Conhecimento.
Outro dia no rio Grande do Sul, o seu presidente Lula se dirigindo a um grupo de investidores alemães disse o seguinte:
“Eu quero afirmar para os empresário espanhol…….”
Ele de improviso é mesmo uma besta.
Confundiu os alemães com os espanhóis e assassinou assim mesmo a concordância
Numérica, colocando devidamente no plural “os” desde que eram vários empresários e matando tudo no final singularizando o sujeito e o adjetivo qualificativo.
Este cara disse em uma entrevista em 2003, que realmente não havia lido nenhum livro completo em sua vida, e que havia sim lido trechos importantes de alguns livros mas que isto era irrelevante, pois possuía vivencia e instinto para poder arrumar o Brasil.
Aí está o resultado
Hoje recebi de meu amigo Carlos Alberto, um Email com umas pérolas selecionadas de uma redação na prova de vestibular da UFMG.
Como é que esta gente com seguiu chegar até o vestibular?
Mas não se espante o Lula conseguiu chegar à presidência.
Onde vamos parar?
Vejam só o que alguns dos vestibulandos foram capazes de escrever na prova de redação da Universidade Federal de Minas Gerais, tendo como tema:
“A TV FORMA, INFORMA OU DEFORMA?”
A seleção e comentários pelo prof. José Roberto Mathias.
“A TV possui um grau elevadíssimo de informações que nos enriquece de uma
maneira pobre, pois se tornamos uns viciados deste veículo de comunicação”.
(Deus!)
“A TV no entanto é um consumo que devemos consumir para nossa formação,
informação e deformação”. (fantástica!)
“A TV se estiver ligada pode formar uma série de imagens, já desligada
não…” (ah bom, uma frase sobrenatural ) .
“A TV deforma não só os sofás por motivo da pessoa ficar bastante tempo
intertida como também as vista” (sem comentários ).
“A televisão passa para as pessoas que a vida é um conto de fábulas e com
isso fabrica muitas cabeças” (como é que pode?).
“Sempre ou quase sempre a TV está mais perto denosco (?) , fazendo com que
o telespectador solte o seu lado obscuro” (essa é imbatível)
“A TV deforma a coluna, os músculos e o organismo em geral” (é praticamente uma tortura!)
“A televisão é um meio de comunicação, audição e porque não dizer de
locomoção” (tudo a ver)
“A TV é o oxigênio que forma nossas idéias” (sem ela esse indivíduo não pode viver)
“…por isso é que podemos dizer que esse meio de transporte é capaz de
informar e deformar os homens” (nunca tentei dirigir uma TV)
“A TV ezerce (Puxa!!!) poder, levando informações diárias e porque não
dizer horárias” ( esse é humorista, além de tudo)
“E nós estamos nos diluindo a cada dia e não se pode dizer que a TV não
tem nada a ver com isso” (me explica isso? )
“A televisão leva fatos a trilhares de pessoas” (é muita gente isso, hein?)
“A TV acomoda aos teles inspectadores” (socorro!!!)
“A informação fornecida pela TV é pacífica de falhas” (vixe!)
“A televisão pode ser definida como uma faca de trezgumes. Ela tanto pode
formar, como informar, como deformar” (PQP, onde essa criatura arrumou essa faca???)
A opinião de Comparato.
Ainda tem gente pensando que o governo Lula está sendo um bom governo????
Isto no mínimo é carência de informação.
O jurista e filósofo Fábio Konder Comparato tem outras idéias.
Sendo uma pessoa que foi realmente de esquerda e ligada ao PT, (que apoiou) a sua opinião contrária aos acontecimentos políticos atuais, em minha humilde visão, é uma opinião válida e imparcial.
O link abaixo leva a uma entrevista sobre a visão de Comparato, onde seu aprendizado começou na religião católica e amadureceu na França onde teve a visão de socialismo puro e democracia, como não se pode encontrar no Brasil.
Vale a pena conferir.
http://www.dhnet.org.br/direitos/militantes/comparato/comparato_td.html
Em 2004 deu uma entrevista sobre os rumos do governo Lula
Esta entrevista de Comparato foi em fevereiro de 2004
Analisando a conjuntura política brasileira
Entrevista com Fábio Konder Comparato
Brasil de Fato
Brasil de Fato – Como o senhor está vendo a situação do país, e principalmente, como analisa esse primeiro ano de governo?
Fábio Konder Comparato – A situação geral do país é preocupante. Não só deste ano, mas de vários anos. Nós estamos há muito tempo com o crescimento do PIB e sem nenhuma possibilidade aparente de melhorar a má distribuição de renda. O governo Lula veio fundado em uma esperança muito grande, um calor humano extraordinário, e ele está aos poucos destruindo a nossa esperança, o que é muito grave, porque governar não é só exercer o poder. É também ter um fundamento das ações do Governo na consciência e na esperança do povo. Isso está acontecendo porque o governo Lula adotou a política econômica do pensamento único, e aprofundou as diretrizes do governo passado. O crescimento desse ano foi negativo, está havendo um empobrecimento da classe trabalhadora e também um aumento da miséria. E, ao mesmo tempo, há um verdadeiro estouro de lucratividade das instituições financeiras. Ou seja, nós embarcamos de corpo e alma no capitalismo financeiro, que é um sistema econômico que nada produz e que vive exclusivamente da intermediação e da especulação. Isso, evidentemente, não pode durar muito tempo. Falta uma base econômica para que esse sistema permaneça. Eu não acredito que essa opção do governo Lula tenha sido feita por razões meramente econômicas, mas sim por uma razão política. A cúpula do partido entendeu, em junho de 2002, que o candidato Lula não poderia perder pela quarta vez a corrida pela presidência da república. Se isso acontecesse, o PT teria que mudar inteiramente, saindo toda a equipe de direção. Era, portanto, um jogo de tudo ou nada, e eles apostaram nessa possibilidade quase que desesperante de chegar ao poder. Agora, o poder significou para eles uma aceitação do jogo do poder como ele é, ou seja, separado da vida do país. A história do poder se fecha sobre si mesma. Essa é uma tendência incoercível: todo poder tende a se concentrar e se concentra sobre si mesmo, é uma espécie de doença psicológica. Os homens no poder têm a tentação de só se enxergarem, eles não enxergam mais a realidade fora do ciclo de poder. Eles ficam cegos e surdo, mas, evidentemente, não ficam mudos; ao contrário, eles podem falar cada vez mais para dar a impressão de que ainda mantêm contato com a realidade social. Isso não significa que os homens do governo Lula, a começar por ele próprio, sejam ruins, tenham uma deficiência de caráter, longe disso. O que acontece é que eles não estavam preparados para enfrentar esse jogo do poder e acharam que iriam dominar o establishment.
