blog do Roberto Leite

Assuntos de interesses multiplos e atuais.

As dificuldades do sonho

As dificuldades do sonho

Sonhar é muito bom.

Existe uma linha de pensamento que afirma que quando você para de sonhar, está começando a morrer.

Sonhar porem tem que ter certas condições, e uma delas, talvez a principal, é sonhar com os pés no chão ciente de todas as dificuldades em realizar o seu sonho.

E o meu sonho, está repleto de dificuldades sendo a maior delas o “Estatus Quo” ou seja as coisas estão enraizadas bem profundas e para remover estas raízes vai ser difícil, mas pode ser feito.

O jornalista Laurence Bittencourt Leite comenta uma destas dificuldades de maneira brilhante:

Por Laurence Bittencourt Leite

Com toda sinceridade, na minha avaliação, a única classe política que existe no Brasil é a estatal. Só. E sua única produtividade é a burocracia. Essa classe política estatal é aquela mesma, por exemplo, que Emil Sader chamou de “burguesia mafiosa no poder”, ao falar do que resultou o socialismo da ex-União Soviética sob o stalinismo, e que foi tão brilhantemente acusada e acuada por Trotsky. E se a humanidade “não está condenada a qualquer destino pré-determinado”, aqui no Brasil, infelizmente, contrariando esse fato, podemos dizer que sim.
O governo atual (ia escrever apenas o federal, mas sei que serve como uma luva para os estaduais também) em nosso país, é aquilo que podemos chamar de “ídolo erguido” através de uma falsificação ideológica. Da mesma forma que o stalinismo “venceu” através de uma falsificação grosseira, inescrupulosa e sistemática do passado, aqui também ocorre o mesmo.
A imagem glorificada de um homem sem culpas ou manchas como grande parte da população carente (e também não carente) vê em Lula, não pode continuar. É um desejo meu? Certamente. Mas vale a pena. Certamente, que também não deve ser um objeto de um retrato onde só impere a fraqueza ainda que essa seja, talvez, a mais correta. Lula e seu governo são tão responsáveis por esse Brasil atual, como todos os governantes e partidos que já o precederam. O mundo não começou hoje.

Mas a grande revolução nesse país, insisto, ainda está por acontecer, que seria a construção e solidificação de uma cultura capitalista. Mas quem há de implantá-la? O golpe de Estado patrocinado e realizado pelos militares a partir de 1964 tinha esse objetivo, segundo todos os historiadores recentes. Tenho minhas dúvidas. O certo é que após a derrubada de Jango, o que vimos foi a implantação gradual, firme e ampla dos objetivos da esquerda ou das diversas esquerdas, com uma estatização sem precedentes no país. Como parênteses, um amigo meu de “esquerda” esteve recentemente no Chile. Voltou impressionado com o que viu de positivo. Chegou a dizer que o Chile era o único país da América Latina que parecia com a Europa. Deu vontade de perguntar qual a explicação para tal fato. Preferi o silencio, porque certamente, ele iria dizer qualquer coisa, menos que se deve a implantação de um regime de mercado na economia com privatização total.
Bom, mas voltando a nossa história, é possível dizer que mesmo com a parca iniciativa de industrialização iniciada por JK nos anos de 1950 foi contraposta (tanto é verdade que o próprio JK foi perseguido pelos militares) às idéias “esquerdizantes” dos militares. Eu sempre costumo dizer que a mentalidade esquerdista e a militar se não são siameses, chegam próximos (ok, o Chile foi exceção, mas que só confirma a regra). Daí minha tese de que a grande revolução a ser feita nesse país, continua sendo a de tirá-lo das traças medievais e da burocracia ineficiente estatal. Quem será esse homem? Quem? Ou qual partido? Collor esboçou um rascunho, mas foi abatido em pleno vôo, pelas forças que não admitiam (nem admitem) a intransigência com elas, alijando-as do processo. Sei que não foi apenas por isso, claro.
Por fim, resta repetir as palavras geniais e proféticas de Maquiavel no clássico “O Príncipe”: “…não há nada mais difícil de realizar, mais perigoso de conduzir ou de êxito mais incerto do que tomar a iniciativa na introdução de uma nova ordem de coisas. Porque o inovador tem como inimigo todos os que estavam bem nas condições antigas, e defensores pouco dispostos naqueles que talvez venham a ficar bem nas novas”.

laurencebleite@zipmail.com.br

 

 

E o Roris foi confiar em quem mesmo?

gim.jpg

 

08 Jul 2007 Publicado por Roberto Leite de Assis Fonseca | O SONHO, ÉTICA | | Sem comentários ainda

EU TENHO UM SONHO

EU TENHO UM SONHOsonho.jpg

Discurso de Martin Luther King (28/08/1963)

http://www.portalafro.com.br/religioes/evangelicos/discursoking.htm

Este ativista americano, dos anos sessenta, e que foi assassinado em 1868, teve realmente um sonho, e conseguiu com suas marchas pacíficas, uma atenção da população americana para os abusos cometidos contra os negros. Este discurso, na íntegra no link acima foi em uma famosa marcha de Washington de 1963 onde ele marchou com seus seguidores, do capitólio ao monumento de Abraão Lincoln, de onde fez o seu pronunciamento.

