endosso político maior que esse? Nós enviamos a Cuba nossos melhores pilotos e nossos mísseis mais poderosos.”
Chavez apenas concordava, hora acenava, hora tomava um pouco de seu café. Falando do ambiente como um todo o que mais me impressionava era o respeito do líder Venezuelano pelo Prêmio Nobel da Paz de 1990, me impressionou como Gorbachev domou a situação com dignidade e sem ofender a Chavez. A coisa tomou jeito de aula, o velho falava e Chavez ouvia.
Gorbachev hora expressava-se com as mãos, hora as mantinha juntas – sempre sério, sempre com a convicção com a qual se dirigia a Ronald Reagan ou a George Bush Sr. Mas sua figura já velha mais lembrava a de um avô que gostaríamos de ter e ouvir, não aparentava ameaça qualquer. Ambos estavam sentados em cadeiras brancas, de ferro fundido em formas de flores, cobertas com 2 finas almofadas, diante de uma farta mesa de desjejum na varanda de um simples hotel na Rua Fokin. A cadeira de Gorbachev estava alinhada na direção de Hugo Chavez. Até a linguagem corporal do líder russo já mostrava seu domínio da situação, e é isso que anotei em minhas observações.
Gorbachev não esconde seu ufanismo, demonstra orgulho da Rússia a cada frase, a cada trecho histórico que relata. O que percebo é que este homem pode ter perdido algumas batalhas políticas com seu povo, mas ele jamais deixou de amar a Rússia.
- “Chavez, a revolução de Fidel foi autêntica. E foi autêntica justamente pelo período histórico em que ocorreu. Em diversas ocasiões após o fim da chamada Guerra Fria, eu pensei comigo mesmo : ‘quantos exageros cometemos em nome da supremacia’. Meu antecessor invadiu o Afeganistão e coube a mim, quase 7 anos depois, arcar com o ônus político de bater em retirada. Podíamos ter destruído completamente as guerrilhas treinadas pelos EUA, mas nossa situação política era frágil em casa. Eu havia iniciado os trabalhos com a Glasnost e Perestróica, havíamos liberado o uso de máquinas Xerox em Moscou, os estudantes de jornalismo começavam a fazer jornalismo de verdade! Pela primeira vez abri o Pravda e li uma crítica a nós. Sempre fomos intocáveis, sempre fomos perfeitos e lá estava um estudante nos criticando e afirmando que ou fazíamos reformas profundas ou nosso império entraria em colapso. A previsão fatídica, feita por mais de 1 estudante, se revelou verdadeira.”
“Minhas reformas foram como uma reação nuclear impossível de se interromper. As filas para obter o pão e leite estatais se tornaram cada vez mais ridículas conforme as imagens dos Target, Kmart e WalMart americanas se tornavam disponíveis para nosso povo. Estávamos lutando para liberar o uso de máquinas fotocopiadoras e o mundo ocidental já proporcionava a seu povo editores de texto caseiros que tornavam possíveis a publicação de livros sem sair da casa.”
“Os excessos de alguns de nossos fundadores também se tornaram públicos, assim como a realidade econômica que muitos de meus companheiros de Partido jamais gostariam de ter visto divulgadas. Os números indicavam que nosso gigante Soviético estava falido. Sabíamos que os EUA também estavam em profundas dificuldades financeiras devido à política Reagan. A verdade é que a Guerra Fria trouxe grande prejuízo financeiro para todos.”
“E hoje, qual o sentido de promovermos uma nova Guerra Fria? Fiz críticas abertas ao sucessor de Yeltsin, disse em entrevista recente que Putin está retrocedendo no caminho à democracia plena na Rússia. E por que eu falo isso? Porque amo meu povo e meu país. Sei que a abertura de 1991 foi dolorosa, e não foi no ritmo que eu queria. Mas ela era necessária. Foi um mal necessário, foi uma ruptura necessária com uma ideologia na qual nosso povo já não tinha fé como antes. No fim estávamos promovendo ídolos e fé, igualzinho às instituições que nos propomos a destruir. Foi a hora certa de admitirmos nossos erros, e o povo fez o resto. Eu não impedi a queda do muro e as repetidas declarações de independência com nosso poderio bélico como fizeram os Chineses. Eu deixei o povo reinar.”
