Os Pára Raios do Senado.
Os Pára Raios do Senado.
Vou começar este artigo com uma frase do Gal. Olimpio Mourão Filho:
“Ponha-se na presidência qualquer medíocre, louco ou semi-analfabeto e vinte e quatro horas depois a horda de aduladores estará à sua volta, brandindo o elogio como arma, convencendo-o de que é um gênio político e um grande homem, e de que tudo o que faz está certo. Em pouco tempo transforma-se um ignorante em um sábio, um louco em um gênio equilibrado, um primário em um estadista. E um homem nessa posição, empunhando as rédeas de um poder praticamente sem limites, embriagado pela bajulação, transforma-se num monstro perigoso”
Olympio Mourão Filho – 1978.
Tenho uma pequena empresa no DF especializada em instalar, Corrigir, testar e fazer laudos sobre as condições dos Pára Raios. Hoje em dia o nome técnico para um pára raios é SPDA que significa Sistema de Proteção contra Descargas Atmosféricas. No começo dos anos 60, foi patenteada uma inovação nestes aparatos para captar e encaminhar as descargas para um aterramento seguro. De acordo com a teoria, se parte perto do captor, que é o elemento mais alto do sistema, fosse energizado com uma carga radioativa, criaria um campo propício para uma descarga atmosférica pudesse encontrar o sistema e ali iniciar a sua descida para o aterramento. Era esta a primeira inovação no sistema descoberto por Benjamin Franklin, e que havia funcionado até o momento. Este novo sistema utilizava uma partícula de baixa radioatividade chamada Amerício. Que ficava situada em um copo ou saia em volta da ponta captora e teria a função de criar um campo propício para facilitar o caminho da descarga ao solo. Este novo sistema de captação virou moda no DF, e era caríssimo comparado ao antigo.
Foram instalados por todos os lados. Principalmente em repartições públicas, escolas, quartéis, etc.
Em meados de 1998, após anos de estudos comparatórios, chegou-se à conclusão de que este novo sistema não apresentava nenhuma vantagem sobre o sistema clássico de Franklin, e com a desvantagem do perigo de contaminação tóxica causada pelo Amerício. Nesta época então ficou proibido a instalação destes aparatos radioativos e foi determinado que em época de manutenção estes captores fossem substituídos pelos captores Franklin tradicionais. Os aparatos radioativos deveriam ser descartados pela CNEN, ou seja, a Comissão Nacional de Energia Nuclear. A nossa empresa executa este trabalho. No ano de 1997, foi votada pela Câmara Distrital do DF, uma lei que obriga a substituição de todos estes aparatos instalados no DF. O órgão de governo encarregado para fiscalizar a retirada e substituição destes aparatos é o Copo de Bombeiros Militar do Distrito Federal.
Ironicamente, existem ainda em alguns quartéis do CBM/DF, alguns aparatos destes que legalmente deveriam ser substituídos. Depois de 10 anos de vigência da lei estes captores radioativos ainda estão por toda parte.
Principalmente no Congresso Federal, nos anexos, no mastro da bandeira nacional, e nunca foram revisados ou trocados como manda a lei. E estes senhores que ocupam o congresso é que fazem as leis. Fazem mas não cumprem. Existe até um local no DF chamado Clube do Congresso que está irregular com as normas que regem o uso do SPDA.
Bem toda esta conversa acima foi para chegar a este ponto, o Clube do Congresso.
Não este prédio localizado ao lado do INCRA em Brasília, mas o clube do Bolinha virtual, formado pelos senadores, que podem ser de vários partidos, mas apenas para fachada, no âmbito do congresso, cada um defendo o outro em um corporativismo nojento, e que já começa a pegar mal. Estou generalizando o congresso, mas quero enfatizar que existem exceções e que apear de raras, ainda servem para dar ao nosso sofrido povo, um vislumbre de esperança.
O Senador Renan Calheiros, vem de longa data, comandando um clube que abriga empreiteira e lobistas que tiram vantagens de emendas parlamentares, decisões políticas e que lhe dão sua parte nas vantagens recebidas.
Os benefícios recebidos são em nome de laranjas ou são repassados para cobrir despesas pessoais, de maneira dissimulada para não chamar atenção, mas um dia a casa cai.
No presente episódio, os benefícios recebidos, serviram para cobrir a sua obrigação social de uma relação amorosa com uma repórter e sua filha ilegítima. O Raciocínio dele foi o seguinte:
“Tenho que sustentar de forma decente esta minha despesa extra, então que as comissões desta empreiteira que sejam passadas diretamente para a Mônica e nossa filha, em dinheiro para que não seja detectada”
Ele não contava, no entanto com os grampos da PF na operação Navalha. E não contava com a confissão da Mônica sobre o assunto.
Então depois de fisgado, este peixe saiu, em sua defesa, e ajudado por outro membro do Clube do Bolinha, José Ribamar Ferreira de Araújo Costa.
Não conhece?
O Pai dele trabalhava na propriedade de um inglês, o Sir Ney e adotou o nome do proprietário usando como nome José Sir Ney que variou para Sarney.
O nosso membro do Clube, em um acesso de personalidade, em 1955 trocou o Ribamar para Sarney, ficando conhecido como é até hoje por José Sarney, com Épsilon e tudo que atualmente nem existe na língua portuguesa.