Pelos seus esforços e pela sua atividade completamente pacifista, ele foi indicado e recebeu o prêmio Nobel da Paz em 1964.

- De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto. (Senado Federal, RJ. Obras Completas, Rui Barbosa. v. 41, t. 3, 1914, p. 86)

A famosa frase de Rui Barbosa, que está sendo incessantemente mencionada nos diversos blogs e comentários que acesso diariamente, apesar de real e verdadeira, está se tornando um clichê.

É uma verdadeira pena que as pessoas chegam a mencionar os escrito do famoso e ilustre baiano, sem mencionar outras do mesmo autor, que incitam às pessoas a fazerem algo a respeito desta falta de vergonha e de desgoverno que se tornou o sistema político brasileiro.

Rui também disse:

Maior que a tristeza de não haver vencido é a vergonha de não ter lutado!” (Rui Barbosa)

Esta grande e gritante verdade deveria chamar aos brios os cidadãos brasileiros que estão reféns do sistema governamental, e dos três poderes. Todos os poderes estão de tal maneira entrelaçados, em uma promiscuidade daninha, e que se traduz em impunidade para os infratores que são constantemente alvo de matérias sérias na mídia, que são pegos diariamente com as mãos na massa, em gravações e filmagens vergonhosas feitas pela polícia ou por outros meios. Temos que lutar para que a lei e a honra prevaleçam.

Temos que ajudar os poucos como Simon, Peres, Gabeira, entre outros poucos que representam a tímida voz da decência entre este mar de indecência que se traduz em Congresso Nacional.

A esperança é o mais tenaz dos sentimentos humanos: o náufrago, o condenado, o moribundo, aferram-se-lhe convulsivamente aos últimos rebentos ressequidos. (Rui Barbosa – A Ditadura de 1893, IV-207).

E não está acontecendo apenas no congresso, está também o judiciário, todo armado para preservar a impunidade parlamentar. A indecência deste foro privilegiado, onde o parlamentar tem que ser julgado pelo Supremo Tribunal, é apenas uma desculpa inventada para dizer que o parlamentar não será punido.

Em 25 anos, o supremo julgou apenas 16 processos, e não condenou nenhum deles. É mole?

E a tal da prescrição jurídica? O parlamentar pego e comprovadamente culpado, sem nenhuma desculpa para não ser punido, como foi o caso do Jader Barbalho, que desviou quase 6 bilhões de reais do SUDAM, está protelando com artifícios jurídicos o seu julgamento ou julgamentos, e a maioria deles está prescrevendo na justiça, prevalecendo novamente a impunidade.

E esta barbaridade onde um político descaradamente culpado, para não enfrentar um Conselho de Ética, pede demissão do cargo para não serem cassado perdendo desta forma seus direitos políticos por oito anos.

É o caso do ACM e do atual governador do DF José Roberto Arruda, que como recentemente o ex-governador Roris, que renunciaram, chorando e pedindo perdão a Deus por seus pecados e se dizendo inocentes. Melhor jurando inocência em nome de seus filhos.

Eu duvido que tenham chorado enquanto recebiam seus dividendos frutos de suas roubalheiras.

E o executivo, embalado pela onda de impunidade, onde um presidente que deveria dar o exemplo passa as mãos pela cabeça de seus principais auxiliares pegos todos com a arma fumegante nas mãos, e depois quando não tem mais jeito, os chama de aloprados, e pronto está tudo limpo de novo. Onde o seu filho mais velho, se transforma em milionário instantâneo, embalado por empresas que têm grande interesse nas decisões presidenciais, e descaradamente diz que o menino tem talento e pronto, com isto fica explicado o inexplicável.

E se todo o sistema está armado, para se purificar entre si, sem prestar atenção ou dar satisfações a quem de direito, que são os eleitores que pagam os seus salários, se a justiça que deveria depurar o sistema punindo os infratores, ou está comprada ou amarrada em miríades de leis fantásticas ou retrogradas, ou se o executivo perdeu a vergonha, e está governando em seu próprio interesse, ou melhor, não governa e se refestela-se com o dinheiro dos eleitores, o que fazer?

Parece difícil esta situação, como a fábula do cordeiro e do lobo, que querendo uma desculpa para devorar o cordeiro, diz que ele está turvando a água que ele está bebendo. Quando o cordeiro diz que a água está correndo do lobo para ele e que se alguém está turvando a água é o lobo. O lobo vendo-se sem resposta diz que se ele não está turvando agora então turvou ontem o que vem a ser a mesma coisa. O cordeiro então diz que é a primeira vez qua vem a este riacho. E o lobo sem mais desculpas diz, se não foi você então foi seu pai ou seu irmão o que vem ser a mesma coisa e devorou o cordeiro de qualquer forma.

Em verdade, o lobo não precisava de nenhuma desculpa para devorar o cordeiro, pois tinha a sua força a seu favor, mas assim na marra poderia pegar mal.

Nós o eleitores somos as presas fáceis dos administradores, que pretendem se apoiar nas frágeis e retrógadas leis de nosso sistema para aparentar que estamos em uma democracia.