“Chavez, você tem que saber que nosso sonho Comunista jamais morreu. Mas hoje é preciso saber que o fim não justifica os meios. Não podemos realizar o sonho comunista à custa das vidas de milhões de pessoas.”
“Você compra nossas armas, mas deve saber que nós as tínhamos em 1953 na Coréia, nós tínhamos o sistema antiaéreo mais moderno da história quando os EUA tentavam sobrevoar nosso território com aviões A12 e U2, inclusive derrubamos um. Em 1972 nós acreditávamos termos rompido o balanço estratégico de destruição mútua assegurada, a União Soviética tinha o maior arsenal bélico jamais acumulado por qualquer império. E de que nos serviu? Fomos aos poucos corroídos pela política. Jamais nos deram um só tiro, nunca sofremos um disparo, e toda nossa estrutura teve que ser mudada pelo simples fato do povo não aceitar mais passar por tantas restrições em nome de uma ideologia.”
“Chamei-te aqui hoje para te dizer que não importa quantos AK-47 você compre, não importa quantos meios de censurar seu povo você…”
Mikhail Gorbachev é subitamente interrompido por Chavez.
- “Espere Senhor, há aí um julgamento de minha política que não está de acordo com o que estamos fazendo. Nós estamos educando médicos, fortalecendo nossas forças armadas, estamos nacionalizando aquilo que pertence ao povo da Venezuela. Não estamos nos armando para um confronto com os EUA ou qualquer outro país, mas sim para garantir a soberania Venezuelana.”
- “Eu entendo. O anseio por um País soberano e que pode se defender é legítimo” – respondeu Gorbachev
“No entanto suas ações vão à contramão disso que você procura para seu país. O caminho que decidiu tomar não levará à soberania Venezuelana, e sim ao confronto inevitável com os EUA, e com as Nações Unidas e todos os órgãos criados para evitar que um país tenha poder discricionário para intimidar o mundo..”
- “Nós não queremos intimidar ninguém, nem poderíamos, é questão de defender…”
- “Defender seu povo seria você estabelecer um prazo finito para seu mandato, dar poder ao legislativo e ao judiciário, que devem ser sempre independentes. Defender seu povo seria fortalecer sua posição nas Nações Unidas e deixar de lado a retórica ofensiva que tem adotado contra os Estados Unidos.”
“Em 72 anos de União Soviética nós tivemos poder para destruir os Estados Unidos, e talvez nos auto-destruirmos no processo, durante 28 anos. Algumas vezes os EUA ficaram sem comando durante algumas horas, como no assassinato de Kennedy. Não nos aproveitamos disso, pelo contrário, o assassinato de John Kennedy foi péssimo para a União Soviética. E nesses 28 anos vivemos tensões imensas, políticas e militares. Hoje a Rússia está num caminho mais seguro, mantendo suas forças estratégicas porém buscando uma discussão política. Você pode ver um desentendimento político entre Putin e Bush, mas não verá baixaria de qualquer lado. É questão de sobriedade hoje saber que Bush e Putin tem poder limitado para mudar o curso de seus países. Não se pode chamar o Bush de demônio e esperar algo construtivo disso.”
“Você não fará na Venezuela uma revolução como a de Fidel, pelo simples fato de já estarmos meio século além dos tempos da Revolução Cubana. Hoje as coisas são muito diferentes, estamos vivendo tempos diferentes. Eu ajudei a fundar o partido Social-Democrata na Rússia, porque o partido Comunista não mais refletia os anseios do povo russo no século XXI. Temos problemas para criar uma cultura democrática mais forte na Rússia, o povo precisa se acostumar após 72 anos de um partido único no poder. Mas estamos firmes nessa direção. Temos nossos problemas, mas repito, estamos firmes nessa direção.”