Voltando ao nosso membro inicial, o Renan Calheiros, que condizente com a ética parlamentar deveria deixar a presidência do Senado enquanto se defendia, não o fez, e subiu na tribuna como presidente e leu o discurso afinado com a ajuda do Sir Ney. Neste discurso ele disse que a mídia havia invadido a sua privacidade, esquecendo que como homem público, a sua privacidade estava em limbo durante seu mandato, pois deveria provar a confiança nele depositada pelos eleitores. Ele se esqueceu que o que foi invadido foi a inteligência do seu eleitorado, que foi chamado de idiota ouvindo as estapafúrdias explicações de uma coisa que não tinha explicações.
Outro membro do clubinho, o senador Romeu Tuma, ex-delegado de polícia foi escalado para averiguar o incidente e pasmem senhores de inocentar o membro em questão como declarou de público.
Isto pegou tão mal que agora anda pedalando para trás dizendo que vai investigar a sério o incidente.
E perguntado se iria convocar a Mônica para depor, disse que não queria fofocas neste inquérito.
Fofocas? Machismo? De uma das pessoas mais envolvidas no escândalo? Tenha paciências e pena do seu eleitorado Tuma.
O Renan, merece é cadeia pois é culpado sim, de corrupção ativa e passiva.
Sai daqui seu ladrão corrupto.
Este clubinho de merda deveria é ser extinto.
Editorial do Jornal O Estado De São Paulo de sexta feira 8 de junho de 2007
Simulação no Senado
O processo aberto no Conselho de Ética do Senado contra o presidente da Casa, Renan Calheiros, para apurar se houve quebra de decoro parlamentar, é como a hipocrisia: a homenagem que o vício presta à virtude. Aparentemente, foi a dignidade da chamada Câmara Alta da República que determinou a virtuosa decisão de apurar se o seu dirigente máximo de fato aceitou que uma conhecida empreiteira lhe pagasse despesas pessoais advindas de um relacionamento extraconjugal. Na realidade, porém, o processo resulta de uma intenção viciosa – a de fazer a sociedade acreditar que o Senado não compactua com eventuais desvios de conduta de seus integrantes – quando tudo foi preparado para uma absolvição.
A decisão de abrir o processo só foi tomada depois que o PSOL, que pedira sua abertura, ameaçou recorrer ao Supremo Tribunal Federal se o seu pleito fosse sumariamente desconsiderado, como pretendiam os pressurosos pares do senador alagoano. Pelo menos duas vezes, nos últimos anos, a Corte acolheu queixas do gênero contra o rolo compressor das maiorias congressuais. Mas que ninguém se engane: tudo o que for preciso fazer para o processo terminar em pizza será feito, no devido ritmo, enquanto os pizzaiolos adotarão a costumeira expressão corporal de quem busca a verdade, nada mais do que a verdade. Por exemplo, cuidaram de não entregar a relatoria do processo a um correligionário ou aliado político de Calheiros, como seria um senador do PMDB ou do PT.
Mas, por trás da fachada, os andaimes do palco em obras já se deixam ver. A escolha, para relator, do octogenário maranhense Epitácio Cafeteira, do PTB, que deve a senatoria ao cabo eleitoral José Sarney, praticamente garante uma investigação breve, rasa e mansa. E, se o barco balançar, não faltará quem acuda o neófito presidente do Conselho, o petista acreano Sibá Machado, que chegou ao Senado quando a titular da cadeira, Marina Silva, se tornou ministra. O fato é que, não bastasse a sabida solidariedade suprapartidária entre os 81 membros do que é tido como o “clube” do Legislativo, o afável Calheiros, seu sócio há mais de sete anos, armou ali uma rede aparentemente inabalável de amigos e, mais do que isso, devedores.
Ainda assim, a história que deu origem ao inquérito fez mais até do que a notória promiscuidade dos Calheiros – o senador e seu irmão Olavo, deputado federal – com o desenvolto Zuleido Veras, da Construtora Gautama, para descerrar o retrato de um político habilidoso que, vindo do PC do B, logo descobriu sendas mais promissoras para subir na vida pública e se dar bem nos negócios. A sua desinibida trajetória, a começar do papel exercido na fabricação do “caçador de marajás” Fernando Collor, nunca foi segredo. Eis por que escrevemos neste espaço, em seguida às revelações da revista Veja sobre o senador e o lobista Cláudio Gontijo, da Mendes Júnior, que a única surpresa com essas revelações foi o tempo que levou para algo do gênero vir à tona.
Depois, as cifras fornecidas por Calheiros para provar que tinha recursos de sobra para pagar ele mesmo suas contas ajudam a traçar o perfil de um personagem que, apesar da relativa pouca idade (51 anos), está à vontade no molde dos tradicionais oligarcas nordestinos, o coronelato da terra e da política provincial, uma coisa aparentada à outra. Tomem-se as informações do senador sobre as suas fontes de renda. Segundo o noticiário, ele declarou ter faturado R$ 1,9 milhão com a venda de 784 das suas 2.488 cabeças de gado. Se assim é, as suas fazendas de criação são as mais rentáveis do País – e Murici, seu feudo a 60 quilômetros de Maceió, um pólo pecuário ignorado pelos desatentos especialistas em economia agrária brasileira.
Esses números têm tanto crédito quanto os nomes que, nas certidões, figuram como donos dos bens fundiários que todos em Murici sabem de quem são. O caso mais notório é o da Fazenda Cocal. Em 2005, o ex-administrador das terras da família Calheiros, por sinal primo e irmão adotivo do senador, ficou sabendo que aparecia na escritura de compra da propriedade como se a tivesse comprado dois anos antes. O que ele não ficou sabendo é que a “vendeu” a outro laranja. Certidão de janeiro de 2006 atesta que a Cocal pertencia a uma certa Marlene Gomes da Silva, ex-empregada da fazenda. Detalhe: ela falecera há nove anos.
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