BDF – Acabaram sendo dominados.
Fábio Konder Comparato – Eles acabaram sendo engolidos por essa voragem do poder.
BDF – Eles têm justificado muito que este ano foi de preparação para o crescimento e para as mudanças. O senhor acredita que isso é possível da forma como está colocado?
Comparato – Eu acho que isso é impossível, e me pergunto se o pessoal que está lá em cima, que é inteligente e tem um conhecimento dos dados, acredita realmente no que fala. Impossível porque crescimento não precisa ser em 2004, mas 2005 ou 2006 necessitaria de investimento. No ano de 2003, o total dos investimentos no país foi 10% menos do que em 2002. Lula disse que em 2004 vai mudar, mas isso não pode mudar o ano que vem, pois o que asfixia a economia brasileira é o grau de endividamento do Estado.
BDF – É um pouco da justificativa que a equipe do governo tem dado: que pegaram o país com uma herança, principalmente do governo de Fernando Henrique Cardoso.
Comparato – Não é justificativa porque, em vez de reduzir, eles aprofundaram isso. Eles aumentaram os constrangimentos financeiros que não tinham sido exigidos pelo FMI, como o aumento do superávit primário, mas eles acabam de dizer, pela boca do ministro da fazendo, que tem sido elogiado quase todos os dias pelo presidente da república, que esse superávit primário de 4,25 tem que durar pelo menos dez anos. É impossível criar uma poupança pública para investimento com esse constrangimento. Eu não acredito que o pessoal do Banco Central e do Ministério da Fazenda não saibam fazer contas. Eles têm perfeita noção disso. Em contrário, poderia ser dito: o que significa não pagar a dívida pública? É uma maneira do Partido dos Trabalhadores. O que acontece é que eles nunca se prepararam seriamente para isso, porque há a dívida externa e a interna. A dívida interna é, em grande parte, manipulada pelos bancos. Eles têm, seguramente, a metade dos títulos públicos emitidos pelo governo na sua carteira, e o resto eles distribuem entre fundos de investimento. A conversa com os bancos tem que ser uma conversa de poder para súdito, e o governo se coloca na posição inferior, na posição de alguém que é obrigado a se submeter ao poder dos bancos e cede simplesmente um certo alívio a eles. Isso não tem cabimento. Por outro lado, a questão da dívida externa seria perfeitamente negociável se o governo tivesse um plano coerente para enfrentar este problema da falta de poupança pública. O que acontece é que o governo, um ano depois de instalado, revelou-se incapaz de apresentar um projeto de país. Nós não sabemos para onde vamos, temos simplesmente de acreditar nas informações repetidas de que a prosperidade está na esquina, é só esperar um pouco, precisa ter paciência para os fatos que virão, inevitavelmente. Claro que, durante alguns meses, nós demos esse crédito de confiança, mas agora queremos fatos, e os fatos estão aí. Há cada vez menos investimento, é cada vez maior o desemprego, há uma desnacionalização da economia brasileira e há manifesta impossibilidade de se conseguirem recursos, ainda que modestos, para enfrentar o programa de políticas sociais que foi apresentado. Não há recursos para a educação, para a saúde, para a reforma agrária e, como constatamos, entre reduzir os juros ou reduzir os benefícios da previdência social, o governo optou por essa última opção. Significa que no choque entre os banqueiros e a grande massa do povo pobre, o governo optou claramente por não se indispor com os banqueiros. Tudo isso é desastroso.
BDF – E essas políticas sociais, como o combate à fome através do Fome Zero, a Bolsa-Escola?
Comparato – Isso é uma migalha. Há um princípio fundamental que não foi entendido pelo governo: o desenvolvimento econômico é apoiado em uma política econômica correta. A desigualdade social não é provocada pela falta de políticas sociais, mas por uma política econômica perversa, intrinsicamente redutora da igualdade social e cada vez mais concentradora de renda. Lutar contra a miséria não se faz por meio de políticas sociais, simplesmente. É preciso corrigir esta fábrica de miséria que é o sistema capitalista. Para enfrentar esse sistema, é preciso uma boa preparação, uma preparação ética, sobretudo. Optar por manter o sistema capitalista significa optar por manter aqueles que esmagam o povo. Não há absolutamente a menor justificativa, a mais leve explicação aceitável, legítima, de que, para resolver problemas financeiros do governo, é preciso pôr na rua um milhão de trabalhadores empregados, com carteira assinada, que são, portanto, despedidos, e arruinar milhares de pequenas e médias empresas. Isto só é possível quando se aceita o pensamento único, como se a economia fosse uma ciência da natureza, como se ela não tivesse a ver com a vida humana. Nós podemos errar na parte de técnica econômica, mas não podemos aceitar uma direção da economia que é uma criação contínua, perpétua de miséria e pobreza. Isso é eticamente inaceitável.
BDF – Parece que a análise que o senhor fez do governo FHC, quatro anos atrás, se repete agora. O senhor tem esse sensação? Pois a única coisa que eu noto de diferença é a decepção, o sentimento de frustração, que é maior.