“Desejo a você muita sorte, e para seu povo muita paz e progresso. Eis o que tinha para lhe dizer. Não embarque em ilusões revolucionárias em pleno século XXI. Cultive o trabalho e a paz, e seu povo sairá adiante. De outra forma, tenho certeza que a Rússia ficará muito feliz em lhe vender bilhões de dólares em armamentos, mas saiba que já trilhamos esse caminho e você terminará, como disseram de nós, debochadamente, nos anos 70 : um país que tem forças armadas de primeiro mundo numa sociedade de terceiro mundo.”
Não aparentando nem um pouco convencido, ou sequer tocado pela longa conversa com Mikhail Gorbachev, Chavez limitou-se a uma lacônica despedida. A impressão que deixou é que não mudará nada em sua política em função desta conversa.
- “Eu agradeço sua intervenção Presidente Gorbachev. Certamente levarei comigo suas palavras, e terei enorme cuidado ao avaliá-las, e medi-las de acordo com a realidade de meu País.”
- “Eu conheço a realidade de seu País. Você não está isolado do mundo.”
- “Novamente, obrigado pela intervenção Senhor Presidente. Meus cordiais cumprimentos e votos de paz para o Senhor Com sua licença.”
Chavez levantou-se, desviando sutilmente do agente da FSB, extinta KGB, que faz parte da proteção pessoal do ex-líder Soviético. Chavez, por sua vez, acompanhado de comitiva que incluía vários seguranças e assessores, limitou-se a acenar, de forma geral e impessoal, para as 5 ou 6 pessoas que assistiram ao encontro.
A não ser pela presença do agente de quase 2 metros de altura, Mikhail Gorbachev estava sozinho, ele era sua própria equipe.
Este encontro foi, e será mantido em segredo. E você não lerá sobre ele na imprensa.
Foi-me dada permissão para transcrever esta conversa fictícia e publicar neste blog. Qualquer semelhança dos atores é mera invenção minha.
Classificação social.
Classificação social.
Esta semana, alem da quantidade enorme de “Spams“, também recebi inúmeros Emails de grande valor e de informações preciosas e diversas. Foi de verdade uma boa mistura de correspondência.
A minha prima Claudia, que mora em Juiz De Fora MG, me enviou esta descrição de classificação social inusitada, mas cheia de verdades e vou publicar para compartilhar com vocês de uma boa teoria.
È de acordo com o Email enviado de Autoria de Martha Medeiros.
Estou repassando os créditos em confiança à origem, mas se houver alguém que saiba mais a respeito da origem pode reclamar que eu corrijo
Os ricos e os pobres – Martha Medeiros
Anos atrás escrevi sobre um apresentador de televisão que ganhava R$ 1 milhão por mês e que em entrevista vangloriava-se de nunca ter lido um livro na vida. Classifiquei-o imediatamente como um exemplo de pessoa pobre.
Agora leio uma declaração do publicitário Washington Olivetto em que ele fala sobre isso de forma exemplar. Ele diz que há no mundo os ricos-ricos (que têm dinheiro e têm cultura), os pobres-ricos (que não têm dinheiro mas são agitadores intelectuais, possuem antenas que captam boas e novas idéias) e os ricos-pobres, que são a pior espécie: têm dinheiro mas não gastam um único tostão da sua fortuna em livrarias, shows ou galerias de arte, apenas torram em futilidades e propagam a ignorância e a grosseria.
Os ricos-ricos movimentam a economia gastando em cultura, educação e viagens, e com isso propagam o que conhecem e divulgam bons hábitos. Os pobres-ricos não têm saldo invejável no banco, mas são criativos, efervescentes, abertos. A riqueza destes dois grupos está na qualidade da informação que possuem, na sua curiosidade, na inteligência que cultivam e passam adiante. São estes dois grupos que fazem com que uma nação se desenvolva. Infelizmente, são os dois grupos menos representativos da sociedade brasileira.