Não estamos em nenhuma democracia. Temos um sistema em que predomina a corrupção desenfreada, e onde se são pilhados com a mão na massa, não existe punição.

Pois aqui cem o conselho do Rui novamente:

Se os fracos não têm a força das armas, que se armem com a força do seu direito, com a afirmação do seu direito, entregando-se por ele a todos os sacrifícios necessários para que o mundo não lhes desconheça o caráter de entidades dignas de existência na comunhão internacional. (Rui Barbosa – A Revogação da Neutralidade Brasileira, 33).

Pois após esta entrada e destes conselhos do Rui Barbosa, este ilustre baiano, que infelizmente também é compatriota do ACM e do Gedel Vieira Lima o agatunado que foi agora nomeado o guardião dos seis bilhões de reais da transgressão contra o Rio São Francisco eu vou me basear no início do post:

Eu também tenho um sonho……

Não é um sonho realmente para mim, mas para o passado e o futuro.

O passado a que me refiro, foi a geração de meu finado pai e tios que sempre trabalharam honestamente, participaram da vida do país, sempre com a esperança tenaz que se referiu com propriedade o Rui, de que o Brasil deveria ter um futuro brilhante e que nós os seus filhos teríamos um grande orgulho em ser cidadãos deste país. Para eles o meu sonho, deverá ser uma homenagem póstuma aos seus esforços, no sentido de transformar o Brasil no país que eles tinham em mente durante a sua vida de lutas contra a tirania que agora vigora mais do que nunca.

O futuro a que me refiro, é a geração de meus filhos e sobrinhos para que eles sintam e desfrutem dos sonhos de meu pai.

O meu sonho….

Como vou descrever o meu sonho, falarei na primeira pessoa, mas poderia ser qualquer um que viesse a realizar este sonho, e que teria o meu voto e o meu apoio.

Eu quero organizar e realizar uma marcha na esplanada dos ministérios. Não uma pequena marcha como MLK em Washington, com um pequeno número de seguidores, amedrontados, seguindo o pastor.

Eu quero organizar uma marcha de no mínimo dois milhões de pessoas, sem medo e com as caras pintadas, entrando pelos portões do congresso, e atingindo o plenário, com um número expressivo de representantes da sociedade, como OAB, MPF, e os representantes eleitos com o voto popular direto, que hoje na câmara são apenas 31.

Assumir a presidência da mesa e sumariamente demitir todo e qualquer parlamentar que não fosse eleito com um voto direto. Ao mesmo tempo demitir todo e qualquer parlamentar que estivesse envolvido em processo jurídico criminal. Declarar extinto o “Foro Privilegiado” e as imunidades gerais, ficando valendo apenas a imunidade por atos jurídicos e a palavra. Fazer valer o princípio de Cezar que o parlamentar não apenas tem que ser honesto como também tem que parecer honesto e com isto retirar todo e qualquer sigilo de parlamentares e auxiliares diretos enquanto forem empregados dos eleitores.

Com o auxílio da OAB, promulgar uma reforma no judiciário e no executivo, limitando os tempos e tramites dos processos penais e criar não um “Foro Privilegiado”, mas um “Foro Parlamentar”, onde um parlamentar suspeito de crime seria julgado rapidamente, com direito à defesa, mas sem as manobras dilatórias e estes crimes não teriam prescrição. Teriam que enfrentar um júri popular, pois foram empossados pela confiança popular.

Outras medidas seriam votadas e se aprovadas implementadas diretamente, como o salário dos parlamentares, seria decidido pelo voto ou referendo popular, como, aliás, recomenda a atual constituição.

Fazer uma reforma política real, onde os partidos seriam os responsáveis diretos de seus candidatos, e se o candidato do partido fosse pilhado realizando algum ato criminal, o partido seria punido como um todo ficando proibido de participar de eleições durante certo período. Também o partido seria responsável de fornecer aos seus candidatos, um curso de dois anos com um número mínimo de horas atendidas, sobre administração pública e ética política. Os gastos com a campanha seriam limitados, e as doações legais que passassem dos limites estabelecidos seriam doados a instituições de caridade escolhidos à priori pelo doador.

Todas estas medidas seriam constitucionais e apoiadas na presença de dois milhões ou mais de cidadãos reunidos na explanada dos ministérios.

Enfim, o meu sonho é que os cidadãos, apoiados e armados na força de seu direito, possam fazer uma reforma radical que transforme o Brasil no país que merece ser por direito, em nome do passado e do futuro.

Este deverá ser o novo tema do blog, que andou um pouco desleixado enquanto eu procurava um sentido para ser brasileiro e ter orgulho do Brasil.

Roberto Leite de Assis Fonseca.

Brasília, 8 de julho de 2007.

Para não ficar apenas nas coisas ruins, um pouco de humor é preciso. Também ninguém é de ferro.

filho-maravilha.jpg

humildade.jpga-soberba.jpg

 

 

08 Jul 2007 Publicado por Roberto Leite de Assis Fonseca | O SONHO, POLÍTICA, REFORMA POLÍTICA | | Sem comentários ainda