Comparato – É verdade. Eu gostaria de lembrar um pensamento de Confúcio a respeito do governo. O discípulo pergunta: “Mestre, no que consiste a arte do governo?”. E Confúcio responde: “Em três coisas. Dar alimentos à população, distribuir armas e suscitar a confiança”. O discípulo volta a perguntar: “Mas, se tivéssemos de eliminar uma dessas três coisas, qual seria?”, e ele diz: “As armas”. “E entre as duas restantes? Se nós tivéssemos que optar, nós eliminaríamos qual delas?”. Ele diz: “Os alimentos, que a morte acompanha a humanidade desde o início. Mas um governo não pode existir sem o mínimo de confiança do povo”. È por isso que esta situação me parece trágica. Podem dizer que as últimas pesquisas de opinião mostram que o povo continua a ter confiança pessoal no presidente, não tem no governo, mas no presidente. É verdade, mas isso é típico da relação política atual, no mundo todo, e sobretudo no Brasil. O povo não faz uma reflexão crítica em relação ao governo. Ele tem sentimentos e intuições, e é sobretudo dominado pelo carisma pessoal. O carisma pessoal do Lula permanece praticamente o mesmo desde a eleição. O povo não sabe que, se é trabalhador, por exemplo, se ele for despedido, é porque os bancos pressionaram a sua empresa, e ele não sabe que se os bancos têm esse poder, é porque o governo está aliado aos bancos. Se ele fizesse esse raciocínio, evidentemente, a popularidade do presidente cairia praticamente a zero. Não digo a zero porque ainda sobraria um percentual de pessoas ligadas aos bancos, mas até mesmo a grande indústria. Enquanto se fala na impossibilidade do governo do PT enfrentar poderosos, eu me pergunto se eles não têm contato com a grande indústria. A grande indústria também está sofrendo com essa hegemonia bancária, e as pequenas e médias indústrias estão comendo o pão que o diabo amassou. Politicamente, era portanto viável que o governo tentasse se aliar com esse setor econômico. Ele não tinha de hostilizá-lo, mas chamá-lo para ser seu aliado perante os bancos, mas não fez isso. Ele sentiu que não poderia fazer isso, mas é possível, percebeu que não haveria nenhuma massa de manobra para mudar a situação atual. Mas neste caso o juízo moral é horrível, pois eles aceitaram tomar o poder sabendo que não poderiam fazer nada pelo povo. Isso é inadmissível. Temos que dar sempre às pessoas um mínimo de confiança, e não podemos fazer um julgamento definitivo do caráter das pessoas. Eu ainda acho que esta situação em que o governo se colocou é uma situação típica do aprendiz de feiticeiro, o velho mito do doutor Fausto, que assumiu o poder e achou que poderia negociar com o diabo em condições vantajosas. Ele superestimou sua capacidade de negociar com o diabo, e agora vai ter que amargar a sua situação de sujeição. Por incrível que pareça, o governo só se enxerga, ele não vê o entorno. É preciso que alguém de fora do Estado diga a eles a verdade simples: o PT não veio ao governo para aumentar a pobreza e miséria do povo, para arruinar pequenas e médias empresas. Isto é um caminho sem volta.
BDF – Algumas pessoas que já se posicionaram contrárias a toda essa linha política e econômica que o governo adotou estão sofrendo conseqüências. Gostaria que o senhor comentasse a expulsão dos chamados radicais do PT.
Comparato – É lamentável. Disseram que o PT no passado já expulsou gente. É verdade. Mas o PT do passado não é o PT do presente. O PT tinha autoridade moral da expulsa. Hoje, tem feito aliança com o PTB. Tendo feito acordos com José Sarney e com Antonio Carlos Magalhães, tendo aceito negociar com os plantadores gaúchos de soja transgênica, qual a autoridade que o PT tem para expulsar esse pessoal? Até agora, a política externa do governo tem sido praticamente a única que se salva. Não que os demais ministérios fora da área econômica estejam apresentando um desempenho ruim, é que eles estão sendo asfixiados pela política econômica do governo.
BDF – E sobre a política externa do governo, que análise o senhor faz?
Comparato – No caso da política externa, tradicionalmente essa asfixia não acontece. Apesar de todos os cortes feitos pela Secretaria do Tesouro no Ministério das Relações Exteriores, que fazem com que muitas vezes os diplomatas brasileiros enfrentem um constrangimento no exterior, a política externa pode se desenvolver livre desses constrangimentos financeiros, porque não é uma política de investimento econômico. Acontece que nenhuma política econômica progressista pode permanecer muito tempo nessa linha com um governo conservador e retrógrado, porque há uma contradição evidente no governo brasileiro liderar movimentos de libertação da periferia do mundo capitalista, das injunções que vêm do centro do sistema, e ao mesmo tempo se conformar aplicadamente com todas as obrigações que são impostas ao país pelo Fundo Monetário Internacional. Um país que tem crescimento expressivo da sua economia e que reduz sua pobreza, ele tem autoridade para falar dos pobres. Mas um governo que se afunda na estagnação econômica e só faz lamentar a desigualdade social não é um bom exemplo para os demais países pobres do mundo. Então é preciso entender isso. Durante o governo militar, por exemplo, é claro que a política militar do país não podia ser favorável à defesa dos direitos humanos. Seria uma contradição manifesta com o que existia no Brasil. E essa contradição começa a aparecer agora no campo da política econômica. A Argentina, por exemplo, suspendeu o pagamento da dívida pública, e com isso teve um alívio extraordinário, o país voltou a crescer e o desemprego foi reduzido de maneira substancial. A Argentina mostrou que já estava podendo respirar fora daquela câmara hermética em que ela havia sido encerrada pelos governos anteriores mancomunados com os organismos financeiros internacionais. A Argentina apresenta melhores condições que o Brasil para propugnar a realização de um política externa independente. E a coisa se coloca perspectivamente: o Brasil, até agora, graças à excelente administração do Ministério das Relações Exteriores, tem mantido uma política independente no que diz respeito às injunções que vêm dos Estados Unidos quanto à formação da Alca. Mas tudo isso precisa ser visto com cuidado. Por que os Estados Unidos acabaram aceitando a posição brasileira na Alca? Não se pode esquecer que eles estão às vésperas de eleições presidenciais. Um fracasso neste campo acabaria repercutindo negativamente. Até que ponto, se viermos depender mais uma vez do FMI, os Estados Unidos não estarão por trás do FMI para nos pressionar exigindo uma política mais razoável no que diz respeito à constituição da Alca? Então são essas dúvidas que ficam pairando sobre todos nós, e mais uma vez repito: não se trata de algo que vem da maldade dos homens em si. Eles fizeram uma opção errada, e entraram de ponta-cabeça em um sistema de poder que dificilmente permite uma saída.
BDF – O PT representa o maior acúmulo já conquistado pelas forças de esquerda no país, nos últimos anos. O fracasso de um governo do PT pode trazer sérias conseqüências para a esquerda. Como o senhor vê esse fracasso?
Comparato – Eu não sou tão pessimista assim. O que eu acho é que a esquerda vai sofrer uma espécie de depuração. Ela vai ter que abandonar necessariamente essa crença de que, chegando ao poder, ela vai dominar as forças que tradicionalmente organizam o país, ou desorganizam. A esquerda vai entender que é preciso um outro tipo de trajeto para o país, sobretudo outro tipo de preparação para o exercício do poder.