O que temos aqui, em maior número, é um grupo que Olivetto nem mencionou, os pobres-pobres, que devido ao baixíssimo poder aquisitivo e quase inexistente acesso à cultura, infelizmente não ganham, não gastam, não aprendem e não ensinam: ficam à margem, feito zumbis.
E temos os ricos-pobres, que têm o bolso cheio e poderiam ajudar a fazer deste país um lugar que mereça ser chamado de civilizado, mas que nada: eles só propagam atraso, só propagam arrogância, só propagam sua pobreza de espírito.
Exemplos? Vou começar por uma cena que testemunhei semana passada. Estava dirigindo quando o sinal fechou. Parei atrás de um Audi preto do ano. Carrão. Dentro, um sujeito de terno e gravata que, cheio de si, não teve dúvida: abriu o vidro automático, amassou uma embalagem de cigarro vazia e a jogou pela janela no meio da rua, como se o asfalto fosse uma lixeira pública. O Audi é só um disfarce que ele pôde comprar, no fundo é um pobretão que só tem a oferecer sua miséria existencial.
Os ricos-pobres não têm verniz, não têm sensibilidade, não têm alcance para ir além do óbvio. Só têm dinheiro. Os ricos-pobres pedem no restaurante o vinho mais caro e tratam o garçom com desdém, vestem-se de Prada e sentam com as pernas abertas, viajam para Paris e não sabem quem foi Degas ou Monet, possuem tevês de plasma em todos os aposentos da casa e só assistem programas de auditório, mandam o filho pra Disney e nunca foram a uma reunião da escola. E, claro, dirigem um Audi e jogam lixo pela janela. Uma esmolinha para eles, pelo amor de Deus.
O Brasil tem saída se deixar de ser preconceituoso com os ricos-ricos (que ganham dinheiro honestamente e sabem que ele serve não só para proporcionar conforto, mas também para promover o conhecimento) e se valorizar os pobres-ricos, que são aqueles inúmeros indivíduos que fazem malabarismo para sobreviver mas, por outro lado, são interessados em teatro, música, cinema, literatura, moda, esportes, gastronomia, tecnologia e, principalmente, interessados nos outros seres humanos, fazendo da sua cidade um lugar desafiante e empolgante. É este o luxo de que precisamos, porque luxo é ter recursos para melhorar o mundo que nos coube. E recurso não é só Money: é atitude e informação.
O fundo do poço.
O fundo do poço.
Bater sempre nas mesmas teclas, denunciando o óbvio e dizendo as mesmas coisas sobre as mazelas do Brasil, leva a leitura de tudo isto a uma situação de tédio porque realmente as pessoas comuns já sabem disto tudo e ninguém realmente gosta de ser relembrado o tempo todo de que estamos em um beco quase sem saída.
Quase!!!!!
Se uma pessoa for vítima de um conto do vigário e levar um tombo feio, existem duas situações que dispensam comentários:
1. Quase sempre quem entra e vira vítima de um conto do vigário está tentando levar alguma vantagem.
2. Depois que virou a vítima, detesta que se comente o acontecido.
Muito semelhante ao atual quotidiano nacional:
1. Fomos vítima de um tremendo estelionato eleitoral. (ainda estamos sendo vítimas)
2. Quem entrou nesta (58.000.000 de pessoas) não gosta de ficar sendo relembrado do fato.
Existem maneiras de não esquecer estes fatos reais, e ainda manter as perspectivas atuais sem se tornar muito pedante e repetitivo.
Resume-se em escrever com bom gosto e picardia, os fatos relacionados aos acontecimentos, reservando aos leitores algo leve, mas real.
Alguns dos jornalistas da atualidade fazem isto com primor e sempre que leio algo nesta ordem procuro publicar, com os devidos créditos obviamente.
Outro dia a minha amiga Ana Maria me presenteou com um excelente artigo.