BDF – Como o senhor vê o papel dos movimentos sociais em uma conjuntura como esta?
Comparato – É fundamental. Queria aproveitar para afirmar com toda a convicção o acerto da linha seguida pelo MST. Existe, em toda relação de poder, uma espécie de dialética entre o poder que manda e o poder que impede. Até agora, a esquerda só se preocupou em chegar lá para mandar, mas não percebeu que a tendência natural do poder de mando é se concentrar em si mesmo e eliminar os seus rivais ou os obstáculos ao desempenho de sua ação. Ao contrário, o poder que pertence ao povo deve ser sempre um poder de impedir, de fixar limites àqueles que mandam, e é exatamente isso que faz o MST, com muita propriedade. Ele procura impedir que o poder enlouqueça, e a todo momento ele chama atenção para o fato de que o poder se deixa levar por uma certa negligência, por uma certa preguiça, por um certo conformismo burocrático, e ele tem de ser sempre acordado por aqueles que não se conformam com a injustiça. Quando o MST decidiu não se tornar um partido político, uma ele teve uma visão muito sábia da realidade, porque ele defende muito mais o povo e seus direitos fundamentais mergulhado na sociedade civil, atuando como fermento na massa, do que se ele quisesse se catapultar para o centro do poder e começar a mandar. O que temos de fazer com o governo do PT é nos fortalecer como movimentos sociais para, a todo momento, mostrar ao governo a realidade que ele não quer ver. E, a todo momento, apontar implacavelmente os erros que têm sido cometidos. É preciso fazer isso de maneira ensurdecedora para que eles não tenham nem um minuto de descanso, porque, na verdade, eles são servos do povo. Eles estão na condição, ou deveriam estar, de simples ministros, e ministro é uma palavra que vem de minus, quer dizer, de menor. Eles sempre são menores em relação ao povo; é o povo que é soberano.
BDF – Qual seria a medida imediata que o governo deveria tomar para mudar o rumo do país?
Comparato – Estabelecer a moratória da dívida externa e uma mudança substancial da dívida interna. Colocar o resto do mundo em uma posição de fato consumado. A partir daí poderíamos negociar. Mas não é esse o rumo que está sendo tomado. O que há de terrível na renovação do acordo com o FMI não é, obviamente, o fato do FMI nos dar mais dinheiro, embora isso aumente a dívida. O que há de terrível na renovação do acordo com o FMI é que isso torna muito mais traumático para o país mudar a política econômica. Porque, a partir desse momento, se por exemplo o governo quisesse mudar substancialmente a política econômica não se conformando com as exigências do Fundo Monetário Internacional, teria de reembolsar imediatamente a dívida, e se colocaria em uma posição de fraqueza. Foi lamentabilíssimo que o governo não tivesse aproveitado uma ocasião que não foi criada por ele, mas pelo governo anterior, que era o final do acordo com o FMI, e isso foi dito, por incrível que pareça, até por personalidades de destaque do Fundo Monetário Internacional: o Brasil não precisa de um novo acordo. Mas para a equipe econômica do governo, era indispensável esse novo acordo porque isso era uma espécie de cinto de segurança, para impedir que as pressões sobre a mudança da política econômica chegassem a um extremo, que não houvesse nenhuma possibilidade de retorno.
Agora, depois de três anos, Comparato ainda pensa o mesmo de três anos atrás sobre o governo Lula.
Está sendo um governo inócuo, e aumentando assustadoramente o abismo entre os ricos e os pobres.
O professor Fabio Konder Comparato, mostra alguns números, que se Deus é brasileiro como disse o presidente da República, certamente está de férias, pois aqueles reservam um negro futuro.
1 – “Em 2006, o serviço da dívida pública (amortização e juros) custou ao País R$ 158 bilhões. Vale dizer, quase o quádruplo do (falso) déficit da Previdência Social, que o governo atual e o anterior sempre apontaram como a causa do nosso descontrole financeiro”.
2 – “Entre 2002 e 2006 (governo Lula), as despesas orçamentárias da União no campo da saúde, para o qual se destinariam integralmente os recursos arrecadados com a CPMF, quando foi criada, representaram menos de um quarto do total dos gastos com a dívida pública. As referentes à educação, pouco mais de 10%”.
3 – “O programa de auxílio aos pobres representou, no ano passado, 5% dos juros pagos aos detentores de títulos da dívida pública… A classe média desagrega-se rapidamente: entre 2002 e 2006 (governo Lula), a renda dos que ganham entre 3 a 10 salários mínimos decresceu 46%”.
Recebendo a “GRAN-CRUZ” em 2005.
E recapitulando tudo:
Em 2004 deu uma entrevista condenando o sistema de governo do Lula.
Em 2005 recebeu do Lula a Gran-Cruz.
E em 2007 revelou como anda a economia e o futuro do Brasil.
E ainda tem gente que pensa que está tudo bom com o Brasil.
Eu pessoalmente não participo de muitas das opiniões de Comparato, mas respeito seus princípios e sua visão do estado real dos acontecimentos atuais.
Aprofundando o dialogo!!!!
Aprofundando o dialogo!!!!
“A eleição de Lula (ou do Chavez) já foi o resultado da histórica insensibilidade da elite e da desmoralização da política.”
Esta frase, que muito bem pode ser de autoria do Senador Cristovam Buarque, mas não estou seguro, pode muito bem ilustrar também a eleição do Chavez para presidente da Venezuela.
Durante anos, os eleitos presidentes daquele país visinho, eram pessoas de cultura, médicos, advogados, com tradição política, e por muitos anos reinaram neste país com um clima de insegurança social profundo. A polícia federal de repressão por lá, a temida PTJ, prendia quem queria e por qualquer razão, mantinha os inimigos e críticos do governo presos indefinidamente sem julgamento. Era totalmente corrupta, e por pagamento fazia o que queria.
Este clima de insegurança social culminou com a eleição de um golpista consagrado, na esperança de que ele fosse melhor do que o que havia reinado até ali.
A verdade, é que a tímida democracia que havia até o momento, poderia ser ainda melhorada democraticamente, mas com um ditador no poder, com dinheiro e armado até os dentes, o sistema piorou, e muito e o pior ainda está por vir.