Compartilho com vocês:
SE O POÇO TIVER FUNDO
TIÃO MARTINS (http://www.revistaencontro.com.br/maio07/artic_tiao.asp)
Vocês não se lembram, porque nem eram nascidos, mas não sai da cabeça o dia em que o arrogante presidente Charles de Gaulle, o grandão que metia medo nos franceses, disse que o Brasil não é um país sério. Não é mesmo, e jamais quis ser.
Como afundar na seriedade um país tão tropical e brasileiro quanto o nosso? Só se a gente fosse um bando de doidos.
Nossos governantes federais são uma comédia. Preferem se espreguiçar mornamente, à beira da lagoa, do mar ou da piscina (os rios andam muito poluídos, ultimamente), enquanto as nuvens correm. Trabalham um dia, folgam no outro e conversam à toa nos demais. Mas adoram os trabalhadores da cidade ou do campo. Quem trabalha e paga impostos então é venerado, pois mantém o embalo da patota.
Quantas dezenas de discursos você já ouviu, elogiando os trabalhadores rurais e urbanos? “São heróis do cotidiano, são símbolos da Nação que trabalha e produz”, trovejam os oradores, nos comícios. Ou, pelo menos, os que sabem falar uma frase inteira, sem trocar o sujeito por aquele indivíduo. Depois, sorvem o uísque, o vinho francês e a companheira da noite, não necessariamente nesta ordem.
E vamos levando, no presente, pois ninguém garante que haverá futuro. Saber levar, empurrar com a barriga, fazer de conta e dar jeitinhos são as bases da cultura nacional.
Enquanto isso, Brasília dorme e os bandidos esperam do lado de fora. Estes, sim, são sérios, planejam, importam o melhor da experiência internacional e não vendem ou compram cadeiras no Congresso Nacional.
Por enquanto.
Brasileiros há mais de 500 anos, admiramos a energia dos alemães, o otimismo dos americanos e a faina formigueira dos japoneses e coreanos, esses incansáveis, mas ninguém aqui quer ser como eles. Basta que nos deixem um pouco de sol, uma bananeira velha para dar frutos e sombra e uma caneca de água fresca.
Mas os políticos são a obra-prima da cultura nacional, síntese do nosso caráter e expressão viva da inteligência brasileira. Quem viu o Lula na casa do Bush sabe disso. Não precisa ver mais nada. Pena que as criancinhas ainda estavam acordadas, quando aconteceu e a TV mostrou.
Quem disser que sou por demais nacionalista, radical e antiquado não entendeu nada. Político brasileiro sempre se deu bem com os ianques. Já beijamos a mão de Roosevelt, fomos comandados por Eisenhower, puxamos o saco de Kennedy, adoramos Carter (aquela tia velha) e abraçamos o canastrão Reagan. Como deixar George W. Bush na chuva e no vento, agora que anda tão sem prestígio? O problema é que os gringos não descansam, e a gente gosta de sossego. Que tomem a terra e bebam a cachaça. Se deixarem a mamona e a mulata já está bom. Mas sem impostos. Afinal, desde que Cabral desembarcou aqui e nos encontrou livres e soltos estamos pagando impostos aos poderosos.
Outro dia, encontrei o William às quatro da tarde. Apesar do nome, não é gringo, mas mineiro de Pirapora, e estava com cara de quem assassinou o chefe.
– Aonde vai, malandro? – perguntei, sutil.
– À piscina, com a gata.
– E amanhã, como será? – insisti, com o ceticismo de decente pai de família.
– Amanhã é outro dia. Se der, vou de novo. Estou pronto para o inesperado.
Bela frase. Mas o William não é sujeito de posses. Vive do salário de assessor de um político. Como pôde financiar as orgias vespertinas?
– Amigo, calculei quanto pagamos de imposto para manter deputados e senadores, ministros e assessores, prefeitos e vereadores. Esse bolo vai dar bolo. Dividi as despesas entre todos nós e concluí que jamais conseguirei pagar minha parte. Sendo assim, antes que me tomem o resto (e a gatinha), passei a mão nela e na grana e vou queimar tudo.