O estadismo expulsou a iniciativa privada e o populismo está quebrando o país.
Não sei quanto tempo a Venezuela agüenta, mas vai arrebentar em cima dos mais fracos como sempre acontece.
Ainda usando a frase acima, vamos ver o caso do Brasil:
Muita gente da mídia, e da política, da tímida oposição, que como oposição vive se vendendo ou pisando na bola, ainda pensa que o mensalão, era o plano do Zé Dirceu, para se perpetuar no poder, comprando os parlamentares, para votarem tudo o que se propusesse como o controle da mídia e a censura prévia, a CPMF, a DRU, a legislação por decreto indefinidamente e a eleição do candidato proposto, propriamente ele o Dirceu.
Eu estou desconfiando, de uma conspiração muito mais profunda.
O mensalão serviu para desmoralizar o legislativo mais do que nada. A absolvição dos mensaleiros, a dança da Ângela Pizzaola Guadagnin, colocou definitivamente o legislativo como bola da vez. É verdade que o executivo ficou um pouco arranhado, pois as coisas foram um pouco apressadas por um acidente de percurso.
Agora o caso do Renan, coloca em cheque a mais alta casa de representação (?) do país
Depois, foi a vez de o legislativo embarcar nesta de comprado, pensando mais em salários do que necessariamente um julgamento decente e com isto piorar o clima de insatisfação da população.
Junto com a inércia do governo, de falar muito e fazer pouco, caprichando nos programas assistencialistas, está criando no Brasil, um clima de insatisfação muito parecido com o que existia na Venezuela pré Chavez.
E apesar de que a democracia no Brasil seja mais sólida do que na Venezuela, de que o campo industrial seja muito maior e mais completo, de que os investimentos estrangeiros sejam muito mais sólidos tudo isto não é garantia contra a insatisfação do povo e a descrença no sistema.
E esta descrença, pode levar o povo do Brasil acreditar que possa haver uma forma melhor do que a atual e que apareça algum aventureiro com credenciais de ditador e tomar o lugar da democracia.
Isto seria um atraso social tremendo e devemos ter cautela para que se este é o plano do PT para se perpetuar no poder, tirarmos dele esta idéia e que dentro da lei e da democracia podemos consertar as incoerências do sistema sem os choques de uma ditadura.
Eta Brasil
Leia abaixo o texto do Senador Cristovam Buarque, retirado do Blog do Noblat:
http://oglobo.globo.com/pais/noblat/post.asp?cod_post=81680
Por que Chávez?
Talvez nenhum outro líder político latino-americano tenha recebido tanta atenção de jornalistas e de políticos brasileiros quanto o presidente Chávez. As análises e críticas são sempre sobre “o que é” e “como age Chávez”. Ninguém pergunta “por que Chávez?” – o que levou a Venezuela, depois de 50 anos de democracia, a optar, por meio do voto, eleição após eleição, por um governo com características autocratas. A resposta é simples: Chávez é o produto da insensibilidade da elite e da desmoralização da política.
Durante os 50 anos de sua democracia, a Venezuela teve dois partidos se sucediam, sem nada mudar, exceto o nome do Presidente. Uma falsa alternância do poder. Por todo esse tempo, o país exportou petróleo e teve recursos para financiar o luxo e a sofisticação do consumo de uma minoria rica. Muito pouco foi usado para atender às necessidades da população pobre, ou para investir em um projeto estratégico de desenvolvimento. O resultado foi um país dividido por uma apartação social, o total estranhamento entre incluídos e excluídos, que se vêem como se fossem partes separadas de um mesmo país, e não componentes de uma mesma nação.
O Brasil se comporta hoje como a Venezuela de anos atrás. A eleição de Lula já foi o resultado da histórica insensibilidade da elite e da desmoralização da política. Ele representava o novo, dizia que o Congresso era composto por 300 picaretas; liderava um partido que era símbolo da luta contra a corrupção e da esperança de uma nova política nacional, que transformaria a sociedade em benefício da emancipação das camadas pobres. É verdade que, no poder, Lula não se comportou como Chávez: em vez de dividir o país, fez uma coesão política entre pobres e ricos. Mas não criou as condições para a unidade social, para a formação de uma nação. Em vez de mudar a sociedade, tomou medidas que acomodaram o povo e os partidos. Adotou uma forma de fazer política idêntica à que antes criticava. A coesão política veio do compromisso com a manutenção do status quo em todas as áreas, e da concessão de programas assistenciais para as camadas pobres.
O resultado é que o Brasil de hoje é a Venezuela de antes de Chávez, com o agravante da perda da esperança no governo Lula. A democracia vai aos poucos sendo corroída pela desmoralização dos políticos, pela insensibilidade das elites dirigentes, pelo cinismo da comemoração pelos pequenos avanços, pela aceitação de que a corrupção é natural e generalizada. Somos um caldeirão de frustrações fabricando uma alternativa autocrática.
Apesar de criticar Chávez, o Congresso brasileiro colabora sistematicamente para fabricar o chavismo no Brasil. Com o aumento do salário dos parlamentares, os acordos para salvar colegas condenados pela opinião pública, a mudança de posições que depende de estar no governo ou na oposição, o aumento de impostos repudiado pelos contribuintes, os fracos resultados no enfrentamento dos problemas da população. Nem aqueles que criticam Chávez sentem saudades dos partidos e dos políticos de antes.
Os juízes passam a idéia de estar mais preocupados com o aumento dos seus salários do que em fazer justiça, e permitem a vergonhosa impunidade dos ricos. Colaboram para formar o desejo popular de um líder autoritário. Na Venezuela, mesmo aqueles que se horrorizam com o controle da justiça afirmam que a justiça anterior não merecia sobreviver.
A imprensa, apesar de denunciar constantemente a corrupção, se concentra no debate superficial, generaliza a crítica a todo político, desmoraliza a classe política – e junto com ela, a democracia –, ignora propostas alternativas para um Brasil sem apartação. Critica os erros, mas não denuncia as causas.
É como nas tragédias gregas. Ninguém quer o resultado trágico do autoritarismo. Mas como atores, estamos todos – Congresso, justiça, imprensa – fazendo a nossa parte para que o Brasil seja uma fábrica de autocratas, produtos da insensibilidade da elite e da desmoralização da política.
Apóstrofo!!!
Apóstrofo!!!
Que a educação brasileira está mal todos sabemos.
E não é de hoje não, o meu pai que foi professor universitário toda a sua vida adulta, foram 33 anos de sacerdócio, corrigia as provas de sua matéria, que era odontologia, com um lápis de duas cores.
Os erros técnicos eram marcados em vermelho e os erros de caligrafia, ortografia e gramática eram corrigidos em azul.
Havia vezes que toda a prova era corrigida em azul e o meu pai comentava que não sabia de onde vinham estes estudantes sem a menor noção de português.
Mas depois de tanto tempo, era de se esperar que as coisas fossem mudadas para melhor, depois de tanto dinheiro gasto deveriam os alunos de curso superior pelo menos ter mais um pouco de preparo.
Não é esta a verdade, nós chegamos assistir os depoimentos do Delúbio Soares que profissionalmente é professor, e dava aflição de escutar seu palavreado, sem nenhuma noção de concordância ou gênero ou numero. Para ele não existia verbo no plural.
O próprio presidente, que não estudou mesmo e se recusa a admitir que estudo seja necessário, geralmente em seus discursos de improviso também não conjuga verbo.
Bem outro dia me enviaram por Email uma resposta sobre o apostrofo.
Não sei qual o teste foi feita esta pergunta, mas pode ter sido o ENEM, onde as pérolas são freqüentes, mas não tenho certeza.
Quero compartilhar com vocês:
4) qual é a função do apóstrofo?
Resposta:
Apóstrofos são os amigos de Jesus, que se juntaram naquela jantinha que Michelangelo fotografou.
Agora vejam na caligrafia original:
Fúria do Lula.
E de novo o Lula tenta esconder sua incompetência e a de seu governo, com discursos improvisados de efeito.
E as mentiras e engodos estão ficando velhos e a sua retórica datada.
A prova disto foi este discurso sobre a falta de energia, onde ele parecia um louco quando de dedo em riste e com os olhos esbugalhados tentava convencer os brasileiros que existe energia sobrando no Brasil.
E não existe mesmo.
O governo FHC, não investiu muito em geração de energia elétrica e no transporte da mesma, mas investiu bem mais do que o governo do PT, e mesmo assim, foi somente aparecer um período maior de seca e faltou energia.
Sem investimento em infra-estrutura de energia elétrica, o governo do PT apenas deu muita sorte de que não houve uma estiagem maior até agora e apenas neste ano de 2007º regime de chuvas foi menor um pouco e começaram a aparecer os problemas de racionamento de gás.
O fato permanece de que no final de 2006, durante a campanha presidencial, os oponentes do PT investigaram e ficou constatado de que existia energia suficiente para o Brasil crescer 8% e pronto. Como não houve em 2007 nenhum aumento na matriz energética brasileira, estes números continuam a serem verdadeiros e se como o governo diz que o Brasil vai crescer este ano 4%, vai ficar apenas 4% de espaço de crescimento para o país depois deste ano.
Quando esta semana foi publicada com estardalhaço a descoberta da reserva Tupi, foi uma notícia boa para o Brasil, mas era notícia antiga e a surpresa foi para tapar a possibilidade do Brasil descobrir que não tem nenhuma reserva energética para curto prazo.
Veja esta notícia que encontrei no blog Prosa e Política –
Giulio, para complementar:
Leia a reportagem de Sabrina Lorenzi na Gazeta Mercantil de 6/09/2005 — há mais de dois anos(parte aqui reproduzida).
“O grande desafio da Petrobras agora é extrair o óleo a 6.000 metros de profundidade. A ousadia de ir mais fundo rendeu à Petrobras o que deverá se tornar a mais valiosa reserva de petróleo e gás já encontrada. A estatal encontrou óleo leve — de excelente qualidade — a 6.000 metros de profundidade, na Bacia de Santos, numa prévia da jazida gigante que avista.”
O gerente- executivo de exploração e produção da estatal, Francisco Nepomucemo, revela a expectativa que a companhia vive após a descoberta. “É uma nova província petrolífera no Brasil. Não está concluído o poço; vamos perfurar mais para fazer o teste de produtividade (volume) do óleo e confirmar a existência de um reservatório”, comemora com cautela. Ele prefere não falar em quantidade antes dos testes de confirmação, mas admite que pode ser volume suficiente para revolucionar os planos da estatal.
“Só digo que, confirmando a descoberta e a produtividade dessa área, aumenta muito o potencial petrolífero da Bacia de Santos. É o grande potencial do Brasil hoje”, disse. Há uma semana, a Petrobras comunicou ao mercado a descoberta de indícios de hidrocarbonetos no seu poço mais profundo, no bloco BM-S-10 a 6,4 mil metros de profundidade, na Bacia de Santos. O poço RJ-S-61 fica na frente de Paraty, no Rio, divisa com São Paulo. A Petrobras é a principal detentora do bloco (65%), junto com a Partex (10%) e BG (25%).
Viram que a notícia poderia ter sido apenas atualizada, mas não, a Dilma falou até de fazer parte da OPEP, em uma euforia como se o petróleo fosse jorrar em seu quintal amanhã de manhã.
Eta turma danada que faz da propaganda distorcida e mentirosa uma arte.
Leiam este edital do Estadão:
O Estado de São Paulo – Sexta-feira, 9 novembro de 2007
O gás que não vai faltar
Só quem assistiu ao evento in loco, ou pela TV, pôde ter a exata medida do grau de exaltação, próximo da apoplexia, com que o presidente Lula reagiu, em discurso no Palácio do Planalto, na quarta-feira, àqueles que falaram em crise, quando, como ele disse, “aconteceu um probleminha de gás no Rio de Janeiro”. “Ah! acabou a energia no mundo”, esbravejou ele de olhos esbugalhados como se estivesse respondendo a um insulto, para concluir dizendo que não acabou e “este país já tem energia garantida até 2012”.
Não tem – e o contraste entre essa realidade e os tão freqüentes pronunciamentos presidenciais, marcados pelo triunfalismo ficcional, torna ainda mais estranha a extrema veemência com que ele se manifestou. Como se a ênfase, o arroubo, os olhos arregalados e o dedo em riste pudessem por um passe de mágica transformar situações sumamente inquietantes em cenários edênicos. Falando de improviso, Lula assegurou (o verbo é dele) “que o governo vai muito bem, o Brasil vai muito bem e está bem gerenciado”.