Debaixo do sol. Abracei-o, comovido, e lhe desejei sorte.
Este país é a cara do William.
É melhor mesmo ir gastando assim, ao sol, até que caiam todos no fundo do poço.
Se o poço tiver fundo
Mensagem a Garcia.
Mensagem a Garcia.
Recebi hoje pela manhã, um interessante Email de meu irmão mais novo o Guilherme.
O que me pareceu estranho, foi eu que gosto de ler e gosto muito de história, nunca ter sequer ouvido falar desta carta ou deste artigo do jornalista americano Elbert Hubbard.
http://en.wikipedia.org/wiki/Elbert_Hubbard
Não importa também o que eu conheço ou desconheço, mas este artigo é deveras interessante e quero compartilhar com vocês:
Transcreveremos a seguir o texto integral do artigo que, com o título abaixo, o jornalista norte-americano Elbert Hubbard publicou despretensiosamente na revista “Philistine”, em março de 1899. Na primeira semana de circulação da revista, vários leitores solicitaram exemplares extras para a distribuição a amigos. Dez dias depois, a Estrada de Ferro Central de Nova York solicitou 100.000 exemplares do artigo para a distribuição aos seus funcionários e clientes. O sucesso foi tão grande que o pedido original acabou transformando-se em encomenda de 1,5 milhão de cópias. O príncipe Hilakof, diretor das Estradas de Ferro Russas, que visitava os Estados Unidos nessa época, leu o folheto, levou-o para sua pátria e, após mandá-lo traduzir para o russo, providenciou sua impressão e distribuição a todos os funcionários da ferrovia. Daí o artigo de Hubbard começou a ser produzido em muitas línguas e, em 1913, já tinham sido impressos mais de quarenta milhões de exemplares.
MENSAGEM A GARCIA
Em todo este caso cubano, um homem se destaca no horizonte de minha memória como o planeta Marte no seu periélio. Quando irrompeu a guerra entre a Espanha e os Estados Unidos, o que importava a estes era comunicar-se rapidamente com o chefe dos insurretos, Garcia , que se sabia encontrar-se em alguma fortaleza no interior do sertão cubano, mas sem que se pudesse precisar exatamente onde. Era impossível comunicar-se com ele pelo correio ou pelo telégrafo. No entanto, tinha o Presidente que tratar de assegurar-se da sua colaboração, e isto quanto antes. Que fazer?
Alguém lembrou ao Presidente: “Há um homem chamado Rowan; e se alguma pessoa é capaz de encontrar Garcia, há de ser Rowan”.
Rowan foi trazido à presença do Presidente, que lhe confiou uma carta com a incumbência de entregá-la a Garcia. De como este homem, Rowan, tomou a carta, meteu-a num invólucro impermeável, amarrou-a sobre o peito, e, após quatro dias, saltou de um barco sem coberta, alta noite, nas costas de Cuba; de como se embrenhou no sertão para depois de três semanas, surgir do outro lado da ilha, tendo atravessado a pé um país hostil e entregue a carta a Garcia – são coisas que não vem ao caso narrar aqui pormenorizadamente. O ponto que desejo frisar é este: Mac Kinley deu a Rowan uma carta para ser entregue a Garcia; Rowan pegou-a e nem perguntou: “Onde ele está?”
Hosana! Eis aí um homem cujo busto merecia ser fundido em bronze imarcescível e sua estátua colocada em cada escola do país. Não é de sabedoria livresca que a juventude precisa, nem instrução sobre isto ou aquilo. Precisa, sim, de endurecimento das vértebras, para poder mostrar-se altiva no exercício de um cargo; para atuar com diligência, para dar conta do recado; para, em suma, levar uma mensagem a Garcia.