É verdade que o Brasil vai muito bem. Graças, no entanto, muito menos à qualidade do gerenciamento das questões inerentes à agenda administrativa do País do que aos ventos excepcionalmente favoráveis da economia globalizada na sua presente quadra – os quais, por sinal, ameaçam se transformar no seu contrário, em razão da mais recente crise bancária nos Estados Unidos, do petróleo a US$ 100 e da queda incontida da cotação da moeda americana.
E se há um setor em que o governo vai muito mal e o Brasil está mal gerenciado é precisamente o da energia. A exemplo do apagão aéreo, fruto da generalizada falta de “mão-de-obra qualificada” no governo petista, o risco, que é real, de um apagão não se dissipará a golpes oratórios com gesticulação estudada.
Só pode piorar as coisas a tentativa do presidente Lula de varrer para debaixo do tapete o alerta vermelho que foi, há poucos dias, o “probleminha de gás” a que ele se referiu, desdenhosamente, no seu lamentável improviso de anteontem, aludindo à decisão da Petrobrás, suspensa por liminar, de não aumentar o suprimento do produto para o Rio de Janeiro, para abastecer com ele as termoelétricas movidas a esse insumo. Escaldados, os agentes econômicos não se deixam engambelar pela retórica lulista – e buscam soluções próprias para a crise anunciada.
Outro disparate do improviso de Lula é sua reclamação de que “tem muita gente dando palpite no gerenciamento do governo”. Em primeiro lugar, dar palpite no gerenciamento do governo é exercício de cidadania e função principal da imprensa. Por isso, a estocada obviamente dirigida a ela tem o mesmo nível da sua impagável comparação entre o jogo bruto de Chávez para se eternizar no poder e as sucessivas reeleições dos ex-primeiros-ministros Margareth Thatcher e Helmut Kohl, normais em regimes parlamentaristas. Em vez de levar a sério as críticas, ainda que não desse o braço a torcer em público, quando tenta reduzi-las ao que não são – palpites -, ele apenas reforça as preocupações de todos quantos conhecem a distância entre os problemas objetivos de que cinco anos de lulismo não deram conta e os discursos do cotidiano presidencial.
“Nós vamos descobrir os gases (sic) que precisamos descobrir”, profetizou ele em dado momento, “ou vamos comprar o gás que precisar comprar”. “Vamos descobrir” graças à força do pensamento positivo? E “vamos comprar” de quem? Da Rússia, no outro lado do mundo? E a que preço? Por via das dúvidas, a Petrobrás está anunciando um aumento de até 25% no preço do gás.
A colisão frontal entre a realidade implacável e a fantasia presidencial está na cara, como se diz, na justaposição de dois títulos numa página da edição de ontem do jornal Valor. O de baixo enuncia: “Lula afirma que Brasil tem energia garantida até 2012.” O de cima resume um texto que mostra por que não existe essa garantia: “Petrobrás não cumpriu metas de expansão.” Citando dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP) até setembro, o texto que se segue informa que a oferta de gás natural brasileiro este ano ficou aquém não só da marca de 2006 (queda de 3,4%), mas também das metas estabelecidas no plano estratégico da empresa (menos 22%, a se manter a tendência).
Por enquanto só está garantido que não faltará gás para a oratória de Lula.
Abobrinhas recentes.
Outro dia, o Brasil de Lula formou uma grande comitiva, que levou até o bruxo Paulo Coelho, à Suíça este mesmo o exímio arqueiro, para ajudar o Brasil ganhar o direito de hospedar a Copa de 2014.
Considerando que o Brasil era o único candidato, foi uma luta muito árdua para conquistar este direito.
Competindo com ninguém, o Brasil precisou da enorme comitiva e do auxílio do bruxo para sair da Suíça com o privilégio de tentar hospedar a copa.
Sim tentar pois ainda temos que demonstrar para a FIFA que no Brasil existem realmente as condições necessárias de segurança, transporte e hospedagem para o evento.
Mas o melhor ficou para o fim, com um discurso de improviso do nosso Apedeuta onde ele disse:
“Vamos ter uma copa para argentino nenhum botar defeito.”
Que complexo terrível será este que o nosso (pode ser seu, mas meu ele não é) presidente pretende fazer uma copa não para o bem e conforto de nossos cidadãos, e prestígio para o país, mas para esnobar a Argentina.
Realmente ao ouvir esta declaração na CBN, fiquei envergonhado de ser brasileiro.
E dizem que de futebol ele realmente entende muito.
Então ele está no lugar errado.
Deveria ser o presidente do Coríntias o seu time que vai de mal a pior, e aonde a ética administrativa vai batendo com as práticas da administração pública.

Como presidente do Brasil, ele não faz nada. Apenas passeia pelo mundo.
Outra abobrinha foi quando muito irado ele disse que os pessimistas de plantão ficam torcendo por uma crise energética no Brasil para macular o seu governo.
Disse que a energia do Brasil está garantida até 2012.
Que reflitam isto os motoristas de taxi do Rio de Janeiro, e para ficar sem crise de energia em um futuro próximo o Brasil não pode crescer. Temos energia nos moldes atuais para crescer 4% e pronto.
Ele está indo correndo para pedir pinico ao Evo Morales e outra vez investir na Bolívia, sem nenhuma garantia para aumentar a entrega de gás ao Brasil.
Morro de vergonha disto também.
Política externa fraca e ineficiente.
O que deveria ter feito se o Lula fosse uma pessoa de decisões, seria apelar para uma mediação do Mercado Comum, e fechado as fronteiras do Brasil para a Bolívia até que os contratos fossem respeitados. O porto de Santos deveria ter ficado inacessível até a resolução destes litígios onde o Brasil através da Petrobrás foi inexoravelmente ultrajado.
Eta Brasil…….
Cinismo e hipocrisia.
BRASÍLIA – O Brasil reduziu a miséria pela metade nos últimos cinco anos graças a impostos como a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). A afirmação é do presidente interino do Senado, Tião Viana (PT-AC), em entrevista hoje à Rádio Nacional
O cinismo é tanto que tem pessoas que ainda acreditam que o governo Lula está de vento em popa.
A arrecadação de impostos será maior este ano do foi no ano passado. O acréscimo será de 17% maior do que o montante arrecadado em 2006.
Em 2006, o total arrecadado pela recita federal foi muito próximo a 400 bilhões de reais.
(R$397,611 bi)
Com o aumento planejado de 17% sobre esta arrecadação, o governo deve superar 65bilhões de reais arrecadados a mais em 2007. Este aumento representa 15 bilhões a mais do que será arrecadado em 2007 pela CPMF.
Com estes números, o Brasil não precisa realmente da CPMF.
Mas o governo gasta mal, joga fora o nosso dinheiro e por isto a sanha arrecadatória está em alta e não pode abrir mão da CPMF.
Na declaração acima, está mal explícito o que seja a faixa da miséria.
Foi considerada dentro da faixa da miséria, uma pessoa que ganha abaixo de R$ 125,00 mensais. Isto, é muito abaixo do atual salário mínimo e esta cifra considerada pelo governo, está muito longe de ser uma quantia para um cidadão sobreviver com um pouco de dignidade.
Foi apurada pelo SIAF, que a dona Marisa Letícia, tem um gasto médio diário, através de um cartão corporativo em nome de sua segurança pessoal, uma senhora que se chama Maria Emília Évora, de R$ 2.500,00 e de que desta quantia em média são sacados diariamente em dinheiro vivo, R$ 1.700,00.
Em 30 dias, esta senhora primeira dama, retira para seu uso pessoal, R$ 75.000,00.
Isto equivale a 600 pessoas, que sairiam da faixa da miséria por mês apenas com os fundos retirados em favor da primeira dama. Seriam 7.200 menos miseráveis ao ano.
Agora isto é café pequeno, e pode parecer até fofoca com o resto do dinheiro que foi jogado fora com uma administração ridícula dos problemas nacionais.
Vejamos com os números da Petrobrás. As dependências brasileiras na Bolívia, de propriedade da Petrobrás e garantidas por contrasto internacional foram negociadas pelo Brasil, com um defasamento de 200 milhões, em desfavor do Brasil e que ainda não foi nada recebido.
Somente este desperdício, porque o governo ficou com pena do pobre Evo, tirariam da faixa de miséria um milhão e seiscentos mil miseráveis..
Operação tapa buracos em janeiro de 2006. Ano eleitoral e período das chuvas.
R$ 440 milhões do governo para recuperar 26 mil km de estradas são bem-vindos, mas insuficientes. Minas Gerais investiu R$ 300 milhões em 2005 para recuperação de 5.000 km de rodovias.
Todo este dinheiro foi desperdiçado como uma investigação do TCU comprova.
92% de toda a obra estão sob suspeita, e as estradas, em sua maioria estão iguais ou pior do que em janeiro de 2006.
A metade deste dinheiro, que foi apenas roubado pelas empreiteiras e políticos em uma ação puramente eleitoreira, tiraria da faixa da miséria mais 1 milhão e oitocentos mil miseráveis.
O discurso do Tião Viana está ótimo, mas é puramente o governo querendo mais dinheiro para jogar fora. Nosso dinheiro.
O Lula que em campanha do primeiro mandato prometeu de pés junto de que a taxa tributária seria revista para baixo em seu governo, mudou o tom e agora disse que os ótimos serviços que os brasileiros desfrutam, custam muito caros e que nós temos mais é que pagar imposto sim para termos segurança, saúde e educação de primeiro mundo.
Quando o Lula assumiu, a taxa tributária do Brasil era a segunda maior do mundo perdendo somente para a Turquia: 36% do PIB.
A maneira de calcular o PIB foi modificada pelo IBGE, favorecendo os números finais.
Com esta nova modalidade a percentagem dos impostos sobre o PIB caiu um pouco mas ainda assim supera os 40% e passamos a Turquia.
Na visão mais antiga teríamos agora um percentual de 42% do PIB.
Apesar desta elevada e pesada taxa tributária, a saúde está em caos, a segurança muito questionável, e a educação é a pior dos ultimo 20 anos.
As figuras do governo mostram uma melhoria nos números da evasão escolar devido ao bolsa família mas a qualidade deste ensino está péssima.
E falando nos programas sociais do governo Lula, que deveriam ajudar a retirar os miseráveis desta faixa indigna, estão permeados de fraudes e roubos descarados e estão recebendo benefícios indevidos até funcionários públicos federais. Os programas e as fiscalizações são fracos e os espertalhões e o roubo muito forte.
Este governo que somente em cinco anos contratou sem concurso algum, 180.000 novos servidores regiamente pagos e criou 27 novas estatais, gasta dinheiro com as duas mãos e vem falar dos pobres miseráveis brasileiros, usados como bucha de canhão para justificar a sanha arrecadatória do governo.
O pior vem por último, está encarregado da transposição do Rio São Francisco, o Gedel Vieira Lima, apelidado na Bahia, o seu estado de “AGATUNADO”.
Esta obra, totalmente inútil, não tem como ser concluída, pois não existe energia suficiente para o bombeio de 16m³ por segundo.
Seriam necessários 900Mw hora para esta façanha, com as bombas mais eficientes, e isto é quase a totalidade da produção da usina de Sobradinho na Bahia.(1.100Mw)
Por mais que o Lula grite e esperneie de que temos energia suficiente para crescer até 2012, não é a verdade. Ele mente muito.
Temos no atual nível de crescimento de 4%, o pior de toda a América Latina (apenas ganhamos do Haiti) temos energia para manter este nível por mais um ano e pronto.
Não existe nos programas de governo nada para melhorar isto no curto ou médio prazo, e um apagão é eminente.
Estes são fatos constatados por várias autoridades no assunto de faculdades famosas como a USP ou a PUC, ou a UFMG.
Destes fatos tiramos a conclusão de que os 6,2 bilhões aprovados pelo congresso para serem gastos na transposição serão também desperdiçados.
Estes gastos seriam suficientes para pagar não 125 reais para os miseráveis, mas para pagar um salário de 380 reais a 16,5 milhões de pessoas necessitadas.
E agora o governo vem com esta choradeira de que terá de sacrificar outros programas sociais ou subir ainda mais a carga tributária se a CPMF não for aprovada.
Se o governo aprender a gastar dentro do que arrecada, as taxas poderão ser reduzidas e não acrescidas
A CPMF é temporária, não ficou constatada a sua necessidade emergencial e deverá ser abolida para sempre imediatamente.
SHÔ – SHÔ – SHÔ –
CPMF.
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