O General Garcia já não é deste mundo, mas há outros “Garcias”. A nenhum homem que se tenha empenhado em levar avante uma empresa, em que a ajuda de muitos se torne precisa, tem sido poupados momentos de verdadeiro desespero ante a imbecilidade de grande número de homens, ante a inabilidade ou falta de disposição de concentrar a mente numa determinada coisa e fazê-la.
Assistência irregular, desatenção tola, indiferença irritante e trabalho mal-feito parecem ser a regra geral. Nenhum homem pode ser verdadeiramente bem sucedido, salvo se lançar mão de todos os meios ao seu alcance, quer da força, quer do suborno, para orbigar outros homens a ajudá-lo, a não ser que Deus Onipotente, na sua grande misericórdia, faça um milagre enviando-lhe como auxiliar um anjo de luz.
Leitor amigo, tu mesmo podes tirar a prova. Estás sentado no teu escritório, rodeado de meia dúzia de empregados. Pois bem, chama um deles e pede-lhe: “Queira ter a bondade de consultar a enciclopédia e de me fazer uma descrição sucinta da vida de Corregio.”
Dar-se-á o caso de o empregado dizer calmamente: “Sim, senhor”, e executar o que se lhe pediu?
Nada disso! Olhar-te-á perplexo e soslaio para fazer uma ou mais das seguintes perguntas:
-Quem é ele?
-Que enciclopédia?
-Onde é que está a enciclopédia?
-Fui eu acaso contratado para fazer isso?
-Não quer dizer Bismark?
-E se Carlos o fizesse?
-Já morreu?
-Precisa disso com urgência?
-Não será melhor que eu traga o livro para que o senhor mesmo procure o que quer?
-Para que quer saber isso?
E aposto dez contra um que, depois de haveres respondido a tais perguntas e explicado a maneira de procurar os dados pedidos e a razão por que deles precisas, teu empregado irá pedir a um companheiro que o ajude a encontrar “Garcia”, e depois voltará para te dizer que tal homem não existe. Evidentemente, pode ser que eu perca a aposta; mas, segundo a lei das médias, jogo na certa. Ora, se fores prudente, não te darás ao trabalho de explicar ao teu “ajudante” que Corregio se escreve com “C” e não com “K”, mas limitar-te-ás a dizer meigamente, esboçando o melhor sorriso: “Não faz mal; não se incomode”, e, dito isto, levantar-te-ás e procurarás tu mesmo. E esta incapacidade de atuar independentemente, está inépcia moral, esta invalidez de vontade, esta atrofia de disposição de solicitadamente se pôr em campo e agir são as coisas que recuam para um futuro tão remoto o advento do socialismo puro. Se os homens não tomam a iniciativa de agir em seu próprio proveito, que farão quando o resultado do seu esforço redundar em benfício de todos? Por enquanto parece que os homens ainda precisam ser feitorados. O que mantém muito empregado no seu posto e o faz trabalhar é o medo de, se não o fizer, será despedido no fim do mês. Anuncia precisar de um taquígrafo, e nove entre dez candidatos à vaga não saberão ortografar nem pontuar – e, o que é mais, pensam que não é necessário sabê-lo.
Poderá uma pessoa destas escrever uma carta a Garcia?
“Vê aquele guarda-livros?”, dizia-me o chefe de uma grande fábrica.
“Sim, que tem?”
“É um excelente guarda-livros. Contudo, se eu o mandasse fazer um recado, talvez se desobrigasse da incumbência a contento, mas também podia muito bem ser que no caminho entrasse em duas ou três casas de bebidas, e que, quando chegasse ao seu destino, já não recordasse da incumbência que lhe fora dada”.
Será possível confiar-se a tal homem uma carta para entregá-la a Garcia?
Ultimamente temos ouvido muitas expressões sentimentais, externando simpatia para com os pobres entes que mourejam de sol a sol, para com os infelizes desempregados à cata do trabalho honesto, e tudo isto, quase sempre, entremeado de muita palavra dura para com os homens que estão no poder.
Nada se diz do patrão que envelhece antes do tempo, num baldado esforço para induzir eternos desgostosos e descontentes a trabalhar conscienciosamente; nada se diz de sua longa e paciente procura de pessoal, que, no entanto, muitas vezes nada mais faz do que “matar o tempo”, logo que ele volta às costas. Não há empresa que não esteja despedindo pessoal que se mostra incapaz de zelar pelos seus interesses, a fim de substituí-lo por outro mais apto. Este processo de seleção por eliminação se está operando incessantemente, em tempos adversos ou não, com a única diferença de que, quando os tempos são maus e o trabalho escasseia, a seleção se faz mais escrupulosamente, pondo-se fora, para sempre, os incompetentes e os inaproveitáveis. É a lei da sobrevivência do mais apto. Cada patrão, no seu próprio interesse, trata somente de guardar os melhores: aqueles que podem levar uma mensagem a Garcia.
Conheço um homem de aptidões realmente brilhantes, mas sem a fibra precisa para gerir um negócio próprio e que, ademais, se torna completamente inútil para qualquer outra pessoa, devido a suspeita insana que constantemente abriga de que seu patrão o esteja oprimindo ou tencione oprimí-lo. Sem poder mandar, não tolera que alguém o mande. Se lhe fosse confiada uma mensagem a Garcia, retrucaria provavelmente: “Leve-a você mesmo”.
Hoje este homem perambula errante pelas ruas em busca de trabalho, em quase petição de miséria. No entanto ninguém que o conheça se aventura a dar-lhe trabalho porque é a personificação do descontentamento e do espírito de réplica. Refratário a qualquer conselho ou admoestação, a única coisa capaz de nele produzir algum efeito seria um bom pontapé dado com a ponta de uma bota de número 42, sola grossa e bico largo.
Sei, não resta dúvida, que um indivíduo moralmente aleijado como este não é menos digno de compaixão que um fisicamente aleijado. Entretanto, nesta demonstração de compaixão, vertamos também uma lágrima pelos homens que se esforçam por levar avante uma grande empresa, cujas horas de trabalho não estão limitadas pelo som do apito e cujos cabelos ficam prematuramente encanecidos na incessante luta em que estão empenhados contra a indiferença desdenhosa, contra a imbecilidade crassa e ingratidão atroz, justamente daqueles que sem o seu espírito empreendedor, andariam famintos e sem lar.
Dar-se-á o caso de eu ter pintado a situação em cores demasiado carregadas? Pode ser que sim; quando todo mundo se apraz em divagações, quero lançar uma palavra de simpatia ao homem que imprime êxito a um empreendimento, ao homem que, a despeito de uma porção de empecilhos, sabe dirigir e coordenar os esforços de outros, e que, após o triunfo, talvez verifique que nada ganhou; salvo a sua mera subsistência.
Também eu carreguei marmitas e trabalhei como jornaleiro como, também, tenho sido patrão. Sei, portanto, que alguma coisa se pode dizer de ambos os lados.
Não há excelência de per si; farrapos não servem de recomendação. Nem todos os patrões são gananciosos e tiranos, da mesma forma que nem todos os pobres são virtuosos.
Todas as minhas simpatias pertencem ao homem que trabalha conscienciosamente, quer o patrão esteja, quer não. E o homem que, ao lhe ser confiada uma carta para Garcia, tranquilamente toma a missiva, sem fazer perguntas idiotas, e sem a intenção oculta de jogá-la na primeira sarjeta que encontrar, ou praticar qualquer outro feito que não seja entregá-la ao destinatário; este homem nunca fica “encostado”, nem tem que se declarar em greve para forçar um aumento de ordenado.
A civilização busca ansiosa, insistentemente, homens nestas condições. Tudo que tal homem pedir se lhe há de conceder. Precisa-se dele em cada cidade, em cada vila, em cada lugarejo, em cada escritório, em cada oficina, em cada loja, fábrica ou venda. O grito do mundo inteiro praticamente se resume nisso: Precisa-se, e com urgência, de um homem capaz de levar uma mensagem a Garcia